Mórbido, Sórdido, Órdido, Dido, Ido... Fim.
Mórbido sórdido órdido dido ido... FIM
É estranho como a Lei de Murphy se encaixa na nossa vida mais do que qualquer teoria.
Mais até que gravidade (estou viajando eu sei, mas a ideia é essa, não é?)
A lei de Murphy diz que se algo pode dar errado, dará. Os mais otimistas trocam o errado por certo e vivem bem com isso.
Eu, no entanto, sou do time que já espera para ver a merda acontecer, não que eu não acredite que possa dar certo, mas... Gato escaldado...
Uma roceira pobre de Marré Marré se casa um roceiro de Marré Deci, tem nove filhos, as três primeiras praticamente seguidas em uma situação não muito favorável a sobrevivência.
Vão para são Paulo e acabam morando em cortiços e finalmente a favela, e continuam a ter filhos.
Começou errado com a primeira, com a segunda, com a terceira...
Em que planeta ou universo paralelo iria dar certo para o quarto, a quinta (que por sinal foi a única que realmente se deu bem, pelo menos na minha opinião) a sexta, a sétima, a oitava (que sou eu) e para a pobre caçula catibiribula.
Se eles não foram pais para os mais velhos, não foram capazes de cuidar dos primogênitos, nem mesmo o único filho do sexo masculino dentre tantas mulheres, recebeu a devida atenção, porque seriam dos outros, ou os derradeiros?
A teoria de que o ser humano cresce e evolui é tão falível quanto os projetos do Paulo Guedes para a economia.
Se meus pais fossem capazes de aprender alguma coisa, teriam aprendido no nascimento do segundo ou terceiro filho e fechado a fábrica para sempre.
O que resultou disso, o que realmente deixaram de herança?
Oito filhos traumatizados? Cada um com sua história de abuso e maus tratos, e principalmente abandono. Como eu disse a única que escapou dessa violência foi a que morreu antes dos dois anos.
O nome dela era Dinah Lúcia, eu não a conheci, minhas irmãs diziam que ela era linda, esperta e muito inteligente. Mas também relatam ocorrências que tornam a minha teoria correta —Teria dado errado com ela também.
Se eu fosse entrevistar meus irmãos sobre suas lembranças, traumas e relacionamento com nossos pais, (coisa que eu jamais faria, não gostaria de causar a dor de trazer essas lembranças à tona) eu começaria perguntando se eles já acreditaram que a culpa era deles.
A reação mais comum quando a gente sofre uma punição é tentar entender a culpa que automaticamente sentimos, tentamos entender por qual razão merecemos aquele castigo?
No entanto, em minha família era comum tais perguntas ficarem sem respostas, pois muito poucas, ou quase nenhuma dessas punições eram merecidas.
(Por EllaDOliveira)
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top