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Em primeiro lugar muito obrigada pelo 1K de visualizações!!! Isso aqui é um grande motivo pra eu continuar seguindo firme, vocês são incríveis!
Agora, há reprodução de racismo por aqui, mas qualquer comentário compactuando vai ser denunciado.
Perdão por qualquer erro de digitação e boa leitura!
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— Eu não sabia que você tinha um piercing no umbigo. — Levi sorria como um demônio. — Sexy.
— Uma pena eu não poder dizer o mesmo do piercing em sua sobrancelha. — Retruquei encarando seu supercílio costurado e inchado. Presente de Lótus da briga do bar, junto com a curva da mandíbula direita completamente roxa. — Nada sexy.
Ele bufou.
— Fale por você. Todo mundo adora um bad boy. A garçonete fez questão de sair no meio do expediente para lamber minhas feridas no estacionamento. — Mas, em seguida, ele colocou um óculos de sol enorme em formato de borboleta extremamente brega que ia até o meio da testa e das bochechas. — E não fale assim do meu piercing, ainda não me recuperei dessa perda.
Eu fiz careta.
— Espero que fique marquinha disso na sua cara.
— Eu achei o perfil dela! — Eva correu até nossas espreguiçadeiras na beira da piscina abanando o celular com uma mão e segurando uma garrafinha de cerveja com a outra. — E não tire conclusões erradas com a língua suja de Levi, Nat, ela só limpou o sangue e tirou o piercing para não infeccionar. Foi bem romântico.
— Brega.
— Onde, cadê? — Levi ergueu o tronco malhado e umidecido de suor em direção ao celular rapidamente.
— Valeu. — Agradeci quando Eva me passou a cerveja, e dobrei as pernas para observar o desenrolar da cena ao lado. — Você, Levi Trindade, stalkeando mulheres na internet? Achei que era um pegador.
— Eu não stalkeei ninguém, gata, esse celular aí é de Eva.
— Ela cursa enfermagem, agora tudo faz sentido. Oh, más notícias. — Eva sugou os dentes, olhos semicerrados para o celular sob sombra da concha de uma das mãos naquele milagroso e escaldante sol de sábado. — Acho que ela é lésbica. É, é sim. Ainda está sofrendo pela ex, sendo que foi ela mesma quem terminou. Mulheres LGBT são caóticas.
— Droga. — Murmurou Levi.
— Quem é caótica? — Tilintou a voz de Brenda se aproximando, o batom ao redor do sorriso tão vermelho quanto o seu biquíni.
— Ninguém, querida. — Ele também sorriu quando ela deslizou para o seu colo.
Eu semicerrei os olhos para Levi em aviso, mas conhecia a fama de Brenda e também não era próxima o suficiente dela para me preocupar. Voltei a deitar relaxadamente e me concentrei no sol fritando meus poros enquanto senti Eva colocando o celular na beira da minha espreguiçadeira para entrar na piscina cantarolando calmamente. Murmúrios roucos e risadinhas e alguns instantes depois, uma mão molhada e pequena cutucou meu pé.
— Não vai entrar? — Eva perguntou. — A água está uma delícia.
— Lavei meu cabelo ontem. — Beberiquei minha cerveja.
— É só não molhar.
— Eu sempre acabo molhando.
— É só não deixar dessa vez.
Ergui a cabeça para fazer careta para Eva. Ela sorria travessa, os cachos alisados para trás pela água. Semicerrei os olhos e girei e virei de bruços até me apoiar nos cotovelos ao lado do celular de Eva, balançando as canelas no ar.
— Só se você me dizer porque não está falando com o Lótus.
Seu sorriso morreu. — Isso é sério? Eu estou falando com ele.
— Não como antes. Você eram super grudados.
— É porque ele não gosta de Pascoal e fica todo emburrado quando ele está por perto, como agora. — Apontou para onde Pascoal tentava roubava carnes ao lado de um Lótus suando em frente à churrasqueira com um paninho rosa no ombro nu e cara amarrada. Eu rolei os olhos da cena até Eva.
— Você é cega ou o quê?
— Quê?
Era melhor tentar outra tática.
— Eva, quem era o cara de quem você estava falando naquela sessão de pintura?
— Eu não me lembro disso. — Disse calmamente.
— Deixa que eu refresco a sua memória. Você me perguntou como sabia se estava apaixona... — Fui rapidamente calada pelas mãozinhas molhadas, ela quase saindo da piscina para me alcançar. Ergui uma sobrancelha para os seus olhos ocres arregalados.
— Natália, por favor, agora não.
Me livrei de suas mãos bufando. — Chata. E para de olhar para a minha bunda, Levi.
— Hm? Eu não estou olhando para a sua bunda!
Uma risadinha alta. — É uma bela bunda.
Eu olhei o terrível casal por sobre o ombro apenas para sorrir para Brenda. — Obrigada, linda. — E erguer meu cotoco para o Trindade.
— Nat, entra, por favor — choramingou Eva da piscina. — Não me faz ficar aqui sozinha.
— Você entrou porque quis, lide com suas escolhas — sorri ao redor da boca da cerveja.
— Você é tão má. Oh, olha quem chegou!
— Sales! — Urrou o gêmeo ao meu lado, seguido de várias outras vaias comemorativas logo atrás, seu borrão se levantando tão rápido que, ao julgar pelo grito indignado de Brenda, ele quase a derrubou.
Eu engasguei com a bebida, tossindo e xingando enquanto rapidamente deslizava para a piscina tomando todo o cuidado que a pressa deixava para não derrubar o celular de Eva ou molhar o meu cabelo. Ela me olhou completamente confusa quando me viu dentro.
— O que? — Joguei um cachinho úmido por sobre o ombro. E tossi de novo. — Eu sou tímida. — Fitei as curvas generosas e de aparência macia de Brenda olhando confusa o tumulto ao fundo, onde Sandro cumprimentava todo mundo, e tossi mais uma vez, quase desesperadamente. — Brenda! Eva tem razão, a piscina está uma delícia, entra!
Ela me olhou ainda confusa, então deu de ombros e entrou num salto drástico levantando tanta água que eu me arrependi no mesmo momento, tentando inutilmente proteger o coque em minha cabeça com meus antebraços pingando. Olhei para Eva com ódio logo depois. Ela apenas deu de ombros com um olhar afetado.
— Você não pode me culpar por isso.
Ah, eu podia. Mas...
— Quem é aquele? — Perguntou Brenda depois de emergir ao nosso lado, o cabelo loiro escurecido pela água.
— Sandro. — Pigarreei. — Sales.
— Ele até que é bonito. — Ela inclinou um pouco a cabeça. — Sempre achei que coreanos tivessem cara de neném. Mas Sales não.
Eu e Eva nos olhamos e reviramos os olhos.
— Na verdade, ele não é coreano. A descendência dele é chinesa.
— É bem nítido. — Completei firmemente.
— Que diferença tem? — Brenda deu de ombros. — Parecem todos iguais para mim.
— Não são. — O sorriso de Eva foi duro.
— Depois não fica puta quando eu te chamar de loira odonto VillaMix.
O queixo de Brenda caiu. Antes que ela pudesse falar qualquer coisa, um par de canelas fortes apareceram na borda da piscina. Era Lótus, de cara amarrada e ainda com o paninho rosa no ombro nu, segurando uma tábua de madeira. O curativo branco em seu nariz – presente de Levi, junto com o canto do lábio inferior partido sob uma crosta dura e vermelha de sangue seco – combinava com a bermuda que usava.
— Trouxe pão de alho. — Disse olhando para mim. Eu ergui as sobrancelhas. — E linguiças. — Terminou se virando para Eva, o vinco entre as sobrancelhas se aprofundando. Eu duvidava que fosse por causa do sol.
— Obrigada. — Estendi os braços para pegar a tábua que ele estendeu, colocando-a no chão com cuidado.
Eva se aproximou rapidamente e... Brenda saiu da piscina a passos duros, jorrando água para todo o lado e para cima da comida. O franzir de cenho de Lótus na direção dela foi mais espontâneo.
— O que foi isso?
— Racismo. Tá explicado o porquê eu não conseguia me dar bem com ela. — Eva murmurou, se iluminando ao ver o barbecue. — Ah, eu amo esse molho. — E não demorou em afundar um dos pedaços picados de linguiça nele e enfiá-lo na boca, gemendo de prazer de olhos fechados enquanto mastigava. — Muito bom. — Ela lambeu os dedos em seguida, nada sensual, apenas limpando o molho que havia escorrido. Mas Lótus parecia hipnotizado com a cena mesmo assim.
Segurei o riso enquanto pegava um pão de alho, quase queimando os dedos, mas me achando por já ter sacado tudo. Quando mordi, o queijo se estendeu e eu me esforcei para não fazer uma cena igual Eva.
— Porra, isso está muito bom.
— Posso experimentar?
Eu quase me engasguei de susto outra vez ao ouvir a voz rouca de Sandro. Ele sorriu enquanto se agachava ao lado de Lótus de pé, vestindo regata cinza indecentemente cavada nos lados até as costelas e bermuda branca.
— Eu vou voltar para a churrasqueira. — Murmurou Trindade, saindo apressado, e Eva apenas continuou a beliscar as linguiças, nem ligando quando Sandro bagunçou seus cabelos molhados e reviveu os cachos.
— Pode. — Gesticulei com indiferença treinada para a tábua repleta de comida, tentando ignorar as borboletas no meu estômago em êxtase com sua presença.
Mas Sandro apenas pegou meu cotovelo e capturou com a boca o resto do pão de alho que segurava, arrastando os lábios macios e enrolando a língua habilidosa pelas pontas dos meus dedos antes de beijar a palma da minha mão enquanto mastigava sorrindo com os olhos, os músculos da mandíbula trabalhando lindamente.
Meu estômago se apertou e eu não pude evitar o rubor em minhas bochechas. Eu rolei os olhos e limpei meus dedos na sua camisa, apreciando o peito forte me cumprimentando por baixo.
— Bruto.
Ele sorriu depois de engolir. — Pensou sobre o que eu te falei?
— Sim.
— Então?
— Não.
Seu sorriso morreu.
— Por que? Hoje é sexta.
— E eu preciso levantar cedo amanhã para receber minha nova colega de quarto. Sem falar que tenho prova semana que vem — peguei um pedaço da linguiça e mergulhei no molho. — Não posso ficar saindo o tempo todo, sabia? Mas chamei vocês essa tarde para compensar a noite, já que sei que me amam muito e tudo mais.
Sandro apenas bufou, jogando mais um pão de alho para dentro e mastigando bruscamente.
Ele havia me chamado para ir à outra Elite – essas festas realmente aconteciam todo o fim de semana. Me chamado para ir com eles. Era demais. Toda a história de dívidas e traficantes havia ressuscitado em mim um medo quase irracional junto com os pesadelos. Eu não conseguiria ficar em uma festa tão perto desse tipo de gente. A semana havia passado com todos os meus dias repletos de três rostos idênticos, olhos de mel e Sandro e almoços compartilhados para onde eu arrastei Victória comigo em todos. Apesar de eu realmente ter prova semana que vem, eu também estava me sentindo muito...
Era difícil explicar. Era um sentimento amargo que vinha toda madrugada várias horas depois que trocávamos "boa noite" e toda manhã que eu enrolava para responder o seu "bom dia", mas ficava encarando a mensagem com olhos ardendo e coração perigosamente quente. Eu estava me sentindo feliz e segura. Feliz e segura demais. Sabia que isso tinha prazo, que nada era para sempre, muito menos para mim. Eu precisava me controlar para não terminar tudo o que mal havia começado, porque sabia que iria sofrer ainda mais se fosse Sandro quem colocasse um ponto final nisso ou de repente aparecesse com outro alguém.
Quando eu tentei explicar isso para Victória, ela apenas piscou em completa confusão e disse: — Sorte que o seu psicólogo volta de férias na sexta feira que vem.
E Enila também vinha se tornando insuportável em suas tentativas de me fazer visitar a mamãe, muito perto de me convencer a visitar o hospital no domingo com ela. Eu já podia sentir os indícios de uma crise de ansiedade ondulando nas espreitas, se aproximando lentamente a cada hora que passava.
— Por que isso soa tanto como uma desculpa? — Acusou Sandro.
Porque era, para que eu não tivesse que contar os verdadeiros motivos por trás.
Dei de ombros. — Eu também não sou muito chegada à festas. — Era verdade. — Pelo menos não as festas como a sua. Uma vez e outra, tudo bem. Mas eu prefiro coisas mais leves.
Como aquele churrasco na casa de Bruna, por exemplo. Havia quase gente demais, mas eu conhecia todos os rostos, mesmo que não falasse com alguns. Eu também normalmente não notaria a ausência de Luís, mas agora que tinha uma boa ideia de onde ele estava quando não era com os Trindade, ficava impossível não associá-lo à minha irmã imediatamente.
— Então, — Eva se intrometeu, mastigando e já segurando outro pedaço próximo à boca. — vocês estão tendo um caso agora?
Eu estava esticando a mão para pegar mais pão de alho e tive que soltar uma risadinha histérica para disfarçar quando quase estanquei no lugar. — Como assim?
— Vocês estão muito próximos.
Eu não sabia se queria que as pessoas soubessem sobre eu e Sandro. Eu não sabia o que havia entre eu e Sandro.
— Estamos — assenti olhando para Sandro. Ele piscou e assentiu rapidamente.
— Nossa amizade evoluiu sem a gente nem perceber. — Ele complementou. — Mas sim, Eva, se é isso o que está perguntando, estamos ficando.
Eu arregalei os olhos, socando seu joelho. Sandro apenas deu de ombros, rindo fraco do gritinho de Eva.
— Eu sabia, eu sabia! Isso parece bem... inesperado, olhando de fora, mas me acostumei com vocês. Eu sabia que ia acontecer desde o início.
— Não é nada demais. — Abri um sorriso sem graça.
— Claro, claro. — Eva abanou em descaso, então se virou para Sandro. — Levi vive comendo ela com os olhos. Ele estava secando a bunda dela agora há pouco.
Vi de relance o sorriso de Sandro azedar antes de eu enfiar o rosto entre as mãos. — Oh, Deus.
— Levi vive secando todo mundo. E olhe para Natália, como eu posso culpá-lo? Não há nada com o que se preocupar.
— Uhum, uhum. — Eva anuiu, pensativa. — Vocês vão namorar?
— Namorar? Você vai namorar Pascoal? — Atirei, horrorizada com a direção daquilo.
— Ah, definitivamente não. — Ela riu. — Não é desse jeito. Eu não estou ficando com ninguém, mas não ligo se ele quiser ficar com outras pessoas e nem ele ligaria se eu ficasse. É só diversão.
— Bom, boa escolha. Sabe o que namoros dão? Chifres. — Joguei água em sua direção, e ela xingou quando a linguiça que segurava caiu na água.
Eu mal tive tempo de rir, porque Sandro se levantou e saiu andando. Eu engoli em seco, mas não fui atrás dele.
✹
Era mais tarde do que eu planejava quando subi o elevador sozinha para o apartamento, mas não tão tarde assim. Eu pensava que tomar banho na casa de Bruna e voltar limpa e satisfeita me ajudaria em agilizar meu tempo para estudar, mas apenas me deu sono. Tentei calcular o quanto eu me atrasaria se deixasse tudo para fazer amanhã, que já seria um dia corrido o suficiente, quando as portas se abriram no meu andar. Saí tampando um bocejo com a mão e parei imediatamente quando vi Flores – o maconheiro de Victória e cliente do traficante de Sandro – sentado em frente à porta do meu apartamento.
— O que foi, pivete? — Chutei sua canela, odiando o medo que senti. Victória passaria a noite na casa de Bruna novamente e eu ficaria sozinha. Até entrar e pegar uma faca, eu mesma já teria sido esfaqueada. Os vizinhos nos odiavam demais pelo barulho, então eu duvidava que eles fossem achar que qualquer grito seria real. O elevador já havia descido. A escada de emergência era um filme de terror. Eu me sentia meio claustrofóbica.
— Ah, oi. — Ele se levantou, uma cabeça acima da minha, mas magro como um poste. Por que esses moleques eram tão altos? — Eu vim falar com você.
— Não quero sua maconha, vaza daqui.
— Nossa — Flores riu, sem humor nenhum. Ele não parecia nada com o sobrenome. Seu rosto era sardento, olheiras profundas, cabelos escuros que provavelmente não viam uma escova há muito tempo, olhos escuros injetados e meio vazios, roupas amarrotadas. Parecia um refugiado. —, calma aí, princesa. Não precisa ser tão grossa.
— Chego em casa de noite e você está plantado na minha porta há sei lá quanto tempo como um maldito psicopata e você me pede calma?
— Uou, calma, também não é assim. Somos vizinhos. Você me conhece pela Vanessa.
— Sim, você vende maconha. Muito digno. Fale logo, merda, eu não tenho o dia todo.
Flores me olhou de cima a baixo e sorriu de lado.
— É, parece que Sales tem um tipo.
Ergui as sobrancelhas. — Como é?
Aquele garoto queria ter as bolas amassadas para dentro do quadril?
— Só vim ver se a pula atrás da orelha de Rubi realmente existe.
— Você está drogado? Eu vou chamar a polícia. — Toquei meu celular no bolso traseiro, me perguntando o que fazer.
Ele gargalhou e se afastou para chamar o elevador.
— Estou sempre drogado.
— Quem diabos é Rubi?
Seu sorriso de drogado cresceu, meio louco.
— Torça para nunca descobrir.
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