Capítulo 137 - Um presente e um desconhecido
Ao longo dos dias que foram se passando, não houve um no qual Grissom não investisse numa mínima aproximação que fosse de Sara. A verdade é que quando o assunto era relacionado ao trabalho, ela falava com certa normalidade com ele. Mas quando a questão mudava para o âmbito pessoal – exceto quando tentava uma conversa relacionada ao bebê - o supervisor era ‘’alvo’’ do ressentimento que a ex ainda sentia por ele.
Ela era categórica em cortar suas investidas e assim frustrava suas esperanças. Mas ainda assim, o supervisor não deixava de tentar e nem de acreditar na possibilidade de conseguir reverter àquela situação que ele mesmo causou ao desconfiar da mulher que ama. Entretanto, tinha que confessar que de uns dias pra cá já começava a não saber mais de qual forma tentar uma aproximação pessoal sem ser rechaçado pela ex.
Conversando ontem com Catherine em sua sala a esse respeito, o supervisor recebeu uma ótima dica de sua amiga.
‘’Por acaso já deu algum presente para o bebê? Seria uma ótima forma de quem sabe, amolecer o coração dela já que quando se trata do filho de vocês, ela te dá uma brecha para se aproximar um pouco que seja. ’’
Aquela dica de sua amiga não poderia ter sido melhor. Pelo que se lembre, ele ainda não havia dado nada para o bebê desde que soubera da gravidez e ralhou-se mentalmente por esse lapso. Que espécie de pai era ele? Ainda não havia nem comprado um presente sequer para seu primeiro filho, ou melhor, filha, pois tinha quase certeza de que seria uma menina!
E com isso em mente e a esperança de quem sabe, conseguir tocar o coração de Sara, o supervisor decidiu no dia seguinte sair de casa um pouco mais cedo do que seu habitual e foi até o shopping a procura de um bom presente para o bebê.
***
Mesmo chegando atrasado naquele turno, Grissom exibia um sorriso bobo enquanto se dirigia para dentro do laboratório. Quando saiu de casa tempos atrás com a intenção de ir comprar algo para o bebê, ele não imaginava que fosse difícil e muito menos demorado se decidir por algo. Aquele mundo era tão novo pra ele. Havia tanta coisa linda na loja a qual entrou que até sentiu vontade de levar tudo dali, mas em meio a todas aquelas coisinhas as quais viu, houve uma em especial a qual lhe encantou e encheu seus olhos de papai de primeira viagem. E foi justamente essa que ele escolheu e comprou. Pretendia entregar aquele presente a perita naquele dia mesmo. Só esperava que seu presente agradasse Sara e fizesse amolecer um pouco que fosse, o coração de sua ex para com ele.
Logo que adentrou a sala de convivência onde todos já o aguardavam com certa impaciência, pois ninguém ali sabia de seu paradeiro, o supervisor foi sendo logo indagado por Catherine a respeito do seu atraso já que isso dificilmente acontece quando se trata dele.
_Fui comprar algo antes de vir pra cá e acabei perdendo a noção do tempo, mas já estou aqui para dar início ao trabalho.
Ele esclareceu sem se importar com a cobrança de sua amiga. Logo em seguida, tratou de dividir os casos e formar as duplas para iniciar o trabalho que já devia ter começado há minutos. Deu a Catherine e Warrick o primeiro caso dos três que tinha para aquela noite. E indo contra ao que vinha fazendo nos últimos dias não por sua vontade, mas sim pra não forçar demais a barra pra cima de Sara, ele resolveu, dessa vez, colocar-se num mesmo caso com ela, e deixou Greg e Nick em outro.
Os dois rapazes olharam sem entender para Sara, pois ambos imaginaram que um deles faria dupla com ela como já havia se tornado quase habitual, só que não foi assim. A morena não se agradou muito com essa divisão, porque gostaria mais de fazer dupla com um dos garotos do que com Grissom dada a toda a situação deles, mas resolveu ficar calada e não reclamar.
Essa não seria a primeira vez desde que eles se separaram que trabalhariam juntos. Isso já aconteceu antes e ela foi profissional o suficiente pra lidar com isso, agora não seria diferente.
Ao lado da morena, Catherine sorriu discretamente. Aqueles dois juntos e num mesmo caso seria interessante. Como amiga dos dois, ela torcia muito para que eles se entendessem logo, mas entendia a relutância de Sara em consentir o perdão ao supervisor. Ela estava magoada e com toda razão! Mas, talvez, um pouco mais de tempo e insistência de Grissom, não dessem resultado.
_Ao trabalho, pessoal!
***
Calados, eles seguiam lado a lado em direção ao estacionamento. Foi só quando chegaram lá que Grissom se pronunciou dizendo que eles iriam no carro dele. Pra ele essa seria uma boa forma de tentar manter uma proximidade maior dela. Sem contar, que o supervisor aproveitaria a ocasião pra entregar logo a Sara o presente que comprou. Não queria esperar até o fim do turno pra fazer isso. Sua ansiedade e curiosidade pra saber qual seria a reação dela ao ver o que ele tinha comprado, falava mais alto.
Do seu lado, Sara até pensou em dizer que não iria com ele e sim, em seu próprio carro, mas desistiu disso pra evitar uma briga ou discussão com Grissom, o que já havia acontecido sucessivas vezes nos últimos tempos. E sendo assim, sem dizer nada ela apenas seguiu o supervisor até o carro dele.
Já dentro do veículo enquanto colocava o cinto de segurança, Sara foi surpreendida com Grissom dizendo que antes de irem queria lhe dar uma coisa. E antes que ela pudesse pensar em falar qualquer coisa, viu o supervisor pegar do banco detrás uma caixa branca com um laço lilás e logo em seguida, lhe estender o objeto.
_O que é isso? – Intrigada, a perita olhou pra caixa e depois para o supervisor.
_Um presente que comprei para o bebê... O nosso bebê!
Foi impossível não sentir algo dentro de si balançar diante de tais palavras e tal gesto dele.
_Um presente pro bebê? – Pega de surpresa, ela conseguiu balbuciar segundos depois.
_Sim! Pegue! Espero que goste!
Meio hesitante, ela pegou aquela caixa da mão dele e enquanto ia desfazendo o laço pra abri-la, ouvia Grissom contar que ele tinha comprado aquilo antes de vir trabalhar por isso seu atraso. Ele lhe confidenciou que não havia sido nada fácil se decidir por algo, porque tudo que via era lindo, mas acabou encontrando aquilo que lhe encantou mais que as outras coisas.
Assim que tirou a tampa e viu o conteúdo da caixa, um sorriso de puro encantamento se formou nos lábios de Sara. Ela teve que dar razão a Grissom por ele ter se encantado com aquilo. Um vestidinho branco com detalhes em vermelhos e desenhos de joaninhas espalhados nele, e ainda acompanhava uma tiarinha com um broche da cara de uma engraçada joaninha sorrindo.
_É lindo, uma graça!
Ela passou a mão pelo tecido macio com cheiro de bebê e imaginou uma linda menininha usando aquela peça, enquanto passeavam em uma praça ao entardecer.
Ela não sabia, mas curiosamente, essa foi à mesma coisa que Grissom imaginou quando seus olhos bateram naquele vestidinho que a vendedora lhe mostrou.
_Acho que você gostou.
O sorriso que via nela era uma boa evidência de que ele havia agradado-a. E isso já era razão suficiente pra deixar o supervisor imensamente contente e satisfeito. Vê-la sorrir novamente e sendo ele indiretamente o responsável por tal feito, era a melhor coisa levando em consideração que nos últimos tempos, fora o causador de suas lágrimas e tristeza.
_Sim, gostei. Mas... – Ela o olhou com certa dúvida. _... Se o bebê for um menino, com certeza, ele deve estar detestando seu presente agora. – O sorriso que deu logo em seguida, fez Grissom ver que ela estava brincando com ele.
_Bom... Isso é verdade! – Ele concordou sorrindo. Havia essa possibilidade, mas o sonho que teve e algo dentro do supervisor lhe diziam que seria uma menininha. Uma princesa viria alegrar sua vida como Lívia, mesmo não tendo seu sangue, já fazia. _Mas eu acho que é uma menina.
_Liv também acha a mesma coisa. Ela já até escolheu o nome de Alice pra irmã.
_Alice? – O supervisor repetiu tentando não demonstrar a emoção e a lembrança que a menção daquele nome lhe causava.
‘’Se eu pudesse ter lhe dado um filho, adoraria que fosse uma menina a qual daria o nome de Alice. ’’
‘’Alice era o nome da minha mãe, Susan. ‘’
Ele lembrou-a enquanto ajeitava uma mecha de seu cabelo loiro atrás da sua orelha. Naquele dia estavam de folgas e resolveram dar uma volta numa praça ao entardecer. Sentados num banco, eles observavam mais a frente um grupinho de garotinhas que brincavam de roda.
‘’Eu sei e por isso mesmo que escolheria esse nome. Seria uma ótima forma de homenagear a mulher que colocou no mundo a pessoa mais importante pra mim... Você!’’
_Grissom??
Ele despertou de seu devaneio e olhou assustado para Sara.
_Sim!!
_Algum problema com o nome?
Sara não deixou de notar que a menção daquele nome mexeu com o supervisor, pois sua expressão mudou e ele ficou com um olhar distante.
_Não!... Alice é um lindo nome!... Acho melhor irmos agora.
_Sim!... E... Obrigada pelo presente!
Ela esboçou um pequeno e sincero sorriso, que deixou o supervisor imensamente feliz.
_Não tem de quê!
***
Periciando junto com Grissom o porão de uma casa velha e abandonada, a qual se localizava no subúrbio de Las Vegas onde segundo uma denúncia anônima, havia um corpo cheio de insetos abandonado ali, Sara vire-mexe olhava de relance para o supervisor. Precisava reconhecer que o presente lindo que ele lhe deu horas atrás, enterneceu seu coração. E não somente isso, também mexeu consideravelmente com seus sentimentos, principalmente os que vinham acompanhando-a desde a separação do supervisor.
Bastou apenas aquele gesto fofo de Grissom pra fazer com que a mágoa horrível que outrora sentia fortemente por ele, nesse momento, não parecesse mais assim tão forte. E aquele amor que ela tanto vinha tentando sem sucesso arrancar do peito, parecesse agora involuntariamente mais vivo que nunca.
‘’... Você o ama muito além dessa mágoa toda que demonstra e diz sentir!’’.
As palavras que Ernest lhe dissera semanas atrás começaram a ecoar em sua mente.
Bem, ela sabia que esses dois sentimentos mencionados por ele – Amor e Mágoa - estavam ali dentro dela e duelavam constantemente, e quase sempre o segundo vinha se sobrepondo ao primeiro. No entanto, aquele presente bagunçou um pouco a ordem e o nível das coisas!
_Sara tá tudo bem com você?
Ao olhá-la de relance, o supervisor flagrou-a encarando-o fixamente e de forma pensativa. Achando estranho isso, ele tornou a repetir a pergunta que havia feito segundo atrás. Como ela não lhe respondeu, ele preocupado foi até ela, tocou seu braço delicadamente e mais uma vez, repetiu a pergunta feita.
Dessa vez, ela ouviu e se assustou com seu chamado. Recuou imediatamente ao notar o quão perigosamente próximo eles estavam.
Ela havia se perdido momentaneamente em pensamentos, que sequer tinha percebido quando Grissom veio até ela e ficou diante de si, tão próximo como quando eles se beijaram a última vez na casa dela.
_Tem certeza que está bem mesmo?
Pela terceira vez, ele indagou-a. Desconfiava que talvez por puro orgulho ou teimosia, ela estivesse mentindo ou pior, omitindo a verdade dele. Mas a resposta convicta dela de que estava ótima, despreocupou o supervisor e o convenceu de que ela falava a verdade.
_Eu já tinha terminado a minha parte. Precisa de ajuda pra terminar a sua?
Ele conseguiu esboçar um pequeno sorriso por vê-la se dispondo a querer ajudá-lo.
_Não, querida... Quer dizer... Sara... – Imediatamente, ele tratou de corrigir seu ato falho de chamá-la como fazia quando ainda estavam juntos. _ Não precisa! Eu já tô terminando. Se quiser, você pode levar para o carro as evidências que já coletamos e me esperar lá. Em cinco minutos saiu daqui. - Ele completou rapidamente.
Ela apenas assentiu e após recolher do chão os pacotes lacrados com as evidências que coletaram, se dirigiu a porta de saída do porão.
Assim que a viu sair dali, Grissom soltou um suspiro enquanto se recriminava mentalmente por ter deixado escapar aquele ‘’querida’’. Foi algo que saiu de forma involuntária. Se ela não gostou de ter sido chamada daquela forma, ele não conseguiu saber, pois sua expressão impassível nem deixou mostras disso. Mas lá no fundo, ele desejou que ela tivesse gostado ao menos um pouco que fosse. Recordava-se bem dela gostar quando lhe chamava daquele apelido carinhoso. Será que depois do que houve ela havia deixado de gostar?
_Tomara que não!
Ele próprio respondeu sua pergunta em voz alta. Na sequência retomou seu serviço. Poucos minutos depois, o supervisor concluía seu trabalho e ao se virar pra sair dali deu de cara com um sujeito desconhecido parado diante da porta e lhe apontando uma arma.
_Mãos onde eu possa ver! – O sujeito mandou em um tom seco e olhar sombrio. Logo em seguida completou dizendo: _Enfim estou cara-a-cara com o senhor, doutor Grissom!
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