REVELANDO
XXX
J.J e Denise são arrastados a força do Hospital da Cidade. Foram pegos quando tentavam escapar e são colocados amarrados dentro da ambulância. Durante o percurso os algozes não desperdiçavam a chance em espancá-los. O Olho direito de J.J estava totalmente fechado pelo inchaço. A ambulância parecia um ringue de "MMA".
Eles continuavam seguindo pela Av. Agamenon Magalhães. Passam pelo Hospital da Restauração e depois seguem em frente. Mais adiante, passam a ponte da Beira Rio, e na esquina de um antigo posto de gasolina, pega a direita entrando num prédio de uma antiga faculdade. Depois que a Instituição de ensino saiu do local, uma grande rede de varejo, por nome Megabox, comprou o local. Mas, não se sabe o porquê o local foi abandonado e virou um covil. Um covil secreto para assassinos. A ambulância pára. Um homem, com roupa de bombeiro, desce e abre o portão. Depois de o utilitário entrar, ele fecha o portão e entra caminhando. Novamente a ambulância pára, ele abre a porta detrás e puxa com violência e sem esforço o casal que está amarrado um no outro. Eles caem com tudo no chão irregular. O grandão os puxa sem dificuldades. Arrasta-os pelo piso a fora. Mais a frente há um casebre ao lado do prédio maior. A construção ficou no formato de "U". Ele leva os dois pela escada, abre uma porta que range. Está tudo escuro. Abre um alçapão e joga-os dentro. O casal cai rolando ladeira a baixo até pararem em um declive de quase um metro no final do trajeto.
Outro gigante pega o casal sem dificuldades e leva-os nos ombros. Eles entram num recinto quadrado e com o teto triangular. Passam por uma face talhada no ouro e vão descendo pelo meio, por uma escada, com três pilares feitos de mármore branco em cada lado, e no final, há um altar de ouro, onde a vítima será deitada com sua cabeça virada para a face dourada, a imagem de Leviatã.
Na parte de cima do altar um espelho com dois metros de altura, por três de cumprimento e mais outra escada descendo para o pátio que está o portal.
J.J e Denise são colocados em frente à cena. Amarrados juntos numa das seis pilastra em mármore.
J.J olha para cima e ver um pentagrama suspenso e deitado por cima do espelho que está seguro nos quatro lados por um espesso fio de aço. Em volta do Pentagrama nove palavras que ele não consegue ler. O olho direito está bastante estragado. O jornalista percebe que em volta do altar, dos seis pilares, quatro são as figuras dos Demônios: Moloque, Asmodeu, Baal e Mamom. J.J balança o corpo para tentar acordar Denise.
-Denise! Denise! – Sussurra J.J
Ela não responde nada. Faz somente um engasgo e cospe sangue.
-Denise... Acorda... – J.J se mexe com mais força e começando a enxergar cada vez menos.
-Onde será que estamos?– pergunta para J.J
-Não sei...Parece um depósito antigo...Será que estamos no Supermercado onde o filho do Governador morreu?- Fala Ainda atordoada.
-Como poderíamos saber? – Pergunta J.J a sua mulher.
-Lembre-se...que domingo passado, Medeiros comentou com a gente? E eu vi que há um imenso letreiro velho virado para a rua com o nome Megabox.-Denise tenta sentar de forma mais cômoda.
-Mas, ela veio aqui e não achou nada.
-Será que ela esteve aqui? Talvez ela não tenha visto ou não tenha procurado aqui.
-É, deve ser isso é isso aqui é enorme. Como vamos sair daqui?- Pergunta J.J com fiapos de sangue saindo da sua boca.
-Como você acha que vamos sair daqui? Ninguém sabe que estamos aqui.
-É só nos resta orar e aguardar.
-Não percam seu tempo com orações! Além de ser muito enfadonho, não resolve nada. – Denise e J.J olham uma figura sinistra, esguia e vestida com roupas negras de sacerdotes descendo por uma escada que estava oculta até então. – E lembrando que vocês deveriam agradecer primeiro a filha de vocês e depois a mim por estarem aqui e que vou deixá-los presenciar a abertura de um portal há muito tempo perseguido...mas fiquei com a honra de abrir esse portal hoje. E vocês serão minhas testemunhas.
-Você está é doida! – Fala Denise raivosa.
J.J olha para Denise sem entender. "Doida?" "E o cego estou eu..."-Pensa J.J
-Meu nome é Achilla - chegando perto deles. – é um prazer também. E a propósito...a filha de vocês me deu muita dor de cabeça. Mas no final, vai dar tudo certo.
-Ela ainda vai te dar mais. – Fala Denise.
-Ela não pode mais. Está morta...
A frase pega os dois desprevenidos.
-Achilla ri debochadamente...Brincadeirinha. Vocês deveriam ter visto suas caras. – Achilla ri novamente e depravadamente.
– Bem, mas daqui há mais alguma horas isso será verdade. Ops! Vinte e duas horas na capital Pernambucana.
- O que você vai fazer mesmo? – Pergunta J.J mais cansado.
-Vou abrir um Antigo Portal com o sangue de sua filha! Responde Achila. - Em uma das minhas viagens de expedição à Alemanha, encontrei esse antigo portal exposto num museu. Estávamos à procura por meses...por favor...Não olhem para mim desse jeito que não o roubei...O curador do museu tornou-se discípulo do meu mestre e o restante vocês já devem ter precebido.
-E por que essa trabalheira toda?-Pergunta o Jornalista: "Irei despertar Nosferatus o Leviatã. O vingador do inferno. – Responde Achilla com euforia e pura demência.
-E qual o motivo para tudo isso? Por que trazer o vingador do inferno? J.J arrisca a perguntar.
-Meu prezado amigo e jornalistas, sei que há dez anos atrás, você conversou com um celestial e isso atiçou minha pobre mente escravizada por esse mundo de Deus...Li sua entrevista e fiquei enojado, pensando que era mentira, mas um certo dia, Fui apresentado a um grupo, que me apresentou a outro...até chegar ao Meu Mestre se apresentar e me ajudar...em troca procuraria fazer uma cruzada contra tudo que é de Deus. Contra toda criatura de Deus que se diz pertencer a ele aqui na Terra.
-Mas, você é humano! – Fala Denise.
-Não por muito tempo. Depois da chegada de Nosferatus e a destruição desse mundo, Lúcifer me dará mais poderes sobre humanos e o comando sobre esses quatros demônios (apontando para as imagens deles), depois terei meu Reino aqui na Terra quando e serei elevado a um deus.
-Você é uma louca!– afirma Denise.
-Sra. Denise, muito cuidado com o que fala, e sugiro não me incomodar mais quando estou falando!
-pense comigo... – J.J cospe um pouco de sangue – você acha que Deus irá deixar isso acontecer?
-Ele não poderá me impedir. Eu sou um Semideus. Tenho o rei deste mundo ao meu lado. E ele me dar o poder que preciso.
-Achilla...não há nada maior que Deus. Nem o seu deus. E digo mais o seu deus foi criado pelo meu Deus!
Achila se aproxima bem perto de J.J e ri. Pega no seu rosto limpa o sangue que lhe escorre a face, lambendo-o.
-Jornalista... Jornalista... Seu deus é um tirano. – Achilla recua e vira as costas e continua a falar – Através dos anos assistimos ele assassinar a humanidade com suas doenças ou seus tsunamis, terremotos e tantas desgraças que ele cria – apontando para o céu – apenas para seu prazer.
-Denise continue orando vamos precisar. – Pede J.J bem baixinho– Não vai ser fácil.
-Você é uma demente. –Repete Denise.
Achilla continua a falar.
-Onde ele está agora? Cadê ele para libertar vocês? Mostre-me seu poder...
-Achilla, se estamos aqui é por que Ele permitiu. Nada acontece sem que Deus permita.
O sacerdote roda o pé atingindo a cabeça de J.J que vai à esquerda e volta. O sangue desce em abundancia do nariz do jornalista. Denise se alvoroça presa. Seu marido sempre fora pacífico, mas ela, não tem tanta vocação para mártir.
-Se estivesse livre...queria ver sua ousadia...
-Vejo que você tem mais juízo que esse hipócrita. – Esmurra J.J na barriga, olhando para Denise que fica ainda mais irada.
-Denise não perca o foco. – Fala ele zonzo.
-Então jornalista, me responda onde estava seu deus que não livrou você desse chute ou do murro?- Grita Achilla!
-Qual... Foi... A parte que... Você não entendeu? – Fala J.J bem devagar e com muito esforço continua – Até uma folha... só cai com a permissão dele...
-Essa conversa me enoja... Então me diga onde o seu Deus estava quando estava sendo estuprada, violentada ou currada e quantas vezes clamei por ele, pelo socorro dele e pedia-o para não deixar fazerem outras vezes. Nada adiantou. Foram repetindo dias após dias. Então me diga jornalista escroto...onde ele estava?
J.J levanta a cabeça. "estuprada? O que está acontecendo aqui?". Achila está em cólera. Percebe que falou mais do que devia. Cala-se e dar as costas ao casal.
-Sacerdote! – grita J.J – Você... Quer... Saber onde ele estava? – desafia J.J
XXX
O Chamado do Pr. Lucas é atendido. As pessoas de todas as congregações locais sentem um chamado a orar. Elas não entendem o porquê, mas há algo de verdadeiro no pedido do pastor Lucas. Quem não podia ir orar na frente das ruínas da congregação, deixa a TV ligada e se juntam em oração.
-Como podemos alcançar mais gente? – Pergunta Lucas a Ezequiel.
-Bem, podemos transmitir pelo rádio, internet, YouTube, Facebook
-Então vamos fazer. Podemos conseguir mudar a situação através da oração.
Pr. Ezequiel só atende ao pedido de Lucas, por que o conhece, e tirando a época negra da vida dele. Ezequiele sabe que Lucas sempre fora uma pessoa sensata. Eles saem do auditório e se dirigem até a transmissão de rádio.
-Pessoal como estamos? – pergunta Ezequiel aos radialistas.
-Pastores, estão perguntando na rádio sobre uma grande vigília que está acontecendo na igreja que foi explodida hoje. O Senhor sabe de alguma coisa, pois foram várias ligações – o telefone da rádio toca.
-Paz benção! Quem fala? – pergunta o radialista.
-Paz! Aqui é o irmão Antônio de Nova Imbiribeira. Gostaria de saber sobre essa vigília que está acontecendo nas ruínas da igreja Carvalho de Justiça?
Pr. Lucas pede para falar. Ezequiel faz um gesto com a mão direita cedendo à plenária na rádio.
-Meu irmão aqui é o Pr. Lucas, e estamos pedindo oração a todos, pois acreditamos que estamos no meio de uma batalha. Uma imensa Guerra Espiritual. Desde que nossa igreja sofreu o primeiro atentado e apareceram os cinco mortos, que tanto a Agente Medeiros quanto a mim estamos num meio de fogo cruzado. Por isso estamos nos reunindo para orar, pois, não sabemos onde ela está. Medeiros estava no Hospital da Cidade hoje à tarde e quando retornei a ligação para o Hospital disseram que seu pai havia tido alta, mas, ele estava na UTI. Por isso, por favor, vamos todos orar por eles.
Um silêncio do outro lado da linha. Até dentro do estúdio da rádio o silêncio era imenso. O segundo Radialista tosse e completa - Irmão Antônio, respondemos sua pergunta?
-Lógico que sim. Vamos começar a orar aqui em casa. – Responde o Irmão Antônio. Os radialistas continuam na motivação. Aproveitaram o gancho deixado por Lucas e continuaram chamando o pessoal pelas ondas sonoras. Depois eles mesmos começaram a oração e quem quisesse participar ao vivo era só ligar e ajudar em oração.
XXX
-Seu excremento de porco, lá vem você com sua teologia de merda para cima de mim, vou bater em você até que perca a consciência. –Achilla explode em irá.
-Ele estava ao seu lado! – Dispara J.J – Ele estava sofrendo junto com você. Embora você não o visse, mas Ele estava lá!
-Mentira! – grita Achilla partindo para cima de J.J– Você não pode dizer na linha cara, depois de tudo que passei, me falar uma coisa tão piegas dessa. – Achilla dá um soco...Mais outro...esmurra o jornalista sem parar.
-Você vai matá-lo! -Grita Denise
-Ele te... ama. – Continua J.J deixando Achilla ainda mais fora de si. – Jesus... te ama!
Denise fica apavorada. Achilla não para de bater em J.J e o Jornalista não para de dizer: "Jesus te ama"
-Não fale esse nome aqui. Detesto esse nome. – reitera Achilla.
O lábio de J.J está inchado. Seu rosto deformado, cospe mais sangue. O sentido de direção começa a falhar. Ele pede mais força a Deus. Um gosto acre sobe do seu estômago.
-Não importa... Quanto... Você não queira escutar... Mas é uma verdade. Jesus te Ama.
Achilla pára em frente do casal. Seus braços doem de tanto ter batido no Jornalista.
-Não vou matá-los agora. Quero que vocês assistam tudo.
Denise olha para Achilla desejando a morte dela.
-Pense no que você vai fazer...Você não ver que está sendo manipulado pelas trevas? Eles mentem...
-Jornalista, eles me prometeram que nunca mais seria humilhada. Tenho mais dinheiro do que minha família já mais sonhou ter.
-Mas a bíblia...-O olho esquerdo não abre mais e o direito está quase igual.
-É um livro cheio de erros. Escrito por homens e cheias de códigos que somente os mestres do mais alto grau podem decifrar. J.J – continua Achilla – a divindade apresentada na Bíblia de vocês é secundária. Tribal. Criado no deserto. Já os nossos deuses são ancestrais. Da antiguidade. E são mais poderosos, logo faz sentido e vale apena servi-los.
-Se eles são mais poderosos por que falharam na missão de matar Medeiros ou de matar Lucas? Que poder é esse que outro consegue vencê-lo?
-Cuidado com a língua seu miserável. Deu errado, a culpa foi minha e Fui displicente.
-Você não erra. Você mesmo disse que era um semideus. – Alfineta J.J
-Jornalista você está andando numa linha bastante tênue. – Ameaça Achilla.
-Achilla o que estou lhe dizendo... É que você é inteligente. O Nascimento, a vida, morte e ressurrei-ção de Jesus são profetizadas trezentas e vinte e duas vezes na Bíblia e em lugares, épocas e pessoas diferentes. – J.J tenta prender a atenção de Achilla – entre elas há quarenta e oito profecias que são difíceis de serem fraudadas. –Pausa para respirar - O...messias nasceria em Belém e reis do oriente viriam adorá-lo...ser crucificado entre dois ladrões...ser vendido por trinta moedas de pratas – J.J pára e respira com mais dificuldades – A chance de uma pessoa cumprir apenas dez dessas profecias é uma em 10 seguido de cento e cinqüenta sete zeros. Todas as profecias cumpridas em Jesus foram preditas centenas de anos antes do nascimento dele...J.J fala sem saber em qual direção Achilla está.
-Você é bom... tenho que admitir isso...É verdade você é muito bom. – J.J balança a cabeça negativamente – É verdade, juro que é – Fala Achilla - Mas você acha que essas frases tolas irão fazer eu reavaliar minha vida? Ou minhas decisões e certezas? Tenho um trabalho a terminar. Um trabalho grandioso. Achilla pega o celular e faz uma ligação. Depois de trinta minutos, dois homens trazem uma mulher numa cadeira de roda. Ela está fraca. Pálida e quase sem vida.
"A Filha do Governador!"- Pensa Denise Quase balbuciando e olhando para a moribunda na cadeira.
Os homens amarram a mulher que está nua no altar. Eles acedem às velas pretas. Todas. Depois fica um no sentido norte e outro sul do altar.
O local torna-se uma penumbra. Quase sem luz. Tenebroso. Pessoas vão chegando e enchendo o lugar...começam a fazer gestos ritualísticos com as mãos e a fazerem orações.
Eles estão com uma toga preta e vermelha com um desenho de uma circulo maior com outro negro dentro dele.
-Um dos símbolos de Lúcifer! – Pensa J.J
-Bem meus irmãos, vocês estão perto de conhecerem toda a verdade. Sabe o que é engraçado? Ninguém notou minha mudança. -Falando isso Achilla deixa o manto sacerdotal cair diante deles. O corpo está todo mudado. Através da sua pele, começando pelos pés há uma imensa tatuagem. Foram tatuadas umas palavras escritas numa língua antiga circulando por todo o corpo de Achilla. Na área do sexo e nas nádegas não tem tatuagem. Mas a partir do umbigo e nas costas a tatuagem recomeça até o pescoço. A letra é precisa e bem desenhada. O ser andrógeno não tem sobrancelha e as orelhas estão pontiagudas para cima. Quando sorri, dá para ver os caninos afiados e a língua bifurcada. Achilla continua...
-Minha mãe nunca se importou comigo. Aliás, ninguém nunca se importou. Ao longo desses últimos doze meses fui mudando. Evoluindo. Alterando meu corpo. Ninguém notou. Sentia-me só. Impotente. Até um amigo de meu padrasto me levar a uma reunião. Foi demais. Bebemos e nos drogamos a noite toda. Ninguém me recriminava ou me colocava limites. Com muita perspicácia fui alterando meu corpo mediante injeções de certas ervas, drogas e cirurgias.
Achilla vai se aproximando perto do altar.
-Jornalistas, dentro da minha Ordem, acreditamos, que o apóstolo João foi o pioneiro no Sacerdócio Nosferatus. Você sabe o que isso significa?
-Sim. – quase sem voz. – A palavra "Nosferatus" vem de "não morto" ou "vampiro". ..Acredita-se que Lázaro e depois João fizeram parte desse sacerdócio secreto dentro do próprio sacerdócio cristão. Uma irmandade de vampiros secreta e desconhecida por quase todos.
-Vejo que mesmo em seu estado deplorável sua mente continua acesa. – Fala Achilla.
-Você não ver que isso é um absurdo? Não há vida eterna nos órgãos humanos!-Fala Denise
-Então por que o livro de João dar tanta ênfase? "Quem não comer da minha carne e beber do meu sangue". Ou...
-Loucura! Pare e pense. A carne e o sangue mostram Cristo como crucificado e fonte da vida. As pessoas se chegarão ao Pai pelo sacrifício dele, ao morrer pelo nosso pecado. A carne e o sangue de Deus sendo oferecido para redenção. Isso é Amor! – Grita J.J perdendo o fôlego.
Achila ri. Conseguiu tirar J.J do sério.
-Continuando, e não me interrompa mais. Com o passar dos dias o meu apetite foi diminuindo e à minha sensibilidade a luz do sol e a sede por sangue aumentando. Finalmente, numa noite que marcou profundamente, foi-me dado a permissão de beber sangue humano, e segundo o meu mestre, o "vírus do vampirismo" foi passado. Para sobreviver preciso ingerir uma quantidade substancial todo dia. Passando o segundo mês comecei a caçar. Passei a andar pelas madrugas procurando vítimas solitárias, independente do sexo. A primeira vez foi a mais difícil. Foi com um garoto de programa que tive dificuldades para dopar. - Achilla tira o punhal. O cabo é no formato de uma serpente com a boca aberta para atacar.
Dirige-se para frente do altar, dando as costas para o casal.
– Depois que bebi da fonte, não consegui mais parar. O sangue do rapaz durou inicialmente duas semanas. Depois meu mestre terreno teve uma idéia genial, desenvolveu uma boate com alçapões que faziam as pessoas sumirem. Elas caiam num calabouço e deixávamos presos vários dias. Se dessem falta da pessoa, esperávamos e depois levamos o corpo para fora da cidade.
Achilla fica acariciando o rosto e o corpo da vítima.
-Irmãos, vocês irão testemunhar o meu sucesso, diferente de Hitler que fracassou – ao falar o nome de Hitler, Achilla olha para o casal
- Você sabe não é? Hitler foi um dos nossos. A SS foi criada misturando ensinos espirituais dos jesuítas com a Sociedade Vril e a Thule Gesellschaft.
-Veja o que você está falando. Está celebrando um dos maiores homicidas da humanidade. - Denise responde, sem acreditar no que está ouvindo.
-Hitler foi um dos maiores satanistas do século passado – Continua Achilla - Ele é um ícone. Um exemplo para nós. É verdade que ele falhou em substituir o cristianismo pela adoração aos nossos deuses germânicos...Mas teve seu propósito...A cruz suástica, por exemplo, é uma inspiração de Chamberlain, um vidente de uma Ordem satânica e conselheiro de Hitler. Foi ele que inspirou a Hitler as idéias de um reino de terror e poder. A suástica foi adotada por Hitler, em 1920, como símbolo do nazismo. Além do anti-semitismo de Hitler, havia uma razão mais terrível pela qual ele construiu os campos do holocausto. Hitler estava trabalhando para alcançar o sacrifício humano de 7.777.777. Se ele tivesse chegado a esse número teria destruído para sempre o Judaísmo e o Cristianismo.
-Mas Deus tinha outros planos... e o castelo dele foi bombardeado... até sua ruína total. – Completa J.J- E isso nunca vai acontecer. O holocausto foi uma aberração humana. O nosso lado mais perverso...-J.J sente a cabeça girar - Realmente Lúcifer usou o nazismo como seu laboratório para a acessão do anticristo...Mas isso só acontecerá quando for o tempo determinado por Deus!– Grita J.J com sua derradeira força– Pense Achilla... Pense...Você não vê que está sendo enganado por um ser milenar que alienou um terço dos anjos do céu com suas mentiras. E agora, ele está te usando também. Mas ainda há esperança para você...
O que você fez ao filho do Governador foi terrível, mas, você pode nos usar junto com a filha do Governador para barganhar um acordo- Denise interrompe objetivamente J.J
Denise, depois, fica calada, observando a reação de Achilla e torcendo que essa conversa toda possa trazer no final a salvação deles da morte certa: "Quando a filha do Governador morrer, aí será nossa vez...Precisamos de mais tempo. — Esse pensamento não sai de sua cabeça
-Vejo que ainda não imaginam quem sou? Nem poderiam...– Ri Achilla.
XXX
Medeiros e Larsson correm à janela.
-O que vamos fazer? – Pergunta Larsson.
-Da próxima vez que você me beijar sem meu consentimento quebro sua cara. – Fala Medeiros com tom de alerta.
-Estava com saudade.- Justifica Larsson
-Precisamos sintonizar o rádio para transmitir a oração pelas caixas de som.
-Pra quê? – Pergunta Larsson sem entender.
-Para que as orações possam sair? não sei. Estou seguindo a orientação de Athos.
-E quem é Athos?
-Larsson, vamos focar no plano? Depois conto tudo. Prometo. – finaliza Medeiros
Sem eles esperarem, Uma garra enorme puxa Larsson para trás. Ele cai de costa, puxa a arma e atira, atingindo no focinho do lobo. Medeiros usa o pedaço de ferro como um porrete. Para um lado para outro. Quebrando os queixos dos Selkies. Seus braços estão cansados. Larsson recarrega a arma. Os dois aproveitam a abertura no corredor e fogem pela escada de incêndio. Descem rapidamente os degraus. Uma turba está subindo e mais lobos chegando e entrando pelas janelas do terceiro e quarto andar. Eles estão encurralados entre a porta de incêndio do quarto andar e a escada que sobe para o quinto e desce para o terceiro.
-O que vamos fazer?– Pergunta Larsson.
-Não sei...
-Eles estão chegando de todos os lados.
-Larsson, onde eles estavam escondidos? São tantos.
-Medeiros, agora é o que menos importa.
Mais Clones ou Selkies estão subindo. Mais lobos vindos pelo corredor. Larsson coloca Medeiros atrás dele como se fosse adiantar.
-Que barulho é esse? – Pergunta Medeiros.
-Não estou escutando nada. – Afirma Larsson tentando escutar alguma coisa, mas concentrado nos inimigos a frente.
-Não está escutando? Tem alguma estação de trem aqui perto?
-Medeiros, estou escutando. Está mais perto.
Uma voz metálica.
-Larsson se você estiver nesse andar se abaixe!– Avisa a voz metálica.
-Medeiros pula no chão! – Grita Larsson puxando Medeiros e se jogando para chão e tentando chegar no quarto mais próximo. Uma luz forte entra pelo corredor.
Depois somente o barulho do esguicho da supermáquina. Na janela do andar está parado o helicóptero da equipe de Larsson. Rebeca está agarrada a um R15. Dispara duzentas balas por minuto. O banho de sangue está completo. Os lobos tentam correr, mas, as balas não param de fazer a festa. Os pedaços de carne vão se amontoando pelo corredor. As vísceras vão se amontoando grudadas nas paredes. O piso está um lamaçal vermelho. Larsson e Medeiros estão no chão do quarto. Ele a protege com suas costas. Os vidros. Paredes. Portas. Janelas. Tudo voa desordenadamente.
A voz metálica novamente soa:
-Senhor! Siga em nossa direção. Está na hora de correr.
Os dois se levantam rapidamente. O corredor está lavado de sangue. O cheiro acre misturado com o odor de carne queimada e pólvora incensam o local. Há uma escada de cordas suspensa na frente da janela. Medeiros vem à frente apóia-se na janela e pula seguida de Larsson. Os dois conseguem e agarram-se na escada e começam a ser alçados para cima.
-Não preciso de um guarda costa. – Implica Medeiros.
-De nada. De nada. – Responde Larsson.
Enquanto isso Athos aproveita o tumulto que se instaura no Hospital, pois agora não havia mais como negar que algo acontecia. Ele segue até uma sala no final do corredor onde na porta está uma placa informando "Somente Staff". Ele toca na porta que se abre sem dificuldades. Um segurança percebe o intruso, mas antes que possa fazer alguma coisa, ele toca na testa do rapaz que cai sobre os joelhos e depois no chão. Athos olha para o equipamento. Sintoniza onde deseja e liga.
XXX
Thell se desvia no momento certo jogando o corpo para trás fazendo com que a espada do general caído passe-lhe raspando o pescoço. Com o movimento para trás hasteia sua asa esquerda para frente chocando-as contra o braço direito de Moloque, ferindo-lhe profundamente. Um murro acerta a face de Thell. Outro chute acerta-lhe a cintura. Num instante o General está cercado por Legião. Com a mão direita limpa o sangue da boca. Eles atacam. Thell começa a rodar igual a um pião. As suas asas se abrem e se fecham na altura do seu pescoço. Ele parece um imenso pião com duas serras afiadas girando. Os pedaços vão se multiplicando. Thell vê o helicóptero passando acima deles e se conforta ao perceber a presença de Medeiros. O general sente um chicote segura-lhe a perna direita. Moloque está abaixo dele e tenta puxá-lo para baixo para recebê-lo com um soco na fronte. O Soco é desferido. O general fica atordoado com a potência do ataque. Moloque continua a atacar Thell com a espada. Legião levanta suas espadas para o ataque em conjunto. Centenas contra um.
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Allende dispara raios flamejantes de suas mãos. Acertam alguns e se junta a Thell. Os dois estão com as armas levantadas. Prontas para atacar. Thell olha para o teto do hospital, A batalha está sangrenta. A superioridade dos demônios sobre os anjos está visível.
Mais anjos chegam, porém, parece que todos os demônios do local estão subindo para o teto do hospital. Os céus estão negros. Uma Treva espiritual está mais escura que o normal. De repente um soar de trombeta ecoa no céu. Do centro das escuras e espessas nuvens um feixe de luz azul claro rasga a muralha invisível como uma imensa espada de luz. Os guerreiros param. Novamente a trombeta soa.
-Allende, as orações estão sendo respondidas. O socorro está chegando. – Vibra o general cansado.
-Glórias ao Altíssimo. Vamos conseguir.
Das nuvens Três Arcanjos descem com suas armaduras de puro ouro. Seus cabelos são brilhantes e suas asas abertas chegam a mais de seis metros.
-Miguel, Gabriel e Rafael. – Resmunga Moloque.
Os três vão descendo sem pressa. Plainando com as imensas asas abertas. Em volta deles raios azuis saem dos seus corpos e fluem por dentro como se eles fossem baterias vivas. Seus olhos saem fogo. O trio angelical puxa a espada. Pousa no teto do Hospital da Cidade dividindo a guerra ao meio. Eles ficam a frente dos seus guerreiros. Miguel manda abaixarem suas armas. Moloque e Legião voam de volta para o teto do hospital. Rafael levanta os braços e um raio cai do céu passando pelo seu corpo e começa a circular entre os anjos feridos e a tocá-los com sua espada, seus ferimentos são restabelecidos e são liberados a voltar a Casa Celeste.
-Irmãos, voltem a suas casas. – Ordena Rafael aos anjos restabelecidos.
-Sabemos que vocês são. – Fala Legião a Rafael que nem se vira para dar crédito a sua conversa.
Thell e Allende se colocam atrás dos dois Arcanjos.
-O Altíssimo esteja em vós. – Thell e Allende saúdam Gabriel.
-A paz do Nosso Deus te guie. – Responde Gabriel.
-Vocês acham que não somos nada para nos desprezarem e conversarem entre si? – Grita Moloque arqueando a espada para golpear Gabriel pelas costas. O golpe atinge Gabriel nas costas. A espada de Moloque se parte pelo meio. O gigante Caído olha assustado para a espada que está pela metade em sua mão direita. Gabriel virasse calmamente. Moloque abaixasse e pega uma lança. Girá-a para atacar. Todos estão parados. Com precisão e habilidade o general Caído procura o pescoço do Arcanjo. Com a mão esquerda intercepta sem dificuldade o golpe. Moloque tenta em vão espetá-lo com a lança. Sem dificuldades ele a quebra. Moloque fica mais irritado por que está sendo desmoralizado na frente dos subordinados. Thell e Allende já haviam lutado com Gabriel na primeira e na segunda queda. Eles sabiam o quanto poderoso ele era. Moloque infelizmente havia esquecido. Moloque ataca Gabriel. Sem retroceder o Arcanjo levanta sua mão direita em direção dele. Uma esfera azul acende. Raios de fogo saem de dentro da sua mão acertando Moloque. Os Raios de Fogo transpassa-o entrando pelo peito e fazendo-o implodir.
Legião multiplicasse e parte para atacar Mi-guel. Eles cercam o Arcanjo. Quando eles atacam, Miguel voa para o alto fazendo Legião lhe perseguir. Quando chega numa determinada altura nas nuvens, começam a cair uma chuva de raios. Os raios são vivos e vão caçando todos múltiplos de Legião e dizimando-os. Os Caídos que estão no teto, mesmo presencian-do a cena, levantam suas espadas para brigar, quando uma imensa onda feita de orações brota pelas caixas de som com a violência de um maremoto. A onda espiritual sai arrastando de dentro das pessoas que estão possuídas seus demônios e subindo como um vulcão até o teto. Eles são arremessados para fora. Miguel faz sinal para os arqueiros que sem demora lançam suas flechas que cruzam os ares novamente. Uma nuvem de flechas. O primeiro Arcanjo abre a palma da mão fazendo aparecer uma imensa onda de fogo sobre os Caídos. A chegada dos três arcanjos tornou a briga desigual. Muito desigual. Athos se junta a Thell e Allende na perseguição do inimigo que começam a bater em retirada.
Thell pousa no teto do Hospital da Cidade e abraça os amigos e irmãos. Rafael levanta sua mão para o alto e faz chover uma fina e constante chuva esmeralda que vai sarando os feridos. Esse hospital não é mais domínio do inimigo – começa Gabriel – lutamos e vencemos. Sem a bravura de vocês e a determinação não teríamos conseguido. –Finaliza Miguel.
-VIVA O ALTÍSSIMO!- Gritam os Anjos e Arcanjos no teto do Hospital da Cidade. Todos com as espadas desembaladas.
-Meus irmãos – Gabriel se dirige para Thell, Allende e Athos – estarei aguardando o retorno de vocês.
Rafael aperta a mãos dos irmãos celestiais e parabeniza a todos. Dois sobem com a velocidade que até mesmo para os generais é difícil de acompanhar, mas O Arcanjo Miguel fica.
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-Rebeca, como você sabia que estávamos precisando de ajuda? – Pergunta Larsson.
-Chefe, trabalhamos juntos ha muito tempo. Então passamos para conferir e vimos esse balbúrdia.
-Muito Obrigada. – Agradece Medeiros.
-De nada. Desculpa, não fomos apresentadas. Sou Rebeca.
-Medeiros. Prazer. – As duas apertam as mãos.
-Mais cinco minutos estarão no alvo. – informa Tarcísio.
-Onde estamos chegando? – Pergunta Medeiros.
-No Megabox. – Responde Rebeca.
-Mas, já estive aqui. O local estava vazio. – Afirma Medeiros.
-Há pouco tempo atrás, uma equipe nossa capturou uma moça da Seita que deu todo o serviço. Primeiro fomos à boate e agora estamos vindos aqui.
-Vamos pousar aonde- Pergunta Larsson.
-Há uma faculdade próxima do local. Eles autorizaram. Pensam que somos segurança de alguma celebridade que mora próxima do local. – Responde Tarcísio.
O telefone que está com Medeiros toca. No display o nome "Sobrinho".
-Fala Primo. – Atende Medeiros.
-Cadê Denise?-Pergunta Gulherme.
-Estou bem obrigada. – Responde Medeiros ironicamente.
-Prima, é sério. Preciso falar com ela. É urgente.-A voz de Gulherme está tensa.
-Guilherme, não sei onde ela está. Ela e papai estavam juntos comigo numa emboscada no Hospital da Cidade e só conseguimos sair agora.
-Então... Eram vocês os terroristas? – Pergunta Guilherme.
-Que papo é esse de terrorismo?
-Era você pulando no helicóptero?
-Foi filmado? – se espanta Medeiros.
-Está passando a cada dez minutos. – Responde Guilherme.
-Guilherme os deixei no térreo do hospital e depois subi, acho que estão no hotel. Liga para lá. Mas, o que você quer mesmo? – Pergunta Medeiros. -Guilherme começa a contar o que descobriu. Medeiros olha para Larsson empalidecida. Ele percebe que não é algo bom. Novamente deixara detalhes lhe passar despercebida.
-O que foi? – Pergunta Larsson. -Guilherme achou a afilhada do Governador. -Larsson fica paralisado.
-Achou? como?
-As notícias são horríveis...
-Pessoal estamos descendo. – Interrompe Tarcísio.
XXX
-Filha espere. – Pede J.J- A palavra Filha bate igual um murro no estômago de Achilla. Se havia uma palavra que lhe era detestada era essa. Mas, o Jornalista não sabia.
-Você quer seu meu pai? Quer me violentar também? Abusar de mim ano após ano? – Achilla volta sua atenção para o casal. – Já sei... Acho que você quer me sodomizar. Você me quer jornalista? – Pega no queixo de J.J se insinuando. – Sou atraente para você? Olha sua esposa aí do ladinho.
-Tenho idade de ser seu pai, e sei que estou correndo perigo com essa maldita associação, mas me escute...não podemos mudar o aconteceu a você, mas, podemos tentar a partir de agora, não sei a profundidade da sua amargura, mas conheço a extensão do amor de Deus que é infinita.
-Podemos colocar as mãos no desgraçado que prejudicou sua vida.- Denise fala torcendo que algo mude dentro de Achilla
-A lei nunca vai alcançá-lo. – Lambendo a face do jornalista.
-A lei alcança a todos. – Responde Denise.
-Vocês são tão ingênuos que só consigo ter mais raiva de vocês. – Fala Achilla.
-Não é ingenuidade-Fala J.J
-Jornalista, a lei nunca o alcançará. – Volta-se em direção ao altar. -No final a culpa seria minha. – Achilla olha para o chão e pega o punhal.
-Por favor, nos dê essa chance, você tem culpa sim, mas você remarem é uma das vítimas, não deixe mais esse crime em suas mãos. – Implora J.J
-Tarde demais. A guerra começou e termina hoje. – Achilla ajeita o punhal no centro das mãos levantado-as.
-Por favor, me escute. Essa moça não merece morrer. Ela não tem culpa. Vamos prender o culpado de tudo isso... Eles nos ouvirão... Concerteza a polícia, o governador não deixará esse monstro impune.
-Jornalista, esse monstro é o Governador.- Fala Achilla olhando diretamente para os dois.
J.J se perde no raciocínio. O chão some. Tem vontade de vomitar. Sente sua mente ir e vir. Denise não pisca os olhos. Parece que ficou congelada. J.J balança a cabeça desnorteado com a revelação.
Achila e Caroline são as mesmas pessoas!
Achila vira-se e esfaqueia a moça no coração. Começa a fazer novamente orações numa língua antiga. O pentagrama pega fogo sozinho. Uma luz sai de dentro do espelho. Uma cabeça longa de dragão sai de dentro do espelho. Depois a segunda. Terceira. Quarta. Oitava. Décima. Décima terceira. O dragão urra bem alto e começa a sair.
XXX
Os quatro entram no carro. Saem da faculdade e tomam a direção do Megabox.
-Não pode ser. – Afirma Larsson. –Você tem certeza?
-O DNA não mente. A moça que foi seqüestrada não é a afilhada do Governador e sim a sobrinha do Deputado Castro. Você nunca notou nada de suspeito?
-Fazia uns dez meses que não a via. Ela sumiu. Antes estava sempre presente nas festas, depois sumiu. Meu amigo vai ficar arrasado. Mais um baque. Mais uma notícia ruim.
-Que motivo ela teria para assassinar o irmão?- Pergunta Medeiros – Embora não fossem irmãos de sangue, mas, são irmãos.
-Não sei. Ela sempre foi estranha, calada, diferente. Mas uma assassina? Meu Deus, que horrível. –Fala Rebeca.
-Mas nós matamos hoje. Não sei por que esse "que horrível" Rebeca. – Fala Larsson.
-Larsson, nós matamos em legítima defesa, ou matamos para que um inocente não morra. Matávamos ou morríamos. É diferente de matar intencionalmente um inocente. Principalmente quando os envolvidos são jovens. Pessoas que deveriam estão se preocupando com os estudos.
-Rebeca, nós somos assassinos de aluguel.
-Larsson, nem parece o Larsson. – Brinca Tarcísio.
O telefone com Medeiros toca novamente.
-Prima. – Fala Guilherme do outro lado.
-Manda.
-Seus pais ainda não chegaram ao hotel. – O corpo de Medeiros gela. Ela desliga o telefone sem deixar Guilherme completar a frase seguinte.
-O que foi agora?- Pergunta Rebeca.
-Meus pais não chegaram ao hotel. – Responde Medeiros.
-Eles podem ter ido para outro local. –Sugere Larsson.
-Meu pai estava recém operado. Ele fora baleado.
-É verdade. Atenção Pessoal, a situação ainda pode ser mais complicada que parece, por isso muito cuidado...quando invadirmos o local podemos ter surpresa. Talvez reféns. – Informa Larsson pelo rádio.
-Quem são vocês? – Pergunta Medeiros.
-Uma divisão de elite dentro do GOE. O GAAT. Um grupo anti-terrorismo.
-O Grupo de Operações Especiais?
-Isso mesmo Medeiros. Estamos todos ligados ao Governador. – Responde Larsson.
-Então não são seguranças?
-Também somos.
-Você entendeu o que falei. – Responde Medeiros.
XXX
Nosferatus começa a sair de dentro do espelho. Caroline está excitada com o monstro saindo do portal. A vítima do altar chama-se Cristina, irmã de Amélia, a moça morta na Lagoa. O monstro tem treze cabeças. O seu nome é Nosferatus. A criatura da noite e está com muita sede. Sede de sangue.
-Consegui J.J – Fala Caroline. – Não foi em vão. Nada foi em vão. – Os céus vão se enchendo de ventos e trovões. Relâmpagos cruzando o negro céu.
-Você é uma louca! Essa coisa não pode ser controlada. Não termine o ritual. Salve a moça e salve sua vida.
Uma ventos enche o local e mais da metade da criatura está fora do espelho. Caroline olha insanamente para o monstro e sorri como uma demente. Ela volta para o altar, tira o punhal do corpo inerte de Cristina e com o sangue dela começa a escrever provérbios satânicos de evocação e continua orando alto. A criatura ataca a vítima comendo-lhe o coração.
-Venha ó precioso. Reine nesse local. – Fala Achila.
-Meu Deus nos ajuda. Repreende o inimigo no nome de Jesus. – Ora Denise sussurrando.
J.J cospe sangue. Volta à lucidez quando a criatura está em cima do corpo morto no altar. Ele chora. Chora pelas vidas perdidas que poderiam ainda está viva se uma criança não tivesse sofrido de abusos sexuais. Se sua mãe tivesse acreditado na sua história ou não deixasse se perpetuar o malefício. A covardia é um crime hediondo. Agora um coração ferido está rendido às trevas.
O Teto abre-se igual um livro. O telhado é sugado para o sereno por um redemoinho invisível. Nosferatu olha para cima e ver O Arcanjo Miguel, o que lutou contra Lúcifer no deserto pelos ossos de Moisés e o venceu.
Nosferatu mostra seus dentes e teme.
-O que você quer aqui General do Altíssimo ?
-Cala-te! Não te mandei falar! –Fala poderosamente. Os humanos não conseguem enxergar o que está acontecendo, estão temporariamente cegos. A besta se prepara para atacar.
Uma de suas cabeças tenta surpreender o General pelas costas, ele, com precisão cirúrgica se desvia.
-Não me tenha por um dos vossos reis. Como uma cortina que se abre para início de um espetáculo, o trio humano não acredita no que ver. O ser celestial além da beleza física emana uma força
incompreensível. Literalmente um ser de aço. A cabeça do meio ataca repentinamente tenta atacar novamente e o Arcanjo a degola. Miguel fica na altura das cabeças. As doze cabeças restantes cospem um fogo intenso e mortal. Mortal para um anjo Mensageiro, mas, quem está ali é o General do Rei dos reis. Um fogo negro toma conta do corpo do Arcanjo. Ele está dentro de um turbilhão das chamas. Quando Nosferatu pára e o fogo negro se consome. Uma figura inerte ainda paira no ar. Miguel coloca sua espada na bainha. Levanta sua mão direita ao céu.
As nuvens se abrem. Algo pequenino vem descendo das nuvens. Não passa do tamanho da mão de um homem adulto. É uma brasa. Apenas uma brasa viva. Ela pára na frente do Leviatã. Entre os dois. Num repente ela parte arremessada e choca-se com o corpo do monstro. A priori nada acontece. Ele pensa que estava diante do ataque mais ignóbil de todo o cosmo. Tolo.
O demônio explode. Sua entranha espalha-se por todo o recinto. O General olha para baixo e as correntes que estão amarrando Denise e J.J caem no chão. Denise coloca a cabeça de J.J no colo. Ele está ofegante. Caroline grita e parte com o punhal para atacar Denise que se defende. Mesmo sentada dobra-lhe o braço, tira o punhal e arremessa-a na parede.
Denise rapidamente se levanta e uma mão lhe segurando a perna.
-N-não a machuque. – Fala J.J – O Pai a ama. Jesus morreu por ela também. Ele a ama. Dito isso J.J cai com o rosto no chão. J.J morreu. Não suportou aos ferimentos.
Denise dá as costas para Caroline e ajoelhando-se chora sobre o corpo sem vida do marido. Ela não se importa mais com o final da noite. Caroline aproveita a situação e pega o punhal que havia caído e parte para acertar a têmpora de Denise.
Caroline para antes do ataque mortal. O impacto da bala a faz olhar incrédula para depois do casal, Medeiros ainda está com a arma em punho. Solta-a e corre em direção aos pais.
XXX
J.J observa a comoção no local. Ele observa o choro velado na frente do seu corpo.
-Você não vai agora! –Informa Qjihel
-Como assim? Morri?-É sério isso?
-Temporariamente. Mas sua hora não chegou!
-Cadê o cineminha? – Pergunta J.J-aquele que aparece toda nossa vida?
-Cineminha?-QJihel sorrir.
-Qual o seu nome?- Pergunta J.J
-Qjihel.
-Quando morremos não aparece uma tela onde passa nossa vida do início até o momento?
-Isso não acontece.
-por quê?
-Por que não há passado para ser lembrado.
-Mas, os pecados que cometemos?
-Quando você entregou sua vida a Ele, tudo foi jogado no fundo do Mar do Esquecimento. O Salvador não se lembrara de mais nada.
-Então não há cineminha?
-Não há cineminha. – Reponde Qjihel rindo com o desconsolo de J.J. – Chegou a hora de voltar para seu corpo.
J.J sente seu espírito ser sugado de volta para o corpo por redemoinho. Ele cospe sangue e soluça. Denise grita vibrando por ele está vivo. A equipe tática coloca-o numa maca improvisada e levá-o para o helicóptero.
-Para onde vão levá-lo? –Pergunta Rebeca a Larsson.
-Restauração. Dessa vez colocaremos segurança no local. – Responde Larsson.
-Chefe, como o senhor vai informar ao Governador?
-Não sei. Ainda não sei.
XXX
No caminho até o Hospital da Restauração Denise e Medeiros vão em silêncio. Não há burocracia na entrada e J.J é imediatamente levado à sala de cirurgia. A madrugada está começando. As duas conversam bastante enquanto aguardam na sala de espera. A demora as deixa impaciente e fazem com que busquem constantemente novas informações.
Guilherme, Thaís e Gabriel se dirigem ao Hospital assim que sabem onde eles estão. Abraçam-se na entrada da UTI. Por volta das três horas da manhã Larsson com mais quatro agentes chegam à UTI.
-Como ele está?-Pergunta a Medeiros
-É forte, vai sarar logo. – Responde Medeiros.
-Que bom. Fico feliz.
-Rebeca e Tarcísio como estão?
-Eles levarão uns pontos, mas estão felizes. Disseram que cicatriz sempre é sexy.
Medeiros ri.
-Quando vão dar novas informações?
-Eles sempre têm vindo até aqui e conversado. O problema é que ele perdeu muito sangue. Apanhou muito. É um milagre está vivo. – afirma Medeiros.
-É verdade. Tenho outras novidades.
-Quando vão me prender? – Pergunta Medeiros.
-O Governador vai assumir a confusão no Hospital da Cidade. – Responde Larsson.
-Como assim?
-Você sempre desconfiada.
-Ele sabe que Caroline está viva?
-Sim e não vai interferir nas acusações. Até por que uma das pessoas assassinada foi o filho dele.
-Muito conveniente. –resmunga Medeiros.
-O que não estou sabendo?
-Larsson, seria bom você conversar com Caroline antes das polícias.
-Medeiros... Ajude-me... Depois de tudo que passamos você vai ficar com segredo?
-Larsson você sabia que Caroline era abusada sexualmente pelo Governador e por amigos dele?
O Agente fica sem ação. Olha por algum tempo para Medeiros. Que pela expressão de Larsson, ele desconhecia dessa novidade.
-Conte-me tudo. – Pede apreensivo.
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