Nova Perspectiva
[X-Mauro-X]
Meu nariz volta a puxar ar, e a minha consciência começa a despertar. Depois, a minha boca libera um suspiro longo e grosso, como uma baforada de ar. Tento abrir os olhos, mas vejo tudo turvo, ondulando em uma confusão de cores e distorções. Deslizo as mãos, sentindo múltiplos toques duros e poeira penetrando os meus poros como vermes rastejantes. Puxo ar pelo nariz novamente, inalando um fedor intenso de mofo, um cheiro de destruição e morte. Tento movimentar as pernas, mas uma dor ataca os meus joelhos como mãos de aço esmagando carne.
— Argh... — gemo, sentindo um ligeiro tremor em todos os músculos. — Hunf... — deslizo a cabeça, direcionando os olhos para frente. Está tudo muito escuro. Está de noite, mas... onde estou? O que aconteceu? Por que me sinto tão miserável? Este cheiro... Este é o meu cheiro? É este o fedor da morte? Não, não pode ser... Não posso estar morto, não depois de todos esses anos... Preciso me recompor. — Curf... Curf... — tusso, cuspindo saliva acumulada. Minha garganta começa a sentir uma dor fria e pulsante. Estou ficando doente. Não posso... Não posso ficar doente...
Fecho fortemente os olhos, com uma dor de cabeça começando a me atacar pela testa. Abro os olhos e agora vejo tudo com mais clareza. Estou em uma área arruinada do que um dia fora a cidade de Recife, capital do estado de Pernambuco. Prédios desmoronados estão por toda parte. Veículos de todos os tipos estão capotados e amassados, a maioria quase totalmente coberta de ferrugem. Escombros, esqueletos, cadáveres de papafigos e eletrodomésticos, tudo isso infesta o chão de asfalto que jaz rachado e esburacado, com pequenas elevações aqui e ali, como se houvesse ocorrido um grande terremoto. O céu está totalmente negro, sem nenhuma estrela, exceto pela lua distante no horizonte muito à frente, parecendo ser do tamanho de uma bola de futebol.
Suspiro pesadamente, estremecendo. Faço movimento de empurrar o chão, impulsionando o meu corpo para cima. Vários tremores me chicoteiam à medida que me levanto, cada um trazendo dores de agulhadas em alguma parte, subindo da perna para o topo da cabeça. Meu joelho direito se contorce e faz trac.
— Ai, caralho... Porra — gemo de dor, ofegando, com os pulmões sendo constantemente ardidos pelo mofo que inalo. Continuo o esforço para me levantar. Desta vez eu consigo ficar sobre um joelho. Enquanto isso, eu vou levantando o outro de segundo em segundo, lentamente, com bastante cuidado. Neste momento, eu giro os olhos para analisar o ambiente caótico a qual estou exposto.
Estou em cima da calçada de uma avenida lotada de obstáculos, como um gigantesco lixão a céu aberto. Os prédios comerciais não passam de restos de concreto e metal esmigalhado, alguns com partes das paredes ainda de pé, sustentando tetos aptos a um desmoronamento que pode acontecer a qualquer milésimo de segundo.
As residências e apartamentos estão com os seus interiores bloqueados por montanhas de poeira e concreto, ainda se podendo ver partes de robôs eletrodomésticos soterrados, como uma geladeira azul que está com a metade de baixo do corpo enterrado e apenas a parte de cima de fora. O rosto da geladeira tem a boca aberta e os olhos fechados; completamente morto. Um poste galvanizado distante está com a sua luz piscando de instante em instante, cuspindo faíscas.
Olho transtornado para tudo isso.
— Mas que... porra aconteceu...?
Urrrrrff... Um vento sopra e levanta pequenas ondas de poeira. Levanto o braço e cubro tanto o nariz como a boca. Neste momento, eu levanto o outro joelho, ficando totalmente de pé. Começo a mancar, rugindo um suspiro brusco da boca a cada passo. O clima é de solidão e morte. Estou caminhando sobre as ruínas da humanidade, destruída pela sua maior conquista tecnológica. Estou sonhando? Questiono-me, seguindo caminho rumo ao desconhecido. Quando irei acordar? Por favor, alguém me acorde...
Minhas roupas estão sujas e esfarrapadas, com alguns rasgos aqui e ali, expondo pedaços da minha pele. Minha barba está estranhamente mais bagunçada, como se tivesse crescido em uma rapidez incomum. Meus cabelos também estão na mesma situação, com fios emaranhados como mato incendiado. Minha garganta está seca, ansiando por um gole de água, e os meus lábios parecem estar rachando para dentro da pele, endurecendo como cicatriz de queimadura de terceiro grau.
Meus olhos piscam e, por um momento, eu quase desmaio de sonolência. Estou faminto também; o estômago reagindo como se estivesse diminuindo de tamanho e se apertando. Quanto tempo se passou? Mais importante, como vim parar aqui? Sou membro da elite comunista do Foro de São Paulo. Não é possível que eles tenham me descartado assim... Estarão fazendo algum tipo de experimento comigo? Janus Fujimori... Talvez esta seja a sua forma de punir os que o desagradam. Ele e sua obsessão por avanços científicos independente de ética e moralidade... Grande filho da puta, é isso que ele é.
Mas quem sou eu para julgar, não é mesmo? Agredi a minha própria irmã em um surto de raiva, então é lógico que eles iriam me punir de forma severa. Uma segunda prisão não seria o bastante para me colocar na linha. Só espero que isso acabe logo e eles me perdoem. Daí eu prometo nunca mais desobedecer vossa santidade de novo, nunca mais mesmo.
Paro de mancar, sentindo uma dormência consumindo as minhas pernas, descendo das coxas até os dedos dos pés, como se um manto estivesse me cobrindo. Meu joelho direito vibra, aos poucos começando a chacoalhar para os lados em uma tremedeira frenética.
— Porra — escoro as costas no capô de um carro vermelho, enrugando a face em uma careta chorosa. — Caralho — a perna inteira começa a arder e latejar. Fico alguns segundos sem me mover, esperando a dor diminuir. Felizmente, ela diminui, mas o incômodo persiste. Vou ter que continuar mesmo assim. Arrasto os pés para frente, andando lento e cuidadosamente. Sinto as pernas mais pesadas que o comum, como uma pilha de tijolos sendo formada dentro da musculatura. De repente, ouço um ruído eletrônico uórnnnnc. Eu me paraliso e estremeço. — Ah, merda...
Um papafigo aparece, caminhando por trás de uma caminhonete tombada, rugindo ecos de eletricidade chiúrrrrc. Eu rapidamente me agacho, quase torcendo o joelho no processo. Tomo cobertura atrás de um carro verde de teto destruído. Levanto o rosto para espiar. A criatura caminha toda se contorcendo, como se dançando desajeitadamente em um balançado de corpo, chacoalhando a cabeça para os lados como se estivesse sempre dizendo não para o mundo. Sua aparência é tão hórrida quanto nas câmeras de Edmundo. Suas vestes se fundiram com a sua pele metálica, parecendo pelos no corpo de um homem. Seus olhos são duas bolotas azuis brilhantes, sempre arregalados como se sempre apavorado. Os cabelos já não existem mais, e a sua boca está sempre aberta na forma de uma cratera redonda e sombria.
— Tchirc tchirc tchérrrrr — ele se vira para cá e eu rapidamente me agacho, com a garganta pulsando agitadamente dentro do pescoço nhung nhung nhung. Os passos do papafigo arrasta metal e faz diversos ruídos confusos de bate-bate. Não consigo conter o pavor. Meus ouvidos começam a zumbir e minha respiração está prestes a parar. Giro os olhos trêmulos e esbugalhados para um lado e outro, enquanto outros ruídos ecoam perto daqui. Tik tik tik tik tik. Um robô aracnoide está perambulando perto; um liquidificador ou uma cafeteira.
Volto a espiar. O papafigo se afastou para mais adiante. Decido então agir e me mover, tomando cobertura atrás da caminhonete de onde o papafigo surgiu. Minhas pernas voltam a ficar dormentes, formigando friamente por dentro. O papafigo continua se afastando, até finalmente sumir por trás da carga de um caminhão branco tombado. Volto a me mover, andando agachado, forçando as pernas de modo que as mesmas começam a arder.
Paro atrás de outro veículo e olho em volta. Tudo parece limpo. Não ouço nenhum ruído ou sinal de algo se aproximando. Volto então a me movimentar. O músculo da perna começa a doer como se estivesse sendo espremido por mãos frias e fortes. Não resisto em fazer algumas caretas de dor e soltar uns resfolegados.
Tik tik tik tik tik. De novo o barulho. De onde está vindo?! Tik tik tik tik tik. Meus nervos se agitam e balançam; meus olhos totalmente esbugalhados e tremulando.
PRÁRK... prárk... prárk... Um tiro. Não sei de onde veio. Não foi muito distante.
Escondo-me atrás de um carro esportivo, com o peito subindo e descendo, beirando o desespero.
Sons de botas e pernas aracnoides retumbam no ar, não muito distantes.
— Este lugar era cheio de papafigos durante a minha juventude — diz uma voz masculina e idosa. — Agora, restam bem poucos. É questão de tempo até morrerem todos.
— Sim, sim — diz uma voz fininha e eletrônica. — A cidade vai poder se expandir ainda mais se continuar assim! Podemos até ser recompensados por vossa santidade Luiz Garcia por isso!
São comunistas. Penso, suspirando muito. Merda, se eles me virem, podem me reconhecer como traidor e me matar! Merda, o que eu faço?! Eles vão atirar se eu tentar sair correndo!
— Pai, tem certeza que isso é uma boa ideia? — pergunta uma voz feminina e jovem. — Estamos na Zona Proibida. Isso não é sacrilégio?
— Aline, minha filha — diz a voz masculina. — Não existe sacrilégio quando os fins justificam os meios. O que estamos fazendo é dando o nosso auxílio no cumprimento da Sagrada Missão. É o nosso dever livrar o mundo dos papafigos e incrédulos.
— Esperem — diz a voz fininha e eletrônica. — Minha visão infravermelha tá detectando um humano atrás daquele carro esportivo bem ali.
Puxo ar pela boca e congelo. Não, não, não... Seus passos se aproximam em um bate-bate ligeiro. A adrenalina aquece o meu sangue e me faz saltar para correr, porém dou de cara com uma pistola 10mm apontando para a minha face. A garota que a segura é baixinha, tem uma pele clara meio suja de poeira, cabelos ruivos claros que desce até a altura do ombro e olhos verdes como esmeralda. Ela veste um moletom bege sujo com capuz abaixado e calção branco.
Sua boca fina abre ao olhar bem para o meu rosto.
— Pai, encontrei um humano perdido!
Uma cafeteira aracnoide preta aparece em cima do carro esportivo, mirando-me com um olho único e vermelho-brilhante.
— Nossa — ele era a voz fininha e eletrônica. — É um humano mesmo!
— O que foi, Aline?! O que você... — um homem velho de bigode branco aparece ao lado da menina, segurando um rifle de caça. Ele me lança um olhar de extrema surpresa. — Por Santo Garcia...
Eu levanto as mãos em rendição.
— Por favor — balbucio, quase perdendo a voz no meio do desespero. — Eu... Eu tô perdido... Por favor, não me matem...
O silêncio deles só ajuda a me fazer sentir mais perto da morte. O velho e a menina trocam olhares duradouros. A cafeteira chacoalha o corpinho para cima e para baixo, deixando claro a sua ansiedade.
A menina Aline abaixa a pistola.
— Pai, o que a gente vai fazer com ele?
— Não é todo mundo que se perde aqui na Zona Proibida — diz o velho, com os olhos castanhos me estudando de cima a baixo. — Em qual distrito da cidade você mora, rapaz?
— O quê?! Eu... Errr... — alterno o olhar nervosamente entre eles, todo me tremendo. — Eu... Eu... não me lembro...
— Não se lembra? — o velho arqueia as sobrancelhas. — Por acaso você bateu a cabeça e perdeu a memória?
— S-sim! Sim — balanço freneticamente a cabeça, lutando para não gaguejar. — Eu... bati a cabeça... Não me lembro de mais nada!
— Foi que nem aconteceu comigo uma vez, pai — diz a garota para o velho. — Quando caí no chão e bati com a testa na parede. Eu me esqueci de como era o rosto da mamãe depois disso, lembra?
— Sim, eu me lembro — o velho continua me estudando. — Mas isso não explica como ele veio parar dentro da Zona Proibida...
— Ele perdeu a memória, senhor Pedro — diz a cafeteira. — Deve ter vindo pelo mesmo motivo que nós!
— Hum... — o velho Pedro estreita os olhos para mim. — Talvez seja verdade.
Escapo um sorriso de meio segundo, abaixando lentamente as mãos. A cafeteira aracnoide salta do carro e para ao lado dos pés de Pedro, olhando-me de baixo para cima.
— Como você se chama? — pergunta a garota, com os olhos verdes brilhando de curiosidade.
Eu respiro fundo, sentindo uma familiaridade estranha no olhar dela. É uma garota bonita. Não deve ter mais do que treze ou quatorze anos. Seu corpo é tão fino e frágil que o moletom que veste parece ser o dobro da sua largura. O pai dela, porém, parece mais forte e sadio, tendo as bochechas rosadas enquanto o resto da pele do corpo é quase tão pálido como leite. A cafeteira aracnoide não tem nada de incomum. Seu modo de falar lembra muito a de Nininho, o antigo celular robô que eu e Leila tínhamos antes da guerra, quando éramos adolescentes.
Pensando em tudo isso, eu revelo o meu nome com uma suavizada:
— Meu nome é Mauro...
— Mauro — o velho expressa um sorriso amigável. — O nome do nosso Ministro da Segurança. Se eu tivesse um filho homem, teria dado esse nome ele...
Não estão me reconhecendo. Penso, sentindo uma sensação estranha dentro do peito. Não é tristeza ou raiva. É algo profundo, que me causa vazio. Estava esperando que tudo isto fosse um sonho, mas nenhum dos meus sonhos chegou a este nível de realismo ou duraram tanto tempo. O que aconteceu? O que fizeram comigo? Mesmo tentando, eu não consigo me lembrar de nada, exceto de que estava preso em uma cela na prisão subterrânea do Palácio Vermelho. Terá Luiz Garcia decidido me descartar depois de tanto tempo sendo fiel à sua causa? E quanto à Leila? O que fizeram com a minha irmã?
De repente, um ruído metálico vira a nossa atenção. Algo está se movendo atrás do caminhão branco tombado.
— Ah, não — grita Aline, recuando. — É um papafigo!
— Temos que sair daqui! Pode ser uma horda — brada Pedro, fazendo sinal para eu o seguir. — Vamos, vamos!
O trio se mobiliza para fugir. Eu tento correr atrás deles, mas a minha perna direita se desloca e eu cambaleio, tombando com o peito no chão.
— O Mauro caiu — grita a cafeteira.
— Aline, espera!
Quando levanto o rosto, a garota Aline se agacha e segura o meu braço.
— Eu te ajudo, vem — se esforça para me puxar para cima. — Não vou deixar você morrer!
Eu levanto uma perna com dificuldade. Quando prestes a levantar a outra, eu olho para trás e vejo um papafigo cambaleando com as mãos para frente, prestes a se jogar contra as minhas costas. PRARK! Um tiro acerta o peito da coisa e a faz arriar para trás.
O velho Pedro aparece correndo e se agacha ao meu lado, colocando o meu braço ao redor do seu pescoço, de modo que estou o abraçando de lado.
— Fica apoiado em mim, tá bom?! — ele me puxa para cima e me levanta. — Aline! Nanito! Deem-me cobertura!
— É pra já — brada a cafeteira, que se posiciona atrás de nós junto com a garota. Olho para trás enquanto o velho me arrasta sobre a calçada. Dois papafigos estão se mobilizando para cá, rugindo agressivamente e se debatendo a cada passo desajustado. A menina Aline aponta a pistola e atira prak prak prak! O último tiro acerta em cheio a testa de um papafigo e o derruba. O outro, porém, vê o caminho livre de obstáculos à sua frente e começa a correr freneticamente, com as mãos estendidas para frente. A cafeteira Nanito salta para o capô de um carro, depois salta e se agarra ao rosto do papafigo. — SAI PRA LÁÁÁÁÁÁÁÁ — berra enquanto descendo vários socos na cara do papafigo, que se contorce louco e furiosamente, até cair para trás. — NINGUÉM TOCA NA MINHA FAMÍLIA — enfia a mão no olho do papafigo e arranca. — AGORA, MORRA — sobe e desce loucamente os punhos, causando impacto suficiente para amassar todo o rosto da criatura, que para de chiar e se contorcer de repente.
— Você está bem, Mauro?! — pergunta Pedro, esforçando-se para me arrastar. — Não estamos longe da Zona Permitida! Santo Garcia ainda há de me perdoar por estar fazendo isso, mas eu não vou deixar um camarada morrer neste lugar!
Eu continuo olhando para trás. A garota Aline corre até a cafeteira aracnoide e a puxa pela mão.
— Rápido, Nanito! Vem — a cafeteira é puxada violentamente. No mesmo instante, o papafigo que a cafeteira golpeava de repente começa a saltar e se levantar. — Ah, merda — Aline aponta a pistola e atira, mas está sem balas. O papafigo se contorce e se põe de pé. — PAAAAAAAI — ela corre para cá junto com Nanito. — AJUDA AQUIIIIIII!
MOÁRRRRRRR! O papafigo dispara correria frenética e desengonçada. Neste momento, tudo parece correr em câmera lenta. O velho Pedro vira o rosto para ver o que está acontecendo, arregalando os olhos e abrindo a boca para gritar. Aline e Nanito correndo desesperados em nossa direção. O papafigo prestes a alcançar as costas de Aline e dilacerá-la. Eu decido deixar de lado a minha dor e tomar uma ação para protegê-los. Movo o meu braço envolvido no pescoço de Pedro e agarro o seu rifle de caça, tomando-o rapidamente de sua mão. Com a mesma rapidez, eu aponto a arma para o papafigo e aperto o gatilho. PRARK! O tiro atravessa o seu pescoço e o faz bater com as costas no chão, finalmente morrendo.
Aline e Nanito paralisam ao verem isso, olhando perplexos para o papafigo caído e morto. Depois, eles viram os olhos para mim, sobressaltados.
Eu, ofegando, abro os dedos das mãos e deixo o rifle cair ao chão. A fraqueza toma de mim, e os meus joelhos não conseguem mais sustentar o meu corpo de pé. Meus olhos começam a fechar e o meu corpo desmorona repentinamente para o lado, batendo com a bochecha no chão, sentindo a consciência se esvair quando os meus olhos voltam a se fechar para o mundo.
O último que ouço é o meu suspiro exalando da boca.
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