A beira do caminho


Se for para eu ver, a profunda escuridão não poderia ofuscar a minha visão.

Se for para eu ter, você fará existir se for preciso.
Se eu tiver que ser, nem mesmo a morte poderia me impedir.

Então, eu não vou chorar, não vou derramar as minhas lágrimas,
pois não sei se terei uma manhã para enxugá-las.

Não vou falar, pois sei que se quiseres me ouvir,
ainda antes que as palavras se formem em meus lábios, você já as conhece.

Por isso, eu me sento à beira do caminho...

Não vou seguir em frente, pois não sei para onde ir.
Não volto mais atrás, pois já não reconheço o caminho.

Não vou seguir, pois não sei para onde ir.
Não posso voltar, pois já não há mais nada que me prenda lá.

Então eu fico aqui sentado à beira do caminho...

Mas se você passar, eu vou gritar, quem sabe assim você escuta a minha voz.
Mas se você passar, vou te implorar – Me ensine misericórdia!

Mas se você passar e eu gritar, quem sabe assim eu ouça a sua voz.

Ah, me pergunte!
Pois eu sei o que quero que me faças.

Enquanto isso, eu fico aqui sentado à beira do caminho.

A minha capa cobre os meus cabelos ralos.
A minha capa cobre os meus pés cheios de calos.

Me encolho sob a chuva, esperando que ela molhe menos que as minhas lágrimas.

Enquanto isso, eu fico aqui sentado à beira do caminho.

Divagando... e se a chuva pudesse trazer consigo as memórias de um passado distante, onde eu corria livre? Sem medo, sem dor,
onde os sorrisos eram mais frequentes que as lágrimas,
e a esperança não era apenas uma palavra vazia.

Se você passar, talvez eu possa lembrar
do calor do sol em meu rosto,
do riso compartilhado, de promessas feitas,
de mãos entrelaçadas que um dia me deram força.

Mas agora, tudo o que tenho é este silêncio ensurdecedor,
este eco de pensamentos que se perdem na bruma da incerteza.
Mas... Se você passar...


E se a solidão for um fardo que eu inconscientemente carrego?
Ou talvez, apenas uma dança sob a luz da vida, onde eu
ignoro a sombra que me envolve.

Ah, se você passar, me olhe nos olhos,
veja além da capa que me esconde,
além dos calos que contam histórias de batalhas perdidas.
Me escute, pois eu tenho tanto a dizer,
mas as palavras se perdem na brisa,
como folhas secas levadas pelo vento.

Enquanto isso, eu fico aqui sentado à beira do caminho,
esperando que a vida me encontre,
que a luz do dia me desperte,
que a esperança renasça em meu peito.

Mas... Se você passar...

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