Capítulo 31 - Um reencontro desagradável
Sara chegou a sua casa em pouco mais de dez minutos, entrou e não encontrou Any. Lembrou-se que depois de deixar Lívia na escolinha, a babá iria aproveitar pra fazer compras no supermercado, pois a dispensa estava quase vazia.
A perita então subiu para seu quarto, tomou um banho e depois se jogou na cama. Demorou um pouco pra dormir pensando na conversa que tivera agora pouco com Grissom. Não fazia idéia de onde conseguia tirar aquelas palavras que dizia a ele nos raros momentos em que estavam tendo uma conversa franca sem brigas. Mas tinha certeza de que uma coisa, elas (as palavras) eram sinceras. Porém, ela achava incrivelmente estranho à naturalidade com que elas lhe surgiam quando ele lhe compartilhava algo dele.
Foi assim na conversa que tiveram quando ficaram presos no elevador e ele lhe contou sobre a perda de sua esposa. Depois no parque quando lhe contou dos momentos que viveu ali naquele lugar com Susan e agora na cafeteria, quando lhe contou sobre seu desejo de ter sido pai.
Não deixou de ficar tocada por ver a tristeza dele em não poder ter realizado aquilo. Sabia exatamente o que era desejar ter um filho e a importância dele na vida de alguém. Sua filha era a prova disso tanto pra ela quanto pra Dylan, que por várias vezes lhe confidenciou isso enquanto estavam casados.
Seu ex inclusive lhe dissera certa vez que ser pai era o seu maior desejo e que era imensamente feliz de tê-lo realizado com ela. E ao lembrar-se disso, Sara pode entender o desejo de Grissom, pois qual homem não deseja ter um filho com a mulher que ama?
E talvez esse fosse o motivo todo daquela tristeza que havia visto nele. Mais alguns pensamentos e ela acabou vencida pelo sono e adormeceu.
Em um lugar distante da agitada Vegas, no topo de uma colina onde a brisa do vento tocava seu rosto e o sol brilhava naquele céu imensamente azul, Grissom viajava em pensamentos. Sempre ia àquele lugar quando se sentia sufocado e queria esquecer por um momento das coisas que viviam cercando-o. Ali, ele simplesmente pensava, raciocinava... Viajava, essa era verdade.
Viajava para além dos problemas, dos medos, dos assombros e das angústias. Era onde conseguia achar soluções e entender coisas que na barulhenta Vegas não entendia.
Outra brisa e ele fechou os olhos e de novo aquelas palavras vieram. Elas se repetiram em sua cabeça o caminho todo até chegar onde estava.
“... Sinto que se me envolver com outra pessoa estarei traindo a memória da minha falecida esposa.
_Claro que não. Deixa disso. Não estará traindo nada e sim, se dando uma nova chance de tentar ser feliz. Aposto que onde quer que esteja, é isso que a Susan deseja a você.
_Que me envolva com outra?
_Não, que seja feliz mesmo que seja ao lado de outro alguém. Pelo menos, seria isso que eu desejaria ao meu marido se morresse primeiro que ele. Não gostaria que ele ficasse sofrendo pela minha ausência e preso a minha lembrança, e sim que ele seguisse sua vida e arranjasse alguém que o fizesse tão feliz quanto um dia o fiz."
Será que conseguiria aquilo?
Será que poderia arranjar alguém que o fizesse tão feliz quanto Susan lhe fez?
Poderia amar de novo alguém da mesma forma ou mais do que amou Susan?
Talvez não, porque o amor que julga sentir por Susan é grande demais. Ela era sua vida. Mas mesmo assim, será que existe um amor maior do que esse que ele sentiu e ainda senti por sua falecida esposa?
Se a resposta for sim, onde estará?
Onde será que se encontra essa pessoa por quem ele pode sentir esse amor?
Que o faça feliz e que o faça esquecer seu grande amor?
Será que ele vai chegar à esse alguém?
Poderá de verdade amá-la com a mesma força que amou Susan?
Ouviu dizer por aí que quando Deus te toma algo é porque algo melhor ele reservou pra você. Será mesmo verdade? Se for, ele duvidava muito que existisse alguém que fosse melhor do Susan foi pra ele.
Deus! Quantas perguntas e serás em sua cabeça que estava confuso. Era um turbilhão de incertezas e um emaranhado de dúvidas, mas apenas uma coisa era certa, a que ainda amava Susan e esse sentimento que nutria por ela ia perdurar por um tempo que ele não fazia idéia de quanto fosse.
****
Sara dormia tranquilamente quando sentiu um pequeno movimento na cama; uma mãozinha então tocou seu rosto e em seguida, lábios gelados típicos de quem acaba de comer sorvete, salpicaram beijos em sua bochecha e testa.
Devagar abriu os olhos e encontrou aquela criaturinha de lindos olhos azuis e um sorriso travesso deitada com o rosto bem perto do seu, olhando-a de forma doce. Sorriu ao ter aquela imagem a sua frente.
_Bom dia, meu amorzinho! – tocou com seu nariz o de sua filha, o qual era idêntico ao do pai.
_Não é mais bom dia, mamãe. É boa tarde, porque já está de tarde.
_Jura? – sorriu pra ela.
_Huhum.
Olhou no relógio em cima da mesinha que ficava ao lado da cama e constatou que já eram três e meia da tarde.
_Nossa dormi muito.
O cansaço de um turno puxado tinha lhe derrubado mesmo e feito dormir além do seu habitual.
_E a Any?- sentou-se na cama.
_Na cozinha fazendo coockies. – Liv contou com um sorriso.
_Aposto que pediu isso pra ela, não foi? – a menina balançou a cabeça afirmativamente. _Você não tem jeito mesmo!
A menina deu um sorriso enorme e tão bonito que Sara não resistiu e deu vários beijos no rosto de sua pequena. Após a sessão de beijos e algumas cosquinhas que arrancaram altas gargalhadas de Liv, Sara foi ao banheiro jogou uma água no rosto e desceu junto com Lívia encontrando Any na cozinha colocando os coockies no forno.
Enquanto eles não aprontavam, Sara comia seu almoço que Any havia deixado separado algo e ao mesmo tempo perguntava à filha como tinha sido a aula dela na escola, o que tinha feito, o que havia aprendido, coisas de mãe cuidadosa e zelosa.
A menina contou tudo com empolgação. Ela adorava a escola e Sara ficava satisfeita com isso e também com o ensino que a filha estava tendo, porque aquela escola era a melhor possível. Não muito tempo depois os coockies ficavam prontos e as três se deliciaram com eles.
****
_Filha a mamãe já vai. Cadê meu beijo?
Liv deu um pulo do sofá indo até Sara e lhe dando um abraço apertado seguido de um beijo estalado no rosto.
_Tchau, mamãe!
_Tchau, meu amor lindo. Comporte-se tá bom!
_Sim, senhora.
_Any estou indo! – gritou pra ela que estava na cozinha fazendo o jantar de Lívia.
_Bom trabalho! – a babá respondeu gritando do outro cômodo da casa.
_Obrigada.
Sara saiu pra pegar um táxi já que ainda estava sem seu carro.
Não demorou nem cinco minutos e ela se encontrava dentro de um à caminho do trabalho sem sequer imaginar que naquele turno ia reencontrar alguém desagradável que tinha feito parte do seu passado.
****
_Não acham que o limão está demorando muito pra vim distribuir os casos? – a perita morena comentou impaciente ao notar que o supervisor estava vinte minutos atrasados.
_Ouvi dizer que ele está numa reunião à portas fechas com a alta cúpula. E tem até um agente do FBI nessa reunião.
_FBI? – Sara ficou intrigada. Esperava que não fosse seu ex quem estivesse lá. Era bem capaz dele se "voluntariar" pra vir num caso em Vegas só para lhe fazer uma visitinha sem avisar.
_E quem te disse isso, Greg?
_Ouvi algumas pessoas comentando isso, Nick.
_E depois dizem que nós mulheres é quem ouvimos conversa alheia, não é Sara?
A perita mal ouviu isso pensando em quem seria esse agente do FBI. Conhecia vários por conta de Dylan que era um e tinha vários amigos e conhecidos no FBI.
_Sara?- chamou a loira um pouco mais alto e agora a perita ouviu.
_Que foi Cath?
_Te perguntei uma coisa e nem respondeu.
_Desculpa é que tava longe.
_Notei.
Catherine ia perguntar porque dela estar assim, mas não foi possível por conta da chegada de Grissom à sala onde eles se encontravam. E todos ali logo notaram que a cara dele não era das melhores.
_Boa noite pessoal! - ele cumprimentou e o quinteto ali presente lhe respondeu em coro um "boa noite".
_Grissom o que houve que está com essa cara? - Catherine antecipou-se na pergunta.
_Teremos que trabalhar com o FBI. – contou o supervisor meio desgostoso. Se havia algo que desagradava Grissom era ter que trabalhar em parceria com o FBI.
_Por que cara?
_Como notaram eu demorei um pouco pra vir. A razão disso é que estava numa reunião com Ecklie, Xerife, Prefeito e um agente do FBI. Uma menina foi raptada há um mês em Los Angeles e algumas pistas seguida de uma denúncia anônima dão quase como certo que os sequestrados a trouxeram pra cá pra Las Vegas. O pai dela é um grande amigo do prefeito, então pediu ajuda à ele pra encontrar a menina. E o prefeito pediu a nossa equipe que ajudasse na investigação.
_E o tal agente onde entra nisso chefinho?
_Ele foi mandado pra nos auxiliar nas investigações já que lá em Los Angeles trabalhava no caso.
_E cadê ele, Gil?
_Está vindo ali, Cath.
Um homem loiro, alto, de porte forte e bem vestido num terno entrou na sala.
Na mesma hora em que viu o homem, Sara arregalou os olhos. Mal podia acreditar que depois de seis anos reencontrava aquele sujeito desagradável.
_Pessoal esse é o agente David Scott.
Nick ao ouvir o nome do agente olhou imediatamente pra Sara. Só conhecia aquele homem de nome por isso quando o viu não imaginou quem fosse.
_Agente Scott essa é minha equipe. Catherine Willows, Greg Sanders, Nick Stokes, Warrick Brown e...
Nem foi preciso que Grissom dissesse o nome de Sara, porque assim que o agente a viu ali, David reconheceu-a e um sorriso cínico apareceu no rosto daquele homem.
_Senhora Felton é um enorme prazer em revê-la. Quanto tempo? - Disse tão cínico quanto o sorriso que exibia.
Grissom e os outros exceto Nick olharam pra morena que mantinha uma expressão fechada.
Ela respirou fundo e foi a mais ríspida possível com aquele sujeito a sua frente.
_Pra mim é um enorme desprazer revê-lo. Aliás, já tinha até me esquecido da sua desagradável existência agente Scott. – as palavras saíram quase cuspidas.
_Pra quê essa hostilidade? Saiba que nunca esqueci de você. E não sabe o quanto estou contente em reencontrar a esposa do meu velho amigo, à propósito, como Dylan está?
_Não seja cínico, que o Dylan não é mais seu amigo coisa alguma. E pra sua informação não sou mais a Senhora Felton. Dylan e eu nos separamos. Por tanto não me chame mais assim.
_Certo, então devo chamá-la de Sara.
_Não, pra você é Sidle.
O clima entre os dois era estranho enquanto Sara continuava séria olhando para o agente. O homem, em contrapartida, seguia por exibir uma cara de enorme satisfação ao revê-la e ainda exibia aquele sorriso idiota que Sara detestava.
A morena gostaria de nunca mais cruzar com aquele sujeito em seu caminho, mas pelo visto isso foi impossível.
David Scott era um grande amigo de Dylan, o ex da perita. Ele trabalhou com o amigo durante um tempo antes de Sara ir pra Chicago. Metido e um tanto esnobe, escondia uma grande inveja do amigo. Tudo que Dylan conquistava ou tinha, David também queria e dava um jeito de conseguir, sem deixar que o amigo percebesse que tinha armado pra ter a mesma coisa. E com Sara não foi diferente.
Quando a conheceu no dia do casamento dela com Dylan, David ficou fascinado por ela e a quis pra si. Pra ficar perto dela e conquistá-la, ele pediu transferência de onde trabalhava em Los Angeles e voltou pra Chicago alegando que queria voltar a trabalhar com seu velho amigo e parceiro de trabalho.
Já de volta, Dylan começou a assediar Sara jogando charme pra ela e lhe dando cantadas, que a mulher tratava de se esquivar e ignorar, só que ele não dava trégua.
Sara contou à Nick na época o que estava acontecendo e ele lhe aconselhou a contar a verdade à Dylan pra que ele tomasse uma providência quanto aquilo. Porém, a morena não fez isso por medo do marido não acreditar nela, já que Dylan considerava David como um irmão e além disso, o sujeito na frente do amigo se fazia de bom moço.
Com o passar dos meses os assédios se tornaram maiores. Até que chegou um dia que David cansou de ser rejeitado por Sara e partiu pra cima dela. Na ocasião a perita já estava grávida de quase sete meses de Lívia.
David a agarrou em uma das salas do laboratório onde ela trabalhava e lhe deu um beijo à força. E justo nesse momento, Dylan entrou na sala a procura da esposa e pegou os dois naquela situação.
A decepção pra ele foi grande ao flagrar aquilo. Se sentiu duplamente traído. E não contendo a raiva deu um soco no “amigo”.
David pra se vingar do soco e das rejeições que Sara vinha lhe dando, inventou que foi a própria esposa do amigo quem o beijou e que aquela não tinha sido a primeira vez que se beijavam. David ainda deu a entender que os dois já tinham ido muito além de alguns beijos. E pra acabar de vez, chegou a insinuar se o amigo tinha certeza de que o filho que ela esperava era dele mesmo.
Ao ouvir aquilo, Dylan acabou dando mais alguns socos em David e terminou ali mesmo seu casamento com Sara.
Dias depois de ter saído de casa e de David ter sido transferido de novo pra Los Angeles, a verdade veio pra Dylan.
Uma funcionária da faxina do laboratório que tinha visto quando David agarrou Sara, contou ao agente como tudo tinha acontecido. E a mulher também contou que algumas vezes viu David assediando Sara e a mesma tentando fugir dele.
Dylan se sentiu um monstro por não ter dado uma oportunidade à esposa de se explicar e também por não ter acreditado nela. Foi até a casa deles e pediu perdão a esposa por tudo. Depois de ouvi-lo, Sara decidiu perdoá-lo, porque se fosse ela, talvez, agisse da mesma forma que ele e foi exatamente isso que fez alguns anos mais tarde quando o pegou traindo-a. Só que com uma diferença, quando foi com ele, ela não o quis de volta.
Grissom quebrou o silêncio que reinava na sala desde que Sara e o agente Scott haviam parado de falar.
_Pelo que notei vocês se conhecem e...
_Infelizmente, sim, Grissom, mas não acho que isso seja do interesse dos presentes aqui. Então acho melhor falarmos do caso. – Sara foi curta e grossa.
_Doutor Grissom, Sara tem toda razão. É um assunto que só diz respeito à mim e a ela, não é Sarinha?
_Não me chame assim, porque não lhe dei intimidade pra isso.
Diante desse clima, Grissom resolveu mudar o foco e começaram a falar sobre o caso. David algumas vezes enquanto explicava e detalhava coisas à respeito do caso, olhava pra Sara. Depois de serem atualizados sobre o caso, Grissom dividiu o que cada um tinha que fazer e assim eles seguiram.
Durante o turno todo Sara fazia de tudo pra não cruzar com David e aquele seu sorrisinho que lhe dava nojo. Porem, em dado momento em que ela estava sozinha na sala de evidências lendo mais uma vez os relatórios do caso, David passou e a viu sozinha ali. Sem que a perita percebesse, o agente entrou no local onde ela se encontrava, apegando-a de surpresa.
_Agora sim podemos conversar direito.
Sara virou-se pra ele e o viu se aproximar dela. Se ele tentasse algo, ela não hesitaria em acabar com ele.
_Não devia ter sido tão hostil comigo, Sara. – ele comentou se aproximando mais dela.
_Scott me deixa em paz senão quiser problemas.
_Sabia que não esqueço o nosso beijo?
_Você é doente!
_Por você. Agora que não está mais com o Dylan quem sabe, nós não podemos tentar algo.
_Você seria o último homem na face da terra com quem eu teria alguma coisa. Tenho nojo de você.
As palavras dela irritaram o agente.
_Não diga isso. – ele a segurou de maneira rude pelos braços.
_Me larga, Scott!
_O que está havendo aqui? - da porta Grissom viu a forma como David segurava Sara.
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