Capítulo 11

  Algumas semanas depois...
 
                      Fernanda

Me levantei da cama para não acordar o Rodrigo que dormia tranquilamente e caminhei para o banheiro, me despi e entrei no chuveiro, tratei de lavar meu cabelo pois ele estava um grude. Enrolei a toalha na cabeça e em seguida me enrolei no roupão, ao entrar no quarto separei minha roupa e fui para a cozinha, botei o pó de café e água e liguei a cafeteira.
- Acordada já ? - Rodrigo pergunta coçando os olhos-
- Sim, tenho que ir trabalhar - digo e ele põem a mão na testa-
- Meu Deus, eu me esqueci completamente - se levanta num pulo catando suas roupas-
- Você não era assim Rodrigo - estalo a língua e ele nega com a cabeça-
- Não mesmo - ri e sela nossos lábios- Cheirinho bom de café
- Já deve estar pronto, pode ir lá tomar - digo vestindo minhas peças íntimas-
- Podia tirar esse roupão hein - ele diz levantando as sombrancelhas-
- Sossega Rodrigo, você irá se atrasar - praticamente o empurro para fora do quarto-
- Você não era assim - ele diz manhoso-
Consigo bota-lo para casa para se arrumar e termino de fazer o mesmo, ao terminar penteio meu cabelo o prendendo num rabo de cavalo. Vou até a cozinha e encho minha caneca de café, pego meu celular e chego algumas mensagens e redes sociais, não demora muito minha porta se abre novamente.
- Até gostaria de levá-la, mas creio que isso me atrasaria - ele diz e noto o qual bonito ele está vestido naquele terno cinza-
- Relaxa, tenho carro esqueceu - pisco pra ele -
- Às vezes me esqueço de tudo olhando pra você - toca na ponto do meu nariz me fazendo sorrir - Bom trabalho
- Pra você também - lhe dou o beijo -
- Te amo - ele caminha até porta -
- Também te amo , cuidado - mando beijos pra ele que sai em seguida-
Ponho minha caneca na pia e vou ao meu quarto pegar minha bolsa, e saio rapidamente.
Assim que entro no carro noto que o tempo estava nublado, coisa rara no Rio de Janeiro, ultimamente só tem feito calor. Abro as janelas e não demoro para chegar na empresa, o trânsito estava tranquilo, cumprimento o senhor Luís e adentro o elevador. Ao chegar no andar noto que algumas coisas estavam diferentes, porém não questiono, sento na minha mesa e não demora muito para a Luísa aparecer.
- Não ficou sabendo? - arqueio a sombrancelha-
- De? - ela se abaixa como se fosse contar um segredo-
- O senhor Ricardo assumiu a empresa - olho para sala e vejo o nome escrito- Já era de se esperar, depois que o Rodrigo saiu
- Verdade - bato com as unhas na mesa- Pensei que ele fosse botar alguns dos subordinados dele
- Difícil - ela se levanta - Se prepara que lá vem a fera
- Fernanda, venha até minha sala - Ricardo diz e eu apenas assinto-
Recebo uma piscada da Luísa e me dirijo até a sala dele, ele aponta para a cadeira e me sento.
- Quero lhe dizer uma coisa - se apoia na mesa me olhando- Não espere receber tratamento especial como meu filho fazia, você é qualquer uma aqui dentro. Estamos entendidos?
- Não espero e nunca esperei tratamento especial Doutor Ricardo - digo tentando conter minha cara -
- Ok - ele pega uma pasta na mesa- A partir de agora você tomará conta dos casos que devem ser arquivados
- Mas Doutor - ele me olha sério-
- O que eu lhe disse ? - bufo com sua pergunta e me levanto - Quero esses casos arquivados e organizados até às 18 horas
Assinto e me retiro da sala, " quem ele pensa que é?", pensei. Ele pensa que vou ficar aqui pra ser sua secretária, eu estudei pelo meu cargo.

                Ricardo

Que mulherzinha petulante, queria bater de frente comigo. Agora ela verá quem manda aqui, vai ela pensar que sou o Rodrigo, baba ovo de mulher.
Ligação 📱:
Desconhecido : Doutor Ricardo?
Ricardo: Pois não, é ele
Desconhecido: Ainda precisará dos meus serviços?
Ricardo: Ah claro, dê apenas um susto
Desconhecido: Ok

Essa garota iria aprender a ser por no lugar dela.

               Fernanda

Eu já estava cansada de tanto digitar, olho no relógio é eles já marcam 21:30, Ricardo não permitiu que eu fosse embora sem antes terminar. Finalizo enviando tudo para o email dele e me levanto, chego meu celular e noto várias mensagens e ligações do Rodrigo, me limito apenas a dizer que já estou indo para casa, cato minha bolsa e desço. Me despeço do senhor Luís e vou para o meu carro, chuviscava bem franco, noto que a rua estava deserta e isso é bem de costume dessa área, só é movimentada no horário de trabalho. Vou andando procurando minhas chaves do carro, quando sinto que alguém me seguia, viro para trás e nada, " preciso parar de ver tanta série", penso comigo mesma.
- Não sabia que é perigoso andar sozinha essa hora? - um homem diz e nem olho-
Acelero um pouco meus passos até que sinto o mesmo segurar meus punhos.
- Me solta - digo entre os dentes-
- Ué gatinha, a essa hora sozinha deve querer alguma diversão - ele tenta passar a mão no meu rosto mas me afasto-
- Olha só senhor, eu não quero problemas me solta - digo tentando puxar meu braço mais é em vão-
- Não não, primeiro vamos brincar - ele se aproxima e me aperta contra seu corpo-
- SOCORO - grito o mais alto que posso-
- Ninguém vai te ouvir amor - sinto seu hálito perto do meu rosto e o mesmo segura o beijando- Vamos lá mostre o que você sabe sua puta
Ele me mantém presa entre seu corpo e um carro, eu apenas fecho os olhos e sinto as lágrimas escorreram. Sinto ele levantar minha saia e passar a mão pela minha coxa, e estremeço, após rasgar minha calcinha o mesmo tira sua calça e parte para cima de mim e com o resto de força que me resta o chuto.
- Sua vagabunda - ele ajoelha no chão e eu começo a correr - Tá pensando que vai embora
-Me solta - me debato e recebo um tapa na cara e logo sinto o gosto de sangue-
- Cadê seu poder agora? - ele segura meu rosto - Tentou me manter na cadeia mas não conseguiu.
- Você é maluco - digo e ele rir-
Ele então me penetra e eu começo a chorar, meus olhos percorrerem o lugar e vejo uma garrafa.
- Geme pra mim vai - ele desfere outro tapa no meu rosto - Diz que tá gostoso
- Aí que gostoso - as palavras parecem me rasgar por dentro-
Ele rasga minha blusa e quando ele ataca meus seios, puxo a garrafa e dou em sua cabeça e o mesmo cai. Me levanto correndo e pego minha bolsa, assim que entro no carro dou partida, eu tremia e chorava. Assim que cheguei no prédio, notei que estava sangrando e corri para o elevador, quando sai dei de cara com Rodrigo que estava sentado na minha porta.
- Fernanda - ele segura meu rosto- O que aconteceu com você meu amor?
Me desfaço em seus braços e me entrego ao choro, cada soluço que eu dava meu corpo tremia, Rodrigo me segurava em seus braços e passava a mão pelas minhas costas. Com muita paciência ele me trouxe para dentro de casa, me levou até o banheiro e me ajudou a tirar minha roupa e saiu me deixando tomar banho sozinha. Enquanto me lavava notei que havia um sangramento que não parava, aquele desgraçado me machucou, ao sair do banheiro pus um absorvente e terminei de me vestir. Rodrigo estava sentado na minha cama e me sentei ao lado dele.
- Me de sua mão - ele disse eu estendi- Me conta o que houve Nanda
- Eu estava saindo do trabalho.. - novamente voltei a chorar e Rodrigo me abraçou -
- Vamos ao médico, vê se você não sofreu nada mais grave - ele disse enquanto fazia curativos na minha mão-
- Como? - perguntei o olhando-
- Meu amor já cuidei de muitos casos desses - ele acaricia meu rosto - Dessa vez não vai ser diferente, eu irei achar esse desgraçado
- Rodrigo - ele me olha - Acho que foi alguém que prendemos
- Por que acha isso? - ele beija minha mão e me puxa para perto -
- Ele disse que não o consegui manter na cadeia - digo e Rodrigo meneia a cabeça-
- Pode ser, vou descobrir isso meu amor - beija o topo da minha cabeça- Eu fiquei tão preocupado, e quando te vi - suspirou abaixando a cabeça-
- Estou aqui - passei meus dedos em seu rosto-
- Vou cuidar de você - encosta seus lábios no meu - Amanhã vamos ao médico, agora apenas descanse
Me acolho em seu abraço, ele fica fazendo carinho em mim e logo adormeço. Quando acordo não encontro Rodrigo mas noto que ele deixou um bilhete, dizendo que havia ido em casa tomar banho e já voltava. Me levanto com certa dificuldade da cama pois estava sentindo muita dor, caminho até o banheiro e noto que o sangramento continuava, entro debaixo da água e tomo um banho, flashes do que aconteceu invadem minha mente e começo a chorar. Escuto a voz de Rodrigo e saio do banho, vou para o quarto e me visto rapidamente.
- Já avisei meu pai que você não irá hoje - ele diz e me entrega um comprimido- Tome, você gemeu de dor a noite toda
- Desculpa - digo sem graça e tomo o remédio-
- Meu amor não peça desculpas , você não fez nada - acaricio meu rosto - Vamos?
- Sim - calço minha sapatilha e pego minha bolsa-
Descemos e logo entramos no carro, Rodrigo liga o rádio baixinho e puxa uma sacola do banco de trás.
- Coma minha princesa - ele me entrega a sacola-
- Não tô com fome - digo olhando para fora-
- Você não comeu nada ontem Nanda, coma por favor - ele insiste e eu decido comer-
Abro a sacola e o cheiro de pão de queijo invande minhas narinas fazendo com minha barriga ronque, começo a comer e beber o suco. Não demoramos muito e chegamos ao hospital, a vontade de chorar me bate novamente e tento conter as lágrimas, Rodrigo me dá a mão e sinto sua proteção, caminhamos até dentro do hospital.
- Bom dia no que posso lhes ajudar? - a recepcionista pergunta-
- Um exame de corpo e delito - Rodrigo responde por mim e eu aperto sua mão-
- Preencha essa ficha e só aguardar - ela entrega uma prancheta-
Nos sentamos e ambos ficamos em silêncio, preencho a prancheta e logo em seguida entrego a recepcionista.
- Nanda tomei a liberdade e chamei a Luísa para te acompanhar - o olho surpresa- Sei que nesse momento delicado, seria ruim para você eu entrar
- Obrigada - balbucio e as lágrimas descem pelo meu rosto -
- Eu te amo e vou te proteger - ele beija minha testa e me aconchego em seu abraço-
- Oi amiga - Luísa não demora a chegar e me puxa para um abraço - Vim assim que o Rodrigo me ligou
- Obrigada Lu - digo e ela sorri em solidariedade-
- Oi Rodrigo - Luísa aperta a mão dele que apenas balança a cabeça-
- Com licença - ele se retira de perto de nós para atender a ligação-
Não demora muito e sou chamada, Luísa entrelaça seu braço no meu e caminhamos juntas.
- Bom dia Fernanda , sou a doutora Ellen e essa a Sueli que vai nos acompanhar- ela nos dá espaço para entrar - Por favor vá até aquela sala e ponha a camisola
Caminho em silêncio até o banheiro e começo a tirar minha roupa, visto a camisolas e saio. Eu já havia visto casos assim, mas nunca imaginei que seria a vítima.
- Sente- se aqui por favor, primeiro vou recolher seu sangue - ela amarra o garrote e enfia a agulha - Prontinho, Sueli leva pra mim o sangue para análise- ela se levanta - Fernanda preciso que você tire a camisola pra mim por favor
Ela se afasta e eu tiro, meus olhos começam a arder e logo sinto as lágrimas rolarem, olho para a Luísa que diz " estou aqui ".
- Irei tirar algumas fotos - logo ouço os cliques da câmera e abaixo minha cabeça- Pronto, agora deita ali por favor e ajeita suas pernas em cada lado - me deito na cama- O líquido que irei passar contém uma coloração para ser vista pela luz, se houve secreção deixada, vou começar
Logo sinto um líquido gelado tocar na minha vagina e eu me arrepio, Luísa põem a mão no ombro me passando segurança. Não demora muito e o exame acaba, vou até o banheiro e me visto e quando volto encontro a doutora Ellen conversando com outra médica.
- Fernanda essa é a doutora Laura, obstetra do nosso hospital - aperto a mão da mesma um pouco confusa-
- Obstetra, qual a necessidade não estou grávida e não é possível que eu já esteja após um dia - paro de falar e recebo um olhar caridoso das duas-
- Vamos nos sentar - Laura fala e me sento- Então Fernanda, como você disse é incapaz mesmo você está grávida após o ocorrido. A questão minha querida é que você deu positivo para gravidez - ela me entregou o exame e olhei desacreditada - Você está com 5 semanas de gravidez
- Meu Deus - ponho a mão na boca assustada- Por isso o sangramento
- Isso mesmo, devido ao ocorrido suas paredes do útero foram machucadas e por isso houve sangramento - a olho e logo ela entende minha feição- Calma, está tudo bem com o bebê
- Graças a Deus - suspiro e olho para Luísa - Pode chamar o Rodrigo aqui por favor
-Bom Fernanda, mesmo o bebê estando bem você precisa tomar cuidado, notei uma anemia no seu exame, vou lhe receitar algumas vitaminas - ela diz anotando e logo a porta se abre -
- Aconteceu alguma coisa ? - percebo o rosto assustado dele -
- Rodrigo melhor você se sentar - digo e ele se senta - Leia
- Você está grávida daquele desgraçado? - ele pergunto e pela primeira vez tive vontade de rir-
- Não né , isso seria impossível - digo e ele levanta a sombrancelha em surpresa -
- Eu vou ser pai? - pergunta com os olhos cheios de lágrimas -
- Sim - logo sou abraçada por ele que me levanta da cadeira - Eu te amo
- Eu também te amo - beija meus lábios - E também amo você - acaricia minha barriga-
- Aqui Fernanda está a receita, vou marcar sua consulta para daqui a duas semanas - Laura me entrega as receitas e agradeço-
Saimos dali felizes e tristes pois descobrimos a gravidez por causa de uma coisa ruim, fomos a uma delegacia aonde fiz um boletinho de ocorrência.
Uma coisa ruim aconteceu, mas Deus me enviou algo muito melhor, meu bebê.


Gente que coisa horrível que aconteceu com a nossa Fernanda?
Quem será que fez isso hein?

Gente eu li bastante sobre o assunto do exame de corpo e delito e tudo que falei é verídico.
Me digam o que tô achando? Favoritem também ❤️😘

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top