25 - Um Drink no Inferno;

"A dor não é ruim. É bom. Ele te ensina coisas. Como quando você coloca a mão no fogo: Ai! Você sabe que não deve fazer isso de novo." Charles Manson.

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- Por favor! Sejam educados com ele. - Jimin avisa para os amigos que estavam na sala, esperando pela visita que estava subindo.

A mesa de jantar estava linda, a música ambiente, tudo bem confortável, sem contar os amigos ansiosos para ver o moreno de quem Jimin havia dito noite atrás.

Jeon esperou junto ao namorado, afinal é seu aniversário, então tem que receber Kim, para não tornar tudo ainda mais desconfortável.

A campainha tocou, um por um ajeitou a postura, segurando o riso, Park abriu a porta, Taehyung sorriu, as roupas como sempre elegantes, os cabelos negros bem penteados, o cheiro gostoso que emanava deste.

- Boa Noite. Espero não ter demorado. - Diz, seu olhar rumou direto para Jeon. - Feliz aniversário, Jungkook.

- Obrigado, por favor entre.

Kim entrou, com seu ar imponente, parecendo ser o dono, o rei de um império.

- Trouxe para você. - Avisou, entregando uma sacola preta ao anfitrião.

Jeon sorriu agradecendo, abriu com cuidado, tirando da garrafa a garrafa de whisky mais caro do mundo; os convidados arregalaram os olhos, The Macallan M 2018 700ml jazia nas mãos do policial, a garrafa junto a garrafa era impressionante, o acabamento, claramente o gosto deve ser quase celestial.

- Caralho! Este whisky custa sessenta mil. - Hoseok quem diz, maravilhado.

- Nossa. Não precisava ter gasto tanto Taehyung.

- É um bom presente. - Diz simplista.

Os olhares voltaram ao convidado, Jimin evitou lembrar do quão íntimo era do moreno, pigarreou chamando a atenção.

- Galera, este é Kim Taehyung. - Apresentou. - Taehyung, estes são nossos amigos. - o mesmo cumprimentou um por um, ouvindo os nomes e os memorizando.

- É um prazer conhecê-los.

- O prazer é nosso. - Seokjin quem responde, sempre amigável e mais sociável.

Yoongi o estudava de forma sorrateira, ao cumprimentar Kim com um aperto de mão, sentiu um frio percorrer seu corpo, uma sensação esquisita, um frio tão intenso que chegou a queimar seus ossos, se embrenhando por seus órgãos, entretanto, não esboçou reação alguma, sorriu curto e se afastou, permanecendo ao lado do marido.

- Vamos jantar?

Todos assentiram, os sete se acomodaram na mesa, Kim ajudou a servir a todos, a conversa começou amena, Taehyung olhava atento, em silêncio, havia recusado gentilmente o jantar, mas não a bebida.

- Jiminie nos disse que você é um homem importante. - Seokjin começou a dizer.

- Sim.

- No que exatamente?

Kim sorriu, movendo o copo devagar sobre a toalha branca da mesa farta.

- Dono de empresas. Herdei quando era mais novo. - Respondeu.

- E quantos anos tem?

Namjoon olhou para o marido a fim de repreendê-lo por tais perguntas, Jeon e Jimin perceberam ali, que nunca perguntou sobre isso ao moreno, Hoseok comia em silêncio e Yoongi estava atento como uma águia.

- Tenho quarenta.

Os talheres pararam de se mover nos pratos, Jungkook arregalou os olhos e Park não estava diferente, a surpresa foi a mesma para todos, principalmente o casal. - Taehyung sorriu fraco, adorando a atenção que recebia.

- Meu Deus! Não parece. - Seokjin comenta.

- Obrigado. - Terminando sua bebida, prosseguiu. - E vocês? Qual a profissão?

- Sou perito criminal. - Seokjin responde.

- Sou delegado. - Namjoon diz orgulhoso.

- Eu e meu marido somos policiais investigativos, igual ao Jeon, entretanto fazemos parte da equipe forense também. - Hoseok quem diz, antes de beber do vinho tinto suave.

Taehyung alargou o sorriso pela surpresa interessante, estava rodeado de oficiais, o qual irônico isso é? Questionou mentalmente, mantendo a feição neutra.

- Pelo visto, Jimin é o único que seguiu algo diferente.

- Nosso príncipe sempre quis ser modelo fotográfico, sua beleza é extraordinária. - Seokjin volta a dizer, sorrindo para o loiro com carinho e zelo. - Combina muito com ele.

Sempre combinou, desde novo.

Kim sorriu. - Concordo plenamente. - Seu olhar se manteve por apenas segundos no menor, as bochechas estavam coradas, timidez, algo que não visão do mais velho, era fascinante.

- Todos estudaram juntos? Cresceram juntos também? - Sua pergunta, ainda que inofensiva, por trás sondava, sorrateiro como uma maldita cobra.

- Sim e não. - Jungkook finalmente se pronuncia. - levou certos meses até que todos nós nos conhecêssemos, mas depois, nos tornamos inseparáveis, fizemos planos e etc...

O jantar se encerrou, o marido do delegado junto aos outros ajudou o loiro a retirar a mesa, a sobremesa foi posta na mesa junto a um bolo de aniversário com algumas velas, enquanto cantavam parabéns para o policial, Yoongi olhou para um ponto que chamou sua atenção, por estar perto dos outros não ousou se aproximar, mas iria.

Mesmo a sala sendo pequena, acomodou todos, garrafas de bebida estavam na mesinha de centro, Jungkook ao lado do namorado ria das piadas ruins de Seokjin, histórias de infância foi contada, até chegar nas cerimônias de casamento e no desastre que ocorreu em um deles.

- Juro. Estava tudo certo para dar errado nesse dia. O carro quebrou, o cerimonialista sofreu acidente, choveu pra caralho e a maioria dos convidados não compareceu. - Hoseok contava rindo. - quase desistimos, entretanto, Yoonie conseguiu ajeitar tudo, não fazia ideia de que tínhamos um segundo cerimonialista, no fim, os mais importantes estavam e conseguimos seguir com o casório. No escuro porque a energia acabou.

Taehyung assustou-se por estar rindo, sentindo-se estranhamente à vontade.

- Não vamos esquecer da sua prima dando em cima do meu marido. Aquela safada. - Jin complementa, arrancando risos alheios.

- O que dizer sobre? Seu marido parece uma geladeira Electrolux duas portas. Obviamente arrasaria corações. Até minha vó queria ele. - Jung o lembra e Jin franziu o cenho, Namjoon depositou um selar nos cabelos negros deste.

Yoongi ficou de pé, rumou até o quadro que jazia acima da tv, ergueu um pouco mais o corpo, passou os dedos por trás do quadro, sentindo algo ali, segurou e puxou uma pequena bolinha preta.

- Jeon. - Chamou sério, e todos olharam para o platinado. - o que essa escuta estava fazendo atrás do quadro?

Jungkook fechou o semblante, indo até o amigo. - Que porra é essa? - questionou nervoso.

Taehyung não esboçou reação, seu corpo fervilhava de raiva; os outros logo ficaram de pé.

- A quanto tempo essa porra tá aí?! - Sua voz subiu uma oitava.

- Pela poeira, está a um bom tempo, e funciona. - A luzinha vermelha piscava.

- Como você viu isso? Cacete. - Seu marido se pôs ao lado.

- O quadro estava mal posto, não pensei que teria algo ali.

Namjoon trincou o maxilar, puxando Jin para perto.

- Se esse está aqui, então tem mais. - Min avisa, o olhar frio como de um gato.

Gato. Ele literalmente era.

Taehyung olhava a situação com certo desdém, cada um pressupondo algo, uma teoria a respeito daquela escuta, e quem podia estar ouvindo o que se passava ali.

- Então vamos procurar. - Jimin anuncia, tremendo, com medo do que aquilo pode resultar no fim.

- Vamos nos espalhar e procurar, aqui não é tão grande. - Hoseok diz, deixando o copo junto as garrafas.

- Não precisa ser no apartamento inteiro. - Namjoon murmura. - Quem colocou, foi específico, colocou em lugares onde estratégicos. Este aparelho é de vigilância, é coisa cara, então tem longo alcance.

- Se um tá aqui. Pode ter outro no corredor e quarto. - Jungkook sussurra, contendo o nervoso, o pavor que sentia.

Sua mente o fazia lembrar do sequestro, do pânico ao ver Jimin ferido.

Hoseok e Jin foram para o corredor, Namjoon e Jungkook foram para o quarto, para procurar, Jimin se sentou no sofá, o olhar perdido, o corpo todo tremendo, Yoongi em silêncio se aproximou, servindo uma dose de whisky e entregando ao loiro.

- Fique calmo Jimin. - A voz pesada soou baixa.

Taehyung não soube o que fazer, portanto, permaneceu em silêncio.

- E se for alguém que vai nos machucar? Ou algum antigo morador pervertido deixou aqui? Por Deus, ele nos ouviu, todo esse tempo? - A vergonha o invadiu, cogitar a hipótese de que alguém ouvia ele e seu namorado transando e trocando confidências era horrível. - Me sinto violado. - A voz embargou, lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto angelical.

- Ficará tudo bem Ji. - Yoongi massageou as mãos miúdas, tentando passar alguma segurança ao menor.

Os outros voltaram, com mais duas escutas, Jeon os pegou colocando num copo e enchendo d' água, respirar parecia difícil, a raiva lhe cobria e o pânico ameaçava tirar seu ar, tirar sua sanidade. - Jin tocou seu ombro, preocupado com o amigo.

- Vocês não podem ficar nesse apartamento. Pode haver algo a mais aqui. - Namjoon ainda que sério, sua voz gélida foi neutra.

O silêncio foi brutal, toda a atmosfera tranquila e convidativa mudou para algo pesado, quase insustentável. Kim suspirou devagar e ficou de pé, do seu jeito elegante.

- Tenho mansões, posso ceder uma a vocês sem problema.

Os seis pares de olhos foram direcionados a si, a agonia queimava nos olhos de Jimin, e nos de Jeon, o fogo era diferente, numa tonalidade negra, ameaçadora, ansiando para transformar em cinzas o dono daquele equipamento de vigilância.

- É uma boa ideia. - Namjoon quebra o silêncio.

Jimin correu para abraçar o namorado, chorando alto e tremendo de desespero, afinal, este não foi o único a lembrar do dia maldito no qual foi submetido. - O policial o abraçou com força, confortando-o.

- Obrigado Taehyung. Mas não queremos atrapalhá-lo com isso. - O timbre do moreno foi rude, ríspido e agudo.

- Ainda sim, insisto. Por favor!

- Eles aceitam. - Seokjin intervém.

- Façam uma mala pequena. Para irmos. - Kim anuncia severo. - Há quartos para todos vocês, então podem ir também, creio que eles ficaram mais confortáveis com os amigos por perto.

Os três casais assentiram, Yoongi e Namjoon saíram para pegar as coisas no hotel, Jin puxou com calma o loiro assustado, rumando até o quarto, Hoseok com o olhar um pouco perdido os acompanhou, restando apenas Jungkook e Taehyung. - O rosto lindo de Jeon estava vermelho, os soluços foram a certeza de que segurava o choro com todo seu ser, Kim deu alguns passos em direção a ele, tocando o rosto com leveza e o puxando para um abraço apertado.

- Calma. Ficará tudo bem Jungkook. Respire por favor, irá desmaiar desse jeito. - Taehyung o segura com força, para não permiti-lo cair.

- Juro que vou descobrir quem fez isso. E o farei pagar.

O tremor que o mais velho sentiu não foi medo, foi pela promessa ter soado quase como um pacto infernal, o sotaque rouco daquele homem deixou Kim em alerta, todos os seus planos mudaram drasticamente esta noite. - Uma surpresa e tanto, pensou.

- Recomponha-se. Ainda é seu aniversário, tente aproveitar. - Taehyung afastou-o para olhar seus lumes escuros, limpando as lágrimas que umedeceram o rosto alheio.

- Tá.

Park surgiu na sala puxando uma mala pequena, Jin trazia uma consigo também.

- Kookie. - O chamou manhoso.

- Sim?

- Não fique assim tá? Vai dar tudo certo. - Prometeu, dando um beijo rápido nos lábios do parceiro.

- Yoonie ligou. Estão voltando, melhor descermos. - Hoseok pronúncia.

- Ok. Vamos. - Seokjin olhou de forma estranha para Taehyung. - Tem certeza de que está tudo bem, todos nós irmos?

- Sim.

Juntos saíram do apartamento, deixando tudo como esta, o silêncio voltou a envolvê-los. - Kim adentrou o Tesla Roadster vermelho, sendo o primeiro a sair do acostamento assim que os outros ocupavam seus respectivos veículos, seguindo-o até a suposta mansão onde ficariam.

A mansão escolhida foi onde o casal havia estado, as luzes iluminam cada canto da mansão, os convidados ficaram maravilhados com a arquitetura. - A garagem era grande o suficiente para os veículos, sem atrapalhar outros que ali estavam. Jin comentava sobre o ambiente, o quanto é apaixonado por arquitetura; Jeon retirou as malas do carro esperando por Jimin.

Todos adentraram a mansão, Taehyung manteve a expressão fechada, não sentia raiva, ao menos não ainda, mas o incômodo estava ali, como uma maldita doença incurável, deixando-o instável.

- Podem escolher os quartos e se instalarem à vontade.

- Que lugar lindo. Namu precisamos de uma dessas.

- Nem pense nisso amor.

- Insuportável. - Mostrou a língua para o marido, o sorriso largo, deixando as covinhas salientes, desmontava Seokjin, que logo tratou de subir as escadas de vidro para escolher o quarto primeiro que os outros.

Jin optou pelo quarto, a vista dava para as enormes árvores um pouco distante da propriedade. Hoseok, ficou com o quarto de frente para a enorme piscina nos fundos. Jeon e Jimin ficaram com o quarto em que estiveram pela última vez, este era ao lado do de Taehyung, gigante, espaçoso e luxuoso na medida certa, sem tirar nem pôr. - Estes davam uma visão ampla da floresta, junto a uma parte da frente da mansão.

- Jungkookie? - Park o chama receoso.

- O que foi?

- Está nervoso, não é? - A pergunta não precisava necessariamente de uma resposta. - Não fique assim, olhe para mim.

Jeon assim o fez, olhou nos olhos castanhos do menor, as mãos o puxando pela cintura, o medo os rodeava, a impotência era insuportável, Jungkook se sentia do mesmo jeito que se sentiu quando recebeu a maldita ligação do sequestrador.

- Ficará tudo bem. Eu estou bem, um pouco assustado, mas bem. Nada vai acontecer comigo amor.

- Irei me certificar de que não aconteça babe. Têm minha palavra. - Beijou os lábios cheinhos do namorado que logo retribuiu.

Leves batidas soaram na porta, ambos se afastaram um pouco, Jimin ajeitou as roupas e abriu a porta, Taehyung o olhou preocupado, na visão do loiro era preocupação.

- Posso entrar?

- Pode. Claro.

Os sapatos lustrosos e caros pisavam com leveza no piso frio branco.

- Estão bem? Fiquei preocupado com o que aconteceu.

- Iremos ficar Tae. - Jimin estava inseguro, por isto, manteve distância do dono da mansão.

- Vocês e seus amigos podem ficar à vontade. Vou para minha outra residência.

- Porque?

- Minha presença só os deixará desconfortáveis, e percebi que vocês e seus amigos são como uma família, então o conforto é melhor com eles. - Explicou.

E por incrível que pareça, foi sincero.

- Não precisa ir, Taehyung. Eles gostaram de você. - Jeon manteve-se no mesmo lugar.

- E outra, você é o dono daqui, não precisa ir, de verdade mesmo. - Jimin complementa.

- Claro. Bom, então ficarei em meu quarto. Tenham uma boa noite.

Taehyung em poucos passos já estava perto da porta, não olhou para o casal quando saiu, seguindo pelo corredor até seu quarto.

Retirando as roupas com certa brutalidade, Taehyung deixou o quarto na penumbra, precisando urgente aquietar a mente para não cometer uma burrice.

- Merda. Que droga. - Xingou.

De cueca, o mais velho abriu a porta de vidro para sacada, pegou o cigarro junto ao isqueiro, acendeu, puxando a fumaça, os cabelos negros caindo um pouco sobre os olhos, o olhar vazio e o corpo escultural recebendo o frescor do ar noturno.

Conforme fumava, seu interior acalmava, deixando-o menos desesperado, com calma refaria os planos, com mais cuidado do que jamais fizera. Após terminar de fumar, deixou a porta da varanda aberta, tomou um banho rápido, vestiu uma cueca limpa e um short de tactel cima, serviu de uma bebida ali mesmo e se acomodou na cadeira acolchoada reclinável.

Ali, na escuridão, com a luz crepuscular que vinha da lua, iluminando parte do quarto, Taehyung sorriu perverso, deliciando do líquido amargo, que descia como fogo por sua garganta, as pernas abertas, numa posição bem desleixada, mas confortável.

O horário era desconhecido, Kim não ouviu nada no corredor, terminando sua bebida, levantou a contragosto para servir-se de mais quando parou no centro do quarto, após ouvir batidinhas na porta, deixou o copo no aparador e abriu a porta, Jeon e Jimin entraram sem nada a dizer.

- O que foi? Tá tudo bem?

Jimin usava a camisa de Jungkook, o tamanho era o triplo do seu, chegava na altura das coxas grossas, sem deixar visível se há algo por baixo. Jeon estava sem camisa, e de bermuda.

- Seus amigos podem descobrir. - Taehyung avisa ao constatar a vinda deles.

Park se aproximou, descanso, olhando-o intenso, as mão pequenas deslizando por seus braços, subindo até a nuca, massageando a região quente, sentindo os fios sedosos dos cabelos escuros.

- Queremos você. Agora. - O timbre exalava autoridade.

O olhar de Kim encontrou os de Jeon, que se sentou onde estivera a segundos atrás.

- Hoje. Vou assistir, me dê este presente Taehyung.

Envolvendo a cintura fina do menor, Kim apertou com força, colando ambos os corpos.

- Com todo prazer. - Respondeu, antes de segurar o loiro e o beijar com força.

:)

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