C : 37
Eu tentei tanto não pirar
Eu criei um milhão de de
sculpas
Eu pensei que tinha pensado em todas as possibilidades.
— Haven´t met you yet — Michael Bublé
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JÉSSIKA VELARK
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Após o ocorrido a uma semana atrás, as coisas pareciam amenas, no entanto, sentia-o diferente, aéreo e possivelmente distante. Nessa fatídica manhã, desperto na companhia de um enorme buquê de rosas vermelhas e brancas juntamente com um cartão, me convidando para outro jantar essa noite — os raios solares adentram o quarto pelas frestas das cortinas, ele já não estava na cama, então levanto, meu corpo ainda sonolento devido a uma noite mal dormida.
Tomo um banho rápido, queria aproveitar o dia bom sem ter nenhuma preocupação, no entanto, havia muitas que passei a ignorar completamente, e isso foi o breve motivo para me deixar acordada por horas a fio de madrugada. Visto um vestido azul, as alças finas e o comprimento mediano, deixo meus cabelos soltos; analisando meu rosto no espelho oval, noto as marcas escuras ao redor dos olhos, sinto as cicatrizes nas costas quando me lembro da existências delas, isso faz com que tudo o que vivi nas mãos dele voltem como uma avalanche maligna pronta para ceifar minha vida — deixando o quarto, as empregadas desejam bom dia antes de entrar para fazer a limpeza, sigo pelo corredor, noto a porta do escritório levemente aberta, mesmo com receio decido ir e entrar, sendo recebida pelo cheiro suave de flores silvestres misturado ao aroma inconfundível de madeira envernizada, passo o olhar pelas estantes de livros e por último alguns papeis em cima da mesa, verifico se Sebastian não vá aparecer do nada e pego os papeis, não era nada demais, eram apenas escrituras de propriedades que necessitam da aprovação do grandioso Sebastian Velark.
Na cozinha, pelo horário, a mesa de café da manhã ainda estava posta, portanto me sento, sirvo de um pouco de chá de frutas vermelhas e torradas, o silêncio era acolhedor, observo o dia bonito atrás das imensas janelas que dão para o jardim, percebo alguns seguranças a paisana e entre eles, Kenji conversava com a governanta — Sebastian não estava e parte de mim quis enviar mensagem ao menos para saber se estava tudo bem, porém, a cuja pelas flores, aparentemente estava.
Grace surge em meu campo de visão, antes mesmo de deixar para lá a ideia que me surgiu de repente, a chamo.
— Senhora Grace?
— Sim?
— Poderia me passar o telefone da psicóloga do Sebastian? — pergunto receosa.
— Claro, volto logo.
Termino meu chá, desisto de comer melhor e me levanto, esperando pacientemente pelo número que me foi entregue tão rápido quanto fiz o pedido.
— Obrigada.
Subi rápido as escadas para pegar o celular, se ainda estava grampeado não sabia e francamente não me importo — disco os números e por um momento fico aflita, ainda sim sigo em frente, no quinto toque ouço a voz serena e calma.
— Oi. Sou Jessika Velark e gostaria de conversar com a senhora, se possível — digo.
— Claro. Pode vir em meu consultório, estou livre pelas próximas horas, anote o endereço.
— Obrigada. Pode falar.
Anoto em um bloco de notas, ao encerrar a ligação troco de roupa rápido, temendo mudar de ideia ou de me deparar com ele pela casa. Ao sair para o sol ameno e vento fresco.
— Me leve neste endereço, por favor — peço a Kenji e aguardo enquanto o coreano foi buscar o veículo.
No carro envio mensagem a Sebastian, aceitando jantar com ele essa noite, nada além disso — o silêncio era confortável, em um momento e outro pego Kenji olhando para mim, parecia querer dizer algo, todavia não o fez e eu tampouco dei início a algum monólogo. O destino fora curto, o trânsito colaborou para que eu chegasse rápido, peço para que ele me espere e entro no local que aparenta mesmo ser um consultório, tudo era branco em meio a poucos tons acinzentados — sou recebida pela recepcionista e aguardo ser chamada.
A mulher que me chama era elegante, trajada em um terno branco bem passado, cabelos bem presos e um olhar afiado porém calmo e sereno, passo pela porta e me sento na poltrona, olhando a estante de livros certamente relacionados ao trabalho, a organização impecável e o cheiro de lavando impregnado no ar.
— Imagino que não tinha vindo aqui para uma consulta — constata o óbvio. — Prazer em conhecê-la, senhora Velark.
— Não, não vim, apesar de precisar urgentemente — brinco sem ânimo algum. — Sei que isso vai contra seu código, mas preciso conversar e saber o estado clínico dele.
A mais velha se acomoda na minha frente, a postura ereta e olhar ainda afiado como uma águia.
— Aceita um café? Chá? Água?
— Estou bem, obrigada.
— A seis anos atrás passei a tratar apenas dele — começou. — Sofri uma tentativa de assassinado pelo meu antigo paciente após pequenas sessões onde declarei ao juiz o seu estado, desde então passei a tratar Sebastian por insistência dele mesmo.
— Isso não foi o que perguntei, com todo respeito — a mesma sorriu assentindo.
— Não tenho permissão alguma em revelar a você algo que apenas eu e meu paciente tem de saber — respira fundo. — Entretanto, você mais do que ninguém o conheceu verdadeiramente, e não, ele não falou sobre nada, mas a cujar pelo seu tremor, e olhar ansioso, é notável que sentiu na pele tudo o que ele reprime para soltar de uma só vez.
Minha pele arrepia ao ponto de doer, me remexo um pouco e busco manter a calma. A vejo levantar e seguir até a mesa de madeira branca, mexer em alguma das gavetas e tirar dali um envelope branco com detalhes dourados com a logo de seu consultório.
— Isso foi o que constatei com anos de terapia onde ele não dizia nada que fosse benéfico para um diagnóstico preciso, porém, minha experiência é ótima o suficiente para não precisar de palavras — me entrega com toda confiança possível. — Jéssika, isso aqui não mudará nada e muito menos irá dar respostas sobre as quais você acha que precisa.
— O que pensa que preciso? — Indago, não com ignorância, mas com curiosidade.
— Isso não sou eu quem tenho que dizer. É você — sorri, servindo café para nós, ainda que eu tenha recusado a minutos atrás. — Há um dizer que tudo o que passamos é com algum propósito, não concordo piamente com isso. Às vezes os fardos são postos para que carregamos e que possamos transmitir uma falsa calmaria e sensação de dever cumprido — sua voz era quase hipnótica. — Não estou romantizando o que você passou, muito menos irei me intrometer, pois você tem de resolver e priorizar o que levará para sua vida, principalmente o que aprendeu com tudo e como lidará quando a situação exigir.
Com isso, sem dizer nada mais me despeço, meu celular vibrou algumas vezes e sei que não era ninguém além dele. Ao entrar no carro peço a Kenji que não diga nada sobre onde havia vindo, durante o percurso reflito sobre as palavras que me foram ditas, de fato preciso filtrar e buscar um meio de lidar com tudo, quando isso acabar, porque vai, sinto que sim e também sei que não será nada calmo, pois isso não era do feitio dele.
Não levou quinze minutos de minha chegada para que Velark chegasse também, o semblante fechado em meio a palidez eram assustadoras, entretanto, mantinha minha postura e espero-o vir até mim, estava na sala principal tomando chá e lendo um livro para disfarçar outro que estava analisando minuciosamente.
— Sabe que não pode beber — murmuro, pela visão periférica o vejo no bar, servindo conhaque, de tanto tempo em seu domínio que passei a memorizar seus costumes.
— Preciso, ao menos um pouco — responde, o timbre rouco e grave como se tivesse gritado por horas a fio.
— Aconteceu algo? Quer conversar?
— Trabalho — soou monossilábico, acomodando-se em sua poltrona, os lumes azuis focados em mim, no entanto, parecia não me enxergar totalmente. — A falta de memória tem afetado meu trabalho mais do que imaginei, Amaya tem feito o que pode, porém, muita coisa depende somente de mim e isso me deixa estressado — conclui.
— Em algum momento sua mente voltará ao normal, precisa ter paciência — pelo menos, isso é o que penso.
— Tem razão — toma um pouco da bebida. — Gostou das rosas?
— Gostei, são lindas, obrigada.
Um meio sorriso brotou de seus lábios pouco ressecados, o terno escuro lhe dava um aspecto belo, mas também cadavérico.
— Onde iremos jantar? — mudo de assunto, a fim de desviá-lo do stress nítido em seu rosto.
— Surpresa — sorri, e dessa vez era um sorriso que me faz lembrar de uma criança prestes a aprontar.
— Tudo bem — sorrio.
— O que fez enquanto estive fora?
— Lendo, tomando chá e pensando em uma roupa apropriada para essa noite — não era mentira, porém não era de todo verdade.
— Ficará divina com o que escolher, disso não duvido — o copo vazio foi deixado no aparador do lado direito.
— Sebastian? — sua atenção fixa em mim. — Está se sentindo bem? Devíamos voltar ao hospital, a última crise foi bem severa.
— Estou ótimo, não se preocupe — se levanta, vindo até mim, sua destra acaricia meu rosto com ternura. — Vou trabalhar na oficina, se precisar de mim, pode ir até lá e me fazer companhia.
— Tudo bem.
O acompanho com os olhos até ficar sozinha novamente, deixo o livro próximo e pego novamente o tablet, lendo as análises que segundo a psicóloga, foi sua constatação para o quadro clínico dele, a despeito do que já vivenciei, nada imposto ali me soou diferente, apenas um pouco mais conclusivo. Sebastian possui stress pós traumático severo, que desencadeou a sociopatia ainda jovem, muito de seu passado me era desconhecido, a vulgar por suas ações no começo, era plausível suas ações leigas sobre o básico do ser humano comum — a partir disso veio a bipolaridade e depressão, os impulsos levados pela raiva, tais descrições levaram-me a lembranças dolorosas.
Me pergunto como tudo aquilo seria mais coerente se ela soubesse por ele tudo o que de fato aconteceu em sua vida, o que ele se tornou e o que veio fazer desde então — o poder nele incubido o tornava intocável, ao ponto de toda atrocidade passar longe das autoridades e possivelmente da mídia. Desisto de ler o restante, era demais para mim, e era ridículo caçar motivos para quem ele é, agora, devido a perda de memória, passou a ser quase uma pessoa comum, todavia, quem o conhece sabe piamente que ele era tudo, menos um ser humano comum.
— Senhora? — a voz me surpreendeu ao ponto de engolir o grito pelo susto, Kenji estava a alguns passos de distância.
— Que susto. Meu Deus! — praguejo. — O que foi?
— Senhor Velark solicitou uma equipe para cuidar da senhora, de um spar caso queira saber.
— Obrigada, onde elas estão?
— Na sala leste.
— Estou indo.
— Está tudo bem? Parece que viu um fantasma — conteve o riso.
— Cuide de sua vida, japa — devolvo na mesma conotação.
— Sou coreano.
— É a mesma coisa — brinco.
— Não mesmo — seu tom de voz não veio amigável, havia um quê a mais, devido ao seu sorriso não era nada educado também.
— Vá trabalhar — ordeno nada convincente, o mesmo sorri e assente, numa reverência debochada.
[...]
No período da tarde sou tratada como uma rainha, recebi uma massagem que relaxou todo meu corpo que estava totalmente tenso, minhas unhas foram bem cuidadas, optei pelo esmalte em tom rubro, nas mãos e nos pés — pedi que cortassem um pouco meu cabelo, diminuir apenas o tamanho, não o suficiente para ser considerado curto, lavaram e trataram para que os cachos já naturais ficassem brilhosos e macios, nessas horas deixei para lá as preocupações que me assolam a dias a fio. Por volta das sete e meia saiu do banho, segurando a toalha em volta do corpo, o vestido que escolhi era vermelho sangue, de tecido grosso, tal qual marcaria bem minhas curvas, o comprimento ia até um pouco acima dos joelhos, a sandália aberta preta com o solado vermelho estava aos pés da cama, pelas alças ficarem um pouco abaixo dos ombros, não optei por sutiã, fora que o bojo interno sustentaria meus seios fartos — o problema seria um pouco da exposição das cicatrizes, no entanto, deixarei os cabelos soltos para cobri-los.
Conforme me arrumo, não sabia o paradeiro dele, não nos vimos durante toda a tarde, felizmente ou infelizmente mantenho o medo sobre seu estado e as dores que vem sentindo. Diante ao espelho analiso minha escolha, ficou perfeito, elegante e sensual nas medidas certas, a maquiagem fora suave nos olhos enquanto nos lábios o vermelho escuro realçava minha pele morena, cheirando a jasmim, me sento na cama para colocar as sandálias, a porta foi aberta e tive o vislumbre de Velark, trajado em um belo smoking três peças, os cabelos havia crescido um pouco, e mesmo assim o aspecto de sua aparência conseguia ser de tirar o fôlego — o mesmo veio até mim, ajoelhou-se, e neste ato minha pele arrepia pelo toque de sua mão grande, quente e áspera, fico hipnotizada por seu cuidado ao colocar e afivelar os sapatos.
— Está maravilhosa — elogia, ficando de pé à minha frente.
— Obrigada, você também está muito bonito — digo com total sinceridade.
— Obrigado, é a primeira vez que me elogia — franzi o cenho de imediato.
— O que?
— Quer dizer, você não me elogia com frequência, não parece fazer parte do seu feitio, apesar de seus olhos não mentirem sobre o que pensa quando olha para mim — explica.
Reviro os olhos e sorrio, passando por ele apenas para pegar a bolsa pequena e preta, onde coloquei apenas o básico para retocar a maquiagem e perfume.
— Vamos? — incito, desejando sair do quarto o mais rápido possível, sua presença era sufocante de tão intensa.
— Claro, eu levo sua bolsa, pode ir primeiro — pega o objeto de minha mão e indica para eu sair primeiro.
Não fico para saber o motivo dele ter dito aquilo, sigo pelo corredor até as escadas e desço com cuidado, de pronto sinto medo e receio, paro no meio dos degraus e olho para trás, vendo-o mexendo no celular, com isso termino de descer e o espero — a imensidão azul de suas íris fixam em mim, e o brilho refletido ali possuía significados que não sei se são bons e ruins, penso no relatório confidencial que li sobre seu estado, meu coração dispara um pouco, busco manter o semblante calmo ao segurar em seu braço para que me conduza até o carro que já esperava por nós.
— Irei dirigir, podem ficar, iremos em outro carro, leve este para a garagem, por favor e obrigado.
— Sim senhor.
Sebastian apenas pede para eu esperar e segue até a garagem, não tardando a voltar com uma maserati preto fosco e interior revestido em couro vermelho.
— Uau! — me surpreendo.
Velark desce em toda sua glória, deu a volta, abriu a porta do passageiro, me ajudando a entrar, seu sorriso era acolhedor, isso não me deixava menos tensa ou menos preocupada — o cheiro de novo estava impregnado, era tanto luxo que era difícil se acostumar ou até mesmo se portar com mais decência e elegância.
— Vai me dizer agora, para onde vamos? — pergunto.
— Surpresa — repete de novo.
O motor rugiu como um animal selvagem, meu sorriso o fez gargalhar e isso era novo, era diferente. Seguimos um percurso que eu conhecia, não demorou para chegarmos ao restaurante que ele me trouxe a meses atrás, cujo gerente era um baba ovo do caralho.
Desci com todo cuidado, a chave foi entregue ao manobrista e logo sua mão se fecha sobre a minha.
— Por que aqui? — Sondo com cautela.
— Nunca a trouxe aqui — responde. — Já?
— Sim — não digo nada além.
— Deseja outro lugar?
— Aqui está ótimo, obrigada.
Entramos no estabelecimento, estava diferente da última vez, a decoração era em tons brancos, vermelhos e dourados, quase um clima natalino — para meu alívio o gerente não estava, então fomos recepcionados por um dos garçons, nossa mesa ficava perto do palco pequeno onde um homem mais velho junto aos músicos cantavam as melhores de Michael Bublé.
Nos sentamos, o cardápio digital foi entregue, observo-o pedir vinho tinto suave, de uma marca que não conheço, obviamente só a bebida poderia custar mais do que posso contar. A tensão retorna, tomo um pouco da água gelada na taça já posta na mesa quadrada e bem organizada, me concentro na música por poucos segundos antes da voz tão conhecida soar.
— Seu aniversário está chegando — comenta.
— Como sabe disso?
— Não me esqueci disso — retruca. — Por que não comentou comigo?
— Não é uma data que eu goste ou queira comemorar.
— Deveria gostar, é uma data importante — ressalta.
— Quando é o seu? — pergunto.
— Segundo minha secretária, dia cinco de maio — sorri. — O básico sobre minha vida não consigo lembrar, é frustrante.
Não vejo graça sobre, o noto sorrir sobre a situação nada confortável, mantenho-me em silêncio, o garçom retorna com o vinho, Sebastian faz nossos pedidos, não mudo suas opções, apenas espero.
A letra da música parecia ter sido escolhida para nós, meu coração dispara, de pronto sinto uma vontade irrefreável de chorar, de contar tudo e pedir para ir embora — algo me impedia, e tal impedimento renderia consequências futuramente.
O jantar ao ser servido, não engato conversas, aprecio o prato em silêncio, conforme o cantor entoa a melodia com devoção, paro ao olhar Sebastian e o ver ofegante, seu prato mal havia sido tocado.
— O que foi?
— Minha cabeça — geme de dor, afastando um pouco da mesa para ficar de pé. — Dói ao ponto de não c-conseguir r-respirar — gagueja.
Me levanto rapidamente, chamo por alguém, Sebastian paga a conta e nisso busco segurá-lo, nos despedimos e o ajudo a sair, sinalizo para o manobrista trazer o carro.
— Logo estaremos em casa, ficará tudo bem — meus olhos se enchem de lágrimas.
— O ajude a entrar, por favor! — peço ao funcionário, assumindo o volante.
Piso fundo no acelerador, no caminho intercalo o olhar entre a rua e ele, acelero mais ao mudar a marcha, a porra do salto incomodava, entretanto ignoro, avanço os sinais fechados para chegarmos logo — o trajeto de quase meia hora, fiz em quinze minutos, os pneus derrapam ao passar pelos portoes.
— Me ajudem a levá-lo para o quarto, por favor!
Corro para acompanhá-los, Sebastian diz palavras desconexas, passo na frente e abro a porta, pedindo para terem cuidado com ele. Sozinha, corro para pegar uma toalha pequena e úmida, retorno para afrouxar a gravata, tiro com cuidado e abro a camisa social, para que o ajude a respirar melhor.
— Vou te ajudar a tomar o remédio, ta bom?
O mesmo assente, pego o comprimido, respiro fundo a ergo um pouco sua cabeça, sustentando o suficiente para engolir e tomar um pouco de água, o deito com cuidado e desço da cama, tirando seus sapatos, amanhã o ajudo a trocar as roupas.
— Obrigado — sua voz soou rouca e exausta.
— Descanse, a dor vai passar.
— Estraguei tudo — ofega, os olhos quase fechados.
— Não estragou, foi um jantar ótimo. Obrigada.
O sorriso desponta em seus lábios cansados, faço carinho em seus cabelos ralos, o ninando, era bonito e angelical, como se tivesse duas personalidades e a melhor delas veio após a cirurgia, e isso era triste, lamentável, porque ele merecia ser alguém melhor, não faço ideia de como vai ser quando voltar — no silêncio sua voz ditava palavras que não compreendi de início, mas que ao se tornar coerente, meu coração apertou e comecei a chorar.
—Seu amor vai me transformar. E agora posso ver todas as possibilidades — sussurrou o trecho da música tocada no restaurante antes de fechar os olhos e adormecer.
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N/A: Demorou mas chegou o cap rs
Ressalto novamente que os capítulos estão em processo de revisão entt os antigos comentários já não vão s encaixar no contexto no cap revisado.
Espero que tenham gostado e até a próxima.
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