♡Capítulo 4 - O Convite♡

Rafael

O dia na faculdade tinha sido puxado, as aulas tinham sido longas e todas cheias de detalhes técnicos importantes. Rafael se esforçou ao máximo para prestar a atenção e anotar tudo, mas o foco não parecia estar ali com ele. Desde mais cedo, quanto terminou de tomar café da manhã com a família, Rafael sentiu um entranho desconforto. Ele passou a maior parte do tempo pensando na ligação da namorada. Amanda era uma moça temperamental e um tanto mimada, mas tinha algo diferente na voz dela.

Não foi só o ciúme de sempre, mas havia algo diferente na voz dela.

Há uns meses atrás, Amanda contou que estava sendo ameaçada por uns homens estranhos e que seu pai estava cuidando disso. Rafael achou que o assunto estivesse resolvido, mas aquela ligação de mais cedo o deixou inquieto.

— Rafa? Rafael! — O chamado de Lipe o trouxe de volta para a realidade. — Cara, acorda, já chegamos na sua casa.

Rafael esfregou os olhos e sai do carro.

— Cara, o que deu em você? Tá estranho desde cedo.

Rafael entrou em casa pela porta da frente e olhou ao redor para ver se tinha alguém. Ele esperou Felipe entrar e fecha a porta.

— Escuta, Lipe, eu estou preocupado com a Amanda.

— Preocupado com ela? Por quê? — Ele indagou, confuso.

— Então, teve umas coisas que aconteceram a um tempo e eu não te contei. Não era um assunto cem por cento meu e a Amanda não quis fazer alarde.

— Cara, fala logo, ficar sussurrando assim parece que você está me contando os segredos dos illuminati.

— É sério, Lipe, não pode falar disso com ninguém. — Rafael olh atento para o corredor que levava à sala de jantar. — Lembra daquele dia que era aniversário do Ruan Sales da turma de engenharia e eu não fui à festa?

— Claro que me lembro, todo mundo achou que você não tinha ido porque a Amanda te proibiu.

— Não foi bem isso, naquela época a Amanda estava sofrendo umas ameaças de uns caras lá em Buenos Aires. Ela me contou que o pai dela estava resolvendo as coisas, mas ainda assim ficou com medo de sair.

— Cara, que doideira, então era por isso que você nem quis viajar durante às férias?

— É, a Amanda prolongou a viagem a pedido dos pais, que estavam com medo dela voltar para casa e acontecer algo. — Rafael se lembrava muito bem do terror da namorada. — Hoje cedo, antes de ir para a faculdade, a Amanda me ligou. Ela me pediu que não marcasse nenhum compromisso e que tinha algo importante para falar.

— Rafa, me escuta, não fica preocupado desse jeito. O que a Amanda tem para falar pode não ter nada a ver com esse rolo de ameaças. — Felipe deu um leve aperto no ombro do amigo. — Tenta relaxar, ok? Ficar todo aéreo de preocupação não adianta de nada. Sei que ela é filha de gente importante, mas como você disse eles já estão resolvendo isso.

— Tem razão, mas ainda sim continuo me sentindo estranho.

— Isso deve ser fome, você não comeu nada desde cedo. — Felipe deu uma sacodida nos ombros de Rafael. — Vamos lá, agora seja um ótimo amigo e me diga, como estou?

Rafael olhou para o amigo, que estava passando a mão pelo cabelo.

— Por que está perguntado isso?

— Como por quê? Se esqueceu com que vamos almoçar?

— Com a minha família?

— Com a Rebeca!

— Não vai ser só a Rebeca, Lipe. Meus pais e meu irmão vão comer com a gente também, então não fique olhando para a minha prima como se você fosse um garimpeiro e ela uma pepita de ouro.

— Cara, de onde você tira esses exemplos tão bons?

— Da minha cabeça, por ao contrário de você eu consigo armazenar informações nela.

— Ai! Essa doeu bem aqui. — Lipe fez uma falsa cara de dor e apontou para o peito.

— Achei vocês! Por que estão tão escondidinhos aqui, hein? — Uma moça baixinha de cabelo castanho curto aproximou-se dizendo. Ela abraçou Rafael e lhe deu um beijo na bochecha, o cumprimentando. — Que saudade do primo mais lindo desse mundo.

— E eu senti muita falta da minha parceira de surf matinal. — Ele retribuiu o abraço. — Como foi a viagem?

— Maravilhosa, tenho muitas coisas para contar e trouxe presentes.

— Para mim também? Posso não ser o primo mais lindo, mas eu sei que moro no seu coração Beca. — Felipe deu um olhar para a moça que fez Rafael querer rir.

— Oi, Lipe, e sim trouxe presente para você também. — Rebeca largou o primo e abraçou Felipe. — Mas antes de dar os presentes, será que podemos ir almoçar? Só faltam vocês dois.

— Vamos só deixar as coisas lá em cima.

— Está bem, vou avisar a Tia Léia que vocês estão vindo. — Ela falou, indo em direção à sala de jantar.

— Rafa, vai me desculpar, mas a Beca...

— Nem termina o que vai dizer. — Rafael deu um tapa amigável no pescoço de Lipe.

{..}

— Até que enfim chegaram, achei que tivessem se esquecido do almoço. — Léia diz, sorrindo para os dois.

— Oi, mãe. Cadê o pai e o Bernardo? — Ele a cumprimentou com um beijo na cabeça.

— Estão no escritório, mas já devem descer. — Ela se serviu de um copo de suco. — Oi, Lipe.

— Oi, tia. — Ele a abraçou. — Obrigado por me deixar almoçar aqui.

— Deixe de bobagem, você é da família e pode vir quando quiser. — Ela disse, sorrindo. — Como foram na faculdade?

— Hoje foi um dos dias cheios de trabalho, tia, mal posso esperar para o próximo período, quando os trabalhos são mais legais.

— Só está dizendo isso porque o professor de cálculo não vai com a sua cara. — Rafael riu, pegando um pouco de salada.

— E qual a razão por trás disso? — Indagou Rebeca, curiosa.

— O professor apareceu para conhecer a faculdade no dia do trote, mas o senhor Felipe não sabia disso.

— Ninguém sabia, na verdade. — Ele retrucou, na defensiva.

— E o trote era com tinta. Já podem imaginar o que aconteceu.

— Por Deus, Felipe, me diga que você não jogou tinta no pobre homem. — Léia arregalou um pouco os olhos.

— Alguém me passa a salada? — Felipe tentou desconversar.

— E o que aconteceu depois? — Rebeca estampou um sorriso brincalhão nos lábios.

— É... bom, não vem ao caso agora, mas saibam que eu me resolvi com ele depois. — O rosto de Lipe começou a tomar um tom avermelhado.

Rafael, a mãe e a prima gargalharam, pois sabiam que Felipe devia ter aprontando alguma.

Maurício cruzou a porta da sala de jantar. Ele vestia um terno preto, mas estava de chinelo nos pés. Bernardo vinha logo atrás dele, impecável como sempre. Cabelo arrumado para trás, terno cinza e um semblante indiferente.

— Como é bom ver que estão se divertindo, posso perguntar o motivo dos risos? — Maurício deu um beijo em Léia e se sentou de frente para ela, ao lado de Rebeca.

— Confusões do Lipe, parte vinte três? – Brincou Rebeca.

— Eu parei de contar, mas depois quero ouvir essa.

— Já te contamos essa, pai, foi a mais recente.

— Ah! A do professor smurf, essa é muito boa. — Maurício soltou uma risada ao recordar.

— Você não nos falou que a tinta era azul. — Rebeca disse com falsa indignação, enquanto Léia escondia o riso.

— Cadê a Martinha? Ela não vai comer com a gente? — Perguntou Felipe.

— Martinha foi ao mercado com o Alison. — Foram as primeiras palavras de Bernardo.

— Como vai no trabalho, filho? Seu pai me contou que tem um caso que está te tirando o sono.

— Vai tudo bem, mãe, não se preocupe. Eu estava falando com o pai que já resolvi tudo com o meu cliente e agora preciso falar com uma testemunha.

— Esse pode ser um dos casos mais importantes para a carreira do nosso filho, Léia. — Maurício apertou, carinhosamente, o ombro do filho mais velho.

— Vou torcer muito para que dê tudo certo, filho.

— Obrigada, mãe.

— Que orgulho de você, priminho. Um prodígio dos tribunais. — Rebeca bagunçou, gentilmente, os cabelos de Bernardo.

— Falou a prodígio que se formou em medicina aos vinte e cinco anos. — Ele brinca. — Aliás, como foi a viagem? Está tudo bem por lá?

— Sim, estão todos ótimos.

— É verdade. Fale mais sobre a viagem, filha, quero mais detalhes. — Léia pediu.

A viagem de presente que ela recebeu de seu namorado, Pedro, para visitarem parte da família que mora no Sul veio em um bom momento. Rebeca estava bastante cansada, eram vários turnos no hospital e nunca conseguia um tempo para respirar, algo que a estava estressando demais.

— Tia, foi simplesmente incrível, me diverti tanto. Foi ótimo ver o meu pai, os meus amigos e visitar o túmulo da mamãe, levar tulípas para ela. — Rafael reparou quando Léia deu um leve aperto na mão da sobrinha. — O vovô mandou lembranças, disse que sente muita falta de vocês e pediu para mandarem menos roupas de presente e mais garrafas de uísque.

Todos na mesa riram, isso era algo de se esperar do velho Otávio Ferreira.

— E a vovó, como está? Lembro que ela fazia os melhores biscoitos do mundo. — Indagou Rafael, ao cortar o pedaço suculento de frango em seu prato.

— Animada como sempre, agora que ela descobriu o que é serviço de streaming, passa horas vendo todas as novelas que encontra. — Rebeca jogou um pouco de molho em sua salada. — Acreditam que ela anda se reunindo com as amigas para verem novela? Foi muito divertido ver o vovô irritado com a Netflix.

Os avós maternos de Rafael moravam em Santa Catarina e se recusaram a se mudar depois que a filha mais nova e mãe de Rebeca, Cecilia, faleceu. Desde então, o ciclo de férias da família era sempre ir visitar aos dois.

— Eles pediram para vocês dois, Bernardo e Rafael, ligarem mais. — Ela olhou feio para os dois, mas logo passa, pois ela deu um sorriso. — Mas agora falando de outro assunto, tia, está ansiosa para amanhã?

— Nem faz ideia minha filha, eu estou tão feliz. Vai ser ótimo rever alguns amigos e clientes e clientes que se tornaram amigos. — Ela respondeu, orgulhosa. Ser arquiteta era a paixão de Léia, era um dos motivos pelo qual ela deu tão duro por tanto tempo. — O Pedro virá?

— Sim, ele vem me buscar depois do almoço. Eu marquei um encontro com uma amiga e ele vai me deixar na casa dela antes de ir à barbearia.

— Se eu tivesse um tempinho iria com você, mas tenho uma reunião.

Rafael sentiu um pé o cutucar por debaixo da mesa e ao olhar para baixo percebeu que era o pé de Felipe. Ele encarou o amigo com uma cara de "O que você está fazendo?" e Felipe mexeu os lábios dizendo "Fala sobre a Amanda!".

Uma onda de nervoso se abateu sobre ele. Rafael precisava avisar aos pais que a namorada tinha adiantado a viagem para amanhã.

Ele olha feio para Lipe, que o chuta com um pouco mais de força. Rafael sibilou um "Agora não! " e Lipe disse "Agora sim, conta logo".

— Com licença, mas qual é a da leitura labial? — A voz da prima fez Rafael voltar a prestar a atenção na mesa. — E então?

— É... é que...

— O Rafa tem que contar uma coisa. — Disparou Felipe, que ganhou um chute por debaixo da mesa.

— Ai! Essa doeu de verdade.

— Sério, Lipe?

— Filho, o que foi? Você parece preocupado. — Maurício perguntou.

"Droga, Lipe, você me paga por isso!" — Ele pensou.

— Eu queria falar disso em outro momento, mas o Felipe achou que agora era melhor. — Rafael olhou feio para o amigo. — Mãe, aconteceram alguns imprevistos e a Amanda vai chegar aqui em casa amanhã de manhã.

— Quê? Como assim vai chegar amanhã? — Sua mãe perguntou.

— Eu não sei o que aconteceu mãe, ela me ligou mais cedo, me disse que houve uma mudança de planos e que ia vir amanhã cedo. Me desculpa, sei que isso pode gerar problemas com um certo cliente.

— Olha, meu filho, é verdade que o Humberto tem suas desavenças com os pais da Amanda e o fato de ter a presença dela aqui amanhã à noite pode gerar uns olhares, mas não vou permitir que os problemas dos outros atrapalhem o meu trabalho. — Ela disse, olhando para o filho. — A Amanda, como sua namorada, é muito bem-vinda. Mas você a conhece e sabe que eu não vou ter cabeça para lidar com as respostas afiadas dela, caso algo aconteça.

— Pode ficar tranquila quanto a isso, mãe, vou conversar com ela. — Rafael respirou fundo. — Nossa, estou até mais leve agora.

— Viu? Mais uma vez eu estava certo. — Lipe se gabou, dando um gole em seu suco.

— Falando em convidados, preciso ligar para Clarisse e lembrá-la do convite para amanhã. Eu já tinha a avisando semana passada, mas sei que ela deve andar bem ocupada e deve ter esquecido.

— Léia, meu amor, você não me contou nada sobre isso. Chico virá também? — Maurício ficou animado.

— Ia ser uma surpresa, não achou que eu fosse esquecer de convidar nossos amigos, certo? Sem contar que eu encomendei uma daquelas tortas deliciosas com a Clarisse.

— Mal posso esperar para ver o Chico, tenho que pôr a conversa em dia com o meu melhor amigo.

— E só vão vir os dois? — Perguntou Bernardo.

— Claro que não, Miguel e Carolina vem também. — Léia bateu palminhas como uma criança feliz. — Ai, agora não vou conseguir esperar, eu vou ligar para ela.

— Meu amor...

— Eu volto já. — Ela disse, correndo pegar o celular.

{..}

Clarisse

Enquanto terminava de confeitar os biscoitos, Clarisse ouviu o som de água corrente e percebeu que era o toque do próprio celular. Com as mãos ainda um pouco sujas de creme, ela as limpou num paninho que estava próximo. Quando lê "Léia" na tela, atendeu, rapidamente.

— Oi, Léia, querida.

— Olá, Clarisse. Como você está?

— Estou bem e você?

— Bem animada, amanhã vai ser aquela minha recepção aqui em casa e estou ligando para saber se você, Chico e as crianças vão vir.

— É mesmo, nós vamos sim. Chico comentou isso comigo ontem à noite, ele está empolgado para ver o Mauricio e eu para te ver.

— Nós também estamos ansiosos. Ah, não se esqueça da minha torta de frutas vermelhas.

— Pode deixar, querida, vou fazê-la assim que terminar decorar uns biscoitos. — Clarisse checou o bolo no forno. — Como estão as crianças?

— Todas bem, graças à Deus. Bernardo trabalhando como sempre, Rebeca voltou de viagem ontem com o namorado e Rafael está estudando bastante, mas sempre que pode vai à praia. E como estão Miguel e Carol?

— Estão bem também. Miguel está estudando tanto que as vezes eu preciso mandá-lo para a rua pegar um ar fresco, e agora que está trabalhando com conserto de computadores está todo feliz por ganhar seu próprio dinheiro. Já Carolina está se dando tudo de si durante os estudos para o vestibular e ainda tem cabeça para vir me ajudar na loja.

— Nossas crianças estão crescidas, Clarisse, dá para acreditar nisso? Daqui a pouco Bernardo e Rebeca vão construir família, Miguel e Rafael vão se formar na faculdade e Carol vai começar a realizar seus sonhos.

— Léia o tempo passou rápido demais, daqui a pouco vamos ser avós.

— Nem me fale, vou ser uma avó tão babona. Mas sei que ainda vai demorar se depender dos meus filhos e minha sobrinha.

— Mas é melhor assim, primeiro deixá-los instruídos e responsáveis para que nós possamos estragar os netos.

— Exatamente assim. — Uma voz gritando o nome de Léia interrompeu a conversa. — Minha amiga, eu preciso ir, Alison está me gritando sem parar.

— Vai lá, querida, amanhã conversamos mais.

— Beijinhos, até amanhã! Já vou Alison!

— Beijos! — Ela riu antes de desligar. Clarisse desligou o forno e mandou uma mensagem para o marido, falando para ele ajudar Miguel e separar uma roupa para amanhã. — Eu preciso avisar a Carolina, acho que ela vai ficar bem feliz com o convite.

Olá amados, como vocês estão?

Bom, depois de muitas orações para Deus e desabafos com as minhas amigas, o pique de escritora se abateu sobre mim, o que eu agradeço. Ao mesmo tempo em que estou escrevendo esse recadinho aqui, também estou escrevendo um capítulo. 

Comentem o que vocês tem achado até agora sobre os personagens, tipo primeiras impressões.

Até a Próxima♡

(Escrito no dia 01/06/2021)

MayaXOXO

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