Décimo Terceiro Capítulo
A semana seguinte passou mais suavemente do que Annabelle esperava. Howl continuava na mesma configuração workaholic que estava desde o momento em que chegaram à Inglaterra, mas eles saíram mais vezes para jantar e ela tivera mais tempo com ele. Sabia que parecia uma criança boba querendo atenção assim. Só que estar perto de Howl a tranquilizava, suas preocupações eram afastadas e, mesmo saindo apenas para publicidade, ela conseguia ter ótimos momentos ao lado dele. Era também nesses momentos que eles saíam e tinham a chance de conversar sobre diversas coisas e Annabelle conseguia saber mais sobre ele.
Howl na verdade nunca falava muito sobre si, e quando a história envolvia ele normalmente era sobre a Compass~. Ela conseguia perceber o quanto aquela banda era importante para ele e então fazia sentido o quanto ele se sentia agradecido por ela estar ajudando-os. Talvez isso lhe desse alguns pontos extras e Howl gostasse mesmo dela. Só de pensar naquilo ela ficava ainda mais boba.
As conversas mais sérias e sobre coisas que, sendo "namorada" dele, ela deveria saber, eles deixavam para ter em casa, quando ela cozinhava algo para eles ao invés de comerem fora. Foi numa noite dessas que, sentados no sofá com a TV ligada num volume baixinho, Howl contou sobre como foi quando a fã deles se suicidou por conta de Mitch.
Na TV estava passando uma reportagem sobre suicídios, e foi assim que o assunto veio à tona. Não que Annabelle tivesse perguntado nem nada - ela não teria coragem. Howl apenas trouxe o assunto e começou a falar, sem olhar para ela.
- Foi um tempo bem complicado. - ele disse, recostado no sofá e parecendo muito cansado de repente. Ele encarava a TV e seu rosto parecia mais pálido do que o comum por causa do tom azulado dela. Annabelle interrompeu o que fazia - mastigar - para olhar atentamente para ele. Estava distraída e não sabia se ele tinha falado alguma coisa antes, por isso decidiu prestar bastante atenção. Howl suspirou. - Eu realmente achei que a banda fosse acabar naquela época. Nós ainda éramos novos e irresponsáveis e mesmo Mitch sendo o mais velho, ele sempre teve problemas comportamentais. - ele mexia numa almofada, encarando qualquer coisa menos Belle. Ela se perguntava por quê ele tinha tanta vergonha de falar daquilo.
- Sempre? - ela repetiu o que ele havia dito. Lembrava-se das revistas que lera como se tivesse acabado de abri-las no colo, mas quem parecia ter mais problemas comportamentais era Chad. Se bem que os problemas de Mitch podiam ser chamados de comportamentais também.
- É. Se envolvia em briga fácil, bebia muito, usava todo tipo de drogas. Ainda usa mas pelo menos consegue manter a imagem da banda. - Howl tomou um gole de bebida. - Ele sempre foi meio carente. Pai que abusava da mãe dele e espancava ele. Não era uma infância muito feliz. Quando ele entrou na banda e teve muitas meninas ao redor se interessando por ele, foi o paraíso. Ele não estava acostumado, mas gostou de receber a atenção e se aproveitou disso. Mas uma menina só, por melhor que ela fosse, não era suficiente pra ele. Então ele saía com várias.
Annabelle estava um pouco chocada com toda aquela revelação da vida de Mitch. É claro que ela estava curiosa, ainda mais pra saber a história por trás da tragédia, que a mídia não se preocupava em divulgar. Mas como o assunto começou subitamente, ela ficou na dúvida de como reagir ou responder, então apenas permanecia em silêncio, observando Howl e esperando que ele contasse mais. Mastigava lentamente, como se para não fazer nenhum barulho e atrapalhasse a história.
Howl soltou outro suspiro antes de continuar.
- Eu e Chad, e até mesmo Bill, achamos que Jamie seria diferente. Acho que ele enganou todo mundo. Até ela. Ele parou de sair com outras garotas enquanto estava com ela, ou pelo menos achamos que tinha parado. Eles saíam em encontros frequentes e parecia ser bem mais do que só sexo. Ainda mais que ela era uma raridade, uma fã sem nenhuma intenção ruim contra a banda, sem nenhuma intenção de se aproveitar de nós. Ela só queria amar o Mitch. É uma pena que foi isso que acabou a matando. - Howl ficou tanto tempo em silêncio depois daquilo que Annabelle entendeu que o assunto se encerraria ali. Ela deixou o prato de lado e inclinou-se no sofá, olhando-o.
- E você, Howl? - ela perguntou em um sussurro, quase sem coragem para perguntar. Ele levantou os olhos castanhos para ela, parecendo um pouco confuso com a pergunta. - Você já amou alguém?
Ela achou que seria um momento conveniente para levantar a pergunta e descobrir se Howl estivera - ou estava - em um relacionamento antes de conhece-la, e então acalmar seus ânimos. Só reunira coragem pra perguntar porque o assunto era relacionado. Ela esperava que ele não a achasse muito intrometida pra querer saber aquilo mas, bem, ela era sua esposa. De mentira. Ela precisava saber se haveriam rivais em potencial alimentando ódio contra ela.
Ele sorriu de leve e jogou a cabeça para trás no sofá.
- Acho que eu nunca me apaixonei perdidamente por ninguém. Nunca cheguei a namorar também. Saía com umas garotas, é claro. Mas nada demais. - aquilo deixou Annabelle um pouco desapontada, mesmo que ela tenha ficado feliz por não ter que se preocupar com affairs nem nada do tipo (viu só, Leelah?, pensou). O problema é que então também significava que nem mesmo por ela ele se apaixonara. Perdidamente, pelo menos. Howl prosseguiu, mesmo que ela não tivesse falado nada. - A verdade é que meus pais sempre se esforçaram muito por nós, então eu valorizo muito o trabalho e quero ajudar como posso. Por causa disso, não dou muita bola para relacionamentos e tudo mais. Acho que acabo sendo um marido ruim. - ele olhou-a de soslaio e soltou uma risada. - Quando estou no estúdio, percebo que não te dei bom dia, que não falei que gostei das coisas que você cozinhou ou que não ajudei em nada em casa.
- Ah... não tem problema... - ela corou. Não sabia que Howl pensava naquelas coisas, e ser informada disso fazia seu coração bater mais rápido.
- Claro que tem. Eu falei pra você que seria seu porto seguro, mas mesmo assim faço essas coisas. Eu não estou acostumado a estar em um relacionamento... nem a ter outra pessoa dividindo a casa.
- Bem, é realmente súbito. - ela comentou com um sorriso. Adorara o rumo que aquela conversa estava tomando.
- Sim. - ele riu, voltando a mexer na almofada perto dele. Os pratos dos dois estava no chão, terminados. Por algum motivo, ele agir daquele jeito dava a impressão que estava envergonhado, e foi mais uma faceta dele que Annabelle adorara ver. - Já que você está nos ajudando, eu só devo a você, e o mínimo que tenho que fazer é ser um marido bom. Mas nem isso consigo fazer direito.
- Howl, você não tem que se preocupar. - ela virou-se para ele para que pudesse enxerga-lo melhor e ele permaneceu encarando-a também. Por mais que ela estivesse solitária e se sentisse abandonada, ouvir Howl falar daquela forma já aliviava mais do que o necessário. Então ele se preocupava sim com ela. Só isso já a deixava feliz. - Eu estou aqui pra ajudar você a manter a banda viva... e mesmo que eu goste da sua companhia e queira passar meu tempo com você... você tem que seguir com a Compass~ porque afinal é pra isso que estamos aqui. Eu entendo. - ela apenas foi falando o que estava em seu coração, sem pensar muito sobre, e quando finalizou Howl tinha seus olhos brilhantes fixos nela. Quando se tocou de suas palavras, sentiu a vergonha encher-lhe por dentro, mas nem teve tempo de esconder-se porque Howl a abraçou, cobrindo seu rosto com seu ombro.
- Às vezes fico me perguntando como pode existir uma garota tão perfeita quanto você, Belle. - ele murmurou e ela sentiu o rosto explodir em calor ao ouvir aquilo. O que era irônico, porque ela passava boa parte do tempo dela pensando em como ele era todo principesco e maravilhoso.
- Eu estou longe de ser perfeita. - ela resmungou, tentando descontrair a felicidade e embaraço que sentia naquele momento. "Você, ao contrário..." pensou, mas não ousou dizer aquilo em voz alta. Howl afastou-se um pouco dela e encarou-a de perto.
- Não aceito que diga isso quando está fazendo tanto pela banda por tão pouco em troca. Eu nunca vou poder te agradecer suficiente, nem te pagar de volta de alguma forma que valha a pena. Quando o acidente com Mitch aconteceu, eu fiquei com tanto medo de aquele ser o fim... meio que me traumatizou. - os olhos dele analisavam o rosto dela enquanto ele falava, e ela tentou não notar que eles frequentemente corriam até os lábios entreabertos dela, caso contrário sua sanidade iria pelo ralo. - Eu não quero nunca mais achar que estou prestes a perder algo tão importante pra mim.
Dane-se a sanidade.
Depois daquela frase sussurrada tão perto de si, Annabelle mais uma vez encontrou-se sem saber como com os lábios unidos aos de Howl, e dessa vez não tinha certeza se fora ele que a beijara antes.
Aquele beijo tomou proporções ainda não atingidas entre os dois antes, talvez pela emoção do momento, talvez pelo assunto, talvez por estarem num sofá, mas depois de alguns segundos Annabelle viu-se prensada entre as almofadas confortáveis do sofá e o peso de Howl, o que não desgostou nem um pouco. Suas mãos foram até o cabelo dele, mesmo que tremessem um pouco pela excitação que percorria seu corpo todo ao senti-lo tocar sua cintura.
Annabelle, ao contrário de Howl, tivera alguns namorados antes, mas também nada excepcional. Possivelmente, Howl era a primeira pessoa que ela beijava que lhe causava tantos arrepios e um bater descontrolado de coração, chegando a preocupa-la se não seria na verdade algum problema cardíaco. Todos aqueles clichês de livros de romance que lera a vida inteira, quando tratavam sobre a reação da mulher, lhe pareciam impossíveis, até que o conhecera. Se ela o tivesse encontrado numa Starbucks enquanto usava um coque frouxo no cabelo, teria certeza que estava vivendo um livro desses.
Mas não fora assim que se conheceram. E para falar a verdade, estariam bastante próximos de reviver a noite em Vegas - com menos bebida e mais recordações, ela esperava - graças aos caminhos que aquele beijo estava levando-os... se não fosse o telefone de Howl começar insistentemente a tocar e acabar o romancismo erótico da sala de estar em plenas dez e meia da noite.
Ela gostaria muito de amaldiçoar todas as forças existentes no universo que mandaram a infeliz pessoa ligar para ele naquela hora, e também todos os clichês de livro que indicavam que aquele era o tipo de coisa que acontecia naquele momento. Annabelle viu Howl afastar-se dela com olhos turvos e hesitantes, como se ponderasse se o telefonema valeria a pena. Não, não valia, ela pensava, tentando mandar esses pensamentos por ele através de um olhar insistente.
Não deu certo. Com um suspiro e cabelos bagunçados, ele decididamente afastou-se dela e deixou-a deitada no sofá, a blusa um pouco amassada e levantada e o rosto queimando. Ele alcançou o telefone e virou-se de costas para ela enquanto atendia.
Belle quis enfiar o rosto numa almofada e morrer. Aquele momento estava tão bom... É claro que ia acabar. Se Howl de repente não parecesse exaltado ao telefone e se apressasse para onde a chave do carro estava, ela estaria com muita raiva. Quando ele desligou o telefone ela olhou-o interrogativamente.
- Chad está com problemas. Eu... - ele olhou para ela, que começou a imaginar quão bagunçada se encontrava. - Eu tenho que ir ajuda-lo. Desculpe, Belle.
Sem nem olhar para ela duas vezes, Howl saiu pela porta e bateu-a de leve. Belle olhou pela janela, vendo-o correr apressado para o carro por causa da chuva que estava caindo e depois as luzes sumiram, deixando-a sozinha no sofá que antes estava tão aquecido com o calor dos dois, mas agora encontrava-se completamente frio.
Howl demorou cerca de três horas para voltar.
Quando chegou, Belle estava na cama dele, ainda acordada, brincando com Bartholomeu. Ela pensara muito durante aquelas três horas que ele passara longe. Pensara e pensara e decidiu que mesmo que se sentisse feliz com as coisas que Howl dissera mais cedo, cansara de ser uma apaixonada idiota. Tinha certas coisas que ele não podia fazer com ela, porque não era justo. Se fosse o caso de aquilo ser uma paixão platônica e ele não ia retribuí-la de qualquer jeito, ela não se importaria tanto. Mas a questão é que apesar de parecer que não tinha intenções de se apaixonar por ela durante esse tempo que ela estivesse ali, Howl - propositalmente ou não - brincava demais com seus sentimentos e Annabelle estava cansada daquilo. Se ele fosse falar coisas fofas, falasse de um jeito que não lhe causasse esperanças. Que não a incentivasse com beijos e amassos no sofá, só para sair correndo depois.
Ela decidiu que não aguentaria mais aquela montanha-russa, e perguntaria para ele se ele gostava dela ou não. Se não gostasse e dissesse isso claramente, ela acharia um jeito de lidar com aquele relacionamento ela mesma, como devia estar fazendo desde o começo. Se ele dissesse que gostava... bem, melhor pra eles.
Então, quando Howl entrou no quarto, ela estava sentada sentindo-se quase como se preparada para a guerra.
- Ah, Belle. - ele estava molhado por causa da chuva e parecia cansado, causando hesitação na confiança em Annabelle. - Desculpe, eu v...
- Podemos conversar um pouco? - ela decidiu ser direta e falar o mais rápido possível. Mesmo que ela estivesse decidida, ainda tinha medo do que podia acontecer naquela noite. Não é como se ela quisesse brigar com Howl. Ela só queria resolver o que estava acontecendo logo para que seus sentimentos se acalmassem e parassem de criar um rebuliço toda vez que ele falava alguma coisa bonita ou a deixava sozinha.
- Ahm... - ele parecia meio relutante, provavelmente pensando num banho ou em descansar, mas depois passou a mão no cabelo molhado e encostou na porta. - Tudo bem. O que quer falar?
- Você gosta de mim? - mesmo que seu rosto explodisse de vergonha ao dizer aquelas palavras, ela as disse o mais rápido que possível e só teve certeza que Howl a entendeu pois seus olhos se arregalaram levemente.
Não devia ser o tipo de conversa que ele estava acostumado a ter à uma da madrugada. Ele pareceu um pouco desconfortável por ela trazer aquilo à tona, e quanto mais ele demorava pra responder mais um nó na garganta dela se apertava. Cada segundo a mais que ele permanecia em silêncio aumentava a conclusão de Belle que aquela noite não acabaria como aquela passada em Vegas.
- Eu gosto. - ele respondeu, de um jeito que ela entendeu. Não era gostar como ela gostava dele. - Você faz muito por mim e é uma pessoa incrível e...
- Você sabe que não é isso que eu quero dizer. - ela falou, sem poder evitar que a voz tremesse e Howl a encarou, ainda surpreso com aquela conversa.
- Por que é que você está querendo falar disso agora... - ele resmungou e a primeira lágrima escorreu no rosto dela.
- Porque eu preciso falar disso! Você às vezes fala as coisas como falou hoje mais cedo e vem e me beija, mas depois você sai correndo como se eu não fosse nada! E ai você fala o quanto sou importante e o quanto eu te ajudo, mas passa praticamente o tempo todo longe de mim. Eu estou cansada de ficar me sentindo assim! - ela desabafou, odiando-se por já ter cedido e começado a chorar.
- Belle, eu não me lembro de termos combinado que eu teria que me apaixonar por você dentre esses três meses. - ele retrucou, desencostando da porta e indo para o armário separar uma roupa seca, como se desse a conversa por encerrado. - Se você está sent...
Howl não chegou a terminar a frase porque quando voltou-se para olhar para ela, surpreendeu Belle encarando-o com olhos levemente arregalados e as lágrimas escorrendo já fora do controle dela. Sem que ele precisasse completar a frase, ela baixou a cabeça correu para fora do quarto. Ele tentou chama-la de volta, em vão. A porta do quarto dela fechou-se com um estrondo e Howl pôde ouvir a porta ser trancada.
Belle, do outro lado, escondia o rosto nos joelhos para não chorar alto. Não é como se fosse culpa de Howl, porque ela trouxera aquilo para si mesmo, mas ela precisava saber. Só não tinha que ser dito daquela forma, tão fria e impaciente. Aquele Howl que sempre brilhara aos seus olhos agora quase se extinguia. Não é como se ele tivesse que se apaixonar por ela, só que ele praticamente afirmara que durante o mês e meio que passaram juntos ela não pôde nem ao menos conquista-lo de alguma forma. Era sempre aquela simpatia por estar em dívida com ela.
Encostada na porta, a garota continuou a chorar até dormir.
Quando acordou na manhã seguinte, sentia seu corpo todo dolorido. Se não tivesse acordado no chão, teria desejado que tudo aquilo fosse só um pesadelo e as coisas estariam bem entre eles. Mas ela sabia que a partir de agora não estariam, e seria um esforço para que o tempo restante passasse tranquilamente. Eles não podiam deixar a ideia do casamento feliz esfriar ainda. E mesmo que ela estivesse chateada com ele, não era por isso que falharia com sua promessa de ajudar a banda.
Com muito esforço, levantou-se e ouviu os barulhos da casa. Estava tudo silencioso, então ou Howl tinha saído ou não tinha acordado ainda. Ela não estava com a menor vontade de encontra-lo. Estava um pouco arrependida de ter começado o assunto, mas ao mesmo tempo achou bom que já descobrisse sobre os sentimentos dele para parar de se iludir. Mesmo que talvez não parasse de se iludir. Essa era a parte que se arrependia. Causara tudo aquilo, mas na verdade não é como se pudesse desligar um interruptor e parar de gostar dele. Só iria criar um clima pior na casa.
Belle não se desculparia, apesar de tudo. Por mais que se arrependesse da situação causada, ainda tinha uma parte dela que queria que Howl refletisse sobre como estava tratando-a. Se não fosse se apaixonar por ela, não ficasse beijando-a ou criando momentos típicos de casal quando eles não fossem necessários. Ela estava ajudando a banda e não sendo um brinquedo para ele.
Um pouco mais animada, tomou uma ducha para tirar o cansaço e as dores, e quando saiu do quarto percebeu que estava sozinha. Miles e Bartholomeu já tinham comido, seus potinhos de comida ainda com restos de ração, então Howl devia ter acordado e saído. Não achou nenhum bilhete, mas não se incomodou com isso. Não queria encontra-lo, mesmo. Queria apenas que o resto do tempo que teriam que ficar juntos passasse logo e ela pudesse retomar sua vida. Isso mesmo. Esse seria o melhor resultado. Ela nem tinha certeza se gostaria que o relacionamento deles se firmasse como algo real, porque significaria que estaria fazendo aquelas entrevistas e aparições na TV sempre. E então, quanto menos tempo passasse perto de Howl, melhor seria, porque dessa forma não ficaria se apaixonando por ele de novo e de novo. Ela se conhecia bem o suficiente pra saber que era só ele falar outra daquelas coisas fofas que ela se derreteria e toda sua resolução seria arruinada.
Quando estava socando algumas coisas numa tigela para fazer algo para comer, talvez com uma força um pouco mais intensa que o necessário, a campainha tocou fazendo-a se interromper. Não seria Howl, seria?
Ela hesitou antes de sair da cozinha e ir até a frente da porta que a separava de quem quer que estivesse do outro lado. Talvez Howl tinha esquecido as chaves. Mas a porta não devia estar trancada. E se ela abrisse, ia encontrar com ele mais cedo que o planejado. E se fosse Leelah, vindo para atormenta-la? Talvez tivesse bisbilhotado a discussão e decidiu vir encher ainda mais o saco da garota. Ou alguém da banda? Algo teria acontecido?
Percebendo que nunca descobriria se não abrisse a porta, respirou fundo e o fez.
Na sua frente não estava nenhuma das opções que pensara; na verdade, Annabelle nem conhecia a moça que estava de pé na sua porta. Seus cabelos eram escuros e pretos, um pouco espetados atrás. Os olhos eram castanhos e o rosto era extremamente bonito, como se ela fosse uma modelo. Um piercing no nariz dava-lhe um ar um pouco rebelde. Talvez não só o piercing, mas também a roupa de couro preta e o capacete de moto que ela segurava. Annabelle não tinha ideia de quem ela poderia ser, apesar de ela lhe parecer levemente familiar, e torcia para que ela não fosse uma fã pentelha que tivesse visto de longe em algum lugar, que era tudo que ela não precisava para aquela manhã.
A visitante analisou-a assim que abriu a porta, da cabeça aos pés, deixando-a incomodada. Mas a primeira abriu um sorrisinho de canto, falando então com uma voz suave e um sotaque tão lindo quanto o de Howl.
- Você realmente não é tão ruim quanto eu achei que seria. Se importa se eu entrar, cunhadinha?
E então Annabelle percebeu que aquela semelhança se dava ao fato de aquela ser Rowena, a irmã de Howl.
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Nota da autora: Apesar de não ter conseguido fazer uma att dupla, espero que esse capítulo tenha compensado!
LET THE TRETAS BEGIN!
Muitos feels diferentes nesse capítulo então estou louca para saber o que vocês acham! A partir de agora as coisas vão ficar meio turbulentas então se preparem xD
Para quem está perdido com a minha falta de organização na att, eu normalmente aviso sempre no meu grupo do Facebook se vai ter algum problema pra eu atualizar no dia ou não, coisas assim. Então se quiser ficar por dentro e interagir um pouco, é só procurar "Histórias da Anne~" e pedir pra entrar, aceito todxs <3
Se gostou desse capítulo não deixe de dar um votinho pra mim, que é muito importante! Fico muito feliz com todo e qualquer feedback recebido :3
Saber que estão gostando da minha história é muito bom ♥ espero que continue assim!
Até a próxima atualização!
Beijos,
Anne~ ♥
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