Capítulo 111 - Magoando uma inocente

Antes de dividir os casos, Grissom contou logo ao restante de sua equipe sobre Sara e ele pra deixá-los cientes do que houve. De forma curta e direta, e sem esconder nada, ele contou exatamente o que tinha acontecido, pegando de surpresa os que não sabiam, no caso, Warrick e Greg. E depois, sem dar margem pra algum questionamento por parte dos amigos, o supervisor formou duas duplas e deu um caso a cada uma e avisou aos subordinados que não iria a campo, somente eles iriam. Ele ficaria no laboratório, pois o mesmo estava sob sua chefia por alguns dias já que Ecklie viajara para Washington e lhe incumbira essa tarefa.

_Qualquer coisa estarei em minha sala. - Ele saiu tão rápido dali quanto entrou.

_Nossa! Eu nunca pensei que esse tivesse sido o motivo da briga deles.

_Quer dizer, que esse tempo todo a Sara enganava o Grissom com o ex dela?

Nick que até então se mantinha calado, abriu a boca pra defender a amiga.

_Não, Warrick. Sara jamais enganou o Grissom. Dylan foi que armou isso pra ela.

_Você já sabia do que aconteceu então?

_Sim, Sara já havia me contado, Catherine. Só não contei a vocês porque não cabia a mim essa tarefa.

_Como pode afirma com tanta certeza que foi armação, Nick?

_Porque Dylan é louco pela Sara e seria capaz de qualquer coisa só pra separá-la do Grissom e tê-la de volta. Conheço Sara melhor do que vocês, Warrick. E eu sei que ela ama o Grissom e que há anos não sente mais nada pelo pai da Lívia. Vocês tem que acreditar nisso e não nessa armação. Sara não tem caso algum com o ex.

Warrick olhou meio desconfiado para Catherine e Greg, ele não havia acreditado muito nessa história de armação. Assim como Grissom, o moreno também achava impossível isso não ser verdade já que as ''evidências'' relatadas pelo chefe provavam o contrário.

_Colocaria a mão no fogo pela Sara?

_Pode ter certa que sim, Warrick. Vem, Greg. Vamos cuidar do nosso caso.

Nick levantou-se de sua cadeira e saiu da sala acompanhado por um Greg mudo. O moreno decidiu pôr um fim naquela conversa e não levá-la mais adiante pra evitar brigas com Warrick. Pelo que Nick pode perceber, Warrick já tinha sua opinião formada e nada do que dissesse, faria o amigo deixar de pensar que Sara não tinha caso algum com o ex, como ele mostrava achar.

_Eu acredito nele. Acredito que é uma armação.

_Ah, qual é, Cath? Isso não está com cara de armação. Grissom pegou Sara na cama do outro. Como pode ser armação?

_Sendo! Me diz, você acha que depois de toda a confusão que foi pra Sara e Grissom se entenderem, ela ia enganá-lo assim?

_Bem ... a situação toda leva a crer que ela fez isso ... enganou o Grissom, não acha?

_Pois eu vou te dizer o que eu acho, Warrick Brown ... acho que tanto você quanto o Grissom são dois cegos por acreditarem numa porcaria dessas. Tenho certeza que Sara não seria capaz de fazer uma coisa dessas com o Grissom e sabe por quê? Porque ela o ama demais.

_Mas não é isso que as ''evidências'' mostram. - Retrucou Warrick no ato.

_Peguem você e Grissom essas malditas ''evidências'' e as engulam. - A loira falou pegando de cima da mesa o papel com o endereço da cena de crime. _E nem se atreva a vir comigo no meu carro pra cena do crime. Pegue o seu e vá sozinho nele.

A loira saiu feito um raio da sala.

_Que ótimo! Ela se irritou com a verdade!

Calado Greg se mantinha desde que Nick e ele entraram no carro. O jovem tentava processar aquela história toda e buscar o lado ao qual ficar, mas estava confuso quanto a tudo aquilo. O que era verdade, o que era mentira? Armação ou não?

_Nick!

_Fala, Greg.

_Você realmente acredita que foi uma armação e que a Sara não enganou o Grissom?

_Sim, acredito. E você? Acredita nisso ou tem dúvidas como Warrick?

O jovem levou uns segundos pra dar uma resposta e quando deu surpreendeu positivamente Nick.

_Eu acredito que a Sara ama o Grissom de verdade, sabe? E ... tenho certeza, que ela não jogaria no lixo a história que criou com ele nesse um ano que eles se conhecem.

_Que bom que acha isso.

_Como ela tá depois dessa confusão toda?

_Não sei bem. Tentei falar com ela o dia todo, mas não consegui. Amanhã depois do almoço vou passar na casa dela pra saber como está.

_Posso ir contigo? - Greg perguntou meio sem jeito. _É que eu quero que ela saiba que tô do lado dela e que não acredito nada nessa história dela enganar o Grissom.

_Claro que pode, Greg. Tenho certeza que ela vai gostar de saber que você acredita nela mesmo com tudo contra ela. Chegamos! Vamos resolver esse caso e aí a gente combina a hora pra ir vê-la.

_Beleza!

*****

Deitada em sua cama cara a cara com a filha que lhe olhava enquanto acariciava seu rosto, Sara foi pega de surpresa pela pergunta de Lívia:

_Você tá triste porque o Gil ainda não voltou, mamãe?

Sara encarou bem a filha. Mesmo se esforçando pra não demonstrar sua tristeza ela não se saiu bem nisso, pois sua pequena esperta como só ela, havia percebido que a mãe não estava bem. Espantosamente, a menina havia desvendado uma pequena parte de toda aquela dor que corroía a mãe por dentro.

_Não fica triste, mamãe. Ele vai voltar logo! - Em sua ingenuidade a menina tentou consolar a mãe.

Sara sentiu vontade de chorar, mas bravamente ela ''engoliu'' o choro. Havia se prometido não derramar mais nenhuma lágrima por Grissom, porém aquela promessa estava sendo tão difícil de cumprir.

_Liv a mamãe precisa contar uma coisa pra você sobre o Gil. - Ela resolveu acabar logo com aquela mentira e dizer de vez a filha sobre a separação entre ela e o supervisor. Pra quê esconder mais?? Contar hoje, amanhã ou depois de amanhã, não faria diferença alguma, pois Sara sabia que de qualquer forma, sua filha sofreria com a notícia.

_O quê?

Sara não queria ter que dar aquela notícia tão desagradável a sua filha, mas não tinha como fugir disso. Respirando fundo ela começou a falar.

_Amor, essa história do Gil viajar não é verdade. O que aconteceu foi que ele e eu, brigamos...

_Brigaram? - A menina a interrompeu arregalando os olhinhos. _Foi por causa do papai, não é? É que o Gil não gosta dele. A Any disse uma vez que o Gil sente ciúmes do papai ficar perto de você, por isso que ele não gosta muito dele.

_Não, não foi por causa do seu pai. - Sara mentiu. Não ia contar a verdade a uma menina de seis anos, por isso a mentira.

_Foi por quê, então?

_Assunto de gente grande, amor. Mas o que você precisa saber é que ... - Deus, como aquilo era difícil de dizer, mas ela precisava. _... O Gil não vai mais morar com a gente. Ele e a mamãe, não estão mais juntos, Liv.

A imagem da tristeza e do desapontamento que Sara viu estampar aqueles olhinhos azuis que tanto amava, foram algo que lhe doeu tão profundamente que ela se odiou por causar aquilo na menina.

_A gente não vai mais ser uma família e nem vou ganhar uma irmãzinha? - A menina murmurou meio chorosa, baixando os olhos para encarar as mãozinhas que estavam sendo seguras pelas da mãe.

Levou uns segundos pra Sara responder isso. E quando ela respondeu foi doído demais.

_Não, amor. Sinto muito! - Seus lábios se apertaram numa tentava de reprimir o soluço que viria e que fatalmente, traria a tona o choro que com muito esforço ela mantinha seguro.

_Diz pro Gil voltar, mamãe. Eu quero que ele volte pra cá.

Diante dessas palavras chorosas e do olhar cheio de lágrimas com o qual Lívia lhe encarava novamente, foi impossível Sara continuar tentando não render-se as lágrimas. Abraçando a filha lá estava Sara, chorando novamente pelo ocorrido e pelo homem que destruiu seu coração com suas duras palavras e acusações.

_Não adianta eu fazer isso, meu amor, porque ele não vai voltar. - Sara murmurou para filha enquanto afagava seu cabelo. _Ele não quer isso.

_Por que ele não quer voltar? Ele não gosta mais da gente?

_De você, eu tenho certeza que ele ainda gosta e sempre vai gostar.

_E de você, não?

_Eu não sei, meu amor ... não sei! - Ela beijou a cabeça da filha e mais nada foi dito pelas duas.

Longe dali uma loira malvada comemorava as boas notícias que havia acabado de receber de sua informante no turno da noite. A mulher que trabalha na limpeza, ligou para loira como a mesma havia lhe pedido e contou que o supervisor Grissom tinha ido trabalhar naquela noite enquanto que Sara não. Ao ser indagada por Teri a respeito de como o supervisor estava, a outra mulher disse, que o homem não aparentava um bom humor e que se encontrava trancafiado em sua sala. E ainda contou, que tinha ouvido meio sem querer, quando ele contava para sua equipe que Sara e ele não estavam mais juntos.

Teri agradeceu esfuziante as informações e avisou a mulher que amanhã lhe pagaria o combinado e pediu que ela não comentasse com ninguém sobre ter lhe dados essas informações. A outra mulher reafirmou que não contaria nada e que a esperaria com o dinheiro.

_Agora sim, chegou a minha hora.Você voltará pra mim, Gil e eu terei o enorme prazer de esfregar isso na sua cara, Sidle. - A loira sorriu jogando-se no sofá.

******

Passava da meia noite e em sua sala com a mesa repleta de papéis, Grissom trabalhava pra ocupar a mente e não pensar em Sara. Mas sabia que só estava se enganando quanto a isso, pois jamais deixaria de pensar nela e principalmente, no que ela lhe fez.

Inferno!

Por que ele foi se apaixonar de novo e por essa mulher que lhe enganou??

Sua vida antes dela aparecer não era uma maravilha, mas também ele não se encontrava tão arrasado e devastado como agora. Verdade seja dita, ele estava sentindo-se menos pior quando se encontrava preso em sua bolha de dor pela perda de Susan, do que agora.

Pra ele a dor de perder alguém pra morte tinha sido mais suportável de aguentar, do que essa dor que ele sentia por descobrir que a mulher que ele tanto amava, estava lhe enganando o tempo todo com outro. E pensar, que diversas vezes ela lhe disse que ele era o amor de sua vida e que jamais havia amado alguém como o amava.

Mentira! Mentira! Mentira!

Ela só lhe dizia mentiras, o tempo todo!

Seus pensamentos e o silêncio que imperava naquela sala foram quebrados pelo toque de seu celular. Grissom tirou o aparelho do bolso da calça e sem ao menos olhar no visor pra saber quem era, o supervisor atendeu a chamada.

No instante em que ele ouviu seu nome ser pronunciado do outro lado da linha pela vozinha baixa e chorosa de Liv, sentiu de primeira o peito doer e logo depois, sentiu uma enorme preocupação, por conta do estado dela ao falar e também por ela está ligando altas horas da noite.

A menina tinha acordado aquele horário por conta de um pesadelo e aproveitando que a mãe dormia, pegou o celular dela que se encontrava na mesinha ao lado da cama e saiu do quarto. Seguiu para o seu e de lá, ligou para o supervisor após encontrar o número dele na agenda do aparelho.

_Liv por que você tá chorando? Aconteceu alguma coisa? - Ele pôs-se de pé, o coração aos pulos de preocupação.

_Por que você não vai mais morar com a gente, Gil?

Ele não fazia idéia do que dizer, como responder a essa pergunta dela. Pelo visto, Sara já havia lhe dito sobre sua saída de casa, mas omitiu o motivo. O que será que ela havia dito pra ''justificar'' aquele fato?

_A mamãe disse que vocês brigaram e que agora você não vai mais morar com a gente? Por que, Gil? Você não gosta mais da gente?

O soluço de choro que escapou após a menina falar, cortou o coração do supervisor.

Ele não queria aquilo. Não queria causar aquela tristeza nela. Ela era uma criança inocente e havia se apegado a ele assim como ele a ela. Mas esse apego pra ele tinha que chegar ao fim. Havia decidido isso e mesmo que lhe cortasse o coração em muitos pedaços, ia manter essa decisão. Ele não podia continuar tendo contato com Liv, pois ao mantê-lo estaria tendo Sara por perto e ele não queria.

Então ele fez, ou melhor, disse o que sabia que ia magoar a menina de vez e assim fazê-la não querer mais falar com ele, e por consequência fazer com que ela deixasse de gostar dele.

_Não, Liv ... eu ... - Ele fechou os olhos antes de dizer aquele absurdo, aquela mentira somente pra magoar a menina e fazê-la deixar de gostar dele. _... Eu não gosto mais de vocês!

Talvez não houvesse perdão para aquilo que ele acabara de fazer, mas agora não tinha mais volta. Em sua concepção, aquilo seria bom tanto pra ele quanto pra menina. Eles não eram parentes só havia o laço do afeto os unindo e Grissom queria aquele laço desfeito pra tocar sua vida em frente.

A menina não tinha porquê ficar presa a ele e então, de maneira bruta e errada ele com sua palavras, acabou cortando o laço.

_Você disse que sempre ia gostar de mim e que sempre seria meu amigo.

Grissom apertou os olhos ao ouvir Liv dizer isso aos prantos. O que ele estava fazendo com aquela menina? Ferindo-a, destruindo-a.

''Você é um tremendo estúpido, Grissom!''

Tentando manter-se indiferente àquela desconcertada reação da menina, o supervisor disse que as coisas mudaram e que agora ele não podia e nem queria mais ser amigo dela. Disse também, que eles não se falariam mais e nem se veriam.

_Você não precisa de mim pra nada, Lívia. Tem o seu pai e quem sabe agora, que sua mãe e eu não estamos mais juntos, ela não volte com ele e aí você ganha a irmãzinha que tanto quer. - Completou o supervisor, ouvindo com dor no peito o choro baixo da enteada do outro lado da linha.

Em meio aos soluços chorosos da menina, ele ouvi-a dizer que não gostava mais dele e a ligação foi encerrada por ela.

_Me desculpe, princesa. Mas é melhor assim!

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