Capítulo 20 - A verdade sobre Grissom à Sara
Dias depois era fim de mais um turno para os outros menos pra Sara. A morena se encontrava na sala de descanso sozinha. Os amigos já tinham ido e só ela continuava ali e tudo por quê? Por causa de um relatório que teve que refazer, pois segundo seu chefe não estava coerente.
Ela estava cansada, com sono, mas tinha que fazer aquele maldito relatório de novo, porque Grissom precisava entregá-lo a Ecklie naquela manhã mesmo.
_É só comigo isso. Nunca o vi dizer que o relatório dos outros estivesse incoerente e os mandasse ficar pra refazê-los. Que nada! É só com a Sara aqui! - ela aponta pra si mesma em insatisfação. _Esse sujeito tem alguma coisa contra mim. É claro que ele tem, Sara! Você o provoca o tempo todo, o quê queria? Mas ele também me provoca. - ela falava consigo mesma como se conversasse com outra pessoa. _Aposto que esse relatório está perfeito! Mas só pra me irritar e eu ter que ficar mais tempo aqui, esse rabugento do Grissom me mandou refazer meu relatório. Que saco!
Sara estava tão distraída falando consigo mesmo, que nem percebeu que da porta alguém a observava e até ria dela, que mais parecia uma velhinha resmungando.
_Eu não aguento mais esse cara! - Sara reclama enquanto reescrevia seu relatório.
_Falando sozinha, Sara?
Catherine entrou na sala e chamou a atenção da amiga.
A perita loira tinha voltado pra buscar algo que tinha esquecido em seu armário. Ao passar de volta em frente à sala ouviu a voz da colega de trabalho. Não resistiu em parar na porta pra ver o que ela fazia ainda ali. Acabou se divertindo em assistir ao monólogo exaltado de sua estressada companhia de esquipe.
Assim que ouviu a voz de Cath, Sara na hora se assustou, pois pensava que estava sozinha. E até imaginava que todos os seus colegas de trabalho já tivessem ido embora faz tempo.
_Catherine que susto! - pôs a mão no peito olhando para a loira que ria dela.
_Perdão! Mas o que ainda faz aqui? O turno já acabou há vinte minutos. - ela consultou seu relógio.
_Sei disso. - Sara voltou a olhar para o papel a sua frente.
_Então?
Exaltada e irritadíssima com seu chefe, Sara despeja as palavras pra amiga.
_A culpa é daquele limão azedo que temos como chefe. - contou uma fera.
Catherine rola os olhos pra cima. Tinha que ser! O disco não mudava. Era sempre Grissom o problema de sua colega de trabalho. Cath se acomoda ao lado de Sara pra tentar saber o que de fato houve dessa vez.
_Qual foi o problema agora?
_Ele me mandou refazer meu relatório do caso que fiquei com o Warrick. Só que pra mim não têm o que refazer, pois o relatório está ótimo, pra não dizer perfeito. Mas segundo aquele sujeito rabugento o meu relatório "não está coerente." - Sara tentando imitar a voz de Grissom.
Catherine foi incapaz de não rir da desastrosa imitação que sua colega fez do chefe delas.
_Sinceramente, eu não sei como vocês o aguentam há tanto tempo. - a morena resmungou após um longo suspiro raivoso e jogando sua caneta sobre o papel que escrevia. _Ele é chato, rabugento, azedo, insuportável e uma infinidade de coisas mais! - enumerou Sara. _Nick me disse certa vez que vocês estão juntos como equipe há muito tempo.
_É verdade! - concordou a loira balançando a cabeça junto com sua fala.
_Eu estou aqui há o quê? Meses e não o suporto mais. Me diz como é que vocês conseguem aguentá-lo tanto tempo?
_Grissom nem sempre foi assim, Sara.
_Então ele era pior que isso? Meu Deus!
_Não! - Catherine respondeu, sorrindo da amiga que tinha uma espantada expressão. _Ele era totalmente o oposto desse que você conhece.
A morena franziu a testa ao ouvir isso de Cath.
_Me desculpe, mas eu não acredito nisso.
_Mesmo que não pareça, mas o que vou te dizer é verdade. Grissom antes era um homem diferente. Ele era alegre, sorridente, cheio de vida e que fazia brincadeiras e piadinhas com os meninos principalmente, com o Greg que vivia lhe perturbando.
Sara ouviu àquilo quieta e por mais que quisesse não conseguia acreditar no que ouvia. Como aquele homem sério e ranzinza que ela viva as brigas desde que pôs os pés naquele laboratório, poderia ter sido desse jeito que Cath acabara de descrever?
_Olha, Catherine, tem certeza que estamos falando do mesmo Grissom?
_Tenho. - por segundos a loira se calou. E então voltou a se pronunciar. _Ele não era assim, Sara. Na verdade, Gil ficou assim. Você pode perguntar a um dos meninos que eles vão te confirmar o que estou dizendo. Grissom se tornou esse depois que perdeu a esposa. Susan morreu e levou junto com ela, o Grissom alegre. - a loira faz uma pausa. _Você tinha que conhecê-lo antes. Ele era tão diferente desse que você vive às turras. - Cath dá um sorriso melancólico ao recordar de seu amigo alegre e extrovertido. Aquele Grissom fazia falta, muita falta pra ela e os demais amigos dele.
Sara apenas seguia ouvindo calada Catherine falar de um Grissom que pra ela era totalmente um desconhecido.
_Sinto falta do meu amigo de antes, Sara. Da alegria dele, das nossas conversas, de quando íamos todos da equipe juntos à nossa lanchonete preferida pra tomar café depois de um turno difícil. E também sinto falta de tantas outras coisas que ele fazia e que agora não faz mais desde que se tornou esse que você conhece. Os outros também sentem falta do chefe que os chamava de "crianças" quando nos cumprimentava antes de dividir os casos e principalmente, não só eles como eu, sentimos falta do amigo sempre presente que ele era pra gente. Depois da morte da Susan, o Gil se afundou num buraco tornando esse cara sério, fechado, às vezes chato e até insuportável, que só vive para o trabalho. É de casa para o laboratório e do laboratório pra casa. Ele não tem mais vida. Pra fazê-lo sair de casa sem que seja pra trabalhar é uma dificuldade. - Catherine tinha os olhos marejados. _Eu faria qualquer coisa que fosse preciso pra ver o meu amigo recuperar sua alegria e o brilho nos olhos que ele tinha antes.
A loira baixou a cabeça e ficou calada. Foi impossível pra Sara não ficar tocada com tudo que ouviu. Pelo que percebeu nas palavras de Catherine, Grissom era bem mais que um chefe pra eles. Ele era um amigo muito querido. E esse outro Grissom fazia muito falta para seus amigos.
Um longo silêncio entre as duas se formou porém, ele foi quebrado por Sara que estava tentando ainda digerir e assimilar tudo aquilo que ouviu até agora. Nunca passou por sua cabeça que Grissom tivesse sido assim tão diferente e "gente boa" do quê ela conhecia.
_Eu... Não sei nem o que dizer... Jamais pensei que ele tivesse sido assim. - comentou encarando suas mãos que brincavam com a caneta que usava há pouco pra refazer seus relatórios.
_É, mas ele foi. Me lembro que sempre que era começo de turno, ele chegava animado, com um sorriso enorme e nos chamando de crianças, o que eu particularmente detestava um pouco, mas esse era o jeito carinhoso que ele tinha de nos tratar. - sorri timidamente ao dizer isso. E Sara que agora a olhava também esboçou um sorriso pelo que foi dito. _Quando algum de nós não estava bem ou tinha algum problema não precisava nem que disséssemos nada, pois ele notava e vinha conversar conosco pra saber o que tínhamos. Sempre tentava nos ajudar, nos aconselhar de alguma forma, só que agora... Ele está tão distante da gente. Se tentamos saber algo dele ou perguntamos alguma coisa sobre como está fora do trabalho, imediatamente, ele desconversa e se fecha totalmente como se fosse um caracol dentro de sua concha.
_Nick me contou antes de vir trabalhar aqui, que ele se culpa pela morte da esposa. Por que isso?
_Porque ele deixou a Susan sozinha por uns instantes na cena do crime, daí o suspeito que havia voltado pra apanhar um celular que ficou no local do crime, pegou-a de surpresa. Ele foi pra cima da Susan e os dois começaram a brigar no chão. Num ato rápido, o bandido pegou a arma dela e atirou bem no peito da Susan, o que levou-a a morte em pouco tempo.
_Ela não usava colete na hora?
_Usava só que ele estava aberto por isso o tiro acertou nela.
A menção daquele fato fez Sara se lembrar da briga que teve com Grissom por causa do colete aberto dela. Ela então entendeu a razão do "surto" dele quando lhe viu com aquela peça aberta.
_Todo esse tempo nós da equipe e também o Jim cansamos de dizer ao Grissom que o que houve não foi culpa dele, que foi uma terrível fatalidade, só que ele não acha isso. Ele se culpa e diz que se não tivesse deixado-a sozinha isso não aconteceria e Susan ainda estaria viva.
_Se ele estivesse com ela seriam dois mortos, pois o suspeito até o matasse também.
_Foi o que dissemos, só que Grissom disse que preferia ter morrido junto com a esposa a ter ficado sem ela.
_Nossa! Ele a amava muito pra dizer isso.
_Eles dois se amavam demais, Sara. Era lindo vê-los juntos.
_Como ela era, Catherine? - perguntou a morena meio hesitante.
A curiosidade de Sara em saber a respeito da falecida esposa de seu supervisor por quem ele ainda era muito ligado pelo que pode perceber, aguçou-se após esse último comentário de Catherine.
_Ah, Susan era uma mulher incrível, além de linda. Loira, olhos verdes e um jeito angelical. Ela era doce, calma, uma excelente pessoa e profissional. Pra ela não faltavam elogios. Todos aqui no laboratório inclusive o chato do Ecklie, gostavam dela pela ótima pessoa que a Susan era. Sempre que possível estava ajudando alguém aqui dentro. Foi por causa dela que o Greg entrou pra equipe.
_Ele me falou na vez em que saímos. Por isso o Grissom não consegue esquecê-la. Susan pelo jeito era uma pessoa fora de sério.
_E era mesmo... Mas por que me perguntou sobre ela?
_Hãm... Só por... Curiosidade.
_Hum... Bom vou indo pra que você possa terminar logo de refazer seu relatório. Nos vemos a noite. Tchau!
_Tchau! E bom descanso.
_Obrigada e pra você também quando acabar disso. - apontou sorrindo para o papel na mesa e se dirigiu pra saída da sala.
Sara ficou por um breve momento processando tudo que Catherine havia lhe dito sobre Grissom e depois resolveu retomar a atenção ao relatório pra ir embora de uma vez dali.
X X X X X X X
Grissom adentrou ao elevador. Enfim tinha terminado seu serviço e havia entregue todos os relatórios a Ecklie.
A porta do elevador começava a se fechar, quando o supervisor escuta uma voz bem conhecida pedir ao longe:
_Segura o elevador que eu também vou descer!
Imediatamente, ele apertou um botão fazendo com que a porta que estava quase fechando se abrisse de novo.
Sara que vinha correndo e não sabia que era Grissom que estava ali dentro, chegou ao elevador e ao ver que era seu chefe quem estava ali deu um sorriso sem graça e ficou em dúvida se entrava ali ou não.
_Entra que eu não vou conseguir ficar segurando esse botão por muito tempo. - ele pronunciou pra ela. Em suas mãos muitas pastas e uma bolsa que ele segurava com dificuldade.
Sara resolveu entrar e dividir o elevador com seu chefe.
_Como não te encontrei na sua sala deixei o relatório na sua mesa. - sem olhar para seu chefe, Sara ela comunicou aquilo após a porta do elevador se fechar.
_Eu vi! - ele resmungou em respostas e fitando o painel com os botões do elevador.
_Espero que dessa vez tenha ficado coerente.
_Ficou e já o despachei ao Ecklie.
Eles ficaram em silêncio após esse breve diálogo. Eis que, de repente, o elevador pára do nada fazendo com que seus dois ocupantes se olhassem pela primeira vez desde que estavam ali.
_Não pode ser!
_Era só o que me faltava - Sara fecha os olhos. _Ficarmos presos aqui!
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