Capítulo 110 - Eu... Peguei a Sara na cama com o ex dela
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber que o pra sempre
Sempre acaba
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Já fazia muitos e muitos minutos que ela havia saído de seu apartamento e poucos minutos que ele havia parado de chorar. Aquela tinha sido a última vez que derramaria alguma lágrima por ela. Chega! Agora ele ia tentar com todas as suas forças esquecê-la e tirá-la de dentro de seu coração. Sabia que isso seria uma tarefa dificílima pra não dizer, impossível, pois a amava e sempre a amaria, mas tinha que arrancar aquele sentimento de dentro de si. Aquela mulher não merecia o amor que ele sentia por ela. O feriu e enganou de uma forma que jamais seria capaz de perdoá-la e voltar pra ela.
Olhou pra mesinha de centro e lá estava na pontinha dela a aliança que Sara havia deixado. Aquela jóia era pra ficar no dedo dela e nunca sair dele, mas não foi bem assim que aconteceu. Grissom pegou a argola dourada de cima da mesinha e suspirou encarando-a. Inevitavelmente lhe veio a lembrança da noite em que eles se casaram. A cerimônia simplória. Os votos criados ali na hora.
Ele se lembrava perfeitamente do que havia dito a ela.
''Sara ... bem lá no fundo acho que meu coração sempre soube assim que nos conhecemos naquele supermercado, daquela maneira torta e acidental ... que o meu destino seria ficar com você, minha maluca irritante! Mesmo quando ainda não estávamos juntos e vivíamos brigando feito cão e gato, ainda assim, você já estava aqui, dentro do meu coração, só que eu ainda não me dava conta disso ... não me dava conta de que já te amava feito louco!''
Suas palavras vieram tão naturalmente que pode ver que elas deixaram Sara bastante emocionada que quase a morena não consegue dizer seus votos a ele. Depois teve a troca de alianças e as palavras finais do padre antes de ''decretá-los'' como marido e mulher.
Tudo lindo ... perfeito! Um sonho!
Mas o sonho acabou!
E da pior forma!
_Era pra ter sido pra sempre, só que não foi! - Grissom murmurou depositando de volta a aliança a mesinha. Depois tirou a sua e depositou-a junto com a de Sara e se levantou do sofá, indo para seu quarto.
*****
''... Considero esse lugar como meu porque nunca trouxe ninguém aqui, você é a primeira. E a partir de agora vou passar a considerá-lo como sendo seu e meu, se você quiser é claro!''
Sara lembrou-se imediatamente dessas palavras de Grissom, assim que estacionou o carro no topo daquela montanha, onde seu marido havia lhe trazido um mês atrás, e eles tinham feito as pazes, depois de terminarem por causa de Teri.
Sara precisava de um lugar como aquele. Calmo e ermo, pra poder ficar sozinha e assim ... chorar pela última vez, expulsar de dentro de si, aquela raiva que sentia pelos absurdos que ouviu, bem como a dor que dilacerava seu peito.
Em sua casa não podia fazer isso por conta da presença da filha. Não queria que ela presenciasse aquilo e muito menos, lhe visse naquele estado arrasado e despedaçado ao qual se encontrava. E ainda tinha Any, que com certeza, lhe bombardearia de perguntas e naquele momento, Sara não se sentia em condições de responder nada.
E desse modo, ela decidiu-se por vir aquele lugar longe da agitação da cidade, pra fazer o que queria.
Sentou-se sobre o capô do carro e apoiando os pés no para-choque do veículo, ela encarou o sol se pondo naquele fim de tarde. Não custou muitos segundos pras lágrimas já escaparem de seus olhos castanhos ao relembrar-se de cada palavra dita por Grissom, muitos minutos atrás.
Jamais pensou que ele fosse capaz de lhe dizer tantos absurdos como disse. Ele parecia até outra pessoa. Em nada se parecia com o homem gentil, carinhoso e apaixonado que ela conhecia tão bem. Aquele com quem travou aquele ''embate'', era um Grissom duro, frio, insensível e que foi capaz de lhe machucar da pior forma que uma pessoa pode machucar outra, usando as palavras ... palavras cruéis demais, que deixaram seu coração estraçalhado.
Cada coisa que seu marido lhe disse, feriu-a tão profundamente que estava certa de que a ferida feita não cicatrizaria por um longo tempo, ou talvez, nem cicatrizasse e ficasse ali doendo, pra sempre. E sabia, que por mais que tentasse, não conseguiria esquecer cada uma daquelas horríveis e duras palavras dele. Elas já estavam gravadas em sua cabeça e pior, em seu coração.
*****
Grissom chegou ao laboratório quase duas horas antes de seu horário e seguiu direto para sua sala, onde se trancou. Teria um tempo pra se manter ali 'enclausurado' antes que sua equipe e Ela chegassem para trabalhar.
Trabalho ... esse teria que ser novamente, o motivo e a razão a qual ele se agarraria pra se reerguer dessa rasteira que sofrera.
Acomodou-se em sua mesa e seus olhos bateram sem querer, no porta-retrato que estava ali. Ele e sua família que agora não era mais sua.
Olhou pra Lívia que sorria em seu colo e seu coração se apertou, pois havia decidido que iria se afastar da enteada também e não vê-la mais, já que manter contato com ela seria indiretamente o mesmo que manter contato com Sara e isso, era o que ele menos queria.
Grissom queria evitar ao máximo qualquer tipo de contato com a ex-mulher. Já era muito ter que suportá-la no laboratório, que fora dele o supervisor nem queria contato.
Estava sendo doloroso nele aquela decisão, porque gostava demais de sua enteada, mas ele precisava fazer isso. Liv não tinha culpa alguma naquela situação toda, só que era filha da mulher que ele queria distância, então ele não tinha outra alternativa senão aquela.
Era radical demais sua decisão?? Sabia que era. Só que não voltaria atrás nela.
Seu olhar encarou o rosto de Sara naquela fotografia. O sorriso dela transparecia tanta alegria e verdade que era quase inacreditável que tudo aquilo fosse fingimento. Só que ele sabia que era, acreditava piamente que tudo nela era puro fingimento, desde os sorrisos, ao olhar e as palavras.
Céus! Como podia uma pessoa fingir daquele jeito tão natural??
A raiva veio e num impulso Grissom pegou aquele porta-retrato e jogou-o com força no chão, fazendo com o vidro da frente do objeto se espatifasse com o impacto.
Mas bastaram segundos para o arrependimento lhe bater e o homem juntou o objeto do chão. Por mais que sua vontade naquele instante fosse de se desfazer daquele único registro de uma família que ele teve por uma semana, ele não conseguiria isso. Sua mente lhe ordenava aos gritos que pegasse aquilo, amaçasse e jogasse no lixo só que seu coração lhe impedia de seguir aquela ordem. E naquele impasse quem acabou ganhando foi seu coração, fazendo com que Grissom pegasse aquele porta-retrato e o guardasse dentro de sua gaveta de documentos. Não teria sentido algum manter aquilo sobre sua mesa aos olhos dos outros. Aquela única lembrança material ficaria guarda ali enquanto as lembranças da memória, ele tentaria apagar de algum jeito.
*****
Era noite quando ela estacionou seu carro em frente de casa. Pelo horário já devia estar no laboratório já que em alguns minutos seu turno começaria. Porém, não estava com cabeça alguma pra trabalho e muito menos, pra enfrentar Grissom depois de tudo que tinha ouvido dele. Ela precisava ficar em casa com a filha que tinha voltado a ser seu único porto seguro agora. E ainda tinha que criar coragem pra contar a pequena que Grissom não moraria mais com elas, que ele não faria mais parte da vida delas, só não fazia idéia de como contar isso. Deixaria pra descobrir na hora. Agora só queria mesmo a única pessoa que lhe amava incondicionalmente e a qual ela amava dessa mesma forma também. Porém, antes, ela precisava avisar no trabalho que não iria. Agradeceu aos céus o fato de sua chefe ser Catherine e não mais Grissom. Pegou seu celular e discou os números da amiga e esperou que ela atendesse.
Catherine se encontrava na sala de descanso conversando com Nick, Greg e Warrick sobre Sara e Grissom, quando seu celular tocou.
_É a Sara. - Ela falou ao ver no visor do aparelho o nome da morena.
_Será que aconteceu alguma coisa?
_Talvez, porque essa hora já era pra ela estar aqui.
_Atende logo, Cath.
_Tá, já vou Greg impaciente.
Ela atendeu e ao ouvir a voz baixa e meio embargada de Sara, dizendo que não viria trabalhar porque não estava se sentindo bem, ficou preocupada. Indagou a amiga acerca do que ela tinha e Sara repetiu o que havia dito anteriormente, sem ser mais especifica quanto ao que tinha de fato. Catherine ficou com uma pulga atrás da orelha. E sem papas na língua foi direta e perguntou se o ''não estar se sentindo bem'' da amiga tinha a ver com Grissom e a briga que ela disse que eles tiveram anteontem. O silêncio de Sara do outro lado da linha foi a resposta que Catherine julgou ser como um 'sim'. Sem esperar por mais alguma outra palavra da morena, Cath desejou melhoras a Sara que agradeceu e desligou.
_Ela não vem trabalhar hoje.
_Qual foi a resposta dela ao que perguntou, Cath?
_O silêncio, Nick. E pra mim esse silêncio foi um doloroso sim.
_Gente, eu espero estar errado, mas tenho pra mim que essa briga deles foi tão séria que eles estão separados ou pior, terminaram.
_Será, Warrick?? - Greg arregalou os olhos para o companheiro de trabalho que somente deu de ombros.
_Quer saber?? - Catherine se pôs de pé. _Eu vou descobrir isso agora.
_Como?? Falando com o Grissom??
Eles já sabiam que o supervisor se encontrava no laboratório, pois os fofoqueiros de plantão disseram tê-lo visto saindo da sala de Ecklie há pouco mais de uma hora, quando nenhum membro da equipe ainda não havia chego.
_Com quem mais seria, Greg?
_E você acha que ele vai te dizer alguma coisa, Cath??
_Se tem alguém dentre nós que consegue fazer o Grissom contar alguma coisa pessoal, esse alguém é a Catherine, Warrick.
_Exatamente! Então eu vou logo antes que ele apareça pra vim distribuir os casos.
Grissom revisava os relatórios de ontem que Catherine havia deixado empilhado em sua mesa, quando ouviu uma batida na porta de sua sala.
_Entra! ... Ah, é você, Catherine. - A cara de desagrado dele não passou despercebido pela amiga/colega de trabalho. _Se veio me avisar que está na hora de ir dividir os casos, não é preciso. Eu já estava indo fazer isso agora. - O supervisor de pôs de pé.
_Não, eu não vim pra isso. E antes que dê início ao turno, eu preciso ...
_Precisa de quê, Catherine?? - Impaciente, Grissom a indagou quando ela ficou muda e não completou o que diria.
_Cadê a sua aliança, Grissom?
Sem querer os olhos de Catherine haviam batido certeiros na mão esquerda do amigo e foi impossível não dar falta daquela grossa aliança que até anteontem ele trazia no dedo anelar.
_Isso não lhe diz respeito. - Respondeu rispidamente.
_Você e Sara terminaram, foi isso?? - Ela disparou sem rodeios, ignorando a resposta anterior dele.
_Não quero falar sobre isso.
_Grissom, eu sou sua amiga. Senão se abrir comigo, vai se abrir com quem?? ... Falei com Sara há pouco. Ela me ligou avisando que não vem hoje. Pela voz dela, deu pra perceber que estava péssima, arrisco dizer até que ela chorou. O que houve??
Grissom encarou a amiga por uns segundos. Ela não ia lhe dar sossêgo enquanto não abrisse o jogo com ela. Então era melhor fazer isso logo pra se ver livre dessa situação.
_Acabou, Catherine. Ela e eu, não estamos mais juntos.
_Por quê?? O que aconteceu??
_Eu ... peguei a Sara na cama do ex dela, lá no hotel onde ele está hospedado.
Catherine caiu sentada no sofá atrás de si.
Caramba! Esperava ouvir qualquer outro motivo pra eles terem terminado, menos aquele.
Sara enganava Grissom, era isso?
*****
Sara entrou em casa e não encontrou ninguém na sala. De certo, as duas outras moradoras estavam no andar de cima, bem no quarto de Liv. Então a morena seguiu pra lá e da porta ainda fechada ela ouviu sua filha dizer a Any:
_Puxa, será que o Gil vai demorar mais pra voltar da viagem dele, Any? É que eu tô já com saudades dele!
Do lado de fora, Sara sentiu o resto de seu coração se partir com aquilo. Sua filha já havia se apegado demais a Grissom, a presença dele ali, na casa. Tinha certeza de que a menina ia sofrer quando soubesse que seu padrasto não voltaria mais para aquela casa.
_Eu não sei, meu anjo. - Any olhou com tristeza pra menina que nem lhe olhava, pois penteava sua boneca.
_Quando a mamãe chegar, eu pergunto pra ela então.
Sara gelou. Aquela conversa com a filha não ia ser nada agradável pra ambas, mas seria inevitável tê-la. Só que a evitaria por agora.
Fingindo não ter ouvido nada, ela entrou no quarto surpreendendo tanto a filha quanto Any.
_Mamãe! - A menina levantou-se da cama mais que depressa e foi até Sara que a pegou no colo e lhe deu um beijo.
_Sara não era pra você estar no laboratório?
_Eu não me sinto muito bem pra trabalhar, então liguei pra Catherine e avisei que não vou hoje. Quero ficar com a minha bonequinha linda. Que tal você dormir com a mamãe essa noite?
_Eu posso levar o Ted pra dormir com a gente?
_Pode, amor.
_Então tá.
_Pegue seu pijama, o Ted e se despeça da Any, pra irmos lá para o meu quarto.
Sara desceu a menina de seu colo e enquanto ela pegava as coisas Sara olhou pra Any. A babá queria perguntar como foi sua conversa com Grissom, mas a presença de Liv a impediu disso. Mas Any supôs só pelo olhar abatido de Sara que a conversa não teve um bom desfecho.
Quando Liv pegou tudo e se despediu da babá, Sara e ela seguiram para o quarto da morena, sendo acompanhadas pelo olhar de Any.
*****
_Você está falando sério, Grissom??
_Acha que eu brincaria com uma coisa dessas?
_Não!
_Sabe se lá desde quando ela me enganava com o pai da filha dela. Talvez desde que ele chegou aqui.
_Como você chegou até lá?
O supervisor contou das fotos que recebeu e logo depois da ligação que recebera. Nela a pessoa lhe disse que se quisesse comprovar que realmente a esposa lhe era infiel, era só ele ira ao hotel Regente que a pegaria em flagra com o amante e foi o que aconteceu.
Catherine estava estarrecida com tudo o que ouviu e com as fotos que Grissom lhe mostrou. Quer dizer, que todo esse tempo Sara enganou não somente ao homem que dizia amar, como também a ela, sua amiga?
Não! Aquilo não estava certo. Não fazia sentido. Catherine podia jurar que quando via a amiga olhar para Grissom havia um brilho nos olhos dela e o amor refletido por esse brilho. Pode manipular-se ou mentir tudo, menos aquele olhar apaixonado que Sara tinha toda vez que olhava pra Grissom.
_Eu não quero mais nada com ela. Se pudesse não vê-la nunca mais, Catherine, pode ter certeza que eu não a veria. Mas infelizmente trabalhamos no mesmo lugar e terei que aturar a presença dela aqui, porque não vou largar meu trabalho por culpa dela. Eu até pensei em fazer isso, porém me dei conta de que amo o que faço e pelo meu trabalho, sou capaz de ter estômago pra aturá-la aqui.
_Grissom, eu sei que tudo aponta pra uma traição da Sara, mas eu juro que não consigo acreditar que ela tenha feito isso.
_Pois acredite, porque as ''evidências'' não mentem, Catherine.
_Mas elas podem ser manipuladas. Você mesmo me disse isso, anos atrás, lembra?
_Só que isso não se aplica aqui.
_Por que não?
_Chegou dessa conversa, Catherine. Vamos trabalhar! O turno já começou há minutos.
_Grissom espera...
_Não, Catherine! Eu já disse que acabou. Vamos ... agora!
Ele saiu da sala sem esperar pela amiga.
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