Capítulo 18

- O que pensam que estão fazendo? - Andrew questiona. - Não vão trabalhar?

- Estamos no nosso horário de almoço senhor. - Gabriel responde.

Andrew parecia pronto para brigar com nós, mas agora ele não tem motivo para fazer isso.

- Não gosto de bagunça em minha casa, então é melhor falarem mais baixo. Ou melhor, não falem nada.

Óbvio que ele iria inventar alguma coisa apenas para pisar em nós, e nos mostrar quem realmente manda.

Andrew é idiota demais para assumir que está errado, e por isso que acaba sempre nos maltratando.

- Deseja alguma coisa Andrew? - Clara pergunta a ele. - Quer que eu lhe sirva seu almoço? Já está quase pronto.

- Sim. - Ele confirma com a cabeça.

Somos todos pegos de supresa quando Andrew puxa uma cadeira e se senta, o que nos deixa extremamente desconfortáveis.

Eu sei que algumas das suas refeições ele faz na cozinha, mas quando está sozinho. É a primeira vez que o vejo se sentando junto com os empregados, e tenho que assumir que estou bem chocada com isso.

Já tomei café da manhã uma vez com Andrew, mas foi apenas nós dois. Por isso estou bem curiosa para saber o motivo que o levou a se sentar juntamente conosco.

- Continuem conversando. - Andrew fala.

- Não acabou de nos mandar calar a boca? - Pergunto.

Andrew me executa com apenas um olhar, e essa atitude é o suficiente para eu calar a minha boca grande.

- Pensando bem, deixe que a Joane sirva o almoço de todos Clara. - Andrew sorri de canto. - Poderia fazer isso?

- Você sabe que não gosto...

- Estou apenas pedindo Clara, mas se quiser posso dar uma ordem. - Ele a corta.

Clara se cala, mas da para perceber a sua vontade de falar alguma coisa, mas ainda assim ela continua em silêncio.

Ele não a tratou com falta de educação como faz comigo ou Gabriel e Charles, mas de uma forma ou de outra Clara vai se sentir ultrajada por ele.

Ela ama demais seu patrão para não se sentir triste quando ele faz alguma coisa, que por mais que não seja desagradável ao seu ver, ainda assim é algo que Andrew não está acostumado a fazer com ela.

Clara e Antony são os únicos que escapam da sua fúria, por isso é estranho ver ele a tratando com tanta seriedade.

- Não vai nos servir Joane? - Andrew me olha com superioridade.

- Claro senhor. - Forço um sorriso.

Me levanto tranquilamente, e então me aproximo da Clara e falo:

- Deixe comigo, pode ir se sentar.

- Não precisa de ajuda? - Ela questiona baixinho.

- Melhor eu fazer tudo sozinha, ou o idiota ali vai ficar reclamando. - Cochicho para ela.

Clara não está nem um pouco feliz por eu ter que fazer suas tarefas, mas ela acaba se sentando mesmo contra a sua vontade.

Como todas as refeições já estão nas travessas, começo a colocar uma a uma sobre a mesa, enquanto todos me observam em silêncio.

Logo em seguida pego os pratos e talheres e também coloco sobre à mesa, e então começo a servir a refeição de cada um.

- Bom apetite Charles. - Desejo.

- Obrigado minha querida.

Aceno com a cabeça, e então sirvo a refeição do Gabriel e da Clara, que também me agradecem.

Eu sei que deveria ter servido primeiro para o chefe, mas quero sentir o prazer de o ver irritado enquanto espera por sua alimentação.

Olho para o lado quando escuto uma movimentação, e então Antony entra na cozinha, e quando vê todos reunidos à mesa começa a nós observar, e parece bem confuso.

- Sente-se Antony. - Puxo uma cadeira para ele.

Antony se senta ao lado da Clara, e mais do que depressa lhe entrego seu almoço.

- Bom apetite. - Lhe desejo.

- Obrigado Joane. - Ele agradece gentilmente.

Após servir todos os empregados, chegou a vez do chefe que parece cada vez mais sem paciência e irritado com a minha demora.

Eu sei que eu deveria controlar meu temperamento, ou acabarei sendo prejudicada por causa dele, mas eu não aguento ver Andrew tão mandão e mal educado, que automaticamente acabo fazendo alguma coisa para piorar ainda mais minha situação.

- Terei que esperar por quanto tempo Joane? - Ele pergunta com a voz ameaçadoramente baixa.

- Só alguns segundos chefe. - Falo terminando de colocar sua refeição.

Caminho em sua direção lentamente, e quando estou prestes a lhe entregar o prato, do nada acabo tropeçando e então a merda tá feita.

Andrew começa a tirar a comida quente do seu colo rapidamente, e enquanto ele faz isso pego a jarra de suco e despejo sobre ele.

Minha vontade é de sumir nessa exato momento, porque eu sei o que me espera, mas eu não tenho outra alternativa a não ser encarar a fera de frente.

- Por que fez isso Joane? - Ele pergunta com a voz baixa. - Quis se vingar de mim?

- Foi sem querer senhor. - Respondo. - Eu tropecei.

- Acha que vou acreditar nisso?! - Ele grita.

- Se acalme Andrew. - Clara tenta tranquilizá-lo. - Foi um acidente, Joane não faria isso por querer.

- Óbvio que ela fez por querer! Não vê como ela é cínica?

- Eu não sou cínica. - Me defendo. - Realmente foi sem querer.

- Cale a boca! - Andrew grita.

Ele está tão irritado, que até dou alguns passos para trás, porque Andrew parece pronto para me esganar a qualquer momento.

- Não seja rude Andrew. - Antony o repreende.

- Estão todos do lado dela? - Ele sorri incrédulo.

- Não é questão de estar do lado de ninguém. - Antony fala com tranquilidade. - Foi apenas um acidente, deveria ser mais compreensivo, e menos grosseiro.

Agradeço a Clara e Antony por estarem dispostos a me defenderem, mas seria melhor eles também colocassem a culpa em mim.

Andrew parece ainda mais irritado quando eles falam alguma coisa a meu favor, e não ficam ao lado dele.

- Eu vou limpar essa bagunça. - Falo baixinho.

- Eu cuido disso depois Ane, venha almoçar. - Clara diz.

- Ela não vai comer até limpar isso tudo, e lavar as minhas roupas. - Andrew se entromete na conversa.

- Não seja assim Andrew. - Clara pede.

- Assim como? - Ele retruca.

- Vamos almoçar todos juntos, depois nos preocupamos em limpar tudo ok? - Ela parece implorar com o olhar.

Andrew aponta em direção à porta da dispensa, então nesse momento eu já sei que a sua reposta é um não.

- Eu te ajudo Ane. - Gabriel se levanta.

- Eu também. - Charles faz o mesmo.

- Se derem mais um passo estarão demitidos. - Andrew fala.

Os dois parecem dispostos a arriscar seus empregos, mas eu não deixarei ninguém ser prejudicado por minha causa.

- Podem almoçar, eu limparei tudo sozinha. - Digo.

- Mas...

- Não se preocupe. - Corto Gabriel. - Terminarei rápido.

Peço para eles baixinho para não me ajudarem, e eles atendem meu pedido e se sentam novamente.

Eu não me perdoaria se algum deles perdessem o emprego por minha causa, por isso agradeço mentalmente por terem se controlado e não mandado Andrew a merda.

Enquanto todos se sentam à mesa e Andrew sai da cozinha para se trocar, caminho até a dispensa e pego alguns produtos de limpeza e então volto para a cozinha.

Gabriel faz menção de se levantar, mas eu balanço a cabeça em negação para ele continuar no mesmo lugar e ele faz o que eu peço.

- Você está bem querida? - Clara pergunta preocupada.

- Estou ótima. - Forço um sorriso.

- Tem certeza que não posso desobedecer a ordem do chefe e te ajudar? - Charles questiona.

- Não movam um dedo sequer, ou ficarei muito brava com vocês me ouviram? - Aponto o dedo na direção dos dois.

- Andrew ameaçou demitir os dois, mas acho pouco provável que ele fará o mesmo comigo. - Antony se levanta e caminha até mim.

- Não me ajude. - Peço. - Andrew não vai te demitir, mas eu terei que aguentar ainda mais a sua fúria sobre mim. Agradeço a todos por estarem dispostos a me ajudarem, mas eu não quero a ajuda de ninguém.

Quanto mais todos tentam me ajudar, mais Andrew infernizará minha vida, por isso que é melhor lidar com tudo sozinha dessa vez.

- Por favor Antony. - Imploro. - Sente-se antes que Andrew volte.

Antony não parece nem um pouco feliz, mas acaba voltando ao seu lugar porque sabe que tenho razão.

Me abaixo para juntar a comida que está no chão, mas de repente sinto uma pontada na cabeça, então me levanto com calma.

- O que foi? - Clara pergunta. - Está passando mal?

- Estou bem. - Minto.

Começo a me sentir tonta e seguro na beirada da mesa antes que eu acabe caindo no chão.

- O que está acontecendo Ane? - Charles questiona com preocupação.

- Só estou um pouco tonta. - Assumo. - Não se preocupe, não é nada.

Massageio minhas têmporas quando minha cabeça começa a doer cada vez mais, mas ignoro o que estou sentindo no momento porque Andrew adentra a cozinha arrogante como sempre.

- Ainda não começou a limpar Joane? - Ele pergunta com irritação.

- Já vou fazer isso senhor. - Respondo tranquilamente.

Me abaixo novamente para juntar a comida, mas mais uma vez dá uma forte pontada em minha cabeça.

Sinto suor se formando em minha testa, e lágrimas de dor brotando em meus olhos, e quando me dou conta elas já estão correndo em meu rosto, então me viro de costas rapidamente para que ninguém veja o que está acontecendo.

Coloco as mãos em volta da cabeça quando a dor se torna insuportável, enquanto lágrimas quentes continuam banhando meu rosto.

- Me ajude. - Peço baixinho.

- O que você disse? - Andrew questiona. - Não entendi nada.

- Está doendo! - Aperto minha cabeça com força. - Está doendo muito!

Sinto alguém segurando meu braço, mas não vejo quem é porque minha visão se escurece completamente, e então mais uma vez acabo desmaiando.

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