Capítulo 152 - E a força desse amor... Não pode ser contida

Fazia uma tarde bonita e mesmo sendo meio de semana, podia se ver um bom número de pessoas aproveitando pra se divertir naquele parque. E entres aquelas pessoas estavam: Sara, Grissom, Liv, Any, Ernest e Amy, a sobrinha do policial.

Mais cedo, Ernest havia ligado pra Any convidando-a para dar um passeio no parque com ele e sua sobrinha, que não se aguentava de curiosidade pra conhecer logo a nova namorada do tio - fazia uns dias que ele havia pedido a babá em namoro e ela tinha aceitado, e desde que contou a sobrinha sobre a namorada, a garotinha vinha insistindo pra conhecer logo a nova "tia" - então, ele aproveitou aquela tarde em que era sua folga e também que sua sobrinha não tinha natação, pra satisfazer a vontade da menina. Ficou contente em ver que Amy se deu bem logo de cara com Any. Inclusive, essa pequena e quase semelhança na pronúncia dos nomes de ambas foi algo que agradou e arrancou pequenos risos da sobrinha do policial, quando ele fez uma brincadeira ao apresentar uma à outra.

Durante a ligação, o policial ainda estendeu o convite do passeio também à Sara, Grissom e Liv, numa tentativa de aproximação e interação melhor com Lívia. E agora, estavam todos ali aproveitando o fim de tarde naquele lugar que ficava próximo da casa de Sara, que por sinal hoje estava de folga.

—Parece que a Any encontrou alguém que gosta e se dá tão bem com crianças quanto ela. - Grissom cochichou com Sara, enquanto observavam de um banco, Ernest que corria pela grama do parque levando Liv em suas costas feito um macaquinho. A menina parecia ter esquecido em casa a sua birra pelo policial. Ao lado de Ernest, Any fazia a mesma brincadeira com a sobrinha do policial. As duas garotas iam as risadas com aquela brincadeira dos adultos.

—Sabe que eu acho que eles foram feitos um para o outro?

—Que nem nós dois?

Sara olhou ternamente para Grissom e sorriu pelo que ele disse.

—Sim! Mas... Se bem que... quando nos conhecemos não achávamos bem isso.

Ambos sorriram com a "observação" feita por Sara. Eram tempos de "guerra" declarada entre eles! Um alfinetando o outro sem trégua.

—Se você pudesse voltar no tempo e mudar a forma como nos conhecemos, o que acredito que também mudaria um pouco, o jeito como nos comportamos um com o outro no laboratório logo que você chegou pra trabalhar lá, você mudaria, Sara?

Ela levou uns segundos pensando antes de então lhe responder:

—Eu confesso que trocaria o atropelamento por um simples esbarram, porque deve ter doído um bocado em você o atropelamento.

—Doeu, mesmo! - Ele confirmou, fazendo uma careta engraçada.

—De resto, eu gostaria que as coisas seguissem exatamente as mesmas, porque foi bem divertido tudo que passamos antes de nos entendermos. - A lembrança das "picuinhas" que eles travaram ao longo do tempo em que ainda não se entendiam, lhe trouxe um sorriso aos lábios. Tinham sido muitas picuinhas! Umas engraçadas, outras nem tanto! _E você, mudaria?

—Bom... Apesar de ter doído ser atropelado por você... Eu não mudaria isso! - Ele respondeu sem titubear, surpreendendo Sara com essa sua resposta.

—Não?? Por que?

—Eu acho que o nosso "primeiro encontro" tinha de ser como foi. E foi bom, apesar de dolorido! - Os dois sorriram. _Mas, a verdade é que acredito que a gente começou do jeito errado pra no final acabar dando certo. Muito certo! - A mão dele pousou sobre a barriga de Sara, onde crescia o fruto daquele relação que não foi de "amor à primeira vista" , como na maioria dos casos costuma ser!

E pensar que ele chegou a achar lá atrás, depois de perder a mulher que até então era o "amor de sua vida", que Amar outra vez não seria possível de acontecer novamente, porque ele não se via amando outra que não fosse Susan. Mas quis o destino que isso fosse diferente e pôs Sara em seu caminho. Um novo amor e um recomeço de vida! E daqui a alguns meses, se corresse tudo bem e correria, o seu sonho de ser pai deixaria de ser apenas um Sonho pra ser uma realidade!

—Eu gostaria que o nosso bebê fosse um menino e que se parecesse com você! - Ela confessou, acariciando a mão dele sobre sua barriga.

Não é que tivesse preferência, longe disso, o que viesse seria muito bem vindo e amado por ela e Grissom. Mas, adoraria ver correndo pela casa, um garotinho que torceria pra ser a cópia perfeita do pai, com aqueles olhos azuis, o sorriso tímido e as adoráveis covinhas.

—Bem, a gente pode tentar um menino depois, porque esse bebezinho aqui é uma menina.

—Você e a Liv realmente acham que é uma menina que eu estou esperando, não é?

—Eu não acho!... Tenho certeza!

—Ah, é?! E a que se deve essa certeza toda, limão azedo? Não me diga que agora, você virou vidente? - Ela brincou, fazendo Grissom ir à risada.

—Não virei, infelizmente!

—Então?

O supervisor contou a Sara sobre o sonho que teve antes mesmo de saber da gravidez dela. Grissom confessou que não entendia ou sequer fazia a menor idéia do porquê de sonhar repetidamente com aquela menininha linda que estava junto com Liv. Mas depois, quando soube por Sara da gravidez, ele entendeu tudo! Aquela garotinha era simplesmente a... filha deles!

—Você sonhou com a nossa filha? - Sara estava visivelmente emocionada diante do que ele acabara de lhe contar.

—Sim! - Ele confirmou, tocando o rosto dela com a mão que a pouco pousava sobre a barriga dela.

—E como ela era?

Ele sorriu bobamente ao recordar daquela coisinha linda que viu em seus sonhos.

—Ela era tão linda quanto a mãe e a irmã dela!

*****

Reunidos numa mesa de uma sorveteria famosa, localizada do outro lado da rua do parque, os quatro adultos observavam Liv e Amy cheias de conversa na mesa ao lado da deles.

—As duas se conheceram hoje e já parecem melhores amigas! - Grissom comentou para os demais.

—Criança é assim mesmo, amor!

—Será que depois de hoje, eu ganhei de vez a amizade da Liv? O que vocês acham? - Ernest quis saber dos outros.

Liv não queria saber de muita conversa com o policial desde que ele começou a frequentar sua casa pra ver Any. E quando soube que sua babá estava namorando com ele, a menina quis menos conversa ainda. Foi preciso Sara conversa com a filha exatamente, como Any fez quando foi com Grissom e ela, pra Liv parar com a ciumeira da babá e passar a tratar o namorado de Any melhor. A menina acatou o pedido da mãe, mas ainda assim, não "abria a guarda" para Ernest. Ela falava com ele o que era somente o necessário, sem dar tanta brecha ao policial. A idéia de convidar a garotinha pra fazer parte do passeio ao parque justamente quando sua sobrinha estaria presente, foi mais uma das tantas tentativas de aproximação que ele já fez e ao que parece essa enfim surtiu algum efeito.

—A julgar pelo fato dela estar te chamando agora de "tio Ernest", creio que você ganhou.

— Que bom! - O policial vibrou contente e aliviado com aquela resposta de Sara. Tudo o que ele queria era ser aceito pela garotinha, pois ela era muito importante pra sua namorada.

—Acho que a presença da sua sobrinha ajudou um bocado nisso. - Observou Grissom.

—O Grissom tem razão! E a propósito, sua sobrinha é um doce de menina, Ernest. Me encantei por ela!

—E acredito que ela também se encantou com você, Any, assim como eu! - O policial piscou pra namorada e segurou em sua mão logo depois. A babá sorriu toda sem jeito com aqueles gestos de carinho e as palavras finais que Ernest lhe dirigiu.

Acomodados a frente deles, Sara e Grissom trocaram um olhar cúmplice seguido de um sorriso diante da cena. Pelo visto o casal a frente deles parecia tão apaixonado quanto eles dois.

O grupo permaneceu ali reunido por mais um tempinho sem sequer imaginar que durante o tempo todo que passaram no parque e agora na sorveteria, eles eram observados de longe por dois sujeitos inescrupulosos.

****

Sentado na cama com as costas repousando no encosto da mesma, Grissom "namorava" o relógio bonito e de uma marca famosa que ganhou de Sara em comemoração ao dia dos namorados que tinha sido anteontem, mas somente hoje à noite que era a folga dela no trabalho, que eles teriam a oportunidade perfeita de comemorar a data.

—Você gostou mesmo do presente, Gil?

Ele ouviu Sara lhe indagar de dentro do banheiro enquanto ela terminava de vestir a última peça do presente dele.

—Sim, meu amor. Eu estava pensando mesmo em comprar um relógio novo desse. Mas e você, ainda vai demorar pra sair daí? Eu quero ver como você ficou nessa camisola.

Ele estava ansioso pra ver como ela tinha ficado com seu presente comprado há três dias. A camisola "nada comportada" que comprou tinha lhe encantado assim que pôs seus olhos nela exposta na vitrine de uma loja no shopping que só vendia esse tipo de moda íntima. A peça denominada pela vendedora como um MODELO SENSUAL, era de cor preta, mais curta que as camisolas "tradicionais". Tinha alças finas com regulagem de altura, bojo casca e seu tecido era em tule com a barra em renda. E ainda acompanhava uma micro calcinha.

—Vou sair nesse instante. Preparado?

Ele largou a caixa do relógio sobre a mesinha ao lado da cama e ajeitou-se melhor na cama.

—Preparadíssimo!

A porta do banheiro se abriu e seus olhos ficaram hipnotizados com o que viu. Ele seguiu-a com o olhar enquanto Sara ia lentamente da porta até parar a sua frente aos pés da cama numa pose que imitava uma modelo.

Ele sorriu apaixonado, abobalhado, fascinado!

A imagem dela usando aquela peça que parecia ter sido criada exclusivamente pra ela, fez seu coração disparar. Sara tinha ficado simplesmente maravilhosa naquela camisola. Reparou que ela tinha até ajeitado melhor os cabelos, passado um batom vermelho e calçado um sapato alto pra ficar ainda mais linda e sedutora,  deixando-o mais louco e apaixonado por ela, se é que isso era possível!

—Então, o que achou? - Ela deu uma voltinha e ele quase desfaleceu de encantamento.

—Jesus Cristo, Sara!... Não dei outra voltinha dessas ou eu infarto.

Ela não se conteve e abriu um sorriso.

—Gostei do seu presente! Mas desconfio que ele seja mais para o seu divertimento do que para o meu. - Ela ressaltou em tom de brincadeira.

—Na verdade é para o NOSSO divertimento, querida! - Ele corrigiu, enquanto seguia de joelhos pela cama até chegar em Sara e segurar as mãos dela.

—Você ainda não disse o que achou de mim usando o seu presente? - Seu tom de voz sedutor ao falar, bateu fundo nas defesas de Grissom.

—Sara assim você acaba comigo!... Você quer saber o que eu achei? Pois bem, eu digo. Você ficou linda, maravilhosa, espetacular e... outras coisas mais que não posso dizer porque não são tão românticas quanto essas.

Eles riram juntos.

—Eu amo você! - Ele murmurou após os risos cessarem e ficarem apenas fitando-se em silêncio.

Ah, aquele amor! Tão grande... Tão bonito... Tão intenso... Tão tudo! E que já superou tanta coisa pra chegar àquele nível em que estava.

Era emocionante sentir aquele sentimento que sabia, era... Eterno e Único!

"E a emoção do nosso amor
Não dá pra ser contida
A força desse amor 
Não dá pra ser medida
Amar como eu te amo
Só uma vez na vida"

(O amor é mais - Roberto Carlos)

Veio então o beijo. Comportado, inocente e calmo, como se fossem dois inexperientes experimentando o prazer daquele "primeiro contato". Com cuidado e sem interromper o beijo, Grissom trouxe-a delicadamente para cama e logo, ela já se encontrava entre ele e o colchão.

Apaixonadamente, eles fizeram amor naquela noite fria, como num filme em câmera lenta. Comemoraram em atraso o dia dos namorados do jeito mais especial possível, regado a muitas juras e promessas de amor eterno.

Momentos mais tarde, extasiados e relaxados após o ato de amor, eles trocavam carícias em total silêncio.

—Quando estávamos separados, muitas foram ás vezes em que senti falta de ter você assim em meus braços. - Ele confidenciou quebrando o silêncio. Sua mão deslizava numa deliciosa carícia pelas costas nuas de Sara que se encontrava com a cabeça repousando sobre o peito de Grissom, bem no lado em que ficava seu coração.

—Eu não gosto de falar de quando a gente estava separado.

A menção daquele assunto não lhe trazia boas lembranças.

—Ok, desculpa! - Ele pediu, beijando sua cabeça e tendo seu olfato agraciado pelo doce perfume de seus cabelos.

Não era sua intenção causar mal-estar nela com seu comentário, apenas quis externar-lhe algo que até então não havia lhe partilhado.

—Gil, eu posso te fazer uma pergunta e você promete que não vai rir de mim? - Ela levantou a cabeça do peito de Grissom e encarou o supervisor.

—Prometo! Faça sua pergunta.

—Ainda vai me desejar mesmo quando eu estiver enorme por conta da gravidez?

Ele abriu um sorriso.

—Você me prometeu que não ia rir.

—Desculpa, mas não resisti! - Ele ainda ria, pois havia sido engraçado o modo como ela tinha lhe feito aquela pergunta. _E é claro que vou te desejar, Sara. Sempre! E quer saber? Vai ser um atrativo mais que delicioso ver você com um barrigão em trajes íntimos e mais ainda, sem traje algum.

—Grissom!! Seu pervertido!!

Juntos, eles explodiram em risada depois disso.

Um tempo mais tarde, acabaram adormecendo um nos braços do outro, com a certeza de que depois das coisas ruins que aconteceram e foram superadas por eles, aquele amor que sentiam, estava muito mais forte que antes!

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