18 - De Boas Intenções o Inferno Está Cheio;

Sem fôlego

Todas as noites eu fecho olhos dessa realidade distorcida

Intro : Boy Meets Evil - BTS

🔪

Há cerca de uma semana e meia havia se passado. Dias em que o casal não procurou por Taehyung e ele tampouco fizera o mesmo. O dia fatídico em que o sexo proibido e ardente ocorreu seguido do vídeo delicioso de Jeon, Kim passou a usar calmantes para que o sono viesse rápido.

Luce era um alvo fácil, o moreno descartou a possibilidade de estender a morte dela, estava farto de esperar, havia se livrado do carro semanas antes, agora precisava se livrar da garota romancista. - O plano era simples e rápido, não queria alarde, muito menos uma entrada dramática, apenas a mataria se modo limpo. Um tiro e nada mais.

Naquela noite, faria o trabalho, tiraria a polícia de um possível rastro que chegaria em si num momento ou outro.

Por volta das onze e meia da noite, estava parado perto da casa, as roupas o camuflavam na escuridão, havia conhecido a residência, sabia de seus pontos altos e baixos, portanto, havia destrancado a porta dos fundos com eficiência, as mãos cobertas por luvas e uma espécie de plástico cobria os sapatos caros para não deixar nada quando a perícia vier; caminhou lentamente, passando pela cozinha e sala, a escada dava para o andar superior, primeira porta era o quarto da jovem que estava dormindo, Taehyung sabia pelo simples fato de ter rastreado tudo até as conversas no celular, a inteligência supera tudo à medida que situações eram executadas.

A porta estava encostada, a arma já estava em punho, o silenciador já posto, seria só um tiro; a garota dormia agarrada a um livro, Kim ficou de frente para cama, apontou e sorrindo por detrás da máscara que cobria sua boca e nariz, atirou, a bala acertou meio da testa, atravessando o crânio, o sangue começou a ensopar o travesseiro, visto que seus avós poderiam chamar logo a polícia, Taehyung adentrou o quarto do casal e fizera o mesmo, saindo tão rápido quanto havia chego, quase no final da esquina, notou o carro simples onde dois policiais permaneciam fazendo a ronda.

Levaria dias, talvez semanas até alguém notar o sumiço e ir até lá, daria tempo suficiente para os corpos começarem a entrar em decomposição.

Ao menos dera uma morte rápida, algo que não costuma fazer. Foi bondoso, piedoso, frisa mentalmente só subir na Kawasaki, colocar o capacete preto, retirou as luvas pegando o celular no bolso interno do casaco pesado, ali, acessou todas as câmeras de seu trajeto, apagando alguns milésimos segundos que apareciam sua imagem, e faria novamente ao chegar em casa. Ninguém iria descobrir quem de fato era Kim Taehyung.

Em sua cobertura, retirou a jaqueta, colocando a arma em cima, a camisa de algodão fora tirada, o cinto desafivelado, e cansado, jogou-se no sofá, encheu o copo de whisky irlandês e tomou um longo gole, permitindo que o líquido âmbar fizesse seu trabalho e o entorpeça o mais rápido possível. - Sua memória lhe levou ao dia em que Jimin esteve em suas mãos, onde naquele mesmo dia, Jungkook ainda que não dá mesma forma, também estava à sua mercê, uma situação um tanto surreal, porém, muito bem vinda, estava tudo de acordo como almeja, portanto, se permitiu relaxar um pouco mais.

A frequência da polícia não havia nada que não fosse pequenos delitos, furtos e vez ou outra violência doméstica, nada além disso.

Pela primeira vez em muitos anos, Taehyung não sentia dor emocional, não sentia aquele maldito peso em seu peito, que o esmagava e tirava seu ar a medida que aumentava de intensidade, quando isto ocorria, a paz em seu interior reinava, frágil, que a qualquer instante pode ruir como um castelo de areia.

Viveu demais para alguém que não suportava, passou por diversas coisas que alguém não merecia, fora injustiçado e amaldiçoado na mesma proporção; assim como a Medusa, Taehyung foi acometido a uma prisão que não lhe cabia, um fardo que não merecia carregar, e isso trouxe o ódio e a repulsa que o fez ser quem é hoje. - Medusa fora amaldiçoada por Atena, foi uma vítima de estupro, uma mulher que teve seu corpo violado e culpada por um ato cruel cometido por Poseidon. Fadada a transformar pessoas em pedra, foi morta por Perseu. - E dito que o vilão só é vilão numa história mal contada.

Taehyung jamais falou abertamente sobre tudo que lhe ocorreu, jamais imaginou alguém ouvindo-o sem julga-lo, era melhor manter tudo apenas para si mesmo, e deixar que tudo caminhe conforme escrito por este.

De boas intenções o inferno esta cheio, ele sabia, compreendia e não se importava.

A noite avançava, o álcool já havia o deixado aberto, lento e pesado; o moreno deixou o copo próximo a garrafa quase vazia, levantou-se cambaleando e caminhou até seu quarto, onde terminou de se despir e deitou na cama, sentindo os lençóis gelados em seu corpo quente, fechou os olhos e apagou.

A visão que teve não parecia real, e de fato não era.

Taehyung estava num campo imenso, o sol brilhava como jamais havia visto, o calor não era insuportável, apenas agradável, o céu azul sem nuvens tornou tudo ainda mais brilhante e de tirar o fôlego.

A grama verde e bem aparada, flores de vários tons e espécie cobriam todo o espaço absurdamente grande, e correndo pela relva, estava sua esposa e sua filha, a garotinha corria da mãe gargalhando, o vestido vermelho era a cor que mais lhe chamou atenção, Yuna usava um vestido branco e delicado, a pele alva brilhava e os cabelos castanhos balançavam com o vento fresco.

Era a visão mais linda que Taehyung havia visto em toda sua vida.

O mesmo caminhou de encontro a sua família, suas roupas em tons de creme e cinza eram sua marca registrada no mundo, Yuna não o via, muito menos Aurora, estavam entretidas num pega pega infinito, a menininha corria e sua mãe sorria sem tirar os olhos dela. - no momento tão belo, Taehyung sentiu o coração doer, tendo um leve choque, o moreno gritou por elas, porém não houve sinal de que elas ouvia-o, tomado por desespero começou a chamar novamente por elas e correr, quanto mais corria mais distante ficava, o sol havia desaparecido. O dia tornou-se noite.

Yuna não sorria, e Aurora não estava ali, a grama repleta de flores agora nada mais era que um tom de ferrugem, a terra preta e o cheiro infernal de queimado; o vestido branco que sua esposa usava, estava sujo de terra e sangue.

- YUNA! - gritou em plenos pulmões.

Visto que não conseguiria chegar, Kim caiu de joelhos, chorando e gritando, os lumes marejados procuraram por sua esposa, por sua filha, não encontrou nada além de escuridão, um vazio gélido e doloroso.

As orbes se abriram rápido, Kim se sentou na cama, respirando com dificuldade, o rosto belo estava úmido de lágrimas, a dor de cabeça o atingiu como um raio, resquícios do álcool ainda o repeliam, o deixavam tonto.

Olhando para as persianas pesadas, notou que já estava começando a amanhecer, o relógio difícil marcava seis da manhã, temendo ter aquele tipo de sonho / pesadelo, Taehyung ficou de pé, andou descalço até o banheiro, ligou o registro e deixou a água o ninar e dispersar qualquer sensação maldita que sentia.

O café da manhã foi constituído apenas pelo café preto sem açúcar, o enjôo da ressaca não permitiu que comesse nada, de frente para a enorme TV, Kim assistia às notícias, como de praxe, o moreno usava apenas uma calça de algodão, os cabelos negros um pouco desgranhados e úmidos pelo recém banho; seu celular vibrou, pelo ecrã, leu a mensagem que Jeon lhe mandara.

Está tudo bem? [ 7:30 a.m ]

Pensou em responder, fazia dias que praticamente desapareceu sem deixar rastros, a moralidade era uma merda, pensou tomando o último gole do café forte e colocando a xícara de porcelana na mesinha de centro. - Com os dedos longos, segurou firme o aparelho enquanto digitava uma resposta breve.

Sim. [ 7:35 a.m ]

Não demorou para que o celular voltasse a vibrar, para lhe poupar, Taehyung deixou a conversa aberta, era a única que tinha.

Fiquei preocupado. [ 7:40 a.m ]

Não é necessário. Estive ocupado. [ 7:45 a.m ]

Compreendo. Podemos conversar pessoalmente? Um jantar talvez? [ 7:55 a.m ]

Claro. Me mande a data e horário. [ 7:58 a.m ]

Mandarei. Precisando de algo, me procure. [ 8:00 a.m ]

Taehyung imaginava nitidamente sobre o que o policial queria conversar, claramente junto de seu parceiro, se Jeon já tinha um dia específico não falou, talvez tenha sentido que o moreno não estava tão afim de estender uma conversa banal, então tomou a liberdade e gentileza de ser o mais rápido possível.

O jornal repassava uma matéria interessante, Kim deixou o celular ao seu lado e aumentou um pouco o volume, o jornalista cujo o nome não se preocupou em saber, estava em frente ao departamento do FBI, algumas pessoas estavam ao redor, com imensos papéis com letras em neon gritante, pedindo esclarecimentos pelo desaparecimento de Morgan Parker, e ordenando que o policial que obtém a investigação em mãos, lhes dê explicações viáveis sobre o andamento da operação. Taehyung sorriu, a gravação havia sido de alguns dias atrás, percebeu por em poucos minutos, as portas de vidro temperado serem abertas e Jeon Jungkook passando por elas junto ao delegado.

- Podem nos responder algumas perguntas, senhor Dorian? - O jornalista perguntou exasperado.

- Sim.

- Como anda as operações? Segundo testemunhas, a polícia ainda não encontrou Morgan e não tem pista alguma de seu possível paradeiro ou de quem a levou. - O homem diz rápido, temendo que demorasse mais e o delegado não o dirigisse mais alguma palavra.

- Infelizmente não conseguimos uma pista clara, entretanto estamos certos de que logo a encontraremos. - A voz presente do delegado era grossa, áspera e bruta.

- Alguma testemunha está os ajudando? Algum parente próximo a jovem desaparecida?

- Sim. E isso é o que podemos dizer por enquanto.

As perguntas seguintes foram ignoradas, Dorian passou pela pequena multidão junto a Jeon e juntos entraram na viatura, sem deixar espaço para que alguém buscasse pressioná-los com questionamentos.

Taehyung conteve o riso, imaginando a surpresa quando perceberem que a única pessoa que poderia os ajudar, está morta. - Num lapso de ideia, o moreno voltou a pegar o celular e abrir na conversa com o policial.

Que tal jantarmos em minha casa? [ 9:30 a.m ]

Demorou cerca de uma hora, até que recebesse a resposta.

Seria perfeito. [ 10:30 ]

Sorrindo de maneira satisfatória, Taehyung deslizou os dedos pelos cabelos, tirando alguns fios que estavam caídos por sua testa, suspirou pausadamente e respondeu:

Sábado, às nove. Mandarei o endereço. Estou ansioso para vê-los. [ 10:33 a.m ]

Jeon respondeu no mesmo segundo, deixando o mais velho levemente ansioso, pensando em todos os detalhes de como conduziria o jantar.

Um bom manipulador sempre está um passo à frente, até de si mesmo. - Taehyung, teve mais uma sensação de primeira vez, uma sensação que o induzia a prosseguir com o que quer que esteja pensando. E seu pensamento nada mais é do que um pequeno desafio para si mesmo. Até onde conseguiria chegar com aquilo? Se perguntou mentalmente enquanto assistia às notícias banais.

A semana passou. Tudo já estava organizado, desde a pequenos momentos e até o que claramente aconteceria a partir daquilo. Na manhã de sábado, Kim mandou o endereço de sua mansão que ficava nos limites da cidade, era uma mansão linda, toda de vidro, dentro da floresta, não era difícil chegar até lá.

O imóvel estava limpo, estava praticamente abandonado, portanto havia poeira demais e cheiro de local fechado, a geladeira fora abastecida e bebidas de sua melhor safra foram separadas para consumo naquela noite.

Nunca pensou em tentar mudar, na verdade, uma pessoa com tantos traumas não era capaz de mudar, ao menos não sozinho. - O moreno se olhava no espelho, a camisa social estava com alguns botões abertos, as mangas dobradas até o cotovelo, a calça social azul escuro junto aos sapatos luxuosos, Taehyung estava impecável. Tão lindo quanto uma constelação, como a Lua cheia que enfeitavam o céu noturno.

O fogo crepitava na lareira da sala gigante, a taça contendo vinho suave estava em sua mão, diante a parede de vidro, Kim viu os faróis do veículo se aproximando.

Eles haviam chego.

A noite seria longa.

Deliciosamente longa.

:)

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