Capítulo 11

- Onde você vai Ane? - Amber pergunta ao me ver agitada.

- O chefe precisa de mim. - Respondo.

- Não é seu dia de folga?

- Sim. - Confirmo com a cabeça.

- Mas...

- Cuidem da Julie por favor. - A interrompo antes de continuar a falar algo. - Agora deixa eu correr ou chegarei atrasada.

Caminho rapidamente em direção à porta e a abro, e então começo a correr sem ao menos fechá-la de novo.

Andrew é um tremendo cretino por estar fazendo isso em meu dia de folga. Eu sei que ele é o chefe, mas não tem o direito de abusar da sua autoridade apenas para inflar seu ego gigantesco.

Depois de algum tempo correndo paro em frente à porta da casa e a abro rapidamente, e quando a adentro dou de cara com Andrew olhando para o relógio em seu pulso.

- Quatro minutos e cinquenta e oito segundos. - Ela fala. - Foi por pouco Joane.

Estou super ofegante pela corrida, o que me mostra que preciso começar a praticar algum exercício físico.

- O... O que o senhor deseja? - Pergunto quase sem fôlego.

- Tenho um trabalho para você. - Ele fala com um ar zombeteiro.

- Hoje é meu dia de folga senhor. - Digo tentando ter paciência.

Limpo o suor que escorre por meu rosto, e ajeito os cabelos bagunçados logo em seguida.

- Não é mais.

Andrew começa a caminhar em direção as escadarias, enquanto eu fico parada no mesmo lugar o xingando mentalmente.

- O que está fazendo? - Ele pergunta se virando para mim. - Me siga.

- Sim senhor. - Faço uma reverência.

Andrew bufa frustrado, mas começa a caminhar novamente e eu o sigo a uma distância segura.

Abaixo a cabeça enquanto o sigo, mas de repente paro quando trombo em seu corpo.

- Olhe por onde anda Joane. - Ele diz irritado.

- Me desculpe. - Peço baixinho.

Ele ignora meu pedido de desculpas e começa a caminhar mais uma vez, mas dessa vez fico com a cabeça bem levantada para não acabar fazendo merda de novo.

Depois de alguns segundos Andrew para em frente a uma das portas proibidas para os empregados, e então a abre.

- Entre. - Ele manda.

- Não posso. - Nego com a cabeça.

- Estou mandando você entrar Joane. - Ele fala sem paciência.

- Não tenho permissão para entrar. Gabriel disse que é proibido para os empregados, a não ser o Antony.

- Eu sou o chefe e estou ordenando que entre. - Andrew aponta para o lugar.

Eu sei que ele é o chefe, e é por esse motivo que não vou entrar. Andrew pode estar querendo me fazer entrar no local, para depois me demitir, porque acabei desobedecendo uma ordem.

- Desculpe senhor, não posso entrar. - Afasto alguns passos.

- Mas que merda Joane. - Ele passa as mãos pelo rosto com nervosismo.

Estou morrendo de vontade de saber o que tem nesse quarto, mas não vou deixar minha curiosidade colocar meu emprego em risco.

Dou alguns passos para trás quando Andrew começa se aproximar de mim, mas sou impedida de continuar quando minhas costas se chocam contra a parede.

Sou surpreendida quando Andrew me pega no colo, e então se volta em direção à porta e começa a caminhar.

- O que está fazendo? - Questiono. - Me coloque no chão.

- Cale a boca. - Ele me repreende.

Andrew adentra o ambiente, e tenho que assumir que estou com medo de olhar em volta e encontrar algo desagradável.

Escondo meu rosto em seu pescoço, enquanto o aperto com força. Se eu odeio o Andrew? Com toda certeza sim, mas nesse momento eu me sinto estranhamente confortável em seus braços.

Seu cheiro é tão bom, que não tenho nenhuma pressa em me distanciar dele e continuo o abraçando como se minha vida dependesse disso.

- O que está fazendo Joane? - Ele pergunta com a voz grave.

Me distancio dele, e quando nossos olhares se cruzam fico hipnotizada imediatamente. Seu olhar profundo tem o poder de derrubar minhas barreiras, e isso não é uma coisa nada boa.

Andrew olha para mim, mas dessa sua feição não indica raiva ou desprezo. Seus olhos percorrem todo meu rosto, mas de repente ele começa a olhar meus lábios enquanto sua respiração começa a ficar pesada.

Se antes fui surpreendida por ele por ele me levantar nos braços, agora fico ainda mais por ele me soltar no chão como um saco de lixo.

- Ai. - Faço uma careta de dor.

Todo meu corpo dói com o impacto, mas o mais afetado é meus glúteos que foi o primeiro a acertar o chão.

- Levante-se. - Ele ordena.

- "Desculpe Joane" - Resmungo. - "Se machucou Joane?".

Me levanto com calma, e então começo a massagear meu traseiro dolorido.

Olho em volta e percebo que é apenas um quarto normal, e eu achando que era seu calabouço pessoal, onde Andrew mata pessoas.

- Parece decepcionada Joane. - Ele diz cruzando os braços.

- Estava esperando outra coisa.

- O quê? - Andrew questiona.

- Algo sombrio, onde você tortura e mata pessoas. - Assumo.

Andrew me encara ainda mais irritado, e então percebo que acabei falando demais, mas a culpa é dele por querer saber o que eu estava esperando.

Me enganei com esse quarto, mas ainda tem outra porta proibida para mim, então talvez esse acabe sendo o local onde ele pratica suas maldades.

- Me siga. - Andrew manda.

- Sim senhor.

Andrew começa a caminhar em direção a uma das portas, e eu o sigo lentamente. A cada passo que dou sinto meu traseiro doer, mas continuo o seguindo antes que ele comece a resmungar de novo.

Enquanto adentro o closet acabo ficando boquiaberta com a quantidade de roupas.

Se Andrew vivesse mais cem anos, não seria capaz de usar a metado das coisas que possui.

Tirando as roupas ainda tem várias maletas, gravatas, sapatos, cintos, lenços e relógios diferentes.

Gostaria de saber o porque pessoas ricas gostam de possuir tantas coisas se nunca vão usar.

Se eu compro uma roupa uso ela até rasgar, e quando isso acontece rasgo mais um pouco para dizer que custumizei e continuo usando por algum tempo.

- O que o senhor quer que eu faça? - Pergunto.

- Quero que limpe todos os meus sapatos. - Ele aponta para eles.

Chego para mais perto dos sapatos enquanto olho eles, e percebo que todos eles estão extremamente limpos.

Andrew está fazendo isso para infernizar a minha vida, mas se ele acha que vou retrucar está muito enganado.

- Mais alguma coisa Senhor? - Finjo simpatia.

Ele parece surpreso com a minha atitude, e ao ver sua cara de idiota nesse momento agradeço a mim mesma por ter controlado minha língua.

Terei que fazer um trabalho inútil? Terei, mas saber que ele esperava algo que não aconteceu me deixa com um gostinho de vitória.

- Quero que lave essas camisas. - Ele aponta para elas.

- Não estou tentando fugir do trabalho senhor, mas aconselho a não me pedir isso. - Digo. - Não estou acostumada a lidar com tecidos como esses, por isso eu poderia acabar danificando as peças.

- Quero elas limpas e passadas. - Ele fala com irritação.

- Tudo bem, mas se algo der errado não diga que não avisei. - Dou de ombros.

Andrew parece uma criança birrenta agindo dessa forma. Qual a necessidade de mandar eu lavar e limpar coisas que já estão limpas?

Se quer me explorar no trabalho, que faça isso com algo que tenha alguma utilidade.

Se ele pensa que vou desistir do trabalhado por causa das suas ações infantis está muito enganado.

Quando mais ele me maltrata, mais eu tenho forças para continuar trabalhando, e no processo vou fazer ele me suportar em sua casa dia após dia.

- Se o senhor me der licença irei começar o meu trabalho.

- Quero tudo limpo ainda hoje. - Ele diz sorrindo zombeteiro.

- Farei o que estiver ao meu alcance para conseguir cumprir seu desejo senhor. - Digo com um sorriso forçado.

Andrew bufa frustrado, e então sai do closet resmungando.

- Idiota.

Olho para tudo o que tem a minha frente desanimada, mas não posso deixar meu desânimo me afetar, ou então não conseguirei limpar e lavar tudo o que ele mandou ainda hoje.

Há alguns minutos atrás eu estava sentindo uma atração inexplicável por ele enquanto Andrew me segurava nos braços, e agora tudo o que quero fazer é arrancar do seu rosto aqueles malditos olhos azuis.

Seria burrice da minha parte me apaixonar por um homem como ele, e seria ainda mais burrice achar que ele se apaixonaria por uma simples empregada como eu. 

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