CAPÍTULO SETE | ME ENCONTRA.
"Eu não conheço todas as flores
Mas vou mandar todas que eu puder
Vivemos tempos de loucos amores
Só é feliz quem sabe o que quer"
— Me Encontra (Charlie Brown Jr.).
No dia seguinte, o campus estava relativamente tranquilo, com o sol brilhando suavemente entre as árvores. Olivia e Camila andavam lado a lado, as mochilas penduradas nos ombros, enquanto aproveitavam o intervalo entre as aulas para fofocar sobre as últimas novidades.
— Então, como foi o fim de semana com o Dom? — Olivia perguntou, com um sorriso curioso no rosto, enquanto ajustava os livros nos braços.
Camila soltou um suspiro dramático, fazendo um gesto exagerado com as mãos.
— Ai, Oli, ele é um fofo... mas às vezes parece que ele não sabe o que quer, sabe? — ela disse, revirando os olhos, mas com um leve sorriso, claramente encantada, apesar da reclamação. — Tipo, ele fica todo carinhoso, aí do nada, se afasta. Não entendo!
Olivia riu, balançando a cabeça, já conhecendo bem essa história.
— Dom sempre foi meio confuso com essas coisas, né? — ela comentou. — Mas você sabe que ele gosta de você. Dá pra ver nos olhos dele. Só acho que ele não sabe muito bem como lidar com isso ainda.
— Eu sei... — Camila admitiu, chutando uma pedrinha no caminho. — Mas, às vezes eu queria que ele fosse mais direto. Tipo, fala logo o que quer, sabe? Sem essas idas e vindas.
Olivia fez uma careta simpática, compreendendo a frustração da amiga.
— Acho que você devia dar um tempo pra ele, mas não esperar eternamente, né? Coloca ele contra a parede, dá aquele ultimato básico. Às vezes, a gente precisa de um empurrãozinho pra entender as coisas.
Camila deu uma risadinha.
— Você e seus empurrõezinhos... Mas eu entendo. Não dá pra ficar nesse vai e vem pra sempre. Acho que vou ter que ter uma conversa séria com ele. Não quero perder tempo se ele não quer o mesmo.
Olivia sorriu, parando por um segundo para olhar para Camila.
— Ele seria um idiota se não quisesse, Camila. Você é incrível e ele sabe disso. Mas, de qualquer forma, você precisa garantir que ele não te deixe esperando pra sempre.
Camila suspirou novamente, mas dessa vez com um toque de determinação.
— É, você tá certa. Eu vou resolver isso. Talvez no próximo fim de semana a gente tenha essa conversa. Vou tentar ser firme... e não desabar toda emotiva no meio da coisa. — ela riu, meio nervosa.
Olivia deu um tapinha no ombro da amiga.
— Se precisar de mim, eu tô aqui. Você sabe que sou ótima em dar conselhos práticos. Não sou muito de romance, mas sei como mandar uma pessoa tomar uma decisão de uma vez por todas! — ela piscou, brincalhona.
Camila riu alto, balançando a cabeça.
— Ai, Oli, o que eu faria sem você? — ela disse, enquanto passavam pelos jardins floridos do campus. — Você é minha guru do relacionamento. Mesmo não sendo muito romântica, você sempre sabe o que dizer.
— Só faço o que posso, amiga. — Olivia respondeu com um sorriso, apreciando o momento de cumplicidade entre elas.
Enquanto caminhavam, os prédios da faculdade surgiam à frente. A biblioteca estava à esquerda, enquanto a sala de literatura de Camila ficava mais à direita.
— Ok, hora de nos separarmos. — Cami disse com um ar triste, olhando para a biblioteca. — Você vai passar o dia inteiro lá de novo, né? Tá trabalhando demais, Oli.
Olivia deu de ombros, já acostumada com essa rotina.
— Você sabe como eu sou, não consigo deixar as coisas acumularem. E também, a biblioteca é o lugar mais tranquilo do mundo. Perfeito pra me concentrar e colocar tudo em ordem. Mas prometo que depois a gente se encontra no refeitório, tá?
Camila fez uma careta, mas sorriu.
— Tá bom, mas não se esconde lá pra sempre, hein? Eu quero te ver viva antes do fim do semestre.
Olivia riu e deu um abraço na amiga antes de se despedirem.
— Vou tentar. E boa sorte com a aula de literatura. Quem sabe você não usa todo esse drama pra inspiração para o "Conto da Bruxa"?
— Eu sou puro drama, Oli. Puro drama. — Camila respondeu, rindo enquanto se afastava em direção à sala.
Olivia sorriu, observando a amiga se afastar, e então se virou, caminhando em direção à biblioteca. Estava um pouco nervosa depois da noite anterior e da conversa com Fabrício, mas conversar com Camila sempre a acalmava. Apesar de suas diferenças, elas eram as melhores amigas, e era bom poder contar com alguém para ouvir seus dilemas e preocupações.
Entrando na biblioteca, Olivia sentiu o cheiro familiar dos livros e o som suave de páginas sendo viradas. Era seu lugar seguro, onde o mundo externo parecia ficar em segundo plano. Se acomodou em sua mesa perto da janela, onde a luz natural entrava suavemente, abrindo seus materiais de estudo. Ela tentou se concentrar, mas a lembrança da noite anterior ainda a distraía.
Mesmo com toda a calma da biblioteca, a imagem de Fabrício e suas palavras continuavam a voltar em sua mente. Será que ela estava realmente começando a gostar dele? Essa ideia parecia tão absurda quanto inevitável.
Ela suspirou, tentando se focar no trabalho, mas a imagem dele se formava em sua cabeça com uma clareza que a deixava inquieta.
Aquele loiro insuportável, com a barba sempre bem feita, as tatuagens que cobriam parte de seus braços e ombros, e os olhos que brilhavam com uma malícia quase constante. O sorriso dele... Ah, aquele sorriso de canto que a fazia querer socá-lo e, ao mesmo tempo, sorrir de volta. "Por que ele tinha que ser tão bonito?", pensava Olivia enquanto listava mentalmente as manias dele.
Ela lembrava de como ele sempre passava a mão pelo cabelo, ajeitando as mechas loiras que caíam levemente sobre a testa. Ou de como mordia o lábio inferior quando estava nervoso ou concentrado. E as piadinhas sem fim? Cada comentário dele tinha uma dose de sarcasmo, mas às vezes... só às vezes, ele era genuíno. Como na noite anterior, quando ficou claramente nervoso ao falar do beijo.
Ele é um idiota... um idiota irresistível, pensou, enquanto tentava convencer-se de que o interesse por ele era apenas superficial. Ela colocou o último livro na prateleira, suspirando, sabendo que estava se enganando.
Olivia ajeitava os livros na mesa de trabalho da biblioteca, colocando tudo em ordem antes de sair para almoçar. Estava um pouco distraída, ainda pensando em Fabrício, o que a fazia revirar os olhos para si mesma. Quando terminou, ela pegou uma pequena plaquinha que dizia "Volto já" e a deixou em cima da mesa, encaminhando-se em direção ao refeitório.
Ao chegar lá, viu que as meninas já estavam todas sentadas em uma das mesas, rindo e conversando animadamente. A garota se serviu rapidamente, pegando um prato de salada e arroz com frango, e foi se juntar a elas.
— Até que enfim, né, dona Olivia! — brincou Camila enquanto Olivia se sentava. — Já tava achando que você ia dormir de novo na biblioteca.
— Ai, não exagera. — Olivia respondeu, sorrindo, enquanto revirava os olhos.
A mesa estava cheia. Camila, Bruna, Anita, Carol, e até Joel estavam ali, o que era raro, já que ele andava sempre envolvido em seus experimentos malucos.
— Olha só quem tá aqui, hein? — Carol cutucou Anita, fazendo a amiga corar. — Já podemos oficializar esse rolo com o Joel, ou vamos continuar fingindo que vocês só são "bons amigos"?
Anita, que estava sentada ao lado do rapaz, riu nervosa, mas Joel, com o humor descontraído de sempre, tomou a frente:
— Pode oficializar, ué. Já passou da hora! — ele colocou o braço ao redor de Anita, que, ainda vermelha, sorriu e deu um soco leve no ombro dele.
As meninas caíram na gargalhada, aproveitando o momento para brincar com a amiga.
— Finalmente, hein! Agora só falta vocês dois marcarem o casamento! — brincou Camila, fazendo Anita revirar os olhos.
— Você é muito casamenteira, Camila, pelo amor de Deus. — retrucou a cacheada, disfarçando as bochechas coradas olhando distraidamente para os lados.
Enquanto todos riam e comiam, Olivia estava prestes a dar uma garfada na comida quando foi interrompida pela presença de Cabra, que apareceu de repente ao lado da mesa.
— Entrega pra Olivia Torres! — disse ele em voz alta, segurando um grande buquê de rosas e lírios cor-de-rosa.
Olivia congelou por um momento, encarando o buquê com os olhos arregalados. O coração disparou, e ela sentiu o rosto começar a queimar de vergonha. Todos no restaurante universitário começaram a cochichar e olhar para ela, e antes que pudesse reagir, as meninas começaram a berrar.
— Aaah, foi o Fabrício! — gritou Camila, rindo e praticamente pulando na cadeira.
— Olha ela toda apaixonadinha! — Bruna não perdeu tempo e também entrou na zoação.
— Eu sabia que esse ódio todo era fachada! — Carol provocou, empurrando Olivia de leve.
Olivia, querendo se enfiar debaixo da mesa, pegou o buquê das mãos de Cabra, que olhava para ela com um sorriso malandro no rosto.
— Tá aí, Oli. O cara sabe como impressionar, hein? — ele disse, piscando e se afastando antes que ela pudesse responder.
Ela, ainda em choque, olhou para o buquê e viu o pequeno bilhete preso a uma das flores. Tremendo um pouco, desdobrou o papel e leu:
"Me encontra, ou deixa eu te encontrar .
— Fab."
Uma referência clara a uma das músicas da banda preferida deles, e isso fez o coração dela pular no peito mais uma vez. Claro que ele usaria Charlie Brown para tentar derreter suas defesas.
— Gente, olha a cara dela! — gritou Camila, cutucando as outras.
— Tá amando! Tá amando! — Carol começou a cantarolar de maneira provocativa, fazendo todas rirem.
— Ah, vão se ferrar! — Olivia respondeu, rindo nervosa e colocando o bilhete no bolso, tentando disfarçar o quanto aquilo a tinha afetado.
Mas não adiantava. Todos ali sabiam o que estava acontecendo.
— Ele te mandou flores, Oli! — Anita cutucou. — E quem manda flores assim hoje em dia? Ele tá querendo coisa séria, hein!
— Vai lá, confessa! Você tá caidinha por ele — disse Joel, rindo enquanto comia.
Até ele?!
— EU NÃO TÔ AMANDO NINGUÉM! — Olivia tentou responder, sua voz mais alta do que ela pretendia. Ela se afundou na cadeira, sentindo-se sufocada pelos olhares e risadas.
— Então por que tá com esse sorrisinho de canto, hein? — provocou Bruna.
Olivia olhou para ela com uma mistura de incredulidade e diversão.
— Vocês todos são muito otários! — ela disse, rindo enquanto tentava desviar o foco da conversa.
Mas as meninas não iam deixá-la escapar tão fácil.
— Ah, Oli... Confessa logo que ele te ganhou. Já tô até vendo, daqui a pouco vão estar de mãos dadas no campus. — Camila disse, piscando e gargalhando.
— Vocês são insuportáveis! — Olivia respondeu, ainda tentando comer em meio às provocações.
Mesmo com todo o alvoroço, ela não conseguia parar de pensar no bilhete. O que será que Fabrício estava planejando agora?
Depois de terminar de almoçar e aguentar as provocações intermináveis das meninas, Olivia finalmente se levantou da mesa, pegando seu buquê e tentando sair o mais rápido possível do refeitório antes que mais alguém aparecesse para bisbilhotar. Ela se despediu com um aceno rápido e caminhou em direção à biblioteca, ainda sentindo o coração acelerado.
Quando chegou à porta, seu corpo congelou por um segundo ao ver Fabrício parado ali, encostado casualmente na parede, balançando-se levemente com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco, como sempre fazia. Quando ele a viu, um sorriso de orelha a orelha imediatamente se formou no rosto dele, como se estivesse esperando por aquele momento.
Olivia sentiu a vergonha subir mais uma vez, mas respirou fundo, caminhando em direção a ele.
— Quer me matar do coração, é? — ela lhe deu um tapa leve no braço, fingindo indignação, mas não conseguiu conter o sorriso que teimava em surgir.
— Claro que não, Liv. Só tava esperando a oportunidade perfeita pra ver esse sorrisinho aí de novo. — respondeu ele, ainda sorrindo como um bobo, colocando um fio solto do coque dela para trás da orelha.
Olivia revirou os olhos, mas não conseguiu esconder que estava gostando da atenção.
— Você tá ficando muito convencido, hein? Tá achando que já ganhou, é? — a mais nova provocou, erguendo uma sobrancelha.
— Ganhar? Pfff... Ainda nem comecei a jogar. — Fabricio piscou para ela, a voz carregada de provocação.
— É? Pois eu acho que você já tá perdendo, gato. — Olivia rebateu, cruzando os braços, adorando aquela troca de farpas. Mas, no fundo, sabia que estava gostando mais do que devia. O jeito despreocupado dele, o sorriso fácil, a barba por fazer, os olhos brilhantes... Ela não podia negar que ele tinha um efeito sobre ela.
Fabrício riu baixo, olhando rapidamente ao redor, como se quisesse conferir que ninguém estava prestando muita atenção. Antes que ela pudesse reagir, ele se inclinou e roubou um beijo rápido, mas cheio de carinho. Olivia ficou paralisada por um segundo, surpresa com a ousadia dele.
— Ei! — ela exclamou, a voz um pouco trêmula, enquanto sentia o rosto esquentar.
Fabrício sorriu, os olhos brilhando com uma mistura de afeto e diversão.
— Você é linda até quando fica brava comigo. — a voz dele saiu suave, quase como um segredo, enquanto ele a olhava com uma sinceridade que fez o coração dela acelerar.
Olivia não conseguiu esconder o rubor que tomou conta de seu rosto. Ela sentiu as palavras escaparem, e a única coisa que conseguiu fazer foi baixar os olhos, um sorriso tímido se formando em seus lábios.
— Vai pra aula logo, doutor. — ela murmurou, tentando recuperar um pouco do controle da situação.
Fabricio soltou uma gargalhada divertida, balançando a cabeça.
— Meu Deus... Me chama de doutor de novo. — Ele colocou uma mão no peito, fingindo que seu coração havia sido roubado de vez.
Olivia rolou os olhos, mas estava sorrindo.
— Vai sonhando, Fabrício.
— Sonho com você toda noite, Liv. — o rapaz piscou, ainda sorridente, e então deu alguns passos para trás, começando a caminhar na direção do prédio de direito.
Ela ficou parada ali, assistindo enquanto ele se afastava, as mãos ainda nos bolsos e o andar despreocupado, até desaparecer pelas portas do prédio.
Olivia, com o coração a mil, respirou fundo e tentou se recompor, mas o sorriso bobo permanecia em seu rosto. Ela não conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer. "O que esse desgraçado tá fazendo comigo?", pensou, sentindo uma mistura de confusão e felicidade.
Com um último olhar para o corredor quase vazio, ela voltou à biblioteca, ainda sorrindo e cheia de pensamentos comprometedores, tentando retomar o trabalho com algum nível de concentração.
Era uma noite tranquila na República das Imperatrizes. Olivia estava no sofá com as meninas, todas espalhadas pela sala, conversando sobre os eventos do dia, quando de repente a campainha tocou.
— Quem será que tá batendo aqui a essa hora? — Bruna resmungou, levantando-se do chão onde estava jogada, com um olhar desconfiado.
— Acho que não estamos esperando ninguém, né? — Olivia disse, já se levantando também, com uma expressão confusa.
Camila, que estava mais perto da porta, foi abrir, e assim que o fez, uma enxurrada de vozes e risadas tomou conta do ambiente. Era toda a galera da República Tcheca, carregando caixas de cerveja e algumas sacolas cheias de carne.
— Surpresa! — gritou Dom, o primeiro a entrar, já com um sorriso enorme no rosto.
— O que... o que tá acontecendo? — Olivia perguntou, agora ainda mais confusa. O que aquele povo todo estava fazendo na casa delas? Ela não lembrava de nenhum plano para aquela noite.
— Esquenta pro acampamento! — respondeu Cabra, que entrou logo em seguida, carregando uma caixa de cerveja e um sorriso malandro no rosto.
— Acampamento? Que acampamento?! — Olivia arregalou os olhos, virando-se para as meninas.
— Ahhh, o aniversário da Carol! — Anita disse, rindo ao ver o pânico nos olhos de Olivia. — A gente ia te contar, mas parece que esquecemos, né?
— Esqueceram?! Meu Deus, eu não tô preparada pra isso, o que mais vocês esqueceram de me falar?! — Olivia exclamou, sentindo a pressão subir. Todo mundo sabia que ela gostava de planejar as coisas com antecedência.
Foi então que Fabrício entrou, calmamente, com as mãos enfiadas nos bolsos e um sorriso tranquilo nos lábios. Ele chegou mais perto de Olivia e, com um olhar despreocupado, falou:
— Calma, Liv. Vai ser divertido. Além do mais, eu tenho uma barraca enorme e confortável que podemos dividir, se você quiser.
Olivia arregalou os olhos, sentindo o rosto esquentar imediatamente. E como não poderia? Aquela galera era boa em tirar sarro, e, como era de se esperar, não perdeu a oportunidade.
— Owwwwnnn! — A sala inteira explodiu em zoeira, com Dom sendo o primeiro a soltar um gritinho provocador.
— Aí, ó, Fabrício já tá garantindo o lugar dele — brincou Rafa, fazendo Olivia revirar os olhos, mas sem conseguir evitar o sorriso tímido que escapou.
— Vocês são muito idiotas! — Olivia balançou a cabeça, ainda rindo.
— Mas, sério, vai ser divertido. — Fabrício deu um sorrisinho e, de maneira mais suave, completou: — Eu cuido de você.
Ela sorriu sem jeito, tentando não demonstrar o quão afetuosa aquela frase tinha sido. Claro, as provocações continuaram, mas ela apenas sorriu, sentindo o coração bater um pouco mais rápido.
E assim começou a noite. Logo estavam todos no quintal das meninas, transformando o espaço numa verdadeira festa ao ar livre. Dom e Cabra assumiram a churrasqueira, enquanto as meninas traziam mais bebidas. Era uma social bem típica, cheia de conversas, risadas e muita cerveja.
Olivia estava sentada ao lado de Fabrício, e, mesmo sem perceber, os dois foram se aproximando aos poucos. Os mindinhos deles se tocavam de vez em quando, e ele, sempre atento, fazia questão de pegar mais cerveja para ela sempre que notava o copo vazio.
— Mais uma? — perguntou o loiro, estendendo uma latinha de cerveja para Olivia.
— Obrigada. — ela respondeu, sorrindo de canto.
Enquanto todos conversavam, Olivia sentia que, de maneira quase involuntária, estava ficando cada vez mais próxima de Fabrício. A mão dele estava apoiada na própria coxa, mas de tempos em tempos, ele a movia levemente, como se estivesse procurando o toque dela sem perceber. Até que, em um momento de maior proximidade, ele passou o braço suavemente ao redor dos ombros dela, puxando-a um pouco mais para perto.
— Tá confortável aí? — ele perguntou, a voz baixa, mas com um sorriso provocador.
— Tô, sim. — ela respondeu, apoiando a cabeça no ombro dele, sentindo-se estranhamente à vontade.
As conversas ao redor deles continuavam animadas, mas Olivia sentia como se estivesse em uma bolha, prestando mais atenção em Fabrício do que em qualquer outra coisa. Eles estavam tão próximos que, em um dado momento, sem pensar, ela deu um beijinho rápido no maxilar dele, um gesto tão sutil que nem sabia se ele notaria.
— Você sabe que isso pode me dar ideias, né? — ele disse, com um tom brincalhão, olhando para ela de canto.
Olivia riu baixinho, encolhendo-se um pouco de vergonha.
— Não se atreva.
Mais risadas explodiram na roda de amigos quando Joel e Anita finalmente assumiram o namoro oficialmente, e todos começaram a zoar o casal.
— Eu sabia! — Camila disse, apontando para Joel, que estava mais vermelho que um tomate. — Esses dois não se desgrudam há semanas.
— Não sei do que você tá falando... — Joel murmurou, sem jeito, mas todo mundo já sabia a verdade.
— Bem que disseram que ele tinha cara de homem sério, mas... olha aí, hein! — Dom zoou, provocando mais risadas.
No meio da conversa, Cabra se aproximou com um olhar de malandro.
— E aí, Olivia? Curtiu o buquê?
— Ah, Cabra... — Olivia começou, mas foi interrompida.
— Ela está sorrindo como boba o dia todo! — Camila gritou, erguendo o copo.
Todo mundo se juntou às risadas, e Olivia, mesmo morrendo de vergonha, não conseguia parar de rir também. Fabrício, ao lado dela, apenas sorriu, se inclinando para cochichar no ouvido dela:
— Não foi tão ruim, né? — ele estava com o rosto tão próximo que Olivia sentiu um leve arrepio.
— Você é muito imprevisível, sabia? — ela respondeu, com um sorriso, mas sem desviar o olhar do dele.
Enquanto todos continuavam bebendo e conversando, Olivia sentiu uma paz estranha tomar conta dela. Ali, com Fabrício ao seu lado, rodeada por amigos, tudo parecia simples.
Depois de um tempo socializando no quintal com os rapazes, Olivia e Fabrício começaram a se afastar naturalmente do grupo, quase como se estivessem sincronizados sem dizer uma palavra. Olivia olhou em volta, como se estivesse buscando um lugar mais calmo, e finalmente, sem muita deliberação, ela o guiou até o interior da casa. Fabrício a seguiu com uma expressão curiosa, sem fazer perguntas.
Ela o levou até seu quarto, uma ação que parecia natural, mas ao mesmo tempo muito significativa para Olivia. Nunca havia levado nenhum garoto até lá antes, e o peso da intimidade do momento não passou despercebido por ela. Quando eles entraram, Fabrício parou por um segundo, olhando ao redor do espaço que parecia revelar muito sobre quem Olivia era.
O quarto tinha detalhes sutis, mas profundos — maquiagens organizadas sobre uma penteadeira, uma pilha de resumos de provas organizados em uma mesa, fotos com sua família em porta-retratos. Perto da cama, uma fileira de bichos de pelúcia, que revelavam um lado mais fofo e sentimental dela. Um pôster do Chorão cobria a parede próxima à cama, misturado com outros de filmes e bandas que ela adorava. E, claro, o buquê que ele havia enviado mais cedo estava lá, cuidadosamente colocado em uma jarra cheia de água, ao lado da cama. O rapaz deu uma olhada em tudo isso, um sorriso suave nos lábios.
— Seu quarto é... — ele começou, olhando ao redor, como se estivesse procurando a palavra certa. — Muito você.
Olivia sorriu de leve, sem conseguir disfarçar o nervosismo que sentia ao deixá-lo entrar em um espaço tão pessoal.
— Não sei se isso é um elogio ou só uma observação. — ela disse, rindo baixinho, tentando manter o clima leve.
— Um elogio, com certeza. — ele caminhou até a penteadeira, olhando as maquiagens organizadas, e depois pegou um dos resumos de prova dela. — Bem organizada, estudiosa... mas ainda assim, tem um lado fofo, sentimental. — ele apontou com o queixo para os bichos de pelúcia.
Olivia cruzou os braços, um sorriso tímido nos lábios, enquanto ele vagava pelo quarto. Ele estava mais próximo da cama agora, observando o buquê com um brilho nos olhos.
— Eu vejo que gostou do buquê. — comentou, virando-se para ela.
— Ah, claro. Coloquei em um lugar de destaque, para sempre lembrar de você. — Olivia brincou, apontando para a jarra.
Ele riu e, antes que pudessem prolongar a conversa, ambos ficaram em silêncio por um segundo, um daqueles momentos que falam mais do que palavras. Fabrício, com aquele sorriso que ela conhecia tão bem, aproximou-se devagar. Quando seus lábios finalmente se encontraram, a tensão no ar pareceu se dissolver. Foi um beijo suave no início, mas logo as mãos dele começaram a explorar com mais confiança. Uma de suas mãos desceu até o quadril de Olivia, puxando-a um pouco mais para perto, enquanto a outra acariciava sua cintura.
Olivia não ficou para trás. Suas mãos se enrolaram no cabelo loiro dele, enquanto ela mordia levemente seus lábios entre os beijos, sentindo a química crescente entre os dois.
Fabricio sorriu contra os lábios dela, aproveitando o momento, e suas mãos ficaram um pouco mais ousadas, deslizando até as coxas e a bunda de Olivia. Ela sentiu a pele esquentar ao toque dele, mas ao mesmo tempo não conseguia deixar de se sentir completamente confortável naquela proximidade.
— Você morde meus lábios assim... e eu fico louco. — ele sussurrou, entre beijos, claramente tentando manter a compostura.
— Quem disse que eu quero que você mantenha a compostura? — Olivia provocou, puxando-o ainda mais para perto. Eles estavam tão absortos um no outro que quase não ouviram quando uma batida ecoou na porta.
— Fabrício! — a voz de Carol soou do outro lado da porta, um pouco irritada. — Já tá na hora de ir embora! Vamos, precisamos dormir!
Olivia revirou os olhos, afastando-se de Fabricio com um suspiro frustrado.
— Carol sendo Carol, claro. — ela murmurou, ajeitando os cabelos.
Fabrício riu baixinho, passando a mão pelo rosto, tentando recuperar o fôlego.
— Deixa ela. — ele disse, roubando mais um último beijo antes de se afastar completamente. — A gente ainda vai ter muito tempo pra isso. — piscou, e Olivia sorriu de volta, embora seu coração estivesse acelerado.
Eles se encararam por um segundo antes que Olivia o acompanhasse até a porta.
Antes de sair, ele ainda a abraçou pela cintura, puxando-a para um último beijo, mais demorado dessa vez, como se não quisesse que o momento acabasse.
— Boa noite, Liv. — ele sussurrou contra seus lábios, o rosto iluminado por um sorriso brincalhão. — E obrigado por me deixar entrar, de todas as formas possíveis.
Ela sentiu o rosto corar, mas não deixou transparecer muito. Apenas sorriu e o acompanhou até a porta da casa.
— Esse com certeza é o nome do seu vídeo de sexo. — ela provocou, dando-lhe um último empurrãozinho leve no braço.
Ele riu, já saindo pela porta.
— Ah, Liv, você vai me deixar mal-acostumado desse jeito. — ele disse antes de começar a andar em direção ao carro. — Até mais!
Olivia fechou a porta com um sorriso bobo no rosto, respirando fundo antes de voltar para o quarto, onde seus pensamentos ainda estavam completamente dominados por um certo veterano de direito.
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