42 - Amor Estranho;
"Minha sombra está sendo refletida no céu. E eu estou em pé na escuridão." RM - Forever Rain.
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A respiração estava descompensada, suor escorrendo pelo rosto, as mãos agarradas à base de ferro, Taehyung erguia o corpo sem esforço, o exercício além do intuito de manter a forma, também era um meio de acalentar os barulhos infernais de sua mente.
Haviam chego em NYC a poucas horas, deixou Jungkook no quarto que iriam dividir, em uma propriedade desconhecida pelo policial. — O voo fora tranquilo, Jeon de certa forma estava melhorando, conquanto, Kim vez ou outra fazia perguntas enquanto analisava o mais novo, temia que a consciência estivesse retornando, que seus planos pudessem engatilhar certa frustração e acabar ter que matá-lo antes do previsto.
Secando o rosto com uma toalha, o moreno pegou uma garrafa d'água, estava na academia a quase duas horas, fizera diversas sessões antes de deixar o boxe por último. O celular vibrou em cima da cadeira, pelo ecrã leu a mensagem, a raiva o fez grunhir e jogar o celular, levando o objeto a se chocar contra a parede e cair estilhaçado.
— PORRA! — Yoongi havia fugido, pela informação não estava sozinho. — Filhos da puta. Inúteis. — Grunhiu, as mãos tremiam e o ar passou a lhe faltar.
Tinha que fazer algo, ou ao menos atrasá-lo, portanto mandou outra mensagem em outro celular, ordenando que ficassem de olho e qualquer coisa intervir no que quer que tenha trago Yoongi até ali, juntou as coisas para sair da academia, deparou-se com Jungkook, olhando-o quieto, sua camisa o cobria até as coxas, os cabelos maiores chegava um pouco abaixo das orelhas, logo chegaria aos ombros.
— Há quanto tempo está aí? — Odiou-se pela arrogância na voz, no entanto, estava nervoso e não conseguia controle quanto a isso.
— Cheguei agora, estava te procurando.
— Tomou café?
— Uhum.
— Comeu?
— Sim.
Taehyung caminha até o mais novo, acariciando o rosto quente e corado, tirando uma mecha escura que caia no rosto tão bonito, as orbes escuras ainda mantinham-se opacas, escondendo a galáxia que há dentro deles.
— Quer alguma coisa?
— Só você. Não me deixe sozinho. — Manhou, o abraçando.
Foi pego no colo e levado para área aberta da propriedade, a piscina já estava logo à vista, a vegetação verde bem aparada cobria todo o local, Jungkook foi posto em uma das espreguiçadeira, o calor do sol era bem vindo, junto ao ar fresco.
— Fique um pouco aqui, volto já, preciso de um banho e fazer algumas ligações.
— Tá bom.
— Vou trazer alguns empregados para cuidarem de tudo, certamente terei de sair em algum momento então eles estarão aqui para que não se sinta só.
Jeon assentiu, observando o mais velho sumir de vista, e ali sozinho ele encarou a piscina, tanto que sua visão desprendeu-se e sua mente o deixou quase inerte de novo. — Perdido em pensamentos nebulosos e quase impossíveis de ordenar.
No quarto, Taehyung saia do banho com a toalha em volta do quadril, vestia-se à medida que conversava no celular que foi deixado no viva voz enquanto se arrumava, era inadmissível que matar Yoongi seja tão complicado, e por vias dúvidas ordenou que a ficha de todos lhe fosse entregue até o escurecer. Tinha de saber com quem estava lidando e como iria prosseguir.
Voltando a piscina, encontrou Jeon do mesmo jeito, o corpo petrificado e olhar distante, ao se aproximar, Kim sentiu um aperto ao notar as lágrimas escorrerem dos olhos, o nariz vermelho, preocupado, se sentou e procurou trazê-lo de volta sem o assustar, era perigoso em meio a tais circunstâncias, então tocou sua mão, acariciando a pele fria, e esperou, até o ver piscar algumas vezes e voltar a realidade na qual não permanecia com tanta frequência.
— Está tudo bem? — Perguntou, avaliando cada expressão e ação.
— Sim, só estava distraído.
— Que tal sairmos um pouco? Há uma exposição de produtos eletrônicos que acredito ser do seu interesse. Ficar muito tempo aqui pode piorar sua saúde, e não quero que se sinta preso.
— Vamos mesmo? — Animou-se. — Que horas?
— As quatro. Depois da exposição podemos jantar e quero levá-lo a outro lugar.
Jungkook sorriu, beijando rápido, estava eufórico, levantou e saiu para se aprontar, Kim permaneceu, acendeu um cigarro e organizou seus pensamentos, planejando tudo para executar com eficiência. O temor pelo fim de tudo ainda tirava seu sono, aliás, dormir era uma tarefa complicada, por isso a irritação era palpável.
Tinha de haver alguma forma de impedir o futuro que parecia estar às portas, de modificar sentimentos e bloquear aquela ânsia e fome pelo garoto que ainda permanece no trauma.
Decidido a tomar uma bebida, tratou de ir até a adega, colocando duas pedras de gelo no copo antes do uísque, pelo silêncio optou a procurar por Jungkook, subindo as escadas até o andar superior, os sapatos vintage causando ruídos no piso de mármore negro, a porta branca estava entreaberta, a voz melodiosa cantava baixinho, abrindo um pouco mais teve o vislumbre da silhueta alheia passar as roupas que usaria dali a pouco, a música era desconhecida para o mais velho, mas para ele parecia familiar.
Foi uma noite bem solitária
Num piscar de olhos
A escuridão sumiu
Florescendo sob a luz do Sol
Memórias comigo e você
Deixando o copo já vazio, Taehyung deixou-se ser ouvido, a música encerrou, trazendo um largo sorriso bonito no rosto do garoto.
— Onde ouviu essa música? — Sondou.
— Não sei. Apenas comecei a cantar, fazia tempo que eu não lembrava dela. Acho que eu escrevi, não sei. Um dos outros sonhos de quando era jovem era ser um idol. — Explicou. — Deve ser por isso que comecei a cantar, me senti nostálgico. — Encerrou.
— Canta muito bem, um anjo. Poderia cantar ela para mim depois?
— Claro.
Kim manteve a expressão tranquila, envolvendo-o em seus braços para beijá-lo com fervor. As mãos destes acariciavam seus cabelos, apertando nas mãos, ofegando contra seu lábio.
— Jungkook.
— Desculpe, me empolguei. Vou tomar um banho. — Correu sem esperar uma resposta, estava envergonhado e não precisou olhar para seu rosto para constatar.
Taehyung suspirou, olhando para cama bem arrumada, ansiando por um bom descanso, fazia semanas que não ia até sua cobertura naquele prédio abandonado.
Fazia tempo que pareceu perder o controle da situação e isso era frustrante, tanto que quis quebrar tudo ao redor, embriagar-se, mas não o fez, apenas ficou na sacada do quarto, fumando, esperando pelo garoto.
Não estava em seus planos voltar aos Estados Unidos, na verdade, ele nem pretendia voltar.
Jungkook saiu do banheiro já vestido, o conjunto branco junto a uma blusa de tricô cor creme quase maior do que seu número habitual combinou perfeitamente.
— Está lindo.
— Obrigado. — Sorriu.
Realmente um anjo. Pensou o mais velho, apagando o cigarro e voltando ao quarto.
— Vamos almoçar fora também. Melhor. — Optou já que sua mente o forçava a tomar o garoto e fazer com ele tudo que fosse possível.
— Uhum. Leva minha bolsa?
— Para que está levando isso? — Retrucou, segurando a alça com o indicador.
— Para que sim. Leve.
Kim sorriu dando-se por vencido, juntos saíram do quarto, Taehyung havia pego o sobretudo e chaves do tesla preto, a carteira já estava no bolso interno e chegou mais uma vez o celular, vendo ali o arquivo que tanto esperou mas que veria só ao voltar para casa, quando Jungkook estiver dormindo.
Ambos jantaram num restaurante charmoso e barato a pedido do garoto, conversavam sobre diversos assuntos e Taehyung se sentiu à vontade para ser quem era a anos atrás. A sobremesa foi brownies com sorvete de chocolate, Jeon se animava com pouca coisa e isso tirava risos sinceros do mais velho. Passearam a pé até o parque, as mãos unidas e carinhos trocados sem se importar com os olhares tortos e murmúrios preconceituosos, ficaram naquele momento único até o horário da exposição.
Taehyung não sabia como descrevê-lo, como cada item ali exposto era uma descoberta e uma memória bonita para o garoto. Os olhinhos brilhando com os objetos, a rapidez com que explicava cada um, como a euforia o deixavam acelerado, como uma criança desbravando um mundo gigante. Era lindo de ver.
E mais uma vez Taehyung estava enfeitiçado pelo policial, que a cada vez se apaixonava perdidamente e dolorosamente por ele.
— Tae. Olha. Olha. — O puxava até outro objeto, um robô de quase três metros de altura. — É legal né?
— Sim.
— Já fui em uma exposição de ciências na época da escola. Havia feito uma bateria renovável através de luz solar.
— Interessante.
Permaneceram até o fim da exposição, Taehyung havia comprado algodão doce a pedido do mais novo assim que saíram e um homem passou vendendo, seguiram para o último passeio antes do jantar.
Taehyung ficou em silêncio, a feição inexpressiva e olhar atento, ao seu lado, Jungkook olhava as ruas passarem como um borrão, o veículo era tão silencioso que quase não sentia-o se mover.
— Planetário? — Perguntou sorrindo, os olhinhos brilhando. — Sempre quis vir.
O local estava vazio, demorou para o moreno compreender que Kim havia feito aquilo, que havia alugado todo o local justamente para levá-lo e ter privacidade com o mesmo. Numa sala imensa semelhante a um cinema, foi exibido o espaço, as milhões de estrelas, planetas e a lua, Jungkook chorou pelo fascínio e Kim captava tudo para guardar em sua memória, pois sabia que aquilo tudo teria um fim que não seria eterno.
— Isso é tão lindo, meu Deus! — Elogiou choroso.
Ambos estavam deitados, olhando tudo aquilo com esplendor, podia-se imaginar estando lá, num foguete espacial, flutuando na gravidade zero e contemplando o universo que era tão infinito e vasto que a Terra chegava a ser insignificante.
— Porque trouxe-me aqui?
Taehyung segurou seu rosto, limpando as lágrimas silenciosas, a paixão o levaria à ruína.
— Quero que se lembre de tudo isso. Do quanto seus olhos são lindos como este espaço mostrado a nós. De que carrega uma galáxia em seus olhos Jungkook. — A voz grossa vinha repleta de sentimentos. — Saiba que estou perdidamente apaixonado por você e se um dia isso acabar, lembre-se disso. Guarde isso com você.
— Tae, eu...
— Não precisa me dizer. É melhor que eu não saiba. — Beijou-o com ternura.
— Mas eu... — Foi silenciado com outro beijo.
— Está tudo bem, anjo.
Kim o abraçou, em silêncio ficaram ali por minutos inteiros, engolindo palavras que deviam ser ditas e ações que mereciam ser compartilhadas, todavia, o silêncio era a melhor escolha, evitaria dores maiores quando tudo vier à tona.
Às sete e meia após o jantar estavam retornando, Jeon dormia ao lado e Taehyung dirigia, deixando o choro vir e a raiva queimar em seu corpo. Sentia-se esgotado, a saudade do Jimin doía nele junto a culpa e arrependimento do que fez.
Ter culpa não era louvável, ainda que fosse o básico do ser humano, Kim odiava, não queria aquilo e não teria. Faria o que for para não sentir.
Guardando o carro na garagem, tomou cuidado ao pegar o garoto no colo e levá-lo para o quarto, pelo que o conhecia, acordaria dali uma hora, tinha tempo para ver o arquivo e fazer algumas anotações.
Depois de um banho rápido para relaxar, vestiu uma boxer branca junto a um moletom preto, a casa estava bem aquecida então não iria precisar de camisa. No escritório ligou o Macbook, conectando o celular ali e baixar o arquivo, o álcool era o único meio de o fazer ficar acordado. Quando a pasta carregou, ali no monitor mostrou a ficha de todos eles, e o de Yoogi o chamou a atenção, enquanto lia o tremor veio e os palavrões soaram.
— Filho da puta. — Esmurrou a mesa de madeira.
De copo em copo o álcool o tornou mais frágil e calmo, tudo aquilo seria difícil, ter de lidar era exaustivo, chegou a sentir vontade de gritar verdades, ou apenas atirar em sua própria cabeça.
Seguindo cambaleando para o quarto, a visão ainda que turva permitiu-o ver Jungkook já banhado, usando apenas uma camisa grande e larga.
— Tae?
Avançando contra ele, Jungkook se segurou quando seus lábios foram capturados com raiva, a brutalidade tirou seu fôlego, arrancando de si um gemido alto e ansioso. Taehyung o encostou na parede antes de pegá-lo no colo, o gosto da bebida forte se espalhou na língua do mais novo.
— Taehyung! — Gemeu, puxando os cabelos escuros e sedosos, deixando seu pescoço acessível para o mais velho lamber e chupar enquanto o apertava, instigando a excitação.
A pouco de roupa que vestiam foi tirada, Taehyung se sentou na cama com ele em seu colo, apertando sua bunda, ordenando que movesse em seu pau, que se esfregasse nele.
— Ah! Tae. Quero montá-lo. Dói. — Choramingou, o membro duro e o frio que sentia no estômago o fez sussurrar em pedido desejoso para ser preenchido pelo mais velho.
— Vem. Monta. Cavalgue em mim, amor.
Segurando a ereção alheia, fechou os olhos ao posicionar em sua entrada e se penetrar devagar, ambos gemeram em uníssono, os dedos do mais velho apertavam a cintura pequena, enquanto sua língua brincava com o biquinho duro do mamilo esquerdo, intercalando entre um e outro.
— Meu Deus! — Agarrou os ombros largos, cravando as unhas curtas ali, se movendo para cima e para baixo, rebolando, contraindo e suspirando deleitoso pelo sexo quase desesperador.
— Quica nesse pau, amor. Dá gostoso para mim. — Bateu em sua bunda com força, o estalo o fez gritar e puxar os cabelos do mais velho.
Taehyung encostou as costas na cabeceira da cama, acendeu um cigarro e admirava seu garoto sentando, se acabando no seu caralho, cada gemido era uma fisgada em seu ventre, a fumaça rodopiava no ar, as portas da sacada estava aberta e naquele quarto o ato cru do pecado era exibido.
Jungkook chorava de tesão enquanto Taehyung em seu posto intimidador suspirava forte, tragando o cigarro e o olhando com tanta devoção, como um deus maligno sendo adorado no prazer que proporciona ao parceiro.
— Vou gozar. — Avisou trêmulo.
O cigarro foi jogado dentro do copo d'água que estava ali na mesa ao lado, agarrou a cintura e o jogou na cama, levando as pernas até seus ombros antes de agarrar o pescoço e meter com força.
— Goza. — Ordenou, movendo o quadril, estocando com força.
Jungkook arqueou o corpo, agarrando os lençóis, lutando para não perder a visão profana de Taehyung o fodendo como um demônio faminto.
— Vem para mim. Goza para mim. — Abriu as pernas mantendo-se entre elas.
Segurando o pau negligenciado passou a massagear enquanto metia o pau sem dó no buraquinho apertado do garoto.
O prazer veio num grito mudo, a porra jorrou no abdômen liso, escorrendo na pele alva, ainda sim, continuou investindo, gemendo, tirando o segundo que gozou, misturando seu líquido ao do moreno.
Exaustos, Jeon o beijou, chupando seu lábio inferior, mordendo e lambendo antes de dizer que o amava.
Era um amor vazio.
Não era um sentimento cultivado e sim plantado.
Era falso.
Taehyung não respondeu, devolveu o beijo antes de ir banharem em minutos apenas para se livrar do suor, do cheiro de sexo. Os lençóis foram trocados e juntos deitaram na cama.
Jungkook dormiu alguns minutos e no silêncio esmagador Taehyung engoliu o nó na garganta e o abraçou.
Amanhã daria um jeito de conter aquela sensação grandiosa que ameaçava engoli-lo.
Seria mais um dia.
Um maldito dia vivido em mentiras e omissões.
Tudo iria acabar em breve.
:)
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