0.1 - Londres

NOAH HUNTER

Ødeio Domingos.

São dias preguiçosos, cheios de gente preguiçosa odiando a preguiça.

Mas eu tinha que concordar que ficar sentado o dia inteiro fazendo absolutamente  N.A.D.A, era um tanto quanto interessante. Me esparramei no sofá, beberiquei um gole do suco que estava na geladeira há... 10 dias?

Coloquei meus pés na velha mesa de centro.

Plaf*

A mesa de centro quebrou um pé, cambaleando de um lado para outro. Arfei e me abaixei para analisar. Era um móvel antigo, mas gostava de como a cor combinava com o carpete azul surrado da sala. Algo vibrou no meu bolso de trás da calça causando uma sensação estranha e segundos depois meu celular começou a tocar, me assustei e ergui a cabeça, batendo em cheio na parte debaixo da mesinha.

Beatrice. — olhei sua foto na chamada  e atendi.

— Como você está, meu filho? — Ela disse em um timbre doce, como todas vezes que falava.

— Oi, mãe! Um tremendo gato como sempre! — sorrio mesmo sabendo que ela não iria ver.

— Continua mentindo, Noah? — Ela solta uma risada gostosa — Está comendo verduras?

Dei uma olhada de 360° no apartamento. Pizza podre, caixa de pizza, caixa de hambúrguer, pacotes e litros...

— Sim, senhora!

— Ai que ótimo, meu amor!... Seu primo disse que iria te visitar semana passada, ele foi?

Gente, que primo é esse que ela tá falando?

Pensei um pouco e menti.

— Veio sim! — finjo uma voz animada — Aquele salafrário passou uma longa semana aqui.

— Sério? — Ela diz surpresa — Ele disse que só iria passar ai para te ver e no mesmo dia, voltaria para o México.

— Arham — Dou um sorriso amarelo. — Como vai ai na Escócia, mãe? — Mudo rapidamente de assunto.

— Bem, seu irmão está estudando medicina! — Ela demora mais alguns segundos e fala — E como está aí, em Cuba?

Ela sabe que estou em Londres?

Me sentei no sofá e tomei um pouco mais do suco.

— Está ótimo! —  menti. — Estou um pouco ocupado, mãe. Retorno depois! — E novamente menti.

Não estava mentindo em tudo, eu realmente iria conversar com ela depois, mas estava curtindo a minha vibe de burguês safado em pleno domingo. Coloquei o suco ao lado do sofá e tentei concertar a mesa de centro. Não queria joga-la fora, me dava um ar de dono de casa, é difícil hoje em dia ver um tremendo gostoso, carpinteiro, dono de casa.

O problema é que a preguiça bateu cedo, então alcancei uma lata de sardinha e coloquei no lugar do pé quebrado.

— Olhando de longe, nem parece que quebrou! — pendo o cabeça para o lado e observo a minha nova obra prima — Olhando de perto, parece que está de longe. — sorrio — Quem é o gatão maravilhosamente inteligente? — dou leves tapinhas na mesa de centro e sorrio faceiro — Isso mesmo, sou eu! —  pego minha toalha sobre a cadeira da cozinha e vou tomar um banho.

A água morna batendo em minha escápula fez o tempo passar mais rápido. Passei o shampoo pelos meus cabelos formando uma espuma tão espessa que deu até pra fazer um chapéu.

POW*

Ouvi um barulho estrondoso, vindo da sala, e ao menos que a mesinha de centro tenha se revoltado e feito uma revolução pelo pé quebrado, não haveria outro motivo dos barulhos, a não ser...

DROGA!

DROGA!

DROGA!

DROGA!

Agora não, Por favor!

Desliguei o chuveiro tão rápido quanto o relâmpago Mcqueen na pista de corrida. Coloquei a toalha na cintura e segurei com a mão direita.

Poderia ter amarrado, não é?

Sonso demais, tá louco.

Tentei fazer um nó rápido — algo que deu errado — e fui andando apressado para a sala.

— MÃOS PRA CIMA, SEU CALHORDA, FILHO DE UMA... — O homem aponta uma arma para mim enquanto os outros quebravam tudo que viam em casa.

— Calma, amigão! — Digo sereno, dividindo meu olhar entre a toalha e o sujeito com uma ARMA APONTADA PARA MINHA CABEÇA, uma arma!  Se eu levantar as mãos, a toalha cai e... eu não iria querer homem desse porte apaixonado por mim!

_Eca! - O sujeito torce o nariz, fazendo cara de nojo e aperta os dedos na arma.

Credo, minha autoestima foi para o chão depois dessa.

— Você está enrolando, Hunter! E o patrão quer o dinheiro! — Ele diz ríspido, movendo  a arma para enfatizar.

— ONDE EU... — digo exasperado — Olha, seu patrão pensa que dinheiro dá em árvores? — Arrumo a toalha na cintura e o homem acompanha meus movimentos — Ok, pensando bem, dinheiro dá em árvores! Mas tem todo aquele prooOcesso de industrialização, a mist...

— CALA BOCA, HUNTER! — Ele esbraveja e consigo ver sua veia jugular ressaltada. — Você já está  fodido e ainda quer fazer graça? QUER LEVAR UM TIRO?— Ele se aproxima do meu rosto, soltando um bafo horroroso 

_Nao, não, não...

— Acha que não sabemos que você está fugindo?

— Fugindo? —  dou um sorriso amarelo — Nem sabia que vocês estavam me procurando! — minto.

— Você tem 3 semanas! — Ele se afasta cuspindo suas palavras.

— OI? EI MOÇO! Psiiuu — chamo a atenção do cara que estava prestes a destruir minha recente obra de arte na mesinha, ele me olha — Não faz isso não! Acabei de arrumar... — faço minha melhor cara de cachorro que caiu da mudança.

POW*

o cara magricelo mete o bastão de baseball no meio da mesa e quebra.

— 03 semanas é muito pouco pra arrumar todo esse dinheiro! — Falo ainda com os olhos presos no sujeito que destruiu minha mesinha. - Me dá pelo menos um mês.

— 03 semanas, Hunter! — Ele diz e assobia para os companheiros, chamando a atenção deles. — Ao contrário, você morre!

— Morrer? — engulo em seco — Vocês não vão querer me matar! — Digo frustrado — Nem tenho onde cair morto!

Os homens começam a sair rapidamente e o último sai de costas, ainda com a arma apontada para mim.

— 03 semanas, Hunter. Pois buraco no chão é o que não falta! — Ele se vai.

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