Capítulo 17
Fernanda
Eu estava radiante com o pedido e a casa, e estou mais ansiosa para dar a notícia a Isabel sobre sua adoção. Assim que chego no orfanato sou recebida pela dona Carmem, que me leva ao quarto da Isabel.
- Oi Bel - me aproximo da mesma que estava deitada -
- Oi Nanda, não esperava te ver hoje - ela se levanta e me abraça -
- Lembra que eu iria te levar para você começar um acompanhamento com a mesma doutora que eu? - comento e ela assente - Então vou te levar hoje lá
- Está bem, vou apenas tomar um banho - ela se retira para o banheiro -
Aproveito para mandar mensagem para o Rodrigo e pergunta como está o andamento do caso da Isabel, ele me diz que conseguiram dar a intimação ao padrasto dela, respiro aliviada por saber que em breve esse safado estará atrás das grades.
- Estou pronta - ela diz me tirando a atenção do celular -
- Vamos então - pego minha bolsa e seguimos para fora -
- Uma boa consulta meninas - Carmem sorri e partimos -
- Tenho me sentindo muito cansada ultimamente - Isabel diz se reclamando no banco do carro -
- Isso é bem normal, nós grávidas parecemos ursos em hibernação - digo e arranco uma risada dela -
- Bem isso , Nanda posso te fazer uma pergunta ? - me olha e eu assinto enquanto mantenho minha atenção na estrada - Como você lidou com tudo que aconteceu com isso?
- Foi bem difícil e ainda é, luto todos os dias contra sentimentos de vergonha e repulsa que sinto de mim mesma. Fora os pesadelos constantes do ocorrido com meu pai - digo e a mesma mantém seu rosto virado para a janela - Algo que me ajudou muito foi uma psicóloga, desde que comecei a ter os pesadelos decidir fazer acompanhamento. Eu havia feito quando fui abusada, mais o ocorrido na minha família mexeu mais comigo
- Entendo , você acha que eu deveria me tratar com um psicólogo? - noto seus olhos azuis molhados -
- Se for bem para você, te aconselho a ir sim. Mais para aprender a lidar com seus sentimentos - digo e estaciono o carro -
- Obrigada Nanda e desculpa pergunta sobre isso - ela diz e eu a abraço -
- Conta comigo - beijo sua bochecha - Chegamos
Caminhamos para o hospital, aonde faço uma ficha de acompanhamento pré- natal para a Isabel e ficamos a espera de sermos chamadas para a consulta. Ficamos conversando e depois de algum tempo fomos chamadas.
- Você é a responsável ? - a enfermeira pergunta e eu assinto - Venham então
- Olá Fernanda - Laura se levanta e me cumprimenta - Não esperava ver você hoje
- É, mas não vim para me consultar mas sim para minha amiga. Laura essa é a Isabel a menina que te falei - aponto para ela que está parada na porta assustada -
- Ah muito prazer Isabel, entre querida e se sente - Laura aponta para a cadeira e eu guio Isabel até a cadeira - Então Isabel me fala sobre você e sobre sua gravidez
- Então doutora assim como eu Isabel foi abusada, mas aconteceu dela engravidar. Ela está por volta de 5 meses de gestação - digo e seguro a mão da Isabel que tremia, tive que falar pois ela estava de cabeça baixa-
- Entendo , Isabel será que você poderia deitar naquela maca para vermos seu bebê ? - Isabel balança a cabeça e eu sigo com ela para a maca-
- Não vai doer nada, só será um gel bem geladinho - digo e continuo de mão dadas com ela -
- Vou passar o gel ok - Isabel assente e Laura passa o gel na barriga dela, não demora muito para o som do coração preencher a sala -
- Isso é o bebê ? - noto que havia uma lágrima solitária escorrendo pelo seu rosto -
- Sim , é o seu bebê - digo me segurando para não chorar - Não é o som mais lindo?
- Sim, eu não sabia que era tão agitado - ela sorri e eu olho para Laura que também matinha um sorriso no rosto-
- Então Isabel, está pronta para descobrir o sexo do seu bebê ? - Laura pergunta e Isabel aperta minha mão -
- Sim - ela diz e ambas olhamos para a tela -
- Está vendo, ali é os pezinhos e mais cima vemos seu órgão. Parabéns Isabel você está esperando um menino - Laura diz e Isabel me olha assustada-
- É um menino Bel - beijo sua testa e vejo lágrimas rolarem soltas pelo seu rosto -
- Me desculpe meu bebê, nunca mais vou dizer que não te quero - ela sussura baixinho e eu seco suas lágrimas -
Após se limpar nos sentamos novamente e Laura receita algumas vitaminas essências que estavam faltando e alguns exames para Isabel fazer, nos despedimos e seguimos o caminho. Ao entrar no carro noto que está cada vez mais difícil dirigir com esse barrigão, sigo o caminho ao som de uma música calma que tocava no rádio, vejo Isabel acariciar sua barriga o tempo todo, não demora muito e chegamos a minha casa. Isabel não entende muito porém me segue casa a dentro, faltava apenas algumas coisas para finalizarmos nossa mudança.
- Entra - abro a porta e ela olha abismada o quarto -
- Muito lindo esse quarto - ela diz andando observando cada detalhe -
- Que bom que gostou, esse quarto é seu porém ainda precisa de alguns detalhes - digo e ela se vira para mim -
- Por que pra mim ? - se aproxima de mim-
- Quis te dar a notícia aqui, Rodrigo e eu demos entrada aos papéis da adoração. Agora basta saber se você deseja ficar conosco ? - pergunto e ela põem a mão na boca -
- Não posso Fernanda, eu serei um peso na vida de vocês. Olha só eu sou uma adolescente problemática e grávida - ela se afasta de mim-
- Não diga isso, quando eu te conheci eu notei uma força estrondosa. Você é forte e seu bebê será muito amado por você e por nós se você permitir - me aproximo dela e toco seu ombro -
- Você irá me abandonar como minha mãe ? - ela seca as lágrimas que teimam em descer-
- Jamais - a abraço e acaricio seus cabelos -
Termino de mostrar a casa para ela, pergunto como ela deseja montar o quarto dela, pois de início deixaremos o berço do bebê no quarto dela, depois de eu anotar tudo. Levo ela de volta ao abrigo e digo que no próximo mês venho buscá-la, parto para casa e quando chego minha mãe já havia preparado o almoço, sento para ver tv enquanto almoço e após terminar de almoçar, lavo a louça. Vou para o banheiro e tomo um banho, visto apenas uma calcinha e ponho uma camisola, o tempo estava bem fresquinho então ligo o ventilador e me deito na cama não demora muito para pegar no sono. Sou despertada pelo meu celular tocando, atendo porém ninguém fala nada, ponho o celular do lado da cama e decido me levantar, vou para a sala aonde encontro Esther vendo algo na tv.
- Até parece que não moramos mais na mesma casa - digo me sentando ao lado dela -
- Deixa de ser exagerada Fernanda - ela revira os olhos -
- Como está na faculdade ? - pergunto e cato seu balde de pipoca apoiando sob minha barriga-
- Normal - ela mantém os olhos na tv -
- Aconteceu algo? - a catuco e ela me olha -
- Só estou cansada - suspira e eu a olho -
- Eu te conheço Esther, desembucha logo - dou um tapa em sua perna e ela se senta em cima das pernas-
- Promete não contar para a mamãe ? - ela pergunta e eu assinto - Sabe o Thiago amigo do Rodrigo, então eu perdi minha virgindade com ele
- Como assim Esther ? - aumento meu tom de voz e ela ameça levantar - Nem começa a querer a fugir, vocês se protegeram pelo menos?
- Ah qual foi Fernanda, claro né. Não quero engravidar como você - revira os olhos e bufa -
- Não fale assim comigo Esther, é que você é tão nova - a olho e a mesma rir debochada-
- Nova ? Me poupe né, falou a pessoa que perdeu a virgindade com 15 anos escondida do pai - ela diz e eu arqueio minha sombrancelha-
- Só estou preocupada com você Esther, não seja mal educada - respondo e ela se levanta-
- Sempre querendo ser a certinha né, se tivesse sido não estaríamos nessa situação. O papai morto e a gente aqui por sua causa - ela aponta o dedo na minha cara e engulo seco -
- Você está certo é sua vida - me levanto e volto para o quarto -
Então que dizer que a Esther acha que é minha culpa o nosso pai está morto? Tudo bem que foi eu que atirei, porém fiz aquilo apenas para proteger minha família mas infelizmente, não é assim que encaram. Seco as lágrimas mornas que desciam pelo meu rosto e ligo meu celular conectando a uma rádio qualquer e começo a arrumar minhas coisas, já está na hora de me mudar.
Que briga hein, Esther se estressou e ainda deu a entender que é a culpa é da Fernanda. Será que ela é culpada mesmo?
Digam vocês, vocês acham que ela deu motivos pro pai dela agir assim?
Bom, vejo vocês no próximo capítulo ... 😘
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