Capítulo 115 - Dando o bote
Catherine não conseguia tirar os olhos de Dylan desde que ele chegara à festa de aniversário junto com os pais, muitos e muitos minutos atrás. Sentia uma enorme vontade de ir até ele e lhe dizer umas boas verdades na cara, por ter separado seus amigos que se amavam tanto. Entretanto, ela não podia dar-se o prazer de fazer isso e correr o risco de estragar a festa de aniversário da filha de Sara. Sendo assim, mantinha-se somente na vontade de fazer o que queria.
_Parece interessada no ex da Sara. Não tira os olhos dele desde que ele chegou.
A loira olhou com horror para o Warrick assim que ele disse isso.
_Isso foi à coisa mais absurda que poderia ter dito sabia? Eu interessada nesse sujeito? ... Tenha santa paciência, Warrick!
O moreno percebendo a insatisfação de Catherine e seu horror diante de seu infeliz comentário tratou de lhe pedir desculpas.
Havia lhe incomodado demais ver o quão insistentemente ela olhava para o outro sujeito sentado mais adiante em uma mesa com seus pais e Jim que conversava com eles.
_Não quis te aborrecer ou ofender com o que disse.
_Só que conseguiu as duas coisas numa tacada só.
_Cath de verdade, me desculpe.
_Aí, Sara pediu pra avisar a vocês dois que já cantaremos os ‘’parabéns’’ então é pra se encaminharem a mesa grande. – Greg saiu tão rapidamente quanto tinha vindo avisar aos dois que estavam sozinhos ali.
Catherine se levantou pra seguir atrás de Greg só que Warrick a deteve segurando em sua mão.
_Você ainda não disse se me desculpa pelo que eu disse.
_Está desculpado! Agora vamos.
Mais aliviado por ela ter lhe desculpado, Warrick largou sua mão e seguiu Catherine. Detestava ficar brigado com ela, pois gostava muito da loira. Na verdade, era bem mais que um simples gostar o que ele sentia por ela. Porém, não tinha coragem de lhe dizer isso. Mantinha secretamente trancafiado dentro de si, algo muito forte pela colega de trabalho. Talvez, um dia quem sabe, não criasse coragem pra expor a ela seus verdadeiros sentimentos por ela.
Enquanto ouvia todos lhe cantar ‘’parabéns’’, Lívia sentia falta de alguém que não se encontrava entre os convidados ali presentes. Seu amigo Gil! Queria muito vê-lo, sentia sua falta. Ele era seu amigo e gostava dele. Ficara muito triste quando ele dissera que não gostava mais dela e que não poderiam mais ser amigos. Só que com o passar dos dias a saudade foi empurrando a tristeza e mágoa pra longe. Ela era uma criança e como tal, não costumava guardar por muito tempo raiva ou mágoa de quem lhe causasse tristeza, muito menos dele a quem ela tanto gostava. Queria que seu amigo estivesse ali na festa com ela e sua mãe que desde que ele foi embora, parecia sempre triste. Apesar de pequena, Liv tinha consciência que a tristeza de sua mãe era pela ausência de Grissom.
_Filha faz um pedido e apaga as velhinhas!
Ela ouviu seu pai dizer do seu lado. Olhou pra mãe que estava do seu outro lado. Ela lhe piscou e sorriu depois, e encarando novamente a velhinha de seu bolo a menina pensou em um pedido. Qual era ele? ... Que seu amigo Gil voltasse a gostar dela e de sua mãe de novo!
*****
Há horas ele estava ali na companhia de Teri bebendo e conversando sobre assuntos que nada tinham a ver com Sara e a filha da ex. As conversas aleatórias e banais até tinham lhe feito esquecer momentaneamente das duas.
Entre um assunto e outro, Grissom não soube precisar ao certo quantas foram às garrafas de cerveja que já havia bebido, só sabia que tinha sido bem mais do que devia já que sua vista estava bem embaralhada.
Ao olhar com certa dificuldade as horas em seu relógio, o supervisor viu que já precisava ir, pois estava ali há certo tempo e também, seu estado por conta das cervejas que bebera já não era dos melhores.
_Teri... Já vou pra casa! – A fala dele saiu pastosa e bem arrastada.
_Nem pensar que vou deixar ir pra sua casa dirigindo. Você bebeu demais.
_Acho que você me embebedou de propósito. – Ele retrucou com um sorriso típico de quem estava bem ‘’altinho’’.
Ele nem imaginava que seu comentário tinha um fundo de verdade. Realmente, Teri tinha feito isso de caso pensado, mas Grissom não precisava saber desse detalhe.
_Como pode dizer isso? Claro que não fiz tal coisa. Foi você que se empolgou com a bebida e a conversa. – Inventou a loira.
_Talvez... – Ele resmungou passando uma das mãos sobre os olhos. _Por favor, Teri... Chame então um táxi pra eu ir pra casa, porque não estou em... Condições de dirigir assim.
_Negativo! Você vai ficar aqui na minha casa. Tenho um quarto de hóspedes que dá muito bem pra você dormir.
_Não! ... Eu agradeço a... Gentileza. Mas é melhor eu ir pra minha casa.
_Fica, Gil!
Ele virou o rosto na direção dela pra lhe dizer que não podia, mas ao olhá-la, Grissom já enxergou outra pessoa no lugar de Teri.
O efeito da bebida misturado à lembrança daquela que ele ainda amava, que lhe veio a cabeça ao ouvir Teri lhe chamar daquele jeito que Sara lhe chamava num passado não tão distante assim, fez com que o supervisor a visse diante de si.
_Fica aqui... Gil! – Insistiu Teri.
Aquele rosto, aquela voz e aquele jeito de chamar seu nome. Era ela! O estado de embriaguez lhe fez acreditar que realmente fosse Sara diante dele.
Esquecendo-se da raiva e de qualquer outro sentimento amargo que ultimamente vinha nutrindo pela mulher que até pouco tempo era casado, o supervisor tocou o rosto da mulher que ele achava que estava vendo.
O toque fez Teri sorrir só que o sorriso que Grissom viu era da ex mulher.
Ele roçou seu polegar por sobre os lábios dela sem tirar os olhos dele. Que se danasse que ela tinha lhe enganado, ele só queria naquele momento, voltar a sentir novamente sua boca na dela. E foi o que aconteceu pra deleite de Teri.
Se ela soubesse que não era ela quem ele via e achava que beijava. Mas ela soube disso longos minutos depois, quando Grissom interrompeu o beijo deles e encostando sua testa na dela, lhe sussurrou:
_Sara!!
‘’Sara??’’, pensou Teri. A loira sabiamente deduziu que Grissom estava imaginando que ela fosse à morena e momentaneamente, ficou com raiva dele por conta disso. Porem, tão logo, sua raiva se dissipou ao se dar conta de quê podia tirar vantagens dessa situação.
_Eu te amava tanto... – Ele continuou a falar enquanto de olhos fechados roçava seu rosto no dela. _...Quer dizer, eu ainda te amo... Muito!... Me diga, o que foi que eu fiz de errado pra você me enganar assim, querida?
Ele abriu os olhos pra encarar os olhos castanhos que ele achava que via, só que...
_Teri??
O espanto e a confusão na expressão do homem foi nítida e enorme. Mais que depressa ele largou o rosto da mulher a sua frente e se afastou dela.
_Me desculpe!... Eu...
_Pensou que eu fosse ela!
Ele ficou desnorteado com isso. Podia jurar que era Sara ali com ele.
_Preciso ir embora agora!
Grissom tentou se levantar, mas Teri não deixou, segurou em seu braço.
_Não vai, fica!
_Melhor eu ir. Não estou me sentindo bem...
_Me deixa te fazer esquecê-la, Gil?
Ele a encarou bem. Duvidava que alguém tivesse esse poder de fazê-lo esquecer de Sara.
_Teri, eu não posso te dar o que me...
Ela o silenciou colocando dois dedos sobre seus lábios. Aquela lhe parecia a melhor chance de investir pesado em cima dele e a loira não perderia essa que talvez, fosse a única grande chance que teria de conseguir algo com o supervisor.
_Você ainda a ama, não é?
_Mas eu vou deixar de amá-la. Preciso deixar de amá-la!
_Então me deixa te ajudar nisso, querido?
A mão dela tocou seu rosto e lentamente seus lábios foram se aproximando dos deles.
_Teri...
_Shiiii!! Não diga nada!
Sua boca então se uniu a dele. O supervisor ainda cogitou em recuar, acabar com tudo aquilo e ir embora dali, só que não fez isso. Sua mente e seu raciocínio estavam tão confusos e embaralhados com o excesso de álcool que ingeriu que ele acabou por se deixar levar naquilo que lá no fundo sabia, não era certo!
Teri aprofundou o beijo que eles trocavam e com satisfação sentiu o supervisor corresponder à altura a carícia. Ela sorriu em pensamento. Depois de anos, ele seria dela de novo.
Não tardou muito pra logo ela estar levando-o para seu quarto... Sua cama!
*****
A festa ocorreu na maior animação e Sara ficou mais aliviada ao ver em sua filha vez ou outra, um pequeno sorriso que era motivado por seu avô e seu jeito brincalhão com ela. Any tinha razão, Oswald parecia mesmo ter o dom de arrancar sorrisos da neta e Sara agradeceu aos céus por isso. Estava lhe cortando o coração ver aquela carinha triste que Liv tinha antes dos avôs chegarem ali.
As horas passaram rápidas e já quase dez da noite, a maioria dos convidados já tinham ido. Festa de criança geralmente termina cedo, tendo em vista, que começa cedo.
Ainda se encontravam ali somente o pessoal do laboratório, Jim, os pais de Dylan e o próprio Dylan.
Sentados todos em torno de duas mesas unidas, eles ouviam as histórias engraçadas que Oswald contava sobre Jim e ele nos tempos da juventude deles.
_Se vocês não sabem, Jim era o terror do curso da academia de polícia que fizemos juntos.
_Ora deixe de mentiras, Oswald! Ele é que era o terror de lá. O ‘’Don Juan’’ do curso. Um namorador! As cadetes da nossa turma ele paquerou com a maioria. Oswald era o que os jovens de hoje chamam de: pegador! ... Confesse pra eles, seu cara de pastel!
Todos incluindo Oswald caíram na risada pelo jeito como o capitão se referiu ao amigo de longos e longos anos.
_Realmente, confesso... – Sorrindo Oswald ergueu as mãos em rendição. _...Eu era um pouco namorador quando mais jovem.
_Um pouco?? Seja sincero, Oswald! Só porque Elizabeth está aqui não quer assumir seu passado é? – Provocou o capitão.
_Ok! Eu era MUITO namorador. Satisfeito, Jim?
_Sim! – O capitão sorriu dando um gole em sua bebida.
_Só que mudei esse meu jeito depois que conheci Elizabeth. – Ele olhou carinhosamente pra esposa sentada ao seu lado. _Bastou que ela entrasse na minha vida pra eu não ter olhos pra mais nenhuma outra!
A esposa dele bem como as demais mulheres ali na mesa ficaram enternecida com a declaração de amor do velho homem. Era nítido pelas palavras dele e a forma como olhava pra esposa, o quanto Oswald era bastante apaixonado pela mulher com quem ele vivia há mais de quarenta anos!
*****
Dylan já tinha tentado inúmeras vezes ao longo do tempo em que passara ali na casa de Sara, se aproximar da ex pra trocar algumas palavras com ela, já que desde que saiu a sentença da guarda e a ordem de restrição, que ele não sabia o que era falar direito com Sara. Porem, ele não tivera sucesso algum em suas tentativas. Sempre um dos amigos do trabalho dela estavam por perto da morena, blindando-a da aproximação do ex. Entretanto, o agente teve sua chance de enfim ter uns minutos a sós com a ex que se encontrava perto da mesa de doces, quando foi avisá-la que seus pais e ele já iriam embora.
_Sara, meus pais e eu, já vamos.
_Vou acompanhá-los até a porta. – Ela anunciou sem se dar ao trabalho de olhar pra ele.
_Espera! – Dylan segurou seu braço quando Sara ia passando por ele.
_Me solta!
_Se você aceitar me ouvir por quinze segundos que seja, prometo que te solto.
_Então fala logo porque seus quinze segundos já estão contando.
Ele então largou o braço dela e começou a falar.
_Eu não estou mais suportando o fato de você me odiar tanto assim.
_Tenho motivo pra isso.
_Não, não tem! – Ele teimava em negar que tivesse feito algo.
_É claro que tenho. Não pense que me engana.
Ele não ousou retrucar isso.
_Sara, eu vou embora em três dias...
_E eu vou sentir um enorme alívio por isso. E seus quinze segundos acabaram, com licença.
Ela saiu seguindo em direção aos ex-sogros que assim como seus amigos, espreitavam de longe a conversa entre ela e Dylan.
_Não me diga que ele estava lhe importunando?
_Não, Oswald. Dylan só estava me dizendo que a festa havia ficado linda.
_Sei...
_E também me avisou que vocês já estão indo.
_Sim, sweet honey.
Ela acompanhou os ex-sogros até a porta após eles se despedirem dos amigos dela e também de uma Liv sonolenta e jogada no sofá da sala junto com a filha de Catherine.
_Podíamos marcar um almoço antes de voltarmos pra Chicago. O que me diz Sara?
_Só se Dylan não estiver presente nesse almoço.
_Até quando vai tratar meu filho assim Sara? Ele é o pai da sua filha.
_Não me esqueci disso, Elizabeth. Entretanto, não vou mudar meu tratamento com seu filho, porque simplesmente ele destruiu meu casamento.
_Ele não...
_Sara, se é a sua vontade ele não vai, querida! – Oswald cortou a esposa pra evitar discussões entre ela e Sara._ Será somente eu, Elizabeth se ela quiser vir junto, Liv, você e leve a Any.
_Tudo bem então!
_Ligo pra marcarmos.
_Vou ficar no aguardo da sua ligação, Oswald.
O velho senhor lhe deu um abraço de despedida, enquanto sua esposa se limitou a apenas estender a mão a Sara e lhe desejar boa noite.
_Vamos Dylan! – Oswald chamou o filho como se este fosse um garoto de oito anos de idade e não, um homem que beirava os quarenta.
Ao passar diante de Sara antes de cruzar a porta, Dylan lhe disse um baixo boa noite. A morena somente assentiu sem proferir nenhuma palavra.
Após a ida deles foi a vez de minutos depois, seus amigos também baterem retirada.
*****
_Nossa, eu estou exausta! – Any sentou-se ao lado de Sara na cozinha.
_A casa está um horror de desarrumada!
_Isso porque a festa aconteceu no quintal. Imagina se fosse aqui dentro como você cogitou em fazer?
_Nem me fale!... Vamos deixar pra arrumar essa bagunça só amanhã.
_Ok! Vou levar a bela adormecida do sofá, lá para o quarto dela.
_Tá bem. E eu vou só beber uma água e já subo pra dá um beijo nela.
A babá assentiu e saiu da cozinha. Sara então se levantou da cadeira pra ir pegar sua água na geladeira. Estava tirando a jarra quando ouviu um bipe de mensagem de texto soar de seu celular em cima da mesa.
Fechou a geladeira e com a jarra em mão aproximou-se de volta da mesa. Com a outra mão livre pegou o aparelho e após destravá-lo, ela viu que a mensagem era de um número desconhecido. Pensou em apagar aquilo sem ao menos ler o que dizia porem a curiosidade de abrir a mensagem foi maior, então ela abriu aquilo que lhe enviaram
‘’Eu não disse que ele seria meu de novo? Cá está a prova. Olha quem está na minha cama nesse momento. ’’
Ao ver a foto anexada ao fim de tais palavras, Sara sentiu o estômago embrulhar e largou a jarra que segurava. O objeto acabou por se espatifar em mil pedaços no chão.
_Grissom?? – Ela balbuciou olhando a foto que trazia o supervisor deitado de bruços numa cama e desprovido de qualquer peça de roupa.
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