04 - A Noite Estrelada;

"Os demônios estavam suplicando por sangue" David Berkowitz.

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A quem diga que louco, são pessoas insanas e instáveis, que não estão aptas a viver em sociedade. O que julgam ser normal? Ser ético?

Tais definições são escrotas e rotuladas só a ponto de tudo ser um grande mártir, incluído os "loucos".

Enquanto a sociedade se preocupa em definir quem é o que, os sábios agem, de sua verdadeira forma, mesmo que poucos os entendam, pois cada um possui sua jornada, possui seu próprio mundo. Infelizmente não são todos que compreendem com exatidão.

Vincent Van Gogh pintou o quadro A Noite Estrelada em um hospício, no qual internou-se voluntariamente. Em carta para o irmão, Vincent dizia : "Através das janelas com barra de ferro... Eu posso ver um campo cercado de trigo (...) Acima do qual, durante a manhã eu vejo o sol nascer com toda a sua glória ."

Um homem íntegro, inteligente, talentoso. Há quem diga que ele era louco, alcoólatra e instável, claramente para um bom conhecedor de arte, tal comentário é inóspito, escroto e totalmente desrespeitoso.

Seja para o bem ou para o mal; o ser humano sempre possuirá a dádiva de trazer a terceiros, admiração e pavor.

Taehyung visualizava a planta do prédio em frente ao seu, toda a estrutura estava ali, detalhadas no papel enorme, o moreno tirou horas a fio para se ater a cada detalhe; ao lado de papéis, havia uma maleta pequena, com equipamentos tecnológicos de vigilância, pensou em câmeras, entretanto as escutas lhe serão mais úteis.

Sua franja caia sob os olhos, a pele pálida tinha um destaque interessante em constraste com o tecido negro de seu enorme casaco.

O tempo se manteve neutro, mesmo que não houvesse sol, a chuva deu trégua, entretanto, ameaçava com enormes nuvens escuras e ventos fortes e úmidos. Com o notebook ligado, Kim sabia exatamente a rotina do casal, portanto, iria dali a pouco.

Afastando-se da mesa de madeira polida e branca, Taehyung tirou suas roupas, vestindo outras mais despojadas, que transmitiam um ar calmo, sereno e convidativo, roupas formais lhe deixavam um tanto intimidade e poderia facilmente trazer questionamentos sobre o motivo que o levou a um prédio de classe média baixa.

Após ajeitar os fios rebeldes de seu cabelo, Kim ajeitou a gola alta do suéter e por fim vestiu o sobretudo escuro, chamaria a atenção de qualquer maneira, vestindo formalmente não.

Quase pronto para sair, o moreno pegou as pequenas caixinhas dentro da maleta, colocando-os no bolso do enorme casaco, já deixara comida para sua hóspede, sorriu ao imaginar quais surpresas o casal lhe trariam hoje; com tais pensamentos, Taehyung colocou a boina e saiu trancando a porta atrás de si, descia os lances de escadas, cantarolando uma melodia calma e melancólica, a feição serena, as pintinhas no rosto angelical era um detalhe admiração, o olhar intenso e um sorriso quadrado de arrancar suspiros.

Literalmente.

O próprio fechou o casaco para se proteger do frio, as ruas se mantinham movimentadas, pessoas sempre com pressa, vivendo além do tempo, lutando contra o relógio.

Taehyung atravessou a rua, adentrando o prédio, o porteiro permitiu sua entrada após a brilhante mentira de que havia um apartamento a venda e que esperaria o proprietário, bom, talvez não seja uma mentira tão descarada, se quisesse compraria o apartamento ou até mesmo o prédio se cujasse preciso; Kim possuía uma quantia absurdamente alta, devido ao fato de seu antigo trabalho, do que construiu.

Não querendo entrar nesse lado sombrio de seu passado, adentrou o elevador, pressionando o botão do penúltimo andar, não precisou de um pedaço de papel para lembrar do andar, ou o número do apartamento, muito menos a senha que era necessário para abrir a porta.

A senha o fez rir em desdém, obviamente os oito números não estavam estampados em canto algum, Taehyung observava muito bem, e o pouco que os conheceu, notou o quão apaixonados são um pelo outro, ou seja, a senha nada mais era do que a data do início de namoro.

Perdeu-se horas da madrugada vasculhando ambas vidas, tomando extremo cuidado para que nada saísse de seu controle, odiava só o pensamento sobre isso.

Chegando ao andar, Kim saiu, segurando a porta gentilmente para um senhora que o agradeceu sorridente, assim que as portas se fecham, o homem revira os olhos e caminhou pelo corredor até ver o número 234 grudados a porta preto fosco, tendo a certeza de não estar sendo vigiado, Taehyung digitou os números corretamente sob o painel digital, um soar baixo soou, a porta se abriu e sem demora o mesmo entrou, fechando-a atrás de si.

O horário em seu relógio marcava cinco e meia da tarde, tinha cerca de uma hora e meia para colocar as escutas e sair sem ser notado.

Taehyung não acendeu uma luz sequer, o imóvel era médio, perfeitamente arrumado, a decoração acinzentada, os móveis em tons de cinza e branco, Jungkook não parecia ser diferente de si, os gostos eram um tanto semelhantes; o moreno tomou a liberdade de ver todos os cômodos, deixou o quarto por último, colocou o par de luvas para não deixar digitais e olhou atentamente, e onde encontrava pontos bons, colocava uma escuta.

Descartou a cozinha e banheiro, deixou uma atrás de um quadro que ficava na parede acima da tv, no pequeno corredor que dava para os quartos, colocou outro dentro de um vaso decorativo que estava sob um aparador de vidro. Por último e mais importante. O quarto.

Sem encostar em nada, Taehyung observou o quarto imenso, limpo e arrumado, podia-se sentir fragrâncias diferentes, uma junção de frutas vermelhas e cedro; havia algumas fotos em molduras pequenas, os dois com amigos, outro em uma viagem a Tóquio pelo que pôde perceber; em milésimos de segundo sentiu repulsa, era um maldito possessivo, Jeon sofrerá com a morte de seu amado, porém, Taehyung estará a disposição para consola-lo.

A última escuta foi posta na barra que sustenta as cortinas pesadas, chegando em sua casa esperaria a hora exata para ouvir. Kim sentia que Jeon surgir em seu caminho, e ainda por cima ser um oficial, tinha significados preocupantes. Conheceu a vida demais para perceber que tudo o que adentrar seu caminho, é completamente suspeito.

Com tudo feito, Taehyung saiu do apartamento, caminhou até o elevador e pressionou o botão, os lumes escuros fitavam os números subindo e subindo, a ansiedade percorrendo todo o seu corpo e uma sede desenfreada fazia-o sentir a garganta secar e arranhar implorando por algo fresco.

Um suspiro audível veio do moreno ao entrar no elevador e pressionar o botão do térreo, sua mente moldava situações interessantes; às vezes se mantinha absorto ao fixar a imagem de Jungkook em sua mente, no modo como sua voz era rouca, como o sotaque de Busan o deixavam ainda mais atraente, o sorriso contagiante, os lábios finos e avermelhados, que deixavam Taehyung sedento, desejando sentir a textura daqueles lábios nos seus, provar daquele homem como jamais provara de alguém em toda sua vida.

A obsessão beirava a insanidade, a loucura e a possessão; todavia, o homem não via problemas, não achava nada daquilo um empecilho. Desde que consiga controlar tais sentimentos.

Acenando uma despedida ao porteiro, Taehyung optou por caminhar até a loja de conveniência mais próxima, não que quisesse comprar algo, era apenas rotineiro. A chuva começou lenta, tão leve que mal se sentia, a loja estava quente, não havia tantos clientes então Taehyung andava entre um corredor e outro escolhendo o que levaria, por fim, não comprou nada tão interessante, pagou pelos biscoitos de leite, e suco natural e saiu, rumo a seu apartamento em um prédio que ninguém tem coragem de se aproximar.

[...]

O anoitecer chegou de modo sorrateiro, Taehyung saíra do banho com uma toalha branca em volta da cintura, o peitoral definido escorria gotículas de água, os cabelos úmidos pelo recém banho, o cheiro delicioso de café fresco vinha da xícara ao lado do computador, Taehyung vestiu uma boxer branca junto a uma calça de moletom, pendurou a toalha e se acomodou na cadeira giratória de encosto alto e confortável, estava ansioso para o que ouviria, portanto, colocou os fones sem fio e ligou as escutas, durante breves segundos não ouvirá nada, tudo um total silêncio.

Kim apreciava o gosto amargo do café, acendeu um cigarro e tragou a fumaça, um suspiro alto veio do mesmo, sentia-se inquieto, se aquilo não dar certo precisaria de outro plano.

Em exatos vinte minutos, ouviu algo, a porta do apartamento sendo aberta e o conjunto de vozes soando.

- Acredita que aquele filho da puta, teve coragem de dizer que não sou um bom modelo? Que tudo em mim é forçado? - Diz Jimin com raiva e frustração.

- Amor, não ligue para isso. Sabe muito bem que é perfeito, que todos admiram seu trabalho... Ele deve sentir ciúme. - Comenta Jungkook.

- Mesmo assim. Da próxima vez que aquele desgraçado falar algo assim, vou meter um murro na cara dele. - Ameaçou Jimin.

Taehyung ouviu o sorriso contido do Jungkook, as escutas foram bem colocadas, ouvia tudo perfeitamente bem, sem nenhuma interferência.

Passos ecoaram, rumo ao quarto, Kim se mantinha focado, não queria perder absolutamente nada, o cigarro fora abandonado no cinzeiro, queimando lentamente, o café, já não estava quente e fresco como antes, e Taehyung não se importou, ouvir era mais importante.

- Como foi no trabalho amor? Se deu bem com alguém no departamento? - Pergunta Jimin, mexendo em algo.

- Normal. Fui designado para um caso.

O moreno que ouvia franziu o cenho e aumentou um pouco o volume.

- Que caso? - Jimin pergunta.

- Uma garota desapareceu, ela trabalhava no pub em que fomos.

- A única garota que vi, foi aquela na entrada com uma prancheta. Foi ela? - Questiona surpreso.

- Sim. O nome dela é Morgan Parker... A julgar por alguns comentários na delegacia, ela não foi a primeira a desaparecer, tem intervalos de meses mas, ainda sim, não deixa de ser suspeito. - Jungkook diz, o timbre sério e intenso.

- Tadinha. Logo vocês encontram quem fez isso... Você acha que ela está viva? Talvez nada aconteceu Kookie, talvez ela esteja na casa de alguma amiga, namorado, sei lá. - Comenta, buscando aliviar a tensão da conversa.

- Vamos torcer, para que seja isso mesmo. Minha intuição beira a algo pior. - Jungkook responde, exausto, dando um fim à conversa.

Interessante. Pensou Taehyung com um sorriso sádico nos lábios.

- Boa sorte Jeon. Irá precisar. - Diz baixo e sarcástico.

Os sons seguintes relataram nada de interessante, conversas aleatórias sobre o dia, comentários sobre filmes e etc... Taehyung ouvia tudo em um tédio imenso, levantou da cadeira apenas para se servir de uma dose mais forte do que café, o copo transparente continha conhaque, o cigarro antes esquecido, já havia queimado até o filtro, Kim acendeu outro, tomando um gole da bebida e voltou a se acomodar na cadeira.

As horas avançavam, pelo que ouviu, Taehyung concluiu que estavam jantando, uma música baixa soava, quase ambiente, as gargalhadas de ambos eram distintas, o moreno xingou baixo, devia ao menos ter posto uma câmera, só não o pôs, pelo simples fato de que poderia ser descoberto cedo ou tarde, o que traria confusão e buscas sobre outros equipamentos.

Barulhos de água, mais conversas sem fruto algum, brincadeiras inúteis de casal, Taehyung nunca se sentiu tão frustrado por fazer algo, era tarde demais para desistir, e sua curiosidade aumentava. Conquanto, Kim tiraria proveito do que quer que viesse disso.

A porta do quarto foi fechada. Taehyung se moveu na cadeira para aliviar a tensão, com os polegares pressionou a pálpebra e suspirou.

- Quer uma massagem? Parece exausto. - A voz manhosa de Jimin soou nos fones, selares rápidos eram depositados em Jeon, que arfava baixo.

- Quero amor... Sejamos rápidos, precisamos dormir. - Jeon diz.

O brunar soava, estares de beijos, arfares seguido de gemidos, enquanto de Jimin era manhoso, Jeon gemia de modo grave, rouco e arrastado; Kim sentiu seu interior vibrar junto ao som, frio e calor reverberou por seu corpo, fazendo-o quase gemer junto.

- Me chupa. - Ordena Jeon autoritário, grunhindo em agonia.

- Sim, senhor.

Taehyung apertou seu membro já desperto por dentro da calça, a cada gemido e suspiro alto, rosnou frustrado pela excitação. Jeon gemia tão gostoso que o moreno desejou ser ele ao invés de Jimin.

Kim precisava de alívio, portanto, retirou seu pau de dentro da calça, a glande já unida pelo pré gozo, devido ao álcool ingerido, ajudou ainda mais na excitação.

- Porra Jimin! Isso. Baba bem gostoso no meu caralho. - Grunhi Jeon.

- Goza para mim amor, quero engolir sua porra.

A sucção fazia Taehyung gemer e punhetar seu pau com força, buscando alívio, imaginando como tudo estava acontecendo. É insano, entretanto, é gostoso pra caralho.

- Quero gozar dentro de você minha putinha... Tire a roupa pra mim. - Jeon enfatiza e ordena, sem pudor.

As roupas foram retiradas, pelo que Kim ouviu, um farfalhar baixo, Jeon rosnou grave puxando Jimin para seu colo.

- Rebola bem gostoso em mim, bebê. - Pede, beijando seu namorado.

Taehyung fechou os olhos, encostou a cabeça e diminuiu o ritmo, seu caralho duro como pedra, as veias saltadas e o desejo irrefreável para gozar.

- Me fode, Jungkookie. - Jimin implorou manhoso.

- Senta nele, bebê. Meu pau é todo seu, se fode gostoso nele vai. - Jeon pede afoito.

Gemidos seguidos de tapas, trouxe deleite, tanto ao casal, quanto ao vigilante que acompanhava sem conhecimento algum deles.

Taehyung massageava e maltratava seu pau rígido, o som sexual ecoava por seus ouvidos, fazendo-o gemer e suspirar, calor se instalou em si, o tremor veio rápido, não tardou para que o orgasmo viesse seguido de jatos de porra, sujando seu abdômen trincado do líquido quente e pegajoso.

O alívio não retardou a raiva, o moreno desligou os fones xingando internamente, estava sujo, suado, e carregado de raiva.

Não era para ser desse jeito, infelizmente foi algo inevitável, mesmo odiando, ficou surpreso, a muito tempo não havia se masturbado, parecia algo novo e levemente insano para si.

O relógio digital marcava meia noite e cinquenta, Kim tomou outro banho para se livrar do gozo e suor, novamente de calça e tronco despido, saiu de seu quarto rumo a sala, não sentia sono então se ocuparia com bebida e música clássica.

Antes, destravou a porta de aço para ver seu bichinho de estimação; a mulher dormia agitada na cama pequena, a barriga imensa, os cabelos loiros quase sem brilho e vida, tirando-a, Taehyung se pegou em lembranças que tanto abomina, tratou de pensar em outra coisa antes que enlouqueça.

Não permaneceu ali, retirou a bandeja e saiu, levando as louças para a pia, lavando-as em um silêncio esmagador.

A voz de Paul Anka retumbava pelo espaço imenso da sala, preenchendo o local, deixando-o suave e aconchegante; a letra sobre nada além de uma declaração de amor, Taehyung não sentia nada, então a música não lhe afeta em absolutamente nada, apenas apreciava a música antiga, fazendo-o lembrar de época em que não existia, mas que adoraria ter existido.

O amor nada é do que um sentimento superestimado, inútil e sem utilidades.

Taehyung apreciou o conhaque, observando a chuva que começou a cair e a música já em seu fim.

:)

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