Capítulo 26

- O... o que está fazen... fazendo aqui? - Pergunto de olhos arregalados.

Estou supresa com Andrew parado em minha frente, e ao mesmo tempo estou com vontade de fugir e me esconder no primeiro buraco que eu achar.

Agi como uma tola quando ele disse que se eu quisesse ser beijadada deveria tomar a iniciativa, e agora estou morrendo de vergonha da minha atitude infantil.

- Posso entrar?

- Sim. - Digo apenas.

Andrew adentra a sua casa, e então começa olhar em volta observando tudo.

Por sorte não sou uma pessoa desorganizada, caso contrário estaria passando muita vergonha com Andrew aparecendo do nada.

- O que faz aqui? - Pergunto novamente. - Não deveria estar na empresa a essa hora?

- Eu sou o chefe Joane. - Ele retruca sorrindo de canto.

- Quer um café? Ou um chá? - Questiono.

- Pode ser um café. - Ele responde.

- Sente-se. - Aponto para o sofá.

Andrew se senta, enquanto caminho em direção a cozinha para preparar o café.

Sempre tomo meu café da manhã que a Clara preparada, mas estava tentando fugir do Andrew que acabei perguntando alguma coisa aleatória.

Da cozinha o observo atentamente, e ele parece ainda mais bonito que ontem, o que faz eu me questionar, o que esse homem está fazendo comigo?

Eu deveria ser racional e fugir o mais depressa possível, mas uma parte de mim deseja fazer algo estupido só para ver no que vai dar.

Andrew pode até me provocar e fazer certos tipos de brincadeiras, mas se fosse para escolher uma mulher para estar em um relacionamento sério, com toda certeza não seria eu.

Com toda certeza irá procurar por uma mulher elegante, e uma mulher do seu nível, mas o que eu tenho a oferecer?

Tenho que manter meus pés no chão, porque se eu me iludir acabarei sendo magoado no final das contas.

- Joane? - Andrew chama por mim me tirando dos meus devaneios.

- Oi?

Ele se levanta e começa a caminhar em direção a cozinha, e a cada passo que ele dá sinto meu coração batendo mais rápido.

Me viro para o lado para preparar o café, mas quando olho para a cafeteira vejo que Júlia já o fez.

Pego duas xícaras no armário, e então sirvo um pouco de café para mim e para Andrew.

Ele puxa uma cadeira e se senta assim que entra na cozinha, então lhe entrego uma das xícaras de café, e em seguida coloco a minha sobre a mesa e caminho em direção a geladeira e a abro. 

Pego a boleira e coloco sobre a mesa também, logo em seguida pego dois pratos e duas colheres de sobremesa, e então me volto para a mesa novamente e me sento.

- Aceita? - Pergunto.

- Não. - Ele nega com a cabeça. - O café é o suficiente.

- Vai desfazer do meu bolo de chocolate? - Finjo estar triste.

- Claro que não Joane. - Ele fala preocupado.

- Estou brincando com você. - Sorrio abertamente.

Me sirvo um pedaço de bolo e começo a comê-lo, enquanto Andrew me observa em silêncio.

- Tem certeza que não quer? - Questiono.

Pego um pedaço do bolo na colher, e então levo em direção ao seu rosto fazendo aviãozinho.

Andrew revira os olhos com a minha atitude, mas é visível o quanto ele está se segurando para não rir.

- Se eu comer o que vai me dar em troca? - Ele sorri de canto.

Começo a tossir freneticamente quando engasgo com minha própria saliva, e alguns segundos depois Andrew está atrás de mim batendo levemente em minhas costas.

- Você está bem? - Ele questiona com preocupação.

- Poderia pegar um pouco de água para mim? - Minha voz soa estranha.

- Claro. - Ele responde.

Escuto uma movimentação atrás de mim, e não demora muito Andrew me entrega uma garrafinha de água já aberta.

- Obrigada. - Agradeço.

Começo a beber o líquido gelado, e após me sentir satisfeita coloco a garrafinha sobre à mesa, mas ainda assim continuo tossindo um pouco.

- Está melhor? - Ele pergunta.

- Sim. - Confirmo com a cabeça.

Andrew puxa a cadeira ao meu lado e se senta, em seguida serve um pedaço do bolo e começa a comê-lo.

- O que está fazendo? - Pergunto. - Não precisa se...

- Eu quero. - Ele fala de boca cheia.

Seguro o riso para não deixá-lo envergonhado, e então volto a atenção para o meu bolo novamente e o como tranquilamente.

- Está uma delícia. - Andrew fala após terminar de comer. - Se eu soubesse que estava tão bom não teria negado.

Olho para ele e vejo que o canto da sua boca está suja com o recheio do bolo, e apesar de querer limpá-lo continuo quieta.

- Não precisa mentir. - Sorrio abertamente.

- Estou falando sério, está muito bom. - Andrew sorri de canto.

- Obrigada então.

Não sou uma péssima cozinheira ou confeitaria, mas comparada a Clara não cozinho tão bem.

Andrew está acostumado a comer comidas mais sofisticadas, por isso tenho quase certeza que ele havia o rejeitado por pensar que não sou boa no que faço.

- Está sujo. - Aponto para o canto dos seus lábios.

Aquele pequena sujeirinha está me incomodando e muito, mas não ouso limpar para ele.

- Onde? - Andrew questiona.

- No canto direito dos seus lábios. - Falo.

Ele passa a língua no lado aposto, em seguida passa a mão pelo queixo como se estivesse procurando por algo. Só acho que Andrew está fazendo isso de propósito, porque eu já disse o lado que está sujo.

- Poderia limpar para mim? - Ele questiona.

Eu sabia que o cínico estava tramando algo, mas decido fazer o que ele pede apenas para ver qual será seu próximo passo.

Levo a mão aos seus lábios e os limpo, mas quando começo a afastar minha mão Andrew a segura, e leva meu dedo aos lábios e lambe o recheio.

O encaro de olhos arregalados porque eu não esperava que ele fizesse isso, e ao mesmo fico incrédula com sua atitude não íntima.

- Até quando vai me torturar Joane? - Ele questiona.

- O... O... que quer... quer dizer com... com isso. - Guaguejo.

- Estou começando a me arrepender do que eu disse ontem. - Ele fala.

- Qual parte? - Indago.

- A parte que eu disse que se quisesse ser beijada deveria tomar a iniciativa, pois agora eu quero tomar a iniciativa.

Com toda certeza eu quero beija-lo ou ser beijada por ele, mas estou com medo que eu vá me arrepender depois, como também tenho medo das consequências disso, porque apesar de estar confiando que Andrew realmente mudou, ainda assim tem a possibilidade dele estar apenas brincando comigo.

Ao mesmo tempo que quero me arriscar e uma parte de mim me manda fazer alguma loucura, outra parte me manda ser realista, pois nem tudo pode ser o que parece.

- Esqueci que eu devo trabalhar! - Me levanto rapidamente quando me dou conta que estou atrasada.

Acabei sendo envolvida nesse clima bom, mas ao mesmo tempo estranho, que acabei não me dando conta que as horas estavam se passando.

- Está de folga hoje. - Andrew fala.

- Como assim estou de folga? - Retruco.

- Eu disse ao Antony que você não iria trabalhar hoje.

- Por que fez isso? - Pergunto. - Ele vai pensar que sou irresponsável.

- Não se preocupe, Antony pareceu bem alegre quando eu disse que passaríamos o dia juntos. - Andrew sorri de canto.

Me sento novamente, e então coloco a mão em volta da cabeça e suspiro alto.

- Está se sentindo bem? - Andrew questiona. - Está sentindo dor de cabeça novamente?

- Não. - Digo apenas.

- O que está acontecendo então?

- Eu sei que você é o chefe e toma todas as decisões, mas eu não gostei do que você fez Andrew. - Falo com seriedade. - Deveria ter me avisado antes, então eu iria até o Antony e pediria o dia de folga, assim eu não me sentiria irresponsável.

O que eles vão pensar de mim? Não quero ser taxada como alguém inconsequente. Como eu disse anteriormente Andrew toma todas as decisões, mas ele deveria ter pedido a minha opinião antes de agir por si só.

- Me desculpe, eu não pensei por esse lado. - Ele pede sem graça. - Fui idiota por pensar somente no que eu queria e acabei me esquecendo de você.

- Deixou de ir trabalhar apenas para passar o dia comigo? - Pergunto incrédula.

- Sim. - Ele confirma com a cabeça.

Andrew é um viciado no trabalho, mas acabou deixando-o de lado por mim? O que está acontecendo com esse homem?

- Por que fez isso? - Pergunto.

- Porque eu gosto da sua compainha, gosto de conversar com você, gosto de vê-la sorrindo... - Andrew se cala por alguns segundos. - Na verdade gosto de tudo em você Ane. Sonhei com você à noite toda, então decidi faltar ao trabalho para poder olhar para o seu rosto o dia todo.

- Bem... Estou supresa com o que acabou de dizer. - Assumo.

- Eu gosto de você Ane, e quero que goste de mim também.

Me levanto rapidamente e me distancio do Andrew, enquanto tento criar coragem para dizer que também gosto dele, mas eu não sei se sou corajosa o suficiente.

- Por que está fugindo? - Ele se aproxima de mim. - Não gostou do que eu disse?

- Não é nada disso. - Falo.

- Você gosta de mim Ane? - Ele se aproxima mais um pouco.

- Eu... eu... eu...

Não consigo formar uma frase sequer, e por causa da minha confusão vejo o quanto ele fica decepcionado por eu não falar nada.

- Já entendi. - Ele sorri fraco. - Não vou mais te incomodar de ago...

Antes que Andrew continue a falar mais uma coisa o puxo para mais perto de mim e o beijo, porque eu não consigo falar como me sinto, por isso irei lhe mostrar com atitudes.

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