12° Capítulo
-Se é de má vontade, então não quero o seu dinheiro para nada!!!! Vim a pensar que tinham mudado mas, pelos visto, enganei-me e bem! - Saiu da biblioteca a correr que nem um raio e foi-se embora, trazendo o filho por arrasto. Ofélia vê a jovem em alvoroço e fica preocupada.
-Mas o que é que se passa, menina? O que é que aconteceu?
-Não se passa nada, Ofélia, não se passa nada!! - Respondeu ásperamente. - Desculpe, Ofélia, desculpe, não lhe queria responder desta maneira! - Arrependeu-se Ashley, quando reparou que era a governanta que lhe tinha feito a pergunta.
-Acalme-se, menina, acalme-se! Venha conversar antes para a cozinha, estamos mais à vontade lá! Venha! - Foram as duas para a cozinha. Sentaram-se à mesa e começaram a conversar.
-Então? Já vi que a conversa não correu lá muito bem, não foi? - Ashley limitou-se a dizer que sim com a cabeça. - Vá, conte-me o que é que aconteceu.
-Eu pensava que tinham mudado de atitude, mas afinal não mudaram nada. Estão exactamente na mesma!! O meu pai comprou-me!!!! A Ofélia acredita nisto???
-A menina sabe que o seu paizinho sempre teve um temperamento difícil... - Respondeu-lhe enquanto pegava nas mãos da rapariga com as suas.
-E agora o que é que eu faço sem dinheiro? Eu só fiquei com este cheque, que não vale quase nada. O outro rasguei-o.
-Não se preocupe, menina, vai-se tudo recompor, vai ver!
-Não estou a ver como! Eu estou a suportar sozinha as despesas da casa e este dinheiro não vai dar para muito tempo! - Ashley sentia-se desesperada. Por um lado, o dinheiro do cheque que havia rasgado dava-lhe jeito; mas, por outro, se o aceitasse, sentia que estava a ser comprada, o que ia, de todo, contra os seus princípios.
-Eu, por acaso, acho que lhe posso dar uma pequena ajuda. Não é muito, é certo, mas é de boa vontade. - Ashley ficou um pouco atrapalhada. Enquanto isso, Ofélia levantou-se do lugar e dirigiu-se a uma gaveta, situada no canto mais recôndito da cozinha, levantou as toalhas e os panos que lá estavam arrumados, deixando antever o papel de embrulho que forrava a gaveta, e tirou do fundo da mesma um envelope branco sem nada escrito por fora.
-Eu tenho aqui umas economias que, de momento, não me estão a fazer falta...
-Ah, não. Deixe estar, Ofélia, não se incomode...! - Recusou prontamente.
-Não incomoda nada. O dinheiro é mesmo para estas coisas, não é para ir connosco para a cova. Portanto, faço questão que o aceite. A menina precisa mais dele do que eu: está desempregada, vive sozinha e ainda tem um filho para criar. Tome: é seu! - Pôs o envelope em cima da mesa de pedra mármore e estendeu-o à sua frente.
-Bem... eu não tenho palavras sequer para lhe agradecer.
-Já disse que não tem nada que agradecer. O dinheiro não me está a fazer falta neste momento e eu posso muito bem começar outro pé-de-meia. - Levantaram-se da mesa e, antes de Ashley se ir embora, Ofélia ainda se dirigiu à despensa.
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