Capítulo 151 - Um plano perverso
Não houve um dia sequer durante os poucos que se passaram, no qual Teri não pensasse no plano perverso que havia arquitetado para tirar Sara de uma vez por todas de seu caminho e da vida de Grissom. Em sua cabeça já estava muito bem claro e definido o que faria. Ela daria à Sara o mesmo fim que Susan teve. Pretendia simplesmente "liquidar " pra sempre com a rival!
Completamente desequilibrada mentalmente e tomada por um ódio absurdo, a loira não mais se preocupava em ser descoberta e sofrer as devidas punições que à ela seriam impostas, caso soubessem que era ela quem estava por trás da morte de Sara. Pra ela tudo o que importava, agora era só acabar com Sara! Isso havia se tornado uma obsessão tão grande quanto o "amor" que a perita loira dizia sentir por Grissom. Porém, antes da "execução" de seu plano, a loira má tinha em mente, primeiro "divertir-se" um pouco desestabilizando emocionalmente a rival. Como? Seqüestrando a filha da perita!
Teri queria ver o desespero e a angústia da rival pelo sumiço da garotinha. Pra loira má, o sequestro de Liv não somente seria uma forma de punir e infringir dor e desespero em Sara, como também, seria um meio bem eficiente de atrair a perita morena numa eventual futura troca que pretendia fazer pela garotinha. Todavia, para que isso desse certo como queria, Teri precisava de uma ajuda extra e sabia bem à quem recorrer nessa hora.
Sem pensar duas vezes, ela ligou para à única pessoa que podia contar pra lhe ajudar naquele sórdido plano. Essa pessoa tão inescrupulosa quanto a loira, era Ruy! Se caso ele não pudesse "ajudá-la", ela teria que dar um jeito de realizar aquele plano sozinha, o que a exporia muito antes do que ela desejava.
Na ligação feita ao sujeito, Teri marcou um encontro com ele sem lhe dar detalhes do que queria, alegou que o assunto só poderia ser tratado pessoalmente já que era algo extremamente delicado. Ruy topou encontrá-la, mas impôs o horário e o local de encontro.
No dia seguinte à ligação e no horário combinado, lá estava Teri entrando num asqueroso bar de quinta categoria, que ficava há três horas de Las Vegas, num bairro de periferia, pra encontrar-se com seu conhecido de muitos anos, à quem costumava recorrer quando precisava de seus "serviços" sujos.
Foi na adolescência que eles se conheceram. E apesar das diferentes escolhas de vida que fizeram, as quais levaram ambos à seguir caminhos totalmente contrários, ainda assim, eles não deixaram de manter a "parceria" que construíram ao longo desses anos, nem mesmo quando ela foi morar em Los Angeles!
Com seu olhar astuto, Teri buscou Ruy no meio daqueles sujeitos que pelo bar se encontravam. Não demorou muito pra loira enxergá-lo no fundo do estabelecimento jogando sinuca com uns homens. Teri seguiu até onde se encontrava Ruy e pelo caminho ainda teve que ouvir as piores cantadas baratas que já ouvira. Por um momento até se arrependeu amargamente por estar ali naquele lugar tão distante do centro de Vegas. Mas como precisava falar com Ruy e aquele tinha sido o lugar escolhido por ele pra se encontrarem, pois o sujeito estava escondido por aquelas bandas e não queria sair dali, e correr o risco de ser pego pela polícia já que estava sendo procurado pela mesma por roubo. Então Teri viu-se obrigada a viajar horas e quase cruzar a cidade de um extremo à outro pra estar ali naquele bar.
—Ruy! - Ela o chamou assim que se encontrava próxima do grupo de homens que se divertiram jogando e bebendo.
O grupo imediatamente olhou pra ela que havia chamado o nome de Ruy de maneira autoritária. Já o próprio Ruy que estava concentrado e prestes a dar uma tacada que poderia lhe render não somente a vitória no jogo, como também, uma boa grana já que havia uma aposta rolando na partida, levou uns segundos pra lançar um rápido olhar à loira e em seguida, lhe pediu para esperar que ele liquidasse o jogo, pra conversarem.
—Eu não estou com tempo para esperar. - Rebateu prontamente a mulher em desagrado.
—É apenas essa tacada. Me espera naquela mesa vazia, Teri. Eu já vou lá!
À contragosto a loira seguiu para onde Ruy lhe indicou. Ao longe, ela ouviu uns murmúrios dos outros sujeitos indagando Ruy acerca de o que ela era pra ele e o por que dela falar com tamanho autoritarismo com ele. A resposta, ela não ouviu e também pouco lhe interessava saber.
Momentos depois com Ruy já acomodado a sua frente na mesa, Teri então, sem perder tempo lhe contou seus planos e o que precisava do sujeito.
Ruy fora pego de surpresa com o que sua velha conhecida lhe pediu. Ele jamais imaginou que o teor do assunto fosse tão pesado como aquele.
—Você tem certeza que quer fazer isso?
Sequestrar a filha de alguém que tinha ligação direta com a polícia, era algo bastante arriscado e perigoso não só pra ele como pra Teri, caso descobrissem o envolvimento dela naquilo. Não que ele contaria a participação dela naquilo caso fosse preso. Jamais a derrubaria! Só que a polícia tem meios bem eficientes de descobrir essas coisas quando ela quer, por isso ele ficava preocupado pela "amiga" de anos. Não queria vê-la se dando mal. Talvez, ela fosse a única pessoa no mundo a qual ele se importava nessa sua vida errada e torta.
—Se não tivesse, não estaria aqui te propondo isso!... - Ela rebateu firme e sem hesitação. _Então, vai topar o serviço? Vou pagar bem por ele.
Ela parecia decidida e ele não ousou mais contestá-la. Pensou na grana que com certeza seria boa já que ela costumava pagar bem mesmo pelos "serviços" que lhe pedia. E como ele naquele momento estava precisando de dinheiro pra se manter escondido, então, por que não topar? Essa não seria a primeira vez que faria aquilo. No passado já tinha sequestrado uma pessoa e por conta disso mesmo, fora preso e condenado há anos. Só que cumpriu apenas meses da pena, porque conseguiu fugir de lá.
—Loira, o que você não me pedi sorrindo, que eu não faço chorando? - Ele brincou.
—Eu não estou te pedindo, estou te contratando. E vou te pagar muito bem por isso.
—Melhor ainda! Já topei! - O sujeito inescrupuloso sorriu e deu um gole em sua cerveja. _Só que vou precisar de um adiantamento pra conseguir um carro, uma casa que servirá de cativeiro e pagar um comparsa pra me ajuda no sequestro da garotinha.
—Eu dou esse adiantamento. - Ela sacou de sua bolsa um talão de cheque e enquanto preenchia o papel, alertou Ruy: _Escuta bem... A casa tem que ficar bem longe do centro de Vegas.
—Eu sei, Teri! Qual é?! Você não está falando com amador, não. Sei muito bem fazer meu "serviço". Me diz... Alguma vez, desde que nos conhecemos, eu já falhei com você quando recorreu à mim para te ajudar?
Ao longo desses anos, ele já havia lhe prestado "ajuda" em algumas ocasiões assim como, ela mesma lhe ajudara em outras. Mas as "ajudas" requisitadas por ela, até então eram para coisas pequenas e "simples", como foi no caso da última. Agora, algo como sequestro, era a primeira vez que ela lhe "pedia"!
—Devo reconhecer que você nunca falhou comigo.
—Então pronto!
_Esse comparsa que vai arranjar, ele tem que ser de confiança. - Ela terminou de preencher o cheque e estendeu o papel à Ruy.
—E ele será, meu amor! Relaxa!... Uau! - O sujeito soltou um assobio ao ver no cheque o valor do adiantamento que Teri lhe deu. _Nesse teu "trampo" se ganha bem, né? - Ele brincou, dobrando o cheque e guardando-o no bolso de sua calça surrada. _E pra quando quer o serviço?
—Quanto tempo você leva pra conseguir o que precisa para fazer o serviço?
—Três dias no máximo!
O comparsa ele já tinha muito bem definido. Tratava-se de um velho parceiro que coincidentemente lhe procurou semanas atrás pedindo uma grana emprestada. O cativeiro era rápido de conseguir assim como o carro, então o prazo que estipulou a loira era mais do que suficiente pra ele.
—Então em quatro dias quero que sequestre a garota. A propósito... Essa é a menina.
Teri entregou ao bandido uma fotografia de Lívia na companhia de Any. A perita loira havia conseguido aquela foto dias atrás após ficar de tocaia próxima a casa de Sara. Depois de conseguir o que precisava, ela então passou a acompanhar de longe a rotina da filha da rival e descobrir onde ela estuda, o horário que entra e sai da escola pra saber exatamente o momento certo de agir. Contou a Ruy tudo o que descobriu enquanto espreitou a garotinha. O bandido ouviu a tudo atentamente e chegou a conclusão que seria mais "fácil" pegar a menina no caminho de volta da escola pra casa, como sugeriu Teri. Porém, havia um empecilho no meio da execução do plano. O empecilho era a babá.
—Essa mulher é pra levar junto também? - Ele quis tirar a dúvida.
—Claro que não! Somente a garotinha. Larga essa idiota da babá em um canto qualquer da cidade.
—Tá bem. Como você quiser! - Ele deu outro gole em sua cerveja e depois fez um sinal ao garçom pra lhe trazer outra garrafa, pois aquela já estava seca. _Me esclarece uma coisa, loira. Por que disso tudo?
Ele ficou curioso em saber o motivo que levava sua amiga a cometer algo como aquilo. Tudo bem que ela nunca foi "flor que se cheirasse", ele bem sabia disso. Talvez, somente ele conhecia a verdadeira Teri. E pra ela chegar a algo tão extremo como o que estava prestes a se meter, era por uma razão que certamente pra ela era muito "importante".
—Porque eu quero me vingar da mãe dessa garotinha.
Ele viu a expressão de Teri se endurecer de raiva enquanto respondia a pergunta dele.
—Então não seria melhor sequestrar essa mulher ao invés da filha?
—Não! O que é dela está guardado. Primeiro, eu quero vê-la sofrer com o sumiço da filha. Depois, essa mulher vai ter o que merece.
Ruy notou enquanto Teri falava, que o ódio irradiava dos olhos dela de uma maneira que nunca tinha visto antes.
—Nossa! Você tá má, hein?! - Ele não resistiu a brincadeira. _E o que foi que a mãe dessa menina te fez pra você querer sequestrar a filha dela como forma de vingança?
—Ela me tirou o homem que amo. E agora, vou tirar a filhinha dela pra ela saber o que se sente quando se tem a pessoa que amamos tirada de nós.
—Você não pretendi que eu mate essa menina, não é? Porque, eu não mato criança, sabe perfeitamente disso.
Teri revirou os olhos em desagrado. Ela achava curioso. Ele era um bandido tido como "perigoso", que já chegou a matar algumas pessoas ao longo de sua vida criminosa, mas nunca feriu ou matou uma criança sequer. Segundo, ele lhe confessou uma vez, nunca conseguiu apertar o gatilho de uma arma apontada para uma criança. Jamais!
—Em algum momento, mencionei que era pra você matar essa menina? Só é pra sequestrá-la. Até porque quem eu quero ver morta não é a filha... É a mãe, quando esta tiver frente a frente comigo!
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