Capítulo 104 - O flagra

Ele não queria acreditar naquilo. Viu e reviu aquelas fotos dezenas de vezes em poucos minutos.

Não!! ... Não!! ... Não!!

Seus olhos só podiam estar enxergando errado. Não era ela naquelas fotografias!, ele dizia mentalmente. Mas o pior é que era Ela!

De todas aquelas malditas fotos a pior sem dúvida alguma, era aquelas que sua esposa estava se beijando com aquele sujeito.

As mãos dela sobre o peito de Dylan faziam Grissom imaginar que ela estava gostando daquilo. Era assim que algumas vezes ela ficava quando ele a beija!

_Você não pode ter me enganado desse jeito, Sara!

Ele largou aquelas fotos sobre a mesa e passou as mãos pelo rosto, escorregou-as pelos cabelos e parou-as em sua nuca. Seus olhos ardiam pela vontade enorme de chorar.

Ele tentava raciocinar, mas era impossível de conseguir isso. A cabeça estava completamente atordoada com o que via naquelas fotos.

Então seu celular tocou. Número RESTRITO, como há cinco dias. Ele atendeu prontamente.

_Alô!

_Olá, doutor Grissom!

_Quem é?

_Sou um amigo. Gostou das fotos?

_Por que me mandou isso?

_São provas pra abrir seus olhos! Para o senhor ver que sua esposa o engana. Ela o engana com esse sujeito há semanas. E quer saber onde ela está agora? Com ele no hotel em que esse homem está hospedado. Se quiser dar um flagrante nela é só ir ao hotel Regente. Agora se quiser ficar fazendo papel de idiota e continuar sendo engando por sua mulher, então fiquei aí e não vá!

O sujeito desligou.

No restaurante do hotel Sara já começava a dar indícios de quê o remédio que ela ingeriu sem saber, já estar lhe fazendo efeito e Dylan percebeu isso.

_Está tudo bem com você, Sara? - fingidamente ele perguntou.

_Eu não sei ... estou vendo as coisas embaçadas, meio embaralhadas. - Ela passou as mãos sobre os olhos. _ Eu não tô me sentindo bem, Dylan. Preciso ir pra casa.

_Negativo! Desse jeito você não vai, eu não vou deixar! - Ele se levantou e se postou ao lado dela que parecia fazer um tremendo esforço pra manter os olhos abertos. _Vem, eu vou te levar para o meu quarto...

_Não ... não ... não!

_Como não? Vem, talvez isso seja algo com a sua pressão, sei lá. E se você deitar uns instantes pode ser que melhore. - Ele fez rapidamente sinal para o garçom. _A conta, por favor e rápido!

_Sim, senhor.

Alguns instantes depois, Dylan a ajudava a levantar para saírem dali. Enquanto se dirigiam para a saída, Sara pediu ao ex que ele chamasse um táxi pra ela ir pra casa, mas o agente se negou a isso e reforçou que a levaria para o quarto dele. Como Sara já estava bem ''anestesiada'' pelos efeitos do remédio, não teve forças pra protestar quanto ao que o o pai de sua filha decidiu.

Só deu tempo de Dylan entrar no seu quarto, colocar Sara no pequeno sofá que havia ali e ela então caiu em sono profundo.

Enquanto encarava a ex adormecida, Dylan tirou o celular do bolso da calça e ligou pra Teri.

_Me diga que ela já ''apagou'' de vez?

_Completamente, Teri! - Ele sorriu e acariciou o rosto de Sara.

_Maravilha, Dylan! - Teri vibrou de alegria. _Ruy me ligou vários minutos atrás e agora é só questão de tempo para o Grissom chegar aí e comprovar a infidelidade da ''esposinha'' dele.

_Não vejo a hora disso acontecer!

_Sabe o que tem que fazer com ela desacordada, não é?

_Sim! - Ele respondeu já seriamente após um breve segundo de silêncio.

Ele tinha que ''consumar'' as coisas entre eles mesmo com ela desacordada pra caso depois, Sara resolver fazer algum exame pra saber se eles realmente tiveram algo, o mesmo constatar que houve relação sexual entre eles.

_E se por acaso o Grissom não vir?

_Ele irá, tenha certeza disso. Assim que ele sair daí, me liga contando tudo.

_Sim!

*****

Grissom andava de um lado para o outro naquela sala. Já havia ligado para o celular de Sara e só dava desligado. Ele não sabia, mas o aparelho havia descarregado por isso que não chamava.

Não era possível que Sara tenha mentido assim pra ele!

Ele pegou seu celular e ligou pra casa pra pedir o número da escola de Liv, Sara havia lhe dito que teria uma reunião com a diretora da escola, se caso aquilo fosse mentira, ele teria a certeza de que ... ela estaria com o amante dela.

_Any ... me passe o número da escola da Liv, por favor!

_Aconteceu alguma coisa?

_Não, só quero o número.

Pouco segundos depois ela lhe passava o número e ele se despedia rapidamente dela sem lhe dar tempo de fazer qualquer outra pergunta.

_Escola infantil ABC ... bom dia , com quem falo?

Ele se apresentou como o padrasto de uma aluna e pediu para falar urgentemente com a diretora. A secretária passou a ligação em segundos.

_Bom dia, diretora. Sou Gil Grissom padrasto da aluna Lívia Sidle Felton.

_Sim!

_Me desculpe por importuná-la, mas eu gostaria muito de falar com a minha esposa Sara Sidle. Ela me disse que teria uma reunião agora de manhã com a senhora. Poderia passar a ligação pra ela, por favor.

_Senhor Grissom creio que haja algum equívoco da sua parte. A senhora Sidle não está aqui e tampouco eu tinha alguma reunião com ela.

_Não tinha reunião com ela?? 

_Não!

A negativa daquela mulher foi como um soco em seu estômago.

Grissom então se apressou em pedir desculpas e encerrou a ligação logo em seguida.

Sara havia mentido pra ele. Não tinha reunião alguma! Mentiu! ... Mentiu pra se encontrar com aquele sujeito ... com o amante dela!

*****

Dylan por fim tirou a última peça de roupa que vestia. Seus olhos em momento algum enquanto se despia, desviaram-se de Sara que naquele momento, se encontrava na cama dele desacordada e completamente despida, coberta apenas por um fino lençol branco.

Ela seria dele de novo!

O homem subiu na cama pra logo em seguida acomodar-se sobre o corpo da ex. Não era assim que ele queria que fosse, mas dadas as circunstâncias era assim que ela seria sua de novo!

_Agora você vai ser minha outra vez, Sara! - Ele beijou os lábios estáticos dela e depois desceu para seu pescoço ...

No laboratório de criminalística...

Pra Grissom só restava ir ao hotel e tirar a prova daquela situação que ele já estava certo de que acontecia.

Porém, faltava coragem pra isso. Tinha medo de ver a verdade!

Seu coração já estava aos pedaços só de saber daquelas coisas e se visse, constatasse que de fato que sua esposa lhe era infiel, talvez não suportasse esse desgosto enorme.

Se perguntou em quê momento Sara começou a traí-lo com aquele cara. Ela aparentava sempre incômodo quando o ex estava por perto dela e quando lhe ligava.

Fingimento??

Grissom começou a achar que fosse isso.

Deus!! Ela o enganava ... o enganava com o ex!

Ele socou a mesa fortemente. Em seus olhos lágrimas de dor misturadas com raiva e decepção. Ela era tudo pra ele e naquele momento, com aquelas fotos em mãos, ele viu que não era nada pra ela!

Talvez uma diversão ... um passatempo enquanto ela estava longe do ex?

Não podia ser!!

Ele podia jurar que sentia que ela o amava. Mas quem ama não trai ... não engana como aquelas fotos mostravam que ela o traía, o enganava.

Naquele instante ele desejou que aquilo tudo fosse um pesadelo ... um horrendo pesadelo ... só que não era!

_Fazendo hora extra amigo? - Desavisadamente Jim entrou na sala de Grissom sorrindo, mas logo seu sorriso sumiu ao ver a carranca séria que seu amigo exibia. _O que houve?

Sem dizer nada o supervisor pegou o monte de fotos e estendeu ao amigo.

Alguns milésimos de segundos e o capitão olhou estarrecido para Grissom.

_É a Sara e o ... Dylan? ... Eles ...

_São amantes! Recebi isso há quase uma hora.

_Não pode ser!

_Mas é! Ela me engana ... me engana com o ex! ... O seu afilhado, Jim. E nesse momento, eles estão juntos no hotel em que ele está hospedado.

Jim estava perplexo com aquilo. Jamais imaginaria Sara naquela situação. Ela parecia amar tanto Grissom e pelo que mostrava aquelas fotos, ela o enganava.

_Céus! Mas como sabe isso?

_Me ligaram ainda pouco contando.

_O que pretende fazer agora?

Ele precisava ir até aquele hotel ter a certeza de vez quanto aquilo!

_Vou agora mesmo ao hotel dar um flagrante nela com o amante! - Ele pegou suas chaves de cima da mesa e encaminhou-se pra sair da sala.

Jim imediatamente foi atrás do amigo. Não o deixaria sair sozinho naquele estado em que se encontrava. Ele estava ''vendendo'' fúria e era capaz de fazer alguma besteira naquele estado.

_Eu vou com você! - Ele se pôs diante de Grissom em meio ao corredor vazio do laboratório.

_Não precisa! - Grissom tentou passar, mas com Jim a sua frente era impossível.

_Mas eu vou pra evitar que faça uma loucura. - Decretou o capitão tirando as chaves da mão de Grissom.

Eles seguiram para saída do laboratório e ao passarem pela recepção, Judy chamou Grissom e lhe informou que Ecklie acabara de chegar e pedira para o supervisor ir a sua sala pra começarem a reunião.

_Pois diga ao Ecklie pra ele ir para o inferno que eu tenho algo sério pra resolver agora, ao invés, de ficar ouvindo-o me torrar a paciência numa reunião.

A recepcionista arregalou os olhos assustada com aquelas palavras grosseiras do supervisor que costumava ser tão gentil com ela.

Muitos minutos depois, Jim estacionava em frente ao Hotel.

_E se ela não estiver aí?

_Duvido muito que não esteja! - Grissom desceu feito um furação do carro, bateu a porta tão forte que assustou Jim.

O capitão desceu de seu carro, acionou o alarme e correu atrás de Grissom que já ia mais adiante.

_Você vai me ajudar a conseguir o número do quarto e subir sem que avisem ao Dylan da nossa presença, Jim.

_Eu?? - O capitão estava apreensivo com aquela situação, pois via seu amigo a ponto de um surto de fúria e raiva.

_Sim! - Grissom puxou o capitão e juntos eles entraram no hotel.

Eles chegaram a recepção do hotel e tomando a frente da situação Jim disse que era da polícia e que ele e seu amigo queriam o número do quarto do hospede Dylan Felton, pois o mesmo precisava prestar alguns esclarecimento a eles. E alegou que não queria que informasse o hóspede que eles estavam subindo.

O gerente que estava ao lado da recepcionista reconheceu de imediato o capitão e disse a recepcionista que desse o número e fizesse o que o ''tira'' queria.

Não demorou nada e Grissom e Jim já tomavam o elevador. O capitão calado somente observava o amigo que mais parecia a beira de um ataque de ódio.

Aqueles segundos que o elevador levou pra chegar ao sétimo andar que era onde ficava o quarto de Dylan, foram os segundos mais longos e torturantes da vida de Grissom. Mesmo tendo quase a certeza de quê a encontraria ali, dentro dele o supervisor tinha esperanças ainda que remotas de não encontrar a esposa naquele quarto.

A porta do elevador abriu e ele saiu dali primeiro que seu amigo capitão.

_Você me espera aqui, Jim. - Grissom parou o amigo após saírem do elevador.

_Negativo! Vou com você pra evitar que faça uma besteira.

_Não vai nada! Você fica aqui me esperando ou do contrário pode ir embora! - Ele se afastou rapidamente do amigo e seguiu pelo corredor.

Em seu quarto Dylan se encontrava sentado no sofá vestindo apenas um roupão e segurando um copo de conhaque. Estava só esperando o momento em que certo supervisor bateria na porta de seu quarto para concluir assim aquele plano.

Tão logo virou o copo de bebida e solveu de uma o líquido âmbar, ouviu batidas fortes na porta. Sorriu. Era hora de tirar aquele sujeito do seu caminho de vez!

Ele se dirigiu a porta e assim que a abriu, viu-se sendo agarrado pela gola do roupão.

_Cadê ela, infeliz?

_Ela quem? - Ele fingiu não saber de quem Grissom falava. Pura encenação.

_Sabe bem de quem estou falando. Onde ela está? - Grissom prensou Dylan contra a parede. Seus olhos azuis tão claros e límpidos, naquele instante estavam escuros de raiva.

Do quarto Sara ouviu vozes ao longe. Abriu os olhos e viu tudo rodar. Sentia-se tonta e com a cabeça pesada, porem não sabia o porquê disso. Olhou ao redor e não reconheceu o lugar onde estava. Sentou-se na cama e então se deu conta que estava sem roupa. Puxou o lençol e cobriu-se. De repente, ela viu a porta daquele quarto desconhecido se abrir e seu marido aparecer ali e logo atrás dele seu ex.

_Gil?? ... Dylan?? - Ela balbuciou em confusão.

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