07 - Psicose;
"Não importa como... Não há como fugir do que existe dentro de você..." Honório Nunes
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É sabido que os psicopatas simulam um comportamento a fim de serem aceitos em sociedade. Entretanto, tudo não passa de uma encenação muito bem feita. A todo momento eles estão voltados às suas naturezas e não podem escapar do que são.
Kim Taehyung se encontra transtornado, andava de um lado a outro murmurando palavras desconexas, pensava que era uma brincadeira ridícula do universo por mais uma vez não lhe conceder o que tanto almeja; era a terceira vez que forçou Amber a gerar um bebê, a mulher vivia apenas por esse detalhe: lhe dar uma menina.
Entretanto, a frustração junto ao ódio de ver um menino, fez com que quebrasse tudo que via pela frente, Taehyung detestava erros, repudiava, via-se enganado, sentia-se exausto, conquanto, o moreno parou, os lumes fixos em seus pés, o suor escorria por sua testa, deixando alguns fios negros grudados ali, a respiração descompensada; não havia nada, nunca houve nada, acreditar em um simples ideal era ridículo e completamente absurdo, infelizmente sem compreender se viu preso em uma esperança deturpada, psicótica, ao se dar conta, sorriu em desagrado, os lábios úmidos devido ao suor se abriram em um sorriso quadrado, lindo e doentio.
Kim levantou o rosto, fitando o corredor, onde Amber se encontrada, a porta de aço estava trancada, Taehyung quis ouvir os gritos dela, ouvir as palavras malditas direcionadas a si, sentiu sede só de imaginar a feição de dor estampado do rosto pálido da mulher, cogitou a hipótese de ir até lá, ficar escorado na parede enquanto sorria diante o surto alheio, porém, não o fez, visto que queria que a mulher sofresse, a deixou com o bebê morto nos braços; o mínimo pensamento sobre fez o homem quase gemer em um frenesi demoníaco.
A psicose nada mais é do que um transtorno mental caracterizado por uma desconexão da realidade, que pode ocorrer em decorrência de uma doença psiquiátrica como a esquizofrenia. Em outros casos, pode ser causada por uma condição de saúde, medicamentos ou uso de drogas.
Taehyung deve a vida comprometida à desgraça desde o nascimento, a convivência com um pai tóxico e uma mãe cujo a própria era vítima das agressões do próprio marido, fez do moreno alguém totalmente diferente do que era para ser... A vida tende a isso, o mundo, ou o Deus que o rege, que o curso seja traçado, não importando o quão sombrio e tenebroso seja o caminho e o fim dele.
O homem de aparência irreal, uma beleza absurdamente avassaladora, que poderia ganhar o mundo, tornou-se um demônio, uma criatura frígida sem empatia, que acredita apenas em seus próprios ideais; age como um rei, um deus, no qual toma as decisões da vida e da morte sem temor.
Taehyung obtinha um laudo médico um tanto interessante, que poderia instigar a imaginação e deleite a qualquer médico da ala psiquiátrica. Todavia, o próprio por si, aplacou tudo, arquivando cada sintoma, cada sensação como se fossem nada, o trancou dentro de si, para que ninguém, nem mesmo ele tivesse acesso. — e permanece desse modo a uns bons anos.
Como um interruptor de luz, os sentidos naturais foram ligados, Kim despertou um tanto confuso, havia móveis e objetos quebrados por todos os lados, a luz da manhã iluminava pouco; devido a época de chuva, o tempo era fechado, deprimente e acolher ao mesmo tempo, as nuvens carregadas, o vento gélido; parecia que Deus soubesse tanto de sua existência ao ponto de projetar seu devido interior, mostrando a Kim como Ele o via, e que estaria de olho em cada passo e suspiro que der.
Toda a dor e ódio foram descarregadas no ambiente, o sinônimo de sua fúria era completamente perceptível. Kim caminhou até seu quarto, alguns passos vacilaram fazendo-o se apoiar na parede para não desmoronar.
As roupas foram tiradas e jogadas no chão, Taehyung adentrou o banheiro, ligando o chuveiro deixando a água gelada, e ali, debaixo da água quase congelante, Kim respirou profundamente, socou diversas vezes o azulejo negro, até que seus dedos pálidos ficarem vermelhos, era audível o quanto depositava força no soco, estava tão submerso em seu delírio, que a dor física não o atingia, a água o entorpecia e os pensamentos os afogavam, mantendo-o fora da realidade, o trancando numa caixa para que morresse sufocado em si mesmo.
É complicado viver quando seu maior desejo, maior almejo é a morte. É um tanto intrigante o quanto a morte é um desejo, porém, você não quer morrer de verdade, apenas precisa que a dor vá embora.
Taehyung ainda debaixo do chuveiro, chorava copiosamente, os soluços se intensificaram, o moreno caiu de joelhos e gritou em plenos pulmões; gritou como jamais havia gritado em toda sua maldita existência.
O grito agudo expulsou metade do desespero que manteve dentro de si, as lágrimas mornas que misturavam-se a água, levavam embora um terço do pânico que o assola por anos a fio, enquanto o alívio vinha lento como o ponteiros de um relógio antigo, o moreno respirava devagar, buscando o controle, buscando voltar ao mundo real.
Sem muita força, Taehyung ficou novamente de pé, se movendo no automático, tomou seu banho, o cheiro delicioso de erva doce se mantinha contido no box de vidro fumê, os cabelos negros foram lavados com maestria e uma calma hipnótica.
Após o término do banho, Kim saiu do box, enrolando uma toalha branca felpuda em volta da cintura, alguns pingos d'água escorriam por seu peito e abdômen trincado, a pele um pouco pálida estava vermelha devido a pressão da água, e olhando-se no espelho, Taehyung ficou observando cada traço de seu belo rosto, as pintinhas que se encontrava em pontos específicos, o formato de seus lábios avermelhados e o olhar que é tão intenso e penetrante.
Definitivamente uma obra de arte, era como se os belos retratos de Renoir, Claude Monet tivessem tomado vida, era tão abstrato, tão perfeito que não havia palavras audíveis que pudessem descrevê-lo corretamente. Jamais haverá palavras ou menções o suficiente para defini-lo.
Taehyung é belo, único, dolorosamente atraente.
Em seu quarto, Kim vestiu-se, precisava sair, espairecer, portanto optou por roupas quentes e fechadas, em cores negras em contraste com o tom pálido de cinza, combinava perfeitamente com o clima atual, ajeitou o cabelo diante o espelho, deixando a teste a mostra, dando-lhe um semblante sério.
Por último, e não menos importante, o sobretudo negro foi posto, o mesmo umedeceu os lábios, satisfeito com suas escolhas de vestimentas. — o cheiro delicioso de cereja e sândalo o envolviam, tão viciante quanto qualquer outra fragrância amadeirada.
Taehyung guardou a carteira no casaco pesado, junto ao cigarro e o isqueiro prata, com arabescos incrustados, onde formavam uma cruz, abaixo segue um provérbio bíblico em hebraico :יום המוות שמח יותר מיום הלידה. Que diz : O dia da morte é mais feliz que o dia do nascimento.
De fato. Taehyung imagina que morrer lhe seria o dia mais feliz de sua vida; visto que todos os momentos bons foram levados pela morte, o moreno imagina que sua morte também seria um momento feliz que também seria levado para o esquecimento eterno.
Saindo do apartamento, Taehyung caminhou pelo corredor, abrindo a porta de emergência que dava para as imensas escadas, onde cada degrau foi pisado levemente, os sapatos polidos e luxuosos em contato com o concreto empoeirado, Kim estava acostumado a todos esses lances de escada, descia e subia sem problema algum, levava tal agir como um mantra, para acalmá-lo e manter seus demônios contidos.
O veículo luxuoso estava estacionado no subterrâneo, por não haver luz, a escuridão se mantinha, podia-se ouvir o gotejar, pequenas gotículas escorriam de rachaduras vindas do suposto teto, caindo numa poça pequena e acumulando-se. Taehyung destravou as portas do carro, adentrando em seguida, o motor rugiu ao ser ligado, com os lumes fixos a sua frente, o homem dirigiu até sair do estacionamento.
Pelo horário, Kim constatou o início da tarde, a garoa fina umedecia a cidade, se acumulando sobre o vidro do carro e escorrendo preguiçosamente, as ruas se encontram um tanto movimentada, pessoas indo e vindo em direções opostas; o interior do carro estava aquecido, um soneto tocava ambiente, acalentando o interior caótico do moreno.
O carro foi estacionado no meio fio, Taehyung saiu do veículo, ajeitando o casaco, ao travar as portas, atravessou a rua de encontro ao parque principal de Nova York, Central Park no distrito de Manhattan.
O ar úmido era fresco, preenchia seus pulmões a cada lufada, com as mãos dentro dos bolsos do casaco, Kim caminhou tranquilamente, admirando a vista deslumbrante do local, era ainda mais bonito no Verão, onde a luz do Sol torna as cores vibrantes e lindas. — pessoas caminhavam tranquilas, algumas sozinhas, outras acompanhadas em pequenos grupos.
Taehyung tirou um cigarro da carteira junto ao isqueiro, parou apenas para acender e tragou uma boa quantidade de tabaco, soltando o restante; a fumaça branca desaparecia rapidamente, por conta das rajadas de vento.
A arte predominava o parque, por uma fração de segundos, Kim desejou pintar, se imaginou diante uma tela em branco, com um pincel entre os dedos e tintas de várias cores próximo de si, depositando seu talento e amor na tela, até que se formar um lindo retrato do Parque Central.
Sua imaginação fértil o levou a tal cena, por mais que seja o que é, e age de forma digna e deturpada, o moreno prometeu a si, que pintaria quando chegasse em casa. Cada ser humano obtém um universo unido dentro de si, em cores infinitas e outras um tanto específicas e contidas.
Kim Taehyung é uma junção de preto e branco, a anos não se via em cores vibrantes e chamativas, crê que jamais irá se ver de tal maneira. — para Taehyung, o preto e o branco sempre lhe será chamativo, até porque, o mesmo já nasceu nesses tons, e quando pôde conhecer uma infinidade de cores, não durou muito, evaporou como fumaça, e estagnou nos tons frios e sem vida.
O cigarro já se encontra em seu fim, com o último trago, Taehyung jogou a guimba numa lata de lixo próxima e seguiu seu percurso no parque, pensando demais e se vendo numa agonia constante e infinita. — exausto da caminhada, Taehyung retornou até a saída, a chuva já dera seu início de modo fino e tímido, não tardará a pegar peso e expulsar todos do local aberto, rumo a um fechado e aquecido.
Já do lado de fora dos portões, o moreno olhou para ambos os lados antes de atravessar, e ali, um pouco longe, identificou Park Jimin, de frente para um homem maior que si, provavelmente discutiam sobre algo.
Kim não se intrometeria nos assuntos alheios, ainda sim, se viu caminhando até os dois. — a cada aproximar, percebeu o clima ainda pior do que imaginava, o tal homem estava enfurecido, Taehyung andou um pouco mais rápido, e no minuto exato em que o suposto iria socar o loiro, o punho foi parado pela destra alheia.
— Se encostar nele. Juro que quebro seu punho. — Taehyung ameaçou, o timbre rouco e agudo.
— Quem você pensa que é seu filho da puta. — Rosnou de volta, puxando o braço para se livrar do aperto do moreno, sem sucesso algum, pois Taehyung apertou até o próprio grunhir de dor.
— Taehyung não precisa fazer isso, deixa esse lixo aí, não vale a pena. — Jimin diz, um tanto trêmulo e nervoso.
Kim avaliou o loiro e depois o homem de frente para si, marcou perfeitamente a fisionomia do homem, o procuraria depois; sem nada a dizer, soltou o punho alheio, o mesmo xingou enquanto massageava a região do pulso.
— Isso ainda não acabou seu merdinha. — Ameaçou apontando o dedo no rosto do menor.
Como quem almeja confiança imediata de outro, Taehyung não pensou ao acertar um soco no rosto do mais velho.
— Se chegar perto dele outra vez, chamarei a polícia. Desgraçado! — Kim ameaça.
A arte da manipulação e da ilusão sempre será truques indispensáveis para pessoas como Kim Taehyung, que para ter suas vítimas em mãos, é notório que seja necessário ser tudo o que outro precisa: Um amigo, um confidente, e assim vai, tudo é de acordo com o que lhe é dado de bandeja.
— Está tudo bem? — Kim pergunta após se certificar de que o homem já se encontrava distante.
— Sim. Obrigado por me defender. — Agradeceu com um sorriso contido e tímido.
— Sem problemas. Quer carona?
— Não precisa. Jungkook virá daqui a pouco. — Avisa.
O nome do policial deixou Taehyung extasiado, eufórico e ansioso ao mesmo tempo. Jeon era seu alvo principal, portanto, o loiro seria seu aval para se aproximar do próprio. O início se findou ainda mais.
— Claro. Então estou indo. — O tom de voz mesmo rouco e arrastado, era confortável e amigável.
— Obrigado por me defender mais uma vez. Aquele homem é um estorvo em minha vida. — Comenta franzindo o cenho.
— Compreendo. Sugiro que fique em um local aquecido, pode adoecer com essa garoa. — O maior avisa.
Taehyung despediu-se do menor e se afastou, atravessando a rua, indo até seu carro, o casaco já estava ensopado, portanto, o tirou, colocando no banco de trás, ligando o aquecedor em seguida.
Quaisquer ações vinda de Kim, sendo elas boas; escondem motivos sombrios, mascaram sua verdadeira ambição, e Park Jimin é inocente demais, um alvo perfeito. Uma peça de xadrez que será descartada tão rápido quanto o moreno imaginou.
O veículo saiu do acostamento, tomando o rumo de volta para o prédio vazio, o moreno passou os dedos sob os cabelos úmidos, e sorriu. Seus planos se juntavam, e diante o tabuleiro, duas peças já haviam sido removidas e não tardará para que o xeque-mate chegue para que Kim Taehyung tenha o rei sob seus domínios infernais.
Para proteger minha filosofia até meu último suspiro
Eu a transfiro da realidade para uma morte em vida
Eu simpatizo com inimigos até a hora certa
Com Deus e Satanás ao meu lado
Da escuridão surgirá a luz
Vejo a chuva se tornar vermelha
Me dê mais vinho
Não preciso de pão
Essas charadas que vivem em minha cabeça
Não acredito que Deus esteja morto
Deus está morto
God Is Dead? - Black Sabbath
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Observações: Psicose
As pessoas podem ter:
No comportamento: agitação, agressão, automutilação, hiperatividade, hipervigilância, hostilidade, inquietação, isolamento social, movimentos repetitivos, repetição de palavras sem sentido, comportamento desorganizado, falta de moderação ou repetição persistente de palavras ou ações
Na cognição: transtorno de pensamento, confusão, crença de que os pensamentos não são seus, crença de que um evento comum tem um significado especial e pessoal, desorientação, lentidão durante atividades, pensamento acelerado, pensamentos indesejados, pensamentos suicidas, dificuldade em pensar e compreender ou falsa superioridade
No humor: ansiedade, descontentamento geral, despersonalização, excitação, gama limitada de emoções, nervosismo, raiva ou solidão
Sintomas psicológicos: alucinações visuais, delírio persecutório, delírio religioso, depressão, episódio maníaco, medo, paranoia ou ouvir vozes
Na fala: deficiência de fala, fala incoerente, fala rápida e frenética ou verbosidade excessiva
Também é comum: alucinação tátil, perda de memória ou pesadelos.
O tratamento consiste no uso de antipsicóticos
O tratamento pode incluir medicamentos e psicoterapia.
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