Capítulo 102 - Ligação que tenta plantar a desconfiança

_Bela foto! - Catherine apontou para o porta-retrato sobre a mesa de Grissom.

_Sim ... tiramos ontem quando fomos tomar sorvete na praça antes de Sara e eu virmos trabalhar ... Minha nova família Catherine! - Ele contou todo bobo e sorridente.

A loira sorriu contente por ver aquela felicidade escancarada no rosto do amigo. Tantas vezes quis ver isso nele novamente e agora estava acontecendo.

_Sabe que ... olhando pra você agora, Gil, todo feliz ... nem dá pra acreditar que há um ano você não era nem sombra desse que está a minha frente. Você mudou completamente.

_Na verdade ... foi ela quem me mudou! - Ele disse apontando pra Sara na foto. Não cansaria nunca de reconhecer que aquela mulher que de início ele detestou, mas que agora amava com toda a força de seu coração, era a causadora daquela mudança dele. _Essa maluca é a grande responsável por eu ser o que sou hoje!

_Realmente ela é mesmo! ... Lembro da primeira vez que vocês se encontraram aqui no laboratório, meu Deus ... - A loira esboçou um sorriso e Grissom também. _... Juro que fiquei assustada com aquela discussão de vocês. Nunca tinha te visto perder a paciência com alguém como naquele dia com ela!

_Se ficou assustada com aquilo devia ter visto a discussão que tivemos antes por conta da batida dela no meu carro. Coitado do guarda de trânsito, quase o deixamos louco! - Recordou-se Grissom com um sorriso. _Mas agora essas brigas ficaram pra trás!

_O que ficou pra trás? - Sara perguntou entrando na sala. Ela tinha pego só o final da conversa que rolava ali.

_As brigas épicas de vocês! - Catherine respondeu. _Estávamos comentando sobre a primeira que eu e os demais presenciamos aqui no laboratório. Lembra-se dessa?

_Como não vou lembrar, é claro que lembro. Esse sujeito lindo aqui ... - Ela apontou com o polegar para o marido postado ao seu lado. _... Foi grosseiro comigo inúmeras vezes naquele dia! - Ela sorriu.

_Ei! Você também foi grosseira comigo, 'sujeita linda'! - Ele beijou o rosto dela.

_Mas você foi mais, Gil!

_Realmente você foi mais, Grissom!

_Ah! ... Vai ficar do lado dela, Catherine? - Ele fingiu indignação.

_Claro! Vocês homens não ficam um do lado do outro e se defendem de tudo? Então, nós mulheres também, ora!

_Podia ficar sem essa, querido! - Sara sorriu. _Aqui Cath, meus relatórios. Ai que caso que você me deu hein? Complicado!

_Reclamando do trabalho?

_Um pouquinho! - Ela sorriu. _Já podemos ir, Gil? Quero ir pra casa, descansar e dormir!

O caso em que trabalhara naquele turno fora realmente complicado a ponto de consumir todas as suas energias e lhe deixa extremamente cansada.

_É?

_Huhum... - Ela assentiu após repousar a cabeça no ombro dele e agarrar seu braço de olhos fechados.

Grissom lançou um olhar divertido pra Catherine que estava diante deles e brincou:

_Mas não é a mim que tem que perguntar isso e sim a sua chefa aí? - Ele apontou Catherine. _Ela quem te libera, não eu!

_Estou liberada, chefa? - Sara abriu os olhos e encarou a loira que sorriu.

_Sim! E quanto a mim e os demais, estamos liberados também, chefe? - Catherine se dirigiu a Grissom.

_Com certeza! - Ele respondeu olhando em seu relógio.

Uns bons minutos depois, Grissom dirigia pra casa com uma Sara quase dormindo ao seu lado.

_Ei, você está cansada mesmo, não é? - Ele tirou uns instantes uma das mãos do volante e acariciou a de Sara que repousava sobre uma das coxa dele.

_Huhum ... - A mulher resmungou abrindo os olhos e estampando um pequeno sorriso nos lábios.

_Já vamos chegar em casa! - Ele aproveitou o sinal fechado e lhe deu um beijo.

Casa ... uma casa com ela ... uma vida com ela ... era o que ele tinha e compartilhava com Sara agora e esperava ser assim até o resto da vida deles!

O celular dela tocou interrompendo o beijo deles. No mesmo instante, o sinal também abria fazendo Grissom retomar a direção do carro.

Enquanto isso Sara atendeu a ligação que ela viu no visor ser de Dylan.

De manhã cedo lá vinha seu ex lhe perturbar!

_Alô!

_Sara, oi! Eu liguei pra perguntar se posso buscar a Liv na escola e levá-la pra almoçar comigo.

_Pode, mas se ela tiver dever da escola, traga-a depois do almoço, do contrário, pode trazê-la só mais a tarde se quiser.

_Tudo bem, então.

_Certo! Era só isso? - Ela olhou pra Grissom que mesmo com a atenção voltada pra pista, tinha os ouvidos ligados na conversa da esposa com aquele sujeito.

_Não! ... Eu queria saber ... como teve coragem de se casar com um sujeito desses? Ele é velho pra você, meu bem! Deixa esse cara, Sara e volta pra mim!

_Até logo Dylan! - Ela desligou imediatamente a ligação.

_O que ele queria?

_Perguntar se eu lhe deixava ir buscar a Liv no colégio e levá-la pra almoçar com ele. - Em hipótese alguma ia contar pra ele  o absurdo que ouvir do ex.

Grissom apenas a olhou de relance e não disse nada, voltando a atenção a pista. Instantes depois, eles entravam em casa. Sara avisou logo Any que não era preciso a babá buscar Liv na escola mais tarde, porque Dylan faria isso e ainda levaria a menina pra almoçar com ele.

_Ok! ... - A babá respondeu em seguida.

O casal aproveitou que estava ali na cozinha e tomou logo café e depois de um tempo, subiram pra descansar.

Tomaram banho juntos e logo em seguida, já se acomodavam agarrados na cama. Dormiram em questão de minutos.

Muitas e muitas horas mais tarde, Sara era despertada com beijos e mais beijos por Grissom que havia acordado instantes antes.

_Bom dia, ou melhor, boa tarde! - Ele lhe disse após beijar seu rosto.

_Boa tarde! ... Que horas deve ser já?

Ele estendeu o braço e pegou seu relógio que estava em cima da mesinha ao lado da cama e viu as horas.

_Quase duas! - Largou o relógio na mesinha e voltou a abraçar a esposa.

_Nossa, tudo isso?

_Sim!

_Acho que a Liv ainda não chegou porque está silêncio.

_Huhum ... Descansou bem?

_Sim! Parece que dormi dias ao invés de horas. - Ela acariciou seu rosto sentindo os pêlos da barba dele que começavam a crescer.

_Mesmo?

_Sim!

_Sente-se bem?

Ela estranhou aquele questionamento.

_Mas é claro que me sinto. Por que esse interrogatório todo?

Ele sorriu sem jeito.

_É que acordei com uma enorme vontade de ... fazer amor com você! - Ele murmurou essa última parte bem baixinho no ouvido de Sara, que sentiu até arrepio.

_Ah é? E por acaso está querendo minha permissão pra isso?

_Sim! ... Podemos aproveitar que não tem criança em casa pra fazer isso sem correr o risco de ter o quarto invadido por ela. - Ele comentou com um meio sorriso lembrando-se que no primeiro dia dele ali, no caso anteontem, isso tinha acontecido sem querer, pois ele havia esquecido de trancar a porta. E quando eles estavam se encaminhando pra cama e trocando um beijo ardente, Liv entrou no quarto deles pra chamar Grissom pra ver uma borboleta que tinha pousado na janela da sala.

_Culpa sua que não trancou a porta.

_Falta de costume. No meu apartamento não tínhamos que fazer isso.

_Não tínhamos porque você morava sozinho. Mas aqui temos que fazer, porque tem criança em casa, Gil.

_Eu sei e logo teremos mais outra não é? - Ele se ajeitou sobre Sara.

_Não sei ... vai depender das nossas tentativas que diga-se de passagem, estão meio escassas desde que você veio morar pra cá.

_Ah é?! ... Então vamos resolver isso e fazer uma tentativa agora? - Ele perguntou beijando seu pescoço. _Sim?

_O que deu em você pra acordar assim?

_Assim como?? - Ele a olhou.

_Com esse ... fogo todo!

Ele soltou uma gargalhada por isso.

_É sério? Você é o meu marido mesmo?

Outra gargalhada e dessa vez até Sara riu.

_Claro que sou, Sara. Se quer saber ... sou seu marido ... namorado ... amante e... pretendo ser o pai dos seus filhos, por isso vamos parar de conversa e começar a trabalhar nisso!

_Ok, vamos trabalhar nisso AGORA meu marido, namorado, amante e futuro pai dos meus filhos!

Ele sorriu e logo em seguida já tomava a boca dela na sua.

Daí pra frente e por quase uma hora, eles se amaram lenta e apaixonadamente.

Plenoamante, ímã que afina 
sístole e diástole 
em clímax.
Pleno amante meu, 
que abraço me aprofunda e engolfa sua
multidão de amar do corpo comovido 
lentamente a se dar, se dar...

(Maralto - Elizabeth Veiga)

*****

Eles saíam do quarto de banho tomado pra irem a cozinha comer algo, quando o telefone de Grissom que estava sobre a mesinha ao lado da cama tocou.

_Eu vou descendo e te espero na cozinha. Vou ver o que a Any preparou pra gente almoçar.

_Esta bem!

Ela saiu do quarto enquanto que Grissom foi até a mesinha e pegou o celular. No visor aparecia RESTRITO, o supervisor ficou em dúvida se atendia ou não. Geralmente ligações daquele tipo ele costumava nem atender, mas algo desconhecido lhe fez abrir uma exceção e ele atendeu aquela ligação.

_Alô!

_É o senhor Grissom quem está falando? - Uma voz masculina e desconhecida por Grissom, perguntou do outro lado da linha.

_Sim, quem fala?

_Meu nome pouco importa! ... Me diga uma coisa senhor Grissom, o senhor confia inteiramente em sua esposa?

_Que pergunta é essa?

_Responda!

_Eu vou desligar, passar bem!

_Não desligue e responda! - A pessoa pediu com autoridade antes que Grissom encerrasse a ligação.

_Sim, confio! - Resolveu responder Grissom.

Era claro que ele confiava na esposa. Ela nunca havia lhe dado motivos pra não confiar nela!

_Pois não devia, sabia?

_Por que?

Houve um breve instante de silêncio e depois Grissom ouviu a seguinte resposta:

_Porque ela te engana com outro. Essa mulher não vale nada. Ela é uma vadia!

A ligação foi finalizada ali mesmo, sem que Grissom tivesse tempo de responder aquela afronta.

Ele ficou estático com o telefone ainda no ouvido enquanto o mesmo ecoava o som da ligação encerrada.

Aquilo não era verdade! Era trote só podia ser!

Sara não era aquilo, nem lhe enganava com outro! Tinha certeza disso. Ela o amava e já tinha dado provas suficientes disso.

Então por que alguém ligaria pra ele e lhe diria aquelas coisas a respeito de sua esposa? Ele não conseguiu entender!

Longe dali o sujeito que ligara, recebia uma boa grana pelo que tinha feito.

_Aqui está a grana que combinei!

_Obrigada, Teri! - O sujeito, um velho conhecido da loira, agradeceu pela grana.

A loira tinha decidido fazer aquilo pra começar a plantar a desconfiança em Grissom com relação a Sara. Pois desse modo, quando enviasse as fotos, seria mais fácil ainda dele acreditar na infidelidade da esposa e assim ir até o hotel pra tirar a prova de que realmente estava sendo enganado por Sara.

_Vou precisar que ligue para esse homem novamente, mas só daqui há uns dias.

_Pode deixar! É só me dizer quando que eu ligo. Por essa grana ligo até pro papa!

_Ok! Até breve então!

_Até loira!

Ela saiu e imediatamente ligou para Dylan pra lhe dizer que o que tinha feito.

_Acha que ele acreditou nisso? - Dylan questionou baixo olhando a filha que cochilava no sofá.

_Se não acreditou pelo menos ficou com uma pulga atrás da orelha.

_É o que espero.

E realmente Grissom ficou assim. Mesmo não querendo ele ficou. Desceu e assim que seus olhos enxergaram a esposa na cozinha rindo com Any, novamente as palavras do sujeito que lhe ligara, ecoaram em sua mente.

''Porque ela te engana com outro. Essa mulher não vale nada. Ela é uma vadia!''

Em que momento ela o enganava, pois ele vivia perto dela quase o tempo todo. No trabalho e em casa, eles sempre estavam juntos. Então não tinha como ela lhe enganar, ou será que tinha?

_Ei, até que enfim você desceu!

Ele saiu de seus pensamentos ao ouvir a esposa lhe dizer isso.

_O que houve, por que essa cara?... Foi a ligação?... Alguma notícia ruim? - Sara o bombardeou de perguntas assim que viu seu semblante fechado e sério.

_Não foi nada!

Ele não podia dizer a ela, não mesmo!

Por mais que a dúvida tenha se instaurado momentaneamente em sua cabeça por conta daquela ligação, ele não deixaria que isso fizesse ''morada'' em sua mente, pois aquele absurdo que um desconhecido lhe disse não fazia sentido algum. Não fazia sentido ele acreditar naquilo e nem se deixar enganar por aquela calúnia, porque aquilo era uma calúnia. Sua esposa não seria capaz de fazer aquilo com ele. Ela o amava! Diversas vezes havia lhe dito isso e a julgar pela forma como tinham feito amor instantes atrás, ele não tinha motivos pra desconfiar do amor e da fidelidade dela.

Resolveu não dar bola para aquilo e seguir seguro e tranquilo quanto a esposa.

_Como não foi nada se você está com essa cara? Me diz o que houve?

_Foi um problema no laboratório só isso. - Mentiu pra ela.

_Algo sério?

_Não, quando eu chegar lá resolvo. Vamos comer estou com fome!

_Vamos!

Eles sentaram-se a mesa e começaram a se servir. Sem dizer uma palavra sequer, ele almoçou e vez o outra encarava a esposa e inevitavelmente pensava no que ouvira na ligação.

Não! Aquilo não era verdade! Jamais! Ele não se deixaria enganar por aquilo!

Algumas horas mais tarde, antes de Sara e Grissom saírem para o laboratório, Dylan apareceu pra deixar Liv em casa e estranhou ver Grissom tratando Sara normalmente.

''Será que ele não acreditou na ligação? ... Pelo visto, não! Mas nas fotos ele vai acreditar!''

_Sara será que podemos conversar a sós uns instantes? - Dylan pediu dando uma rápida olhada para o marido da ex. Tinha feito isso somente pra provocá-lo.

A morena olhou para o ex-marido com certa desconfiança e depois olhou pra Grissom que estava sentado no sofá.

_Olha Dylan, o que quer que queira me dizer, pode muito bem dizer na frente do meu marido, não tenho segredos com ele.

O supervisor que estava vendo um livro que Liv lhe mostrava toda empolgada, esboçou um sorriso ao rival pelo que Sara tinha dito.

_Não tem mesmo? - Dylan provocou chamando a atenção de Grissom totalmente para aqueles dois.

_Não, Dylan ... não tenho!

_Que bom! - Ele sorriu com cinismo e Grissom percebeu isso. _Mas não quero falar na frente dele, então será que podemos conversar em outro lugar?

Novamente ela olhou pra Grissom que lhe olhava de uma forma séria.

_Vamos a cozinha.

Eles seguiram para a cozinha. Lá Sara pediu a Any que saísse pra que Dylan e ela pudessem conversar.

_Estamos sozinhos, pode começar a falar. - Ela lhe disse após Any ter saído dali.

Na verdade, ele não tinha nada pra dizer apenas tinha feito isso pra atormentar Grissom. Mas pra que Sara não desconfiasse, ele então começou a falar do aniversário da filha deles que seria daqui há duas semanas.

_Pretende fazer alguma festinha pra ela?

_Sim! Você pretende ficar em Vegas até o aniversário dela?

_Lógico! Vou falar com os meus pais, e pedir pra eles virem, mas não diga nada a ela, quero fazer surpresa pra borboleta.

_Tudo bem!

_Era isso, depois com mais calma nós conversamos e acertamos as coisas para o aniversário dela.

_Ok.

Eles voltaram pra sala e Sara pode ver que seu marido estava ainda mais com a cara fechada quando lhe encarou. Dylan se despediu da filha e com cinismo despediu-se de Grissom que respondeu apenas por conta da presença da enteada ali.

*****

A caminho do laboratório Grissom não resistiu e perguntou a Sara o que Dylan queria conversar com ela a sós. Ela lhe contou que era sobre o aniversário de Liv.

_Só isso?

_Sim!

Ela o ouviu suspirar e ficar calado.

_Por acaso não acredita no que eu disse?

_Teria motivos pra não acreditar? - Ele retrucou e inevitavelmente mais uma vez, aquela maldita ligação voltou a sua mente.

_Me diz você ... alguma vez te dei motivos pra desacreditar em algo que eu já disse?

_Não!

_Então por que essa sua pergunta e essa sua reação?

_Por nada, esqueça e me desculpe por isso, não quis te ofender e nem causar briga entre nós.

_Ninguém está brigando aqui. Estamos até agora conversando.

_Então está na hora de parar com essa conversa. Chegamos! - Ele desligou o motor do carro. Pra Grissom o assunto estava encerrado, mas pra sua esposa ainda não.

_Vamos parar, mas antes me responda uma coisa, olhando nos meus olhos.

_O quê? - Ele a olhou.

_Você desconfia de mim Grissom?

_Não ... eu confio em você! - Ele respondeu alguns segundos depois.

Realmente acreditava, até aquele momento ele acreditava apesar daquelas malditas palavras quererem confundi-lo e fazê-lo desconfia de Sara. Confiava na esposa e não cederia a desconfiança, pois o amor dela por ele era nítido e ele jamais duvidaria disso!

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