A Noite

    O que houve comigo? Cadê os dementadores? Olhei em volta e o espaço estava vazio. Dava-se para ouvir os galhos das árvores ao norte se mexendo com o vento. Me sentia leve, e sedento por apenas uma coisa. Meu maior sonho, minha maior vontade. Felicidade!

    Eu estava com um véu todo preto, com uma touca sobre minha cabeça. Olhei minha mão.. O QUE?? Eu era uma caveira. Eu não sentia minhas pernas e flutuava sobre o chão.

    O QUE ELES FIZERAM COMIGO?

    Eu não queria me tornar um dementador!!!

    E o mesmo vazio que senti quando ele estava roubando minha alma, o sentia agora. Minha visão era escurecida, não via cores, e agora mais do que nunca, eu precisava de algo para me alimentar. Mas eu não quero comer. Eu quero tudo que for vida! Tudo que há felicidade, alegria! Eu as quero, só para mim! Só para mim, eu quero.. eu quero..

    Comecei a voar sobre os corredores e destroços do castelo, e não havia uma luz, uma vida que eu pudesse me alimentar! Haviam corpos caídos, no meio dos destroços. Todos mortos, comecei então a procurar por luz, vida, outros dementadores. Eles fizeram isso comigo! Eles precisam me ajudar!

    Eu tomei muito tempo voando. E parecia que cada vez mais minha alma necessitava de vida, de luz, de felicidade para se alimentar. Comecei a me perguntar se eles fizeram isso comigo apenas com a mesma vontade que eu estava sentindo agora. Mas se haviam tantos mortos, tantas pessoas sem almas, por que eu?

    Sobrevoando pelo Lago Negro, notava que a simples água, era necessária para eu tirar sua vida por um tempo. Poderia congelá-la quando passava perto, mas isso não me sustentava! Eu precisaria matar pessoas para me saciar? Eu precisaria realmente fazer o mesmo que fizeram comigo para ter tudo isso? Como eu poderia ter tudo isso, se tenho que tirar a vida de uma pessoa? De um animal..

    Os animais! Lembrei-me da floresta negra, perto da casa de Hagrid. Seria o único lugar para eu poder me sustentar. Poupando as vidas dos homens. Voei sobre a o castelo, avistei a humilde casa de Hagrid. Aproveitei, dei uma olhada se ele estava lá. Se ele estivesse, talvez eu poderia saciar minha.. o que estou fazendo? Passei reto. E entrei na floresta. Via alguns vultos passando longe, mas não consegui identificá-los. Seguindo levente, conseguia sentir uma leve sensação boa de passar entre as árvores, lhes tirando a vida por alguns segundos. Que delícia!

    Em minha frente vi um cavalo branco. Crina linda, suculento. Quando ele virou, OPA! Era um unicórnio. Unicórnios são ótimos para isso. A vida dele, e seu sangue talvez poderia me sustentar por um tempo. Não hesitei e ataquei-o. Me sentia muito bem. Era um sentimento tão bom. Por um tempo pude me lembrar de Felicity. E tomando seu sangue tive uma sensação de perceber outro dementador vindo atrás de mim. Olhei para o alto, e uma sombra negra gigante passou pela floresta, sobre as árvores. Era o  maior dementador que eu já tinha visto. Sabia que eles eram grandes. Mas não tanto.

    Ouvi barulhos pela floresta e sai voando em direção ao som. Quando me deparei, já estava fora da floresta. De longe, consegui ver o gigantesco dementador.. ele estava fazendo isso mesmo? Ele estava dando seu beijo a outro dementador menor. Do meu tamanho! E enquanto esse sugava sua alma, o menor ia desaparecendo. Será que foi esse que sumiu com todos? Não é possível. Não deixou nenhum para mim.

    Eu tentei contornar a floresta para voltar para ao castelo, porém quando percebi, a enorme sombra já estava próxima demais de mim. 15 vezes maior que eu. Sua escuridão me cobria. E o medo foi a última coisa que pude sentir nesse momento. Eu queria roubar a vida dele toda! TUDO! Eu quero me saciar! Quero realizar essa vontade que sempre tive de ser feliz! Eu quero vida! Eu quero felicidade! Nem que tenha que roubar de um outro dementador mil vezes maior que eu! Quando tentei sugá-lo, senti-o começar a me sugar. Assim como seu tamanho, sua força era 15 vezes maior! Incomparavelmente maior que eu! Mas eu não ia desistir. Continuei. Ouvi um grito ecoando sobre minha cabeça. Cada vez mais agudo. Quando parei. Uma voz surgiu como de um sussurro:

Eu não fui embora Milan.. você me deixou!

    — Felicity? FELICITY? — gritei. O dementador não se movia. O sussurro saía de sua enorme boca.

Por que você me deixou se você me queria tanto..

    — Eu te quis Felicity! Muito!!! Mais do que nunca! Sempre te quis, Felicity..

Seu medo, suas inseguranças, te impediram de ter-me..

    — EU TE QUERO AGORAA!! — comecei a sugá-lo, e ele não resistia. Com toda minha força nos pulmões, eu puxava-o.

Até quando vai se importar com o que as pessoas pensam sobre você..?

    — NUNCA MAIS! NÃO ME IMPORTO MAIS COM ISSO, EU SÓ TE QUERO! — ia roubando sua vida com toda força. Se esvoaçando.

Como elas te tratam, e o que fizeram com você, não importa mais, querido..

    — EU SEI.. — a sombra estava quase desaparecendo por completo. Ele continuava sem resistir.

Eu te trouxe aqui, eu te chamei..

    — FÊEE..

Não se preocupe, querido, não há caminho para me encontrar. Eu sou o caminho..

    — FELIII…! — Soltei o último grito. Puxei com toda força que ainda restava em mim. Suguei-a por completo. Uma lágrima  escorreu pelo meu rosto.

    Lentamente eu caí no chão. Chorando pude passar a mãos em meus olhos para enxugar as lágrimas. Eu era humano novamente.

    — Feli.. felici.. — soluçava ao falar — Felicity! Felicidade, eu consegui! Eu a tenho novamente. Você voltou para mim! — chorei. Porém agora, de felicidade.

    Chegando a Estação Hogsmeade, peguei minha bolsa, abri-la, tirei o casaco e o guardei. O frio havia sumido já. Não havia mais dementadores no lugar. O trem me esperava. A estação estava mais clareada do que nunca, havia luzes por todos os lados. Tudo bem iluminado. Porém vazio ainda. Vi da porta do trem saindo um senhor, ele assentiu com o chapéu para mim.

    — Bom dia, Milan!

    — Bom.. dia? — me perdi no horário. Estava escuro ainda.

    — Sim, são 2:55 da manhã. Sairemos em 5 minutos.

    — Está bem cedo, né? — cocei a cabeça.

    — Sim, garoto! E precisamos estar lá em Londres antes das 5h. Vamos?

    — Claro! — peguei minhas malas.

    Quando estava entrando no trem, vi uma coruja voando. Era a Neve, ela vinha em minha direção. Estiquei o braço e ela pousou sobre mim. Percebi que em uma de suas garras havia um frasco. Peguei-o, a agradeci, guardei em meu bolso e ela voou novamente. Que linda.

    — A propósito — o senhor me chamou — Você está bem?

    — Eu..? — sorri — Melhor do que nunca! — ele sorriu de volta.

    — Para onde vai depois de Londres? Algum plano? — tirei a caixa da caneta tinteiro de dentro do meu casaco, e a abri.

    — Ainda não sei.. — olhei para a caneta — Mas isso não importa. Talvez eu saiba para onde ir.. — fechei-a.

    Entrei na mesma cabine que vim, deixei minhas coisas sobre o banco e olhei pela janela. O senhor acenou para mim, e retribuí.

    — Não esqueça de pagar uns feijões! Talvez tenha seu preferido! De caramelo! — ele gritou.

    — Pode deixar! — acenei enquanto o trem partia.

    Sentado no banco, estava me sentindo ótimo. Melhor do que nunca. O peso que eu sentia sobre mim, havia sumido. O vazio? Me sentia preenchido. Completamente. A falta de tudo isso me deixou em depressão todo esse tempo. Como pude fazer isso comigo mesmo? Mas depois de eu ter enfrentado meus medos para encontrá-la, pude tomá-la de volta. Peguei minha caixa de remédios, olhei meu antidepressivo. Não preciso mais de você! Disse.

    — Aceita uns doces? — uma moça com carrinho de doces chegou em minha porta.

    — Tem feijões?

    — Aqui está! — ela me deu — Não se preocupe, é por nossa conta.

    — Muito obrigado! — fiquei constrangido — Afinal, pode jogar essa caixa fora, por favor? — lhe entreguei os antidepressivos.

    — Com certeza, querido! — pegou-os.

    Ela seguiu adiante. Retirei o frasco que Neve havia me dado de meu bolso, abri-o, e continha um papel dentro. Eu o abri cuidadosamente, e li.

Não existe um caminho para mim. Eu mesma sou o caminho.

Continue, e não o deixe.

Felicidade


    Caiu uma lágrima, e tive certeza que havia o conquistado novamente.

Notas do Autor

Ainda não acabou!

Você imaginou que aconteceria tudo isso com ele?

Não esquece de votar ou comentar o que vocês acham!

Obrigado!

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