Capítulo 121 - Confirmando as suspeitas

A primeira coisa que Grissom fez quando chegou em casa, foi ligar pra Teri e pedir que ela passasse ali antes de ir trabalhar. Precisava tirar aquela dúvida da cabeça e a única forma de fazer isso, seria confrontar a amiga. Saber dela mesma se tinha sido capaz de contar a Sara o que houve entre eles.

_Aconteceu alguma coisa?

Teri não entendeu bem a urgência com a qual ele queria que ela fosse a sua casa hoje. Será que ele havia pensado melhor e agora decidiu lhe dar uma chance?

_Eu não vou dizer nada a não ser pessoalmente. Será que pode vir?

_Claro que posso! Daqui a pouco estarei aí, porque pego cedo hoje no laboratório.

Ela estava exultante de felicidade ao imaginar que possivelmente a conversa que ele queria ter com ela, fosse pra lhe dizer que eles ficariam juntos de novo.

_Estarei te esperando. Adeus!

Ele desligou sem alongar mais a conversa. Se ela tivesse feito isso como ele deduzia, lhe diria poucas e boas. Ela não tinha nada que fazer isso!

Resolveu ir tomar uma ducha fria antes que Teri chegasse.

De olhos fechados e cabeça baixa, Grissom sentia a água que caía forte do chuveiro, bater em seus ombros numa massagem reconfortante e relaxante. E sozinho ali, ele se pegou lembrando mais uma vez do beijo que dera em Sara. Aquele acontecimento não saía de sua cabeça. Tinha sido muito bom, mais que bom!

Ele ainda conseguia até sentir os lábios dela sendo pressionados pelos dele. A língua dele tocando a dela. Suas mãos sentindo outra vez a maciez da pele dela quando tocou seu rosto. Seu corpo colado ao dela e vice-versa. Beijá-la novamente havia sido a melhor coisa que lhe acontecera nos últimos dias, mas logo a lembrança daquele momento bonito, se esvaiu e perdeu todo o encanto para Grissom, quando sua mente trouxe a tona as palavras que Sara lhe disse e que confirmaram o que seus olhos tinham flagrado aquele dia e que até então, a ex-mulher insistia em negar.

... Eu realmente te enganei com ele e quer saber? Foi bom! Foi muito bom dormir com ele!

A raiva que essas palavras lhe causaram ao relembrá-las fez Grissom se arrepender de ter beijado Sara. Não devia ter feito isso. Fora um erro o que aconteceu, como ela mesma disse. Jamais tornaria a fazer isso de novo, por mais maravilhoso que tenha sido, por mais que tivesse se sentido vivo de novo por segundos enquanto a beijava, ele não tocaria nela outra vez.

Aquela mulher havia confirmado com todas as letras que tinha enganado-o e isso ele jamais perdoaria e jamais esqueceria, assim como não esqueceria a cena dela naquela cama.

Se antes estava difícil de esquecê-la e esquecer tudo o que viveu com ela, agora depois desse beijo essa tarefa seria mais difícil ainda. No entanto, Grissom conseguiria isso. Toda vez que sentisse que estava fraquejando nessa tarefa de esquecê-la, ele se lembraria dessa confissão de Sara.

Terminou seu banho e quase uma hora depois de espera, ele abria a porta pra Teri.

Era chegada a hora de confrontá-la!

_Confesso estar curiosa por sua urgência em ter essa conversa.

_Sente-se! - Ele indicou o sofá a ela._Quer beber alguma coisa?

Mesmo não sendo do seu agrado ser educado no momento, seu bom senso lhe mandou ser mesmo assim.

_Não obrigada. Prefiro que vá direto ao assunto que quer conversar comigo.

Ele achou um tanto melhor assim. Também queria ir direto a conversa mesmo. E então ele foi... Direto e sem fazer entremeios.

_Como e por que... Foi contar a Sara que dormimos juntos?

*****

Observando sua filha que falava ao telefone com o avô, Sara se sentia bastante aliviada e feliz por ver sua pequena mais alegre e falante como de costume. Realmente o médico tinha razão, a visita de Grissom a Lívia tinha sido um santo remédio pra melhora da menina. Ela não teve mais febre, voltou a comer e seu sorriso que antes não era visto, tinha voltado a enfeitar seu rostinho de anjo.

_Mãe, o vovô. - A menina estendeu o telefone a ela, tirando-a de sua observação a filha.

_Oi, Oswald!

_Minha nossa, Sara. Liv me parece outra, ou melhor, a mesma de sempre! - O homem sorria aliviado e feliz por sentir quão animada estava sua neta.

_Graças a Deus! - Ela sorriu olhando a menina que falava com Sam.

_Ela me contou sobre a visita que recebeu ontem. Que bom que seu ex-marido foi visitar a Liv. A visita dele foi muito benéfica pra ela como o médico havia previsto.

_Sim! - Foi à única coisa que Sara conseguiu dizer e ainda foi em um tom seco. A menção de Grissom na conversa lhe fez imediatamente lembrar-se do que houve ontem entre ela e ele, e que era algo que queria apagar da cabeça completamente!

Oswald percebeu pelo tom com o qual Sara respondeu que falar no ex-marido não era algo que ela quisesse, então tratou de mudar logo de assunto.

_Sara como sabe amanhã de manhã, eu e Elizabeth, voltaremos para Chicago e, Dylan volta conosco obviamente. Eu tinha combinado com você de sairmos pra almoçar, mas com o que aconteceu com a Liv, nem tivemos oportunidade de combinar nada.

_Mas podemos combinar agora. Que tal vocês virem almoçar aqui em casa? Eu acho que vai ser melhor e mais agradável se for aqui, porque assim podemos conversar mais a vontade do que num restaurante.

_Me parece uma ótima idéia.

_Então está combinado. Espero vocês aqui antes do almoço.

_Elizabeth e eu, esta...

_Dylan pode vir com vocês. - Ela o interrompeu.

Oswald emudeceu em surpresa. Porem bastou alguns segundos depois pra ele entender o motivo de sua ex-nora permitir a presença de Dylan no almoço.

_É pela Liv que está dizendo pra ele ir?

_Só por ela, Oswald.

Só ela sabia o quão difícil tinha sido consentir a presença do ex, mas pela filha fez aquilo. Além do mais, seria a última vez que teria que aturar a presença de Dylan já que amanhã felizmente ele iria embora de Vegas mesmo.

_Eu sei que se ele não vier junto com vocês, ela vai perguntar o motivo disso, então, quero evitar ter que dar explicações desnecessárias a ela. Diga ao seu filho que ele pode vir junto com vocês. Assim ele aproveita a ocasião pra se despedir da Liv, mas diga a ele pra não me dirigir à palavra enquanto estiver aqui a não ser quando seja estritamente necessário.

_Pode deixar que eu digo. E obrigado por isso, Sara. Sei que não deve ser nada fácil pra você ter a presença dele por perto, depois do que ele causou.

Oswald assim como Sara, tinha quase certeza que seu filho era o grande responsável por armar o flagra dado pelo marido da morena.

_Não é fácil mesmo e sinceramente? Alegro-me em saber que amanhã ele não estará mais na cidade.

Houve um breve instante de silêncio de ambos os lados da linha.

_Bem, então estamos combinados. - Oswald pronunciou-se quebrando o silêncio que já durava há segundos e abstendo-se de comentar mais alguma coisa a respeito do que a ex-nora havia dito. Ela tinha seus motivos pra estar agindo daquele jeito e ele entendia completamente _Antes do meio dia estaremos os três aí e pode deixar a sobremesa por minha conta. Vou pedir para o Dylan no caminho, parar em uma doceria pra compramos a sobremesa preferida da minha neta, mas não diga a ela que levarei.

_Não direi.

Eles se despediram e a ligação foi encerrada.

Sara viu a alegria na filha quando lhe contou que os avós e o pai dela viriam almoçar ali. Isso sem dúvida alguma recompensava e valia o total esforço que faria pra aturar a presença de Dylan em sua casa.

*****

Teri estava sem palavras diante das questões que Grissom acabara de jogar sobre ela. Ela não podia acreditar que ele tivesse descoberto isso. Como?? A resposta veio no segundo seguinte ao que a pergunta se formou em sua cabeça... Sara!!

Com certeza foi ela... Somente ela poderia ter comentado ou pior, mostrado a foto pra ele. Mas por que de ter feito isso?? Eles não estavam mais juntos.

_Estou esperando sua resposta Teri?

Como ela se sairia disso??

Maldita Sara!!

_Grissom, eu não faço idéia do que esteja falando.

Fazer-se de desentendida lhe pareceu à melhor saída no momento. Só que ela não esperava que ele tivesse um contra-argumento pronto e na ponta da língua.

_Não sabe?... Então como Sara já sabe que você e eu, dormimos juntos, porque eu não contei nada. Então se não fui eu, só pode ter sido...

_Eu??

_E não foi?? Somente nós dois sabemos o que aconteceu. E se eu não disse nada, só pode ter sido você. Então eu te pergunto de novo: Como e por que fez isso? E acho bom você ser sincera comigo. Se disser de novo que não tem nada a ver com isso e posteriormente, eu descobrir que tem, pode esquecer nossa amizade.

Teri se remexeu inquieta no sofá. E pensar que ela imaginou outro tipo de conversa com ele! Podia ver que Grissom estava convicto que foi ela. E se era assim, ela não teria alternativa se não admitir aquilo.

_Tudo bem... Eu admito que fui eu.

_Isso você não precisa admitir porque eu já desconfiava, ainda que com certa dúvida, mas desconfiava. Agora quero saber o que te perguntei.

Ele estava sério, muito sério e com razão. Por que raios ela tinha que ter feito isso? Sara e ele, nem estavam mais juntos e sua vida ou o que faz dela, não é da conta de sua ex, assim como a dela deixou de ser da conta dele.

Teri novamente se remexeu no sofá. Nesse momento, viu que o que tinha feito havia sido uma estupidez enorme e que acabava de pôr em risco seus planos de aproximação com o supervisor.

_Me desculpe, Grissom.

_Não quero ouvir desculpas e sim, respostas!

Ela o encarava ciente que ele estava furioso com ela e sabia que isso pioraria depois que contasse o que fez.

_Eu enviei para o celular dela uma foto sua dormindo sem roupa na minha cama!

_Você o quê??

Ele mal pode acreditar no que ouviu.

_Grissom... Fiz isso pra que a Sara visse que você não estava mais sofrendo por ela e que...

_Você não tinha nenhum direito de ter feito isso! - Ele a interrompeu furioso e pondo-se de pé. _Sara não tem mais nada a ver com minha vida. Se estou sofrendo por ela ou não, isso não é da conta dela, não é da conta de ninguém!

Ela tinha ido longe demais e ele não estava disposto a relevar.

_Isso que fez foi absurdo. Mandar uma foto minha... - Ele mesmo se interrompeu porque não valia a pena repetir tal despautério. _Sinceramente, eu não sei o que pensar de você. Achava que te conhecia, mas com tudo o que tem feito de uns tempos pra cá, começo a perceber que talvez você não seja quem eu julgava ser. Jamais imaginei que você fosse fazer algo assim. Passou da conta, Teri. E por isso, nossa amizade pára por aqui. A partir de agora seremos apenas... Colegas de trabalho e nada mais!

Ela precisava reverter isso e já.

_Grissom, por favor, eu sei que errei, mas me desculpe. Em momento...

_Não perca seu tempo tentando se explicar, porque o quê quer que diga não vai mudar o que acabei de dizer.

_Mas...

_Por favor, agora vá embora. Eu preciso descansar. O que eu tinha pra lhe dizer, já disse.

_Você não vai me dá ao menos uma chance pra falar?

_Estou casando demais pra ouvir o que você tem pra falar. Por favor... - Ele caminhou até a porta, abriu-a e apontou a saída pra loira. Sua cabeça começava a doer e tudo o que ele queria era ficar sozinho. Já tinha tirado suas dúvidas, confirmado suas suspeitas e dito o que era preciso, agora só queria que a mulher em seu apartamento, se fosse. Ela não fazia idéia do quão esforço ele estava fazendo pra não ser mais grosseiro do que já estava sendo com ela.

Teri vendo que ele havia decretado o fim da conversa ali mesmo e que ela não tinha mais nada a fazer pra tentar reverter naquele momento àquela situação que se mostrava totalmente desfavorável pra ela, a mulher pegou sua bolsa e caminhou até a porta onde o supervisor estava.

_Você está sendo injusto comigo.

_E você está sendo uma completa decepção pra mim!

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