10° Capítulo
-Sim. Ele... - Dizia com a voz embargada e com as lágrimas a quererem-lhe escorrer dos olhos. - ...ele morreu nos atentados do 11 de Setembro.
-Ai que horror, menina! Nem me fale nisso! Se soubesse como é que eu me senti quando vi as notícias...! - Dizia aterrorizada.
-Pois. Foi um momento muito difícil para mim. Ainda hoje me custa acreditar que já não o tenho ao pé de mim. Na altura eu estava grávida de 8 meses e o Isaac nasceu um mês depois, dia 13. Não chegou a conhecer o pai e agora eu mal tenho dinheiro para viver. - Limpou uma lágrima que já escorria pelo seu rosto.
-Ah, então por isso é que veio pedir ajuda aos seus pais, não foi?
-Sim. Nós antes vivíamos bem, mas agora não tenho quase nada. É que, como estávamos só em união de facto, eu não tive direito a nada e o meu antigo patrão despediu-me quando lhe contei que estava grávida.
-Ai, coitada! Mas se eu puder ajudar em algo já sabe...!
-Eu sei, e agradeço-lhe muito por isso! Mas eu vou falar com os meus pais e pode ser que eles me queiram ajudar.
-Pois, mas se calhar é melhor vir amanhã. É que os seus pais, hoje, devem chegar tarde. - Aconselhou -a. - Mas não a deixo ir embora sem jantar. Venha, pela sua cara vejo que não come há horas. Eu faço-lhe o jantar. - Ofélia acompanhou mãe e filho até à cozinha e deu a Ashley todos os mimos dos quais sentia falta há muito tempo.
***
Já as dez da noite iam longe quando Ashley e Isaac saíram finalmente de casa dos pais. Apanharam o comboio, foram para a pensão e descansaram. No dia a seguir voltaria a tentar a sua sorte. Ashley estava mesmo a necessitar de dinheiro para dar de comer ao filho e os pais eram as únicas pessoas que a poderiam ajudar.
Se não conseguisse falar com eles, Ashley iria viver na miséria, por isso é que o dia seguinte iria ser muito importante e decisivo. Sabia que, de há cinco anos para cá, a sua relação com os pais não era propriamente a melhor, e por isso é que Ashley tinha que pensar muito bem no que iria dizer aos progenitores.
***
No dia seguinte, 6 de Janeiro, Ashley almoça na pensão e a seguir volta à sua antiga casa na esperança de poder apanhar os pais em casa, já que estes passavam grande parte do seu tempo fora dela.
Toca à campainha e, como sempre, é a governanta Ofélia que lhe vem abrir a porta. Esta dá-lhe licença para entrar e dirige-se até à biblioteca, onde esperou que lhe viessem atender.
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