22 - Espírito Imundo;
"Não, não há descanso para os perversos. Até que fechemos os olhos para sempre." Ain't No Rest For The Wicked - Cage The Elephant
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Em nenhuma passagem bíblica, sendo velho ou antigo testamento, Deus se refere ao diabo como Lúcifer; o único que fora mencionado desta maneira foi o rei Nabucodonosor da Babilônia, que era chamado de "estrela da manhã." — Seu nome original em hebraico é Helel que é derivado do verbo lamentar, pois ele lamenta sua queda e a perda do seu brilho.
Taehyung sorriu em desgosto ao despertar no quarto de hotel, ainda atordoado pelo consumo excessivo de álcool e drogas, encarou os corpos das mulheres que mal lembra-se de ter levado até ali.
Nú e coberto de suor, o moreno levantou-se cambaleando, rumou até o chuveiro, onde tomou um banho gelado enquanto procurava em sua mente nublada, momentos que tivera tomado pelo ódio e por sede de sangue, levando-o a matar rapidamente as duas garotas caídas em direções opostas. — Havia muito que ser feito, sofrendo uma ressaca maldita, Kim eliminaria tudo como se nada daquele tivesse sequer existido.
Vestido com as roupas da noite anterior, Kim saiu do quarto, trancando-o, a chave foi posta no bolso do jeans, a luminosidade da manhã trouxera lampejos de dores, franzindo o cenho, foi direto até a recepção, onde pagou por tudo, mentiu e deixou uma quantia exorbitante para que não dissessem nada, que apenas deixasse suas convidadas dormindo, ele logo viria buscá-las.
Pegando um táxi até a boate, Kim verificou o celular, onde num programa que colocou ali para urgência, conseguiu invadir as câmeras de segurança, apagando todo o trajeto que fizera noite anterior até o motel e agora o seu rumo a boate, não antes de pegar a placa do veículo, precisaria se livrar do taxista; em instantes estava no local, sua moto permanecia ali, intacta.
Avançando todos os sinais, Kim chegou a sua mansão mais próxima, deixou a moto na garagem, não se preocupou em trocar de roupas, apenas pegou as chaves do Mercedes preto e voltou ao motel para pegar as garotas; nem todo a maldição do mundo seria capaz de deixá-lo menos furioso, sua imprudência poderia custar-lhe absolutamente tudo.
Tudo.
As câmeras do motel foram apagadas, o veículo fora deixado no estacionamento, no quarto, tratou de jogar tudo que usara fora, limpou as digitais de absolutamente tudo que havia tocado, as garotas foram vestidas rápido, tomando cuidado para não ser visto por mais ninguém, colocou uma no carro e voltou para buscar a outra, a arma no cós da calça foi pego.
Kim colocou o silenciador e não hesitou nenhum momento ao atirar em todos os oito funcionários do local, as balas eram irrastreável, pois ele mesmo havia às feito, tudo perfeitamente arquitetado para polícia alguma o encontrar.
Cerca de quase duas horas e meia, Taehyung se sentou na cadeira, enquanto o fogo consumia os corpos das garotas e do taxista, o moreno finalmente pode descansar, sua cabeça doía como o inferno, havia tomado alguns comprimidos para dor, portanto ali esperou fazer efeito, seu rastro fora limpo por completo. Ninguém viria.
E se vier, irá desaparecer como todos as outras e outros que passaram por sua vida.
Ainda cansado, Kim saiu da câmara, subindo os lances de escada, precisava de um outro banho, trocar de roupa e comer alguma coisa, seu celular vibrou no bolso, onde uma mensagem de Jimin perguntava se ele estava bem, por alguns segundos, cogitou a hipótese de não responder, entretanto já estava respondendo sem perceber.
No quarto muito diferente de sua cobertura, onde este era mais iluminado e de cores claras, Kim despiu-se, jogou as roupas num saco de lixo, os jogaria fora, não sabia ao certo se mais alguém o havia visto, então por precaução se livraria das roupas também.
Enquanto a banheira enchia, Kim apoiou ambas mãos na pia em formato oval e encarou o reflexo no espelho, onde as pupilas ainda estavam pouco dilatadas, o lábio um pouco inchado e a feição totalmente exausta.
Seu espírito era tão imundo quanto sua carne, seu sangue era revestido por um veneno mortal; não podia evitar ser quem é, ser perverso era quase um prestígio, então tentar ser alguém diferente era impossível.
A garrafa de vinho junto a taça fora deixada ao lado da banheira, Taehyung depositou alguns sais de banho e por fim adentrou a água quente, soltando um gemido de satisfação e alívio. — Conversando com Jimin por mensagens, o moreno mandou um carro buscá-lo, Jeon estava trabalhando, porém foi notificado de que o parceiro viria até o moreno; todo o seu ódio diluiu, dando lugar a algo neutro, ameno, como um mar calmo após uma tremenda tempestade.
A taça fora preenchida com o líquido em tom rubi com reflexos alaranjados, resultado de doze meses em barris de carvalho, apreciando o aroma intenso de fruta madura de ameixa com leve toque de mel, Taehyung tomou um gole pequeno, sentindo em seu paladar o gosto macio, elegante de taninos suaves, numa leve acidez. — De lumes fechados, apreciou o silêncio antes do loiro chegar, em notícias procuradas pela TV e Internet, nada havia encontrado, tudo estava calmo.
Como deve ser.
Park Jimin chegou rápido, Taehyung permanecia na banheira, o pediu para subir e ficar a vontade; a porta do banheiro estava aberta, ao ouvir a de seu quarto ser aberta e depois fechada, murmurou em alto e bom som de que estava na banheira, não tardou para o loiro surgir, encostando no batente e sorrindo para o moreno. Taehyung conseguia ser uma obra de arte indescritível até numa banheira, envolto pela água quente, a pele levemente bronzeada úmida, junto aos cabelos castanhos.
— Entre aqui comigo. — O tom rude e rouco deste, arrepiou o loiro que sorriu concordando com a ideia.
Kim tomava vinho sem tirar os olhos do loiro, que devagar retirava as roupas que caiam perfeitamente bem em si, a banheira é grande o suficiente para que mais uma pessoa entrasse, nu, Jimin entrou na banheira, sorrindo ladino e pegando a taça das mãos alheias e bebendo do vinho luxuoso. — A contemplação é divina, Taehyung viu-se laçado por aquele anjo de olhar profano e sorriso malicioso, viu-se acorrentado ao seu parceiro, o policial de olhar doce mas de agir em extrema devassidão.
— Parece exausto. — Constou o óbvio.
— Não dormi bem.
Jimin lhe entregou a taça, onde o anfitrião depositou um pouco mais de bebida.
— Percebi. — Confirmou. — Nós assustamos você?!
Kim conteve o riso, apenas por ter notado o desconforto junto a um leve nervosismo do loiro, o modo como o olhava, parecia temer que tudo não seguisse como a noite que fora marcada pela luxúria e desejos sobrenaturais. — Procurando algo que pudesse dizer para acalmar Jimin, Taehyung deixou a taça no chão e puxou o menor para que sentasse sobre suas coxas, o mínimo roçar da bunda alheia contra seu pau, não conteve um rosnado baixo.
— O que você quer, loirinho? Hum?
— Nós queremos você conosco. — As mãos menores tocaram seu rosto, os dedos traçando o contorno de seu maxilar, subindo para os lábios, adorando a beleza do moreno, apaixonando-se por cada traço deste.
— Quer que continuemos como naquela noite? — A voz tornou-se carregada, as mãos enormes antes na cintura do loiro, subiu para as costas, puxando para mais perto. — Jimin. — Sussurrou contra a pele alva e macia, o cheiro gostoso de frutas vermelhas era uma maldita perdição para o demônio. — Não sou o homem adequado para o que você e Jungkook procuram.
Não costumava ser sincero, entretanto a sinceridade viria a calhar em momentos que para manipular o loiro, seria bem vindo.
— Porque diz isso? — os lábios fartos tocaram levemente os seus.
A verdade infelizmente não podia ser revelada. Dizer ao loiro que sua ambição era Jeon e não ele, traria problemas, e tudo o que planejou cairia por terra, portanto, Taehyung apenas sorriu, beijando-o de volta, forçando sua língua para que o loiro o recebesse, o ósculo calmo e molhado, Jimin agarrou seus cabelos, intensificando o beijo, tornando o que era casto, em algo lascivo.
Rebolando contra o membro desperto, Kim gemeu, mordendo com certa força o lábio inferior, ficando ainda mais excitado pelo gemido de dor que retumbou por todo o banheiro, um filete de sangue escorreu pela carne macia dos lábios de Park, o moreno olhou com fascínio o líquido escarlate dando cor a pele pálida, agindo de modo bruto, lambeu o sangue, beijando-o de modo mais agressivo e possessivo.
— Quer cavalgar em mim, babe? Hum? Está se esfregando tão gostoso no meu cacete. — Jimin gemeu devido às palavras sujas daquele homem que reclamava seu corpo, e sua alma.
— Quero. — Respondeu, a respiração levemente descompensada, pela ansiedade e a excitação.
— Então cavalgue loirinho. Senta gostoso.
Jimin segurou o pau duro pela base, posicionando em cima, gemendo alto ao sentir sendo preenchido, Taehyung apertou a cintura fina, gemendo rouco. O anjo cavalgou sobre o demônio, gemendo para o tinhoso, gritando pelo prazer que o imoral lhe causava, pois o sujo era tão atraente quando o puritano, e Park sempre soube, sentia na pele e não se importava em permitir-se ser domado pelo diabo de olhos castanhos e um sorriso quadrado de arrancar suspiros.
— Taehyung. — Gemeu mordendo o ombro alheio com força, enquanto sentava e rebolava no pau duro e molhado.
— Isso. Geme meu nome assim, bem manhosinho para mim loirinho. — Pediu, descendo as mãos até a bunda farta do loiro, o mesmo apertou a carne, abrindo-o, metendo com mais força, a cada estocada, Jimin gemia alto, a água caia para fora da banheira pelo movimentar rápido. — Goza para mim babe.
Tomando os lábios do moreno, Jimin não demorou a gozar, grunhindo e respirando rápido contra sua boca, sorrindo satisfeito, Taehyung diminuiu a velocidade, metendo devagar até alcançar o seu próprio ápice; as bochechas do loiro estavam coradas, ele estava lindo, sempre foi, mas gozando, era ainda mais belo. — Ambos tomaram banho, Park ficou de costa para este, encostando a cabeça no ombro do moreno e bebendo vinho.
— Vim para conversarmos, Taehyung.
— Foi uma ótima conversa. — Brincou rindo.
— Falo sério Tae. Nos deixe conhecê-lo melhor? Hum?! Entendo que deve ser difícil para você, então só tenta um pouquinho.
O pesar das palavras atingiu Kim em cheio, permitir alguém em sua vida, para então trocar confidências, jamais pensou sobre, pois apenas uma pessoa foi capaz disto e agora ela esta morta. Sua filha estava morta.
Todos que o conheciam bem, morriam.
Um completo e maldito karma.
— Pensarei a respeito. — Respondeu após longos minutos em silêncio.
— Obrigado. Jungkookie irá gostar disso. — Avisou antes de sair da banheira e pegar uma toalha e por em volta da cintura. — Ele trabalha muito, mas estará aqui logo. Podíamos sair, o que acha?
— Claro. Conheço um lugar perfeito para irmos.
Sozinho no banheiro, Taehyung escondeu o tremor, seu coração queimava e o pavor o deixava agoniado, tratou de esfriar seu interior com álcool antes que cometesse mais uma burrice. Ouvindo a voz do loiro em seu quarto, saiu da banheira, enrolou a toalha em volta do quadril, pegou a garrafa de vinho e rumou para o quarto.
Ao que parece, o álcool seria sua companhia no restante do dia e uma parcela da noite.
[...]
Os três haviam ido a um restaurante luxuoso que ficava próximo ao porto, o local dava uma linda vista da costa, algumas embarcações quase imperceptíveis devido ao breu. Taehyung ouvia as histórias do casal, contava algumas sobre suas inúmeras viagens; sem notar, compartilhavam experiências, enquanto faziam novas, Kim não esperava por essas ações, não calculou o quão íntimo poderia se tornar deles ao ponto de tudo ficar normal entre os três. Jeon estava lindo em suas roupas escuras, Jimin não era diferente, era um casal perfeito.
E ele havia surgido para completá-los, bom, isso na visão deles, porque na sua, não existia nada além de seus ideais distorcidos e doentes. Jamais se apaixonaria por eles.
Não os amaria. Tal sentimento não lhe cabe.
Não mais.
Após o jantar, Taehyung levou-os até o prédio onde moram, Jimin estava cansado e foi o primeiro a se despedir, depositou um selar rápido em Jeon, fazendo o mesmo com Taehyung, desejando uma boa noite e agradecendo, desceu do veículo luxuoso.
— Obrigado pelo jantar. — Jeon agradece, retirando o cinto de segurança.
— De nada. Devo agradecer vocês pela ótima companhia.
Jungkook sorriu, e Taehyung permitiu-se gravar aquilo em sua mente.
— Boa noite, Taehyung.
— Boa noite, Jungkook. — Devolveu, esperando-o sair para ir pra casa.
Entretanto a canhota parou na maçaneta da porta, mordendo o lábio, Jeon virou-se e puxou Kim, selando ambos lábios, num beijo rápido e significativo que foi prontamente recebido. — O gosto do vinho ainda estava na língua do policial. Era uma combinação maravilhosa. Afastando-se um pouco sem fôlego, Jeon desceu do carro.
Kim Taehyung sorriu, saindo do acostamento rumo a sua casa.
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