Capítulo 134 - Convite inesperado

_O que você esperava Grissom? Que ela te perdoasse numa boa e depois te abraçasse dizendo: ‘’vou passar uma borracha no que houve e nós retomaremos a nossa relação de onde paramos!’’? Muita ingenuidade sua achar que ia acontecer isso quando fosse falar com a Sara, né? – Catherine indagou um tanto exasperada após seu amigo supervisor ter lhe relatado a conversa que teve mais cedo com a ex-mulher.

Ele não esperava que fosse aquele doce sonho mencionado por sua amiga, mas também não esperava por aquele desgostoso pesadelo ao qual tinha se configurado a conversa com Sara. Verdade seja dita, o supervisor esperava ao menos sair com o perdão de sua ex-mulher e mencionou isso a sua amiga, e está se indignou mais ainda.

_Ah, você a magoou, dizendo coisas horríveis e queria ser perdoado assim, facilmente? Quanta ilusão sua hein?

O tom debochado dela fez o supervisor lhe olhar severamente de relance.

_Não me olhe assim, porque não tenho medo! Você foi duro demais com ela e sabe disso. Ninguém mandou dizer aquelas coisas todas.

_Se quer que eu me sinta pior do que já estou me sentindo, está conseguindo com louros!

Ele rebateu com pesar enquanto dirigia pra cena de crime a qual eles trabalhariam naquela noite, juntamente com Nick que vinha logo atrás no carro dele.

Catherine por um momento se compadeceu dele. Era visível que o supervisor estava sofrendo e ela ainda tripudiava em cima disso. Mas pra loira, lá no fundo, bem que seu amigo merecia sofrer um pouquinho por ter sido um idiota com quem não merecia. Mas, agora, não era o momento pra ficar lhe lembrando do quão errado ele foi!

_Olha, desculpa. Não vai adiantar nada mesmo eu ficar te lembrando o que fez. Você é bem ciente dos seus atos e posso ver que está sofrendo por eles.

_Não sei como farei pra conseguir o perdão da Sara. Ela parecia irredutível em não me perdoar. Temo que ela não me perdoe nunca, Catherine.

_Vamos com calma, tá bom?! Dê um pouco de tempo a ela pra pensar, assimilar as coisas. Não é fácil pra Sara perdoar as acusações que fez a ela.

_Você acha que ela pode ter deixado de me amar?

Era totalmente compreensível se isso tivesse acontecido, posto que ele era bem ciente de que havia dado uma forte razão pra Sara deixar de lhe amar. E somente a remota idéia de que isso possa ter acontecido de fato lhe causava uma dor terrível no peito.

_Não, não acho! Pelo contrário, eu acho que ela ainda te ama apesar do que houve. Porém, é óbvio que ela está muito magoada com você e com razão. Agora, você precisa consertar as coisas entre vocês.

_Como? Ela deixou bem explícito que não me perdoa e algo me diz que tão cedo isso não vai mudar.

Catherine revirou os olhos em insatisfação. Pelo visto seu amigo estava entregando os pontos antes mesmo de começar a lutar pelo perdão da ex-mulher.

_Por acaso está pensando em deixar a situação de vocês do que jeito que está?

Por mais complicado que parecesse, ele estava disposto a tentar reverter essa situação e conseguir o perdão de Sara e se não for muito difícil assim, quem sabe, ter a ex-mulher de volta!

_Não, Catherine! Eu pretendo consertar essa situação, só não sei ainda como.

_Quem sabe, um caminho não seja reconquistar a confiança da Sara pra ganhar seu perdão e tê-la de volta? Pensa nisso!

***

_Cara, deixa de ser Mané e convida. Ela não continua separada do supervisor?

_Foi o que ela disse quando nos falamos na última vez.

_Então, chama a perita pra sair. Deixa de ser trouxa, cara. Investe nela antes que seja tarde.

_E se ela me der um fora? Aí, eu vou ter feito papel de idiota chamando-a pra sair.

O policial Benny que colocava pilha em Ernest pra ele tomar uma atitude em relação a Sara, riu do amigo.

_Você tem que ser positivo, cara! Antes de fazer o convite já está achando que ela vai te dar um fora. Qual é?!... Agora escuta... Quando ela sair da casa, você a chamada discretamente e faz o convite. Tem que se arriscar, cara! Se você não tomar uma atitude, ela nunca vai te enxergar.

Esse pequeno sermão foi o empurrão que Ernest precisava pra se arriscar na sugestão dada pelo amigo.

_Você tem razão! Tenho que me arriscar!... Eu vou convidar a Sara pra tomar um café!

_É isso aí, cara! – Comemorou Benny.

Algum tempo depois, Ernest viu Sara sair da casa a qual periciava junto com Greg e Warrick. Incentivado por seu amigo policial que lhe deu um empurrão nas costas, Ernest seguiu meio sem jeito em direção ao trio de peritos.

_Eu não sei, não. Mas...

_Com licença...

Os três peritos se viraram para o policial que chegou a perder momentaneamente a coragem de fazer o convite a Sara, mas não daria pra trás.

_Alguma informação pra gente, Ernest?

_Não, Warrick. Na verdade, eu vim trocar duas palavras rapidamente com à Sara.

_Comigo? – Ela não deixou de demonstrar certa surpresa.

_Sim. Prometo que vai ser rápido. Não quero te atrapalhar já que está no seu horário de trabalho.

_A gente vai te esperar lá no carro, Sara.

Ela apenas assentiu pra Greg. E após seus dois colegas de trabalho terem ido embora, a perita indagou o policial sobre o que ele queria lhe fala.

Sem fazer rodeios, Ernest foi bem direto em seu convite e após tê-lo feito pode ver a surpresa estampada na cara de Sara. A perita não esperava que fosse aquilo que ele queria lhe dizer.

_Você está me convidando pra tomar um café depois do trabalho? – Ela queria ter certeza se tinha entendido direito aquele convite feito de supetão.

_Sim! Podemos ir à lanchonete perto do seu trabalho. Conversamos um pouco e tomamos um café. Sem compromisso algum. – Ele se adiantou em esclarecer.

Ainda que ele tivesse lhe dito que era sem compromisso algum, Sara podia vê que não era bem assim. Os olhos do policial demonstravam esperanças quanto a esse convite e Sara achou por bem não aceitar a proposta de Ernest. Mas, logo em seguida, ela voltou atrás nisso ao se dar conta de que essa poderia ser uma ótima oportunidade pra ter a conversa que queria com o policial e deixar claro algumas coisas pra ele.

_Eu aceito!

_Sério? – Ele mal acreditou na resposta que ouviu. Já estava achando que teria uma recusa a seu convite, mas pra sua alegria isso não aconteceu.

Sara quase riu da cara de espanto que Ernest tinha ante a sua aceitação ao convite lhe feito.

_Sim! - Ela tratou de confirmar e viu Ernest sorrir. _Mas, se não se importa, eu prefiro que não seja na lanchonete perto do laboratório. Podemos ir à outra, ou melhor, a cafeteria perto da minha casa, tudo bem pra você?

_Como for melhor pra você.

_Certo. Eu te passo o endereço de lá por mensagem.

_Ok. Então... A que horas devo estar lá?

_Saio às sete.

_Estarei lá nesse horário pontualmente.

_Tudo bem. Agora preciso ir. Até mais.

_Até!

Ela seguiu em direção ao carro sob o olhar contente do policial que ao se virar para o amigo parado perto da viatura, fez um sinal de positivo a ele que abriu o sorriso para Ernest.

_Podemos ir! - Sara anunciou, acomodando-se no banco da frente do carro de Greg.

_O que ele queria com você?

Greg não conseguiu conter sua curiosidade. Do carro, ele e Warrick espreitavam a conversa da amiga com o policial e especulavam a respeito do que ele estaria falando com ela. O que nem ele e Warrick imaginavam era ouvir o que ouviram.

_Ele queria me convidar pra tomar café com ele depois do trabalho. - Contou naturalmente, a perita enquanto colocava o cinto de segurança.

_E você disse que não?

_Pelo contrário, eu disse que sim, Greg!... Agora, será que podemos ir? Temos um caso pra solucionar.

O perito apenas assentiu enquanto dava a partida no carro. Pelo retrovisor, ele encarou rapidamente Warrick acomodado no bando detrás e ambos compartilharam pelo o olhar a surpresa diante da resposta da colega de trabalho, porém se abstiveram de fazer mais qualquer comentário que fosse.

***

Enquanto trabalhava, Sara vire-mexe lembrava-se da cara de espanto de Ernest quando lhe disse "sim", e isso involuntariamente lhe tirava um sorriso, pois tinha sido engraçada a expressão do policial. Mas, logo em seguida, seu sorriso se esvaía ao se dar conta de que a conversa que pretendia ter com ele não seria das mais agradáveis para o policial. Entretanto, ela teria que tê-la, pois não tinha intenção alguma de alimentar as esperanças de Ernest de que entre eles poderia acontecer algo.

Em sua atual situação, ela não poderia ter algo com ele ou com qualquer outra pessoa que fosse, porque ainda estava tentando se recuperar do fim conturbado de seu casamento com Grissom, ao mesmo tempo, em que vinha tentando unir os cacos de seu coração despedaçado. Não estava sendo nada fácil, mas pouco a pouco, dia após dia, ela vinha conseguindo se recuperar. E por enquanto, não estava nos seus planos envolver-se em um novo relacionamento, ainda mais, se mesmo não querendo, ela ainda amava aquele que lhe machucou da pior forma.

_Aí, Sara... Eu sei que não é da minha conta, mas... – Greg fez uma pausa pra encarar à amiga que junto com ele analisava algumas evidências que coletaram. Ao ver que Sara lhe olhou, o jovem perito então continuou a fala. _Por que resolveu aceitar o convite do Ernest? Por acaso pretende dar uma chance a ele na intenção de esquecer o Grissom?

_Claro que não Greg!

_Ah bom! Porque se fosse isso, você poderia dispensar esse policial imediatamente e me pôr no lugar dele. Pois se existe alguém que pode ter fazer esquecer o chefe, esse alguém sou eu!

Ela não queria, mas inevitavelmente acabou caindo na risada das palavras proferidas por seu amigo.

_Só você pra sair com uma coisa dessas, Greg! – Ainda rindo, Sara acertou de leve o braço do amigo que tinha um largo sorriso. _E para satisfazer sua curiosidade, eu só aceitei o convite do Ernest, porque eu preciso ter uma conversa franca com ele.

O jovem perito apenas assentiu, sentindo vontade de saber mais a respeito dessa conversa franca que ela pretendia ter, mas resolveu deixar isso quieto. Se ela quisesse dizer algo mais teria dito, e como ela não disse, ele se contentou com o que ouviu.

_Mas você bem que podia considerar o que eu disse ainda pouco sobre EU te fazer esquecer o chefe. – Greg não resistiu em brincar com a amiga.

_Greg!! - Ela o repreendeu e ele riu erguendo as mãos em rendição._Você é um caso perdido!

***

Tudo o que ele mais desejava era consertar logo o que fez e retomar sua vida feliz de antes. Queria o quanto antes ter de volta a família a qual tinha e que acabou perdendo. Mas, o supervisor sabia que a tarefa seria árdua, entretanto, tinha esperanças de conseguir reverter isso, ainda que as coisas não parecessem favoráveis a ele.

Quem sabe, o mais sensato por enquanto fosse seguir o conselho dado por Catherine ainda pouco antes de ir embora pra casa dela após o fim de mais um dia de trabalho. Sua amiga lhe sugeriu que ele tentasse se aproximar aos poucos de Sara e assim, ir reconquistando-a e mostrando-lhe o quanto ainda a ama, e o quanto está arrependido do que lhe fez.

Faria tudo o que fosse possível e que estivesse a seu alcance pra ter outra vez ao seu lado aquela por quem seu coração nunca havia deixado de bater.

_Eu vou lutar por você, Sara!

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