O Augusto Rugir da Horrenda Forma

O augusto rugir da horrenda forma
Lentamente me toma as carnes vivas
Alegres aliterações altivas
Cedem lugar à angústia que deforma

E então, começa-se o palco de horrores
O que, a princípio, não se faz lamúria
É a persistência, pois, que gera a fúria
Quando cala-se a noite…

Pausa.

Algo está errado.

Abro os olhos e sinto o hálito quente
Da exasperação que me saúda
Viro a cabeça e durmo, e acordo, em suma
Viro a cabeça. Desperto, dormente

Pausa.

Sei bem discernir o que é realidade
E o que é esta sabotagem que procura
Destruir, corroer, sem piedade
Este milagre que é a dissonância!

Ouve-se o ritmo do relógio.

Já não me sinto tão seguro, enfim
Por que é que tudo tem que ser assim?
Junção de insanidades, cariapses
Impiedosas, imparáveis sinapses

E eis que o sentimento se apresenta
Em fúria condizente com a loucura
E o toque esperado, o fim, a cura
Não hão de se mostrar a ti. Aguenta!

Aguenta tu que achaste ser capaz!
Suporta tu as dores desse teste!
Pois tu, que és Homem, vivo, foste pó
E hás de voltar ao pó do qual vieste!

Suspiros.

A vida não é assim como parece
Nenhum mal há de perdurar pra sempre
Nenhuma incerteza pode o levar embora

Respiro.
A realidade é o que eu quiser
Sinto-me em paz, mesmo que brevemente

E isso basta.

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