Capítulo 117 - Convencendo
A pedido de Sara momentos atrás, Any ligava para Grissom. Já havia discado o número dele seis vezes, estava indo para sétima e nada do supervisor atender as chamadas. As ligações só faziam chamar e chamar pra logo depois cair na caixa postal.
_Conseguiu falar com ele?
Sara quis saber após voltar de onde Lívia estava pra que um de seus ex-sogros fossem ver a menina.
A morena havia a muito custo concordado que Grissom viesse visitar sua filha, mas somente porque isso parecia ser o melhor para a menina, do contrário, não teria aceitado. Não depois do que ele tinha feito a Liv.
_Ainda não. Só chama e chama.
Sara balançou a cabeça em insatisfação e suspirou com certa raiva.
_Ele não quer atender, Any. – Afirmou com pesar por conta de sua filha que queria muito vê-lo, mas pelo visto isso não aconteceria. _Está vendo que é o meu número e se recusa a atender.
_Vai ver ele está sem o celular.
Ela sabia que isso era muito pouco provável de ser verdade, posto que no trabalho deles, o aparelho era imprescindível já que este era a forma deles serem contatados quando o serviço os chamava.
_Ele está com o celular sim. Só não quer atender. – Reafirmou a morena.
Só que isso não era verdade. Como Any havia suposto, realmente o supervisor que aquela altura já se encontrava periciando sua cena de crime, estava sem o celular. Sem perceber, ele havia descido e esquecido de apanhar o aparelho de dentro do pequeno compartimento que havia na porta do veículo. Dessa forma, ele sequer imaginava que aquelas ligações estavam lhe sendo feitas.
_Vou insistir mais. Quem sabe...
_Não perca mais seu tempo fazendo isso. – Ela interrompeu Any. _Ele não vai atender!
_E se ela ligar do meu celular? Talvez ele atenda já que não conhece meu número. – Sugeriu Oswald que até então apenas prestava atenção no dialogo das duas mulheres.
_Não, Oswald. Agradeço, mas...
Antes que ela dissesse mais alguma coisa, foi tomada por um súbito mal-estar.
_Ei, o que foi? – Oswald a amparou juntamente com Any quando ambos viram Sara cambalear e dá sinal que ia desmaiar do nada.
__Uma tonteira... Minha vista está escura! – Ela contou passando a mão pelo rosto.
Imediatamente Oswald e Any a levaram pra que se sentasse em uma das cadeiras que havia ali na sala de espera.
_Acho melhor chamar um médico pra que venha ver o que você tem. – Oswald se agachou diante dela e segurou sua mão que estava fria.
_Não, não é necessário.
_Como não? Você está pálida.
_Ela quase não comeu o dia todo. Com certeza é por isso que está passando mal assim.
Any sabia bem o motivo da falta de apetite da morena. Sara havia lhe contado da foto.
_Any!! – Recriminou Sara pelo o que a babá de sua filha disse.
A foto que recebeu ontem não só tirou sua paz como também o apetite. Seu estômago se revirava só de pensar em comer.
_Sara não pode ficar sem comer o dia todo! ... Vem, vamos à cantina pra que coma algo.
Ela ia protestar dizendo que não estava com fome, que tinha quase certeza que no instante seguinte que engolisse algo, o botaria pra fora. Porém não teve tempo, pois seu ex-sogro foi taxativo em lhe dizer: ‘’não discuta comigo. Tenho idade pra ser seu pai. Vamos!’’
E sem fazer objeções, ela levantou-se com a ajuda dele.
_Any, não vamos demorar. Qualquer coisa sabe onde nos encontrar.
_Sim, seu Oswald!
Sem que Sara visse, Oswald estendeu por suas costas seu celular pra que Any ligasse para o ex da morena. A babá pegou rapidamente o aparelho entendendo perfeitamente o que tinha que fazer.
Assim que os dois sumiram de vista, Any discou o número de certo supervisor.
*****
Grissom levou a mão ao bolso da calça pra apanhar seu celular, mas acabou não encontrando o aparelho.
_Droga!! – Praguejou baixo.
Resolveu voltar rapidamente ao carro pra pegar o celular, pois precisava fazer uma ligação urgente.
Como pode esquecer o aparelho no carro?
Any já estava discando pela quarta vez o número. Deu o primeiro toque... Segundo toque... Terceiro toque... Quarto toque...
Quando a babá achou que novamente a ligação cairia na caixa postal, ela foi atendida pelo supervisor no último e longo chamado.
_Alô!!
_Grissom! – Ela esboçou um sorriso de completo alívio.
_Quem fala? – Ele não havia reconhecido de imediato à voz dela, já que o número era completamente desconhecido para ele.
_Any.
Ele ficou momentaneamente em silêncio. Segundos depois, indagou-a sobre o motivo de sua ligação. Quis demonstrar frieza e foi bem sucedido, pois a forma com a qual falou e suas palavras soaram de forma bem fria pra babá.
Ignorando aquilo, Any então disse que Liv estava num hospital com muita febre e pediu pra que o supervisor viesse vê-la um instante que fosse, pois a menina em delírios da febre chamava demais por seu nome.
_Grissom, você ainda está aí do outro lado da linha? – Ela notou que após ter contado o que acontecia, o supervisor ficou mudo e pensou que talvez a ligação tivesse caído. Ia perguntar novamente quando ouviu a voz dele.
_Sim, estou! – Foi uma resposta dada em um sussurro. Um sopro de voz.
_E então?
Levou uns segundos pra que ela ouvisse sua resposta. Ficou surpresa com o que ele disse, só que essa surpresa foi totalmente negativa, pois o supervisor se recusou a ir ver a menina. Ele disse que sentia muito, mas não poderia ir porque estava trabalhando. Any ia rebater que ele viesse então depois do trabalho, mas nem teve tempo já que Grissom emendou dizendo que nem depois poderia ir também, porque não queria. Completou falandao que não lhe faria bem ver a menina a quem ele queria distância. Desejou melhoras a Liv e encerrou a ligação imediatamente.
_Eu não posso acreditar que ele tenha feito isso! – Any murmurou com descrença.
Após encerrar a ligação, Grissom recostou-se a porta de seu carro, fechou os olhos com demasiada força e suspirou. Só Deus sabe o quanto foi difícil fazer o que acabou de fazer. Sentia o coração apertar por saber que Lívia estava num hospital, chamando por seu nome e ele simplesmente recusou-se a ir vê-la.
Quão estúpido ele ainda conseguia ser?
Mais uma vez ele agia errado com aquela que pelo que soube, ainda gostava dele mesmo com o que havia lhe feito semanas atrás.
‘’Estúpido... Estúpido... Estúpido!’’, sua consciência lhe gritou a plenos pulmões.
Ela é uma criança e queria vê-lo. Estava doente segundo o que Any lhe disse, porque sentia saudade dele. Isso quase lhe fez esquecer o que havia se imposto, e dizer: ‘’sim, eu vou!’’, entretanto o seu lado racional o lembrou de que não podia ir já que estava tentando seguir sua vida, tentando esquecer tudo o que fazia parte até bem pouco tempo atrás, de sua vida feliz. Queria distancia de tudo inclusive da menina.
Por mais que lhe doesse aquela situação, ela tinha que ser assim. Ele havia escolhido ser assim e pretendia não mudar isso. Era melhor assim... Sem laços, sem ligações!
_Doutor Grissom??
Ele se espantou com o chamado do policial.
_Está tudo bem com o senhor? – O oficial preocupou-se em perguntar ao ver o homem escorado ao carro como que buscando suporte pra não desabar.
_Sim! Algum problema?
_Encontramos uma coisa nos fundos da casa, precisa vim ver.
_Vamos!
Ele seguiu o oficial. O trabalho, ele lhe ocuparia a mente e lhe faria esquecer a burrada que mais uma vez havia cometido com aquela que não merecia.
*****
Any não se daria por vencida. Por mais que ele tivesse se recusado a vir, ela o traria ali pelo bem Liv. Fazia qualquer coisa pela menina, pra vê-la feliz. E não seria agora que deixaria de ser diferente. Sabia que no fundo o supervisor havia ficado mexido quando lhe disse que a menina estava doente por sentir sua falta. E sabia também, que ele com certeza, sentia a falta dela. Só não entendia por quê ele fazia tudo isso com a menina. Seu problema havia sido com Sara e Liv não merecia pagar por algo que nem menos a morena tinha culpa.
Decidida a fazer o superviso vir ver Liv. Any pegou o celular de Sara e na lista de contatos procurou por um nome que não custou muito de encontrar. Imediatamente ligou para a pessoa em questão. Não deu nem dois toque e Catherine atendeu.
Any tinha quase certeza que a loira era única capaz de convencer Grissom a visitar Liv já que ela é sua melhor amiga. Sara certa vez, havia lhe dito isso e também disse que quase sempre Catherine consegue convencê-lo a fazer o que não quer. Ou era com jeito ou no tranco mesmo, de ambos os jeito, ela o fazia ceder e fazer o que queria.
_Catherine aqui é Any, a babá da Liv.
_Ah, oi, Any. Como está a Liv?
_Um pouco melhor do que chegou aqui. Já está acordada.
_Graças a Deus! O que o médico disse que ela tinha?
A baba repetiu exatamente o ‘’diagnóstico’’ do médico. E depois, contou sobre a ligação que fez a Grissom e também, a recusa dele em ir ver a menina mesmo ela tendo dito, que Liv queria muito vê-lo e chamava muito por seu nome.
_Mas o que deu no Grissom? Desde quando ele virou esse insensível, meu Deus!
_Por favor, Catherine... Tenta convencê-lo a visitar a Liv, nem que seja por uns minutos que seja. Parte-me o coração vê-la assim. Ela sente demais a falta dele.
Any sentiu os olhos se encherem de lágrimas e a voz embargar enquanto falava. Do outro lado da linha Catherine quis matar Grissom por estar fazendo isso. Por Deus, o coração dele tinha se petrificado de vez?
_Any, eu vou fazê-lo ir visita-la hoje mesmo. Nem que pra isso eu tenha que coloca-lo a força num carro da policia e pedir que o conduzam até o hospital.
A babá esboçou um pequeno sorriso.
_Que hospital estão mesmo?
_No materno-infantil. Mas em meia hora o médico liberará a Liv. Está só esperando que ela termine de tomar o soro que ele recomendou.
_Então vou mandar o Grissom ir para a casa da Sara.
_Se você conseguir...
_Ah, mas pode apostar que vou.
*****
Assim que Grissom entrou em sua sala, se deparou com uma Catherine parada bem em frente a sua mesa com uma cara séria, braços cruzados e um olhar fuzilante em sua direção.
_Aconteceu alguma coisa? Não devia estar com Warrick trabalhando no caso que dei a vocês?
Ele passou por ela, dirigindo-se a sua mesa. Acomodando-se em sua cadeira, ele pôs-se a remexer nos papéis da autopsia de seu caso ao qual havia trazido consigo.
_Você é um tremendo estúpido insensível sabia?
O supervisor que mantinha os olhos nos papéis, levantou-os e encarou Catherine com uma de suas sobrancelhas arqueadas.
Por que ele tinha a ligeira impressão de que ela estava furiosa com ele e que a qualquer momento seria capaz de lhe enfiar a mão na cara?
_Como pode fazer o que fez?
_Do que é que está falando?
Ele nem fazia ideia de que Any havia contado a ela sobre sua recusa em ir ver Liv. Soube no segundo seguinte à pergunta que fez, quando Catherine furiosa lhe jogou na cara o que havia feito.
_Como se recusou a ir visitar a Lívia? ... Responde! – Ela insistiu ao ver que ele não dizia nada.
Baixando os olhos e encarando a mesa a sua frente, o supervisor disse a meia voz:
_Eu não quero vê-la, Catherine. Ela não é nada minha, então não tenho porque ir visita-la.
Era isso que ele se repetia pra continuar se mantendo distante. Era nisso que ele queria acreditar pra se manter firme no que havia se imposto.
Do outro lado da mesa, sua amiga o fitava. Ela intuiu que isso não fosse verdade. Sabia do enorme carinho e amor que ele nutria por Liv. Aquela menina havia o conquistado como nenhuma outra criança havia feito, nem mesmo Lindsey, sua afilhada.
Apoiando as mãos sobre a mesa e curvando-se um pouco pra ficar mais perto do supervisor, a loira lhe murmurou:
_Diz isso de novo, só que agora olhando nos meus olhos pra que consiga me convencer de que seja realmente verdade o que acabou de dizer que senti.
É claro que não era verdade aquilo! Nunca seria o que senti de verdade! E Catherine teve certeza disso só de olhar nos olhos do amigo quando ele lhe encarou novamente.
_Sabia que não era verdade! – Ela pronunciou sentando-se na cadeira que havia em frente à mesa dele. _Por que faz isso? Ela é uma criança, não tem culpa do que houve, nem mesmo Sara tem culpa... E não adiante me dizer o contrário, porque que não acredito que ela te traiu. Ninguém vai me convencer disso. E não é dela que quero falar e sim de Liv.
_Catherine, por favor...
_Por favor, digo eu. Vai vê-la.
_Eu não posso.
_Por quê?
_Eu... Não quero continuar mantendo contato com ela, pois isso seria o mesmo que ter contato com Sara e eu simplesmente...
_Quantas vezes... – Ela o interrompeu. _... Eu te ouvi dizer aqui mesmo nessa sala, que Liv era como se fosse uma filha pra você. Que você a amava como tal. E aí, foi só se separar da Sara pra isso mudar? Pra você resolver ‘’banir’’ a menina da sua vida e bancar o idiota com ela?... Não existe ex-pai ou ex-padrasto. Ela não pediu pra gostar de você. Não pode simplesmente cortar um laço assim. Essa burrada toda que está fazendo só está ferindo a ela e a você.
_Ela não precisa de mim!
_Precisa. É sua culpa ela está doente sabia? Foi por você não ir mais vê-la, que a menina ficou assim. Ela ficou doente de SAUDADE!
Aquilo foi uma tapa em sua cara. Ele havia causado aquilo. Liv estava doente por sua culpa.
_Vai visita-la, Gil. Ela quer muito te vê. Eu sei que você também quer isso. E que está morrendo de saudades dela. Acaba com esse sofrimento pra você e pra ela.
_Eu não queria causar esse mal a ela. Só achei que mantê-la longe fosse o melhor pra mim e pra ela.
_Pra ela não foi. E pra você tá sendo o melhor?
Ele apenas balançou a cabeça negativamente. Desde o dia em que disse todos aqueles absurdos a pobre menina, que ele vinha sofrendo e se odiando. Mas não queria dar o braço a torcer e nem voltar atrás em sua decisão errada, pois sabia que o que tinha feito havia sido um erro. Um erro totalmente grotesco.
_Você agora tem a chance de reparar esse erro. Vai lá.
Ele precisava ir lá. Acabar com aquilo que só estava fazendo mal a ele e a Liv. Ele sentia tanta falta de sua ‘’princesa’’ e saber que tinha sido o causador dela ter ficado doente, havia lhe feito sentir um remorso tão grande e repensar sua decisão. Não estava valendo a pena manter-se longe dela, isso só estava causando mais sofrimento nele do que esperava. Lívia é demais especial pra ele continuar teimando em se manter longe dela e pra tentar arrancá-la desse jeito de sua vida.
E sendo assim ele se decidiu em ir vê-la pra alegria de sua amiga e alento de seu coração que havia ficado tão apertado desde a ligação de Any.
_Em que hospital ela está? Amanhã assim que sair daqui eu vou visita-la.
_Que amanhã o quê! Você vai agora. – Ela anunciou levantando-se da cadeira.
_Mas eu estou no meio de um caso. Não posso larga-lo.
_Eu tomo conta da investigação enquanto vai lá. Warrick pode tocar sozinho o caso que pegamos.
_Mas...
_Sem ‘’mas’’. Levanta daí e vai logo.
Ele sorriu com a ordem dela.
_Prometo que não demoro.
_Leve o tempo que precisar.
Ele pegou seu casaco do encosto da cadeira, suas chaves e despedindo-se da amiga seguiu pra porta. Antes de cruza-la, Grissom parou e se voltou a Catherine.
_ Obrigado! Fico te devendo essa.
_Não se preocupe que mais pra frente eu te cobro essa dívida de hoje, amigão! – Ela piscou pra ele e sorriu. _Vai logo!
Ele assentiu e saiu apressadamente. Mais diante esbarrou com Warrick que vinha pelo corredor. Pediu desculpas a ele e saiu às pressas dali.
_Aonde ele vai com essa pressa toda? – O moreno parou diante de Catherine que naquele instante se encontrava parada na porta da sala de Grissom.
_Consertar uma burrada que vinha cometendo.
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