11° Capítulo

Durante a espera, Ashley percorre o seu olhar azul claro pelas estantes altas de madeira antiga e pelos inúmeros livros grossos, minuciosamente nela arrumados, e que mal lhes era dado uso. A biblioteca estava tal e qual como sempre a conhecera, ali parecia até que o tempo tinha parado. E era por isso que gostava de vir para a biblioteca quando era pequena; aqui distraía-se, o tempo passava rapidamente, e, entre um livro e outro, quando lia, a sua imaginação voava e dava-lhe a conhecer um mundo completamente diferente daquele em que vivia.

*Flashback*
Uma menina de tranças loiras, com dois laços azuis-escuros, um de cada lado, e vestida com um traje de colégio percorre energicamente toda a biblioteca até se sentar no enorme cadeirão de pele que se encontrava atrás da secretária antiga. Pega num livro, abre-o numa página ao acaso e começa a percorrer todas as figuras até chegar ansiosamente ao fim do livro. Põe o livro de lado, e em seguida pega noutro livro completamente diferente e percorre, igualmente, todas as suas ilustrações, quer sejam muitas ou quase inexistentes.
*End of flashback*

***

*Flashback*
-Ai, menina! Outra vez metida na biblioteca a ler até às tantas! Não sabe que forçar a vista à noite faz mal?! - Repreendia-lhe amigavelmente a governanta.
-Vá lá, Ofélia, é só mais este! - Em seguida corre a abraçar a sua antiga ama como forma de a demover.
*End of flashback*

Todas as suas recordações felizes que aquele lugar lhe trás são imediatamente interrompidas por uma voz grossa vinda das suas costas.

-O que é que está aqui a fazer? - Ashley vira-se a dá de caras com o pai, este já com alguns cabelos brancos a quererem surgir-lhe, fruto da idade e do stress.

-Eu preciso de ajuda! - Disse ainda habituando-se à figura do pai.

-É preciso ter lata!! Vir aqui pedir ajuda depois de tudo o que aconteceu!

-Eu estou mesmo a precisar, se não, não tinha vindo aqui pedir-lhe... e também não tenho mais ninguém a quem recorrer.

-E o marido não a pode muito bem sustentar?! - Perguntou meio sarcasticamente.

-Não, não pode. Ele morreu no 11 de Setembro. Não tive direito a nada e neste momento estou desempregada.

-Se procurasse um emprego como toda a gente já não precisava de vir aqui pedir ajuda!!!

-E acha que alguém vai dar emprego a uma viúva com um filho nos braços para criar??? - Ripostou Ashley. O Pai olhou para o pequeno Isaac, que se escondia timidamente atrás da mãe, e isso chegou para o comover.

-De quanto é que precisa? - Perguntou friamente ao mesmo tempo que passava um cheque.

-Do suficiente para poder criar o meu filho! - O pai bufou e passou mais outro cheque.

-Toma! Este é para poder viver e este é para que nunca mais volte cá a aparecer. - Ashley ficou escandalizada com o que o pai dissera e rasgou o cheque mais valioso mesmo à frente dos seus olhos!

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