CAP|01


O vinho desce suavemente por minha garganta. Essa deve ser a terceira taça desde que abri a garrafa, às sete horas da noite.

Gina foi para mais uma de suas viagens a trabalho. Então ficamos somente Romeu, que é meu gato, e eu.

Batidas na porta me desperta dos meu pensamentos.


Uma lufada de ar escapa dos meus lábios. Cambaleio um pouco quando tento levantar da cadeira, sentindo-me tonta. A porta parece longe demais, e cada a passo, tropeço nos proprios pés.

Preciso parar por hoje!

O sorriso largo de Thomas murcha quando abro a porta e olho confusa para ele.

O que ele está fazendo aqui?

— Santo Deus, Selena. Eu não acredito que você esqueceu.

Céus. Eu me esqueci completamente do nosso compromisso!

— O que você quer Thómas? Está me atrapalhando. Estou bastante ocupada!

Me jogo no sofá, sinto o mundo girando em torno de mim.

Droga Selena.

Thomas arqueia uma das sobrancelhas bem desenhadas. E puta que pariu! 

Como ele consegue ser lindo desse jeito? Se não fosse meu amigo. Certamente eu o pegava!

Ok, talvez eu tenha bebido um pouco além da conta.

Ele para de frente a televisão e solta uma gargalhada.

— É com isso que está ocupada? Jesus. Você realmente precisa de amigos!

Olho confusa para a televisão. E está passando Tom & Jerry.

Ótimo

Thomas pega o controle da TV e a desliga.

— Ei, eu estou assistindo sabia?

Protesto indignada.

— Não estava nada! Você nem sabe o que está passando.

Touche!

Ele joga o controle remoto no outro sofá e senta do meu lado.

— Vim buscá-la. Você prometeu que iria a boate!

Ele segura minha mão entre a dele e entrelaça nossos dedos.

— Não prometi não!

Faço uma careta de descontente, não consigo nem ficar de pé. Quiçá ir em uma boate cheia de gente. A verdade é que não quero ir a lugar nenhum. Minha vontade é permanecer em meu sofá. Terminar aquela garrafa de vinho e me deliciar na dor do dia de amanhã.

— E não faça essa cara. 

Thomas deita minha cabeça em seu ombro e afaga meus cabelos.

— Eu sei que amanhã é um dia muito difícil para você. Mas não pode se entregar dessa forma.

Um nó se forma em minha garganta, junto de uma poça de água que se forma nos meus olhos.

Sugo o ar com força e solto lentamente. 

Thomas tem razão!

— Você tem razão!

Limpo as lagrimas que cairam sem permição, equanto ele se levanta.

— É claro que eu tenho razão. Você parece uma velha rabugenta com seus sessenta gatos!

Diz ele rindo.

Não foi uma observação inteligente da parte do meu amigo. Tendo em vista que a distância entre nós é razoavelmente grande, porém,  não o suficiente que me impeça de chutar com força sua canela.

E foi o que fiz!

Ele da um pulo de susto e começa a massagear o lugar recém-chutado, que com certeza amanhã estará roxo.

— Isso dói! Sua maluca.

Ele diz ainda segurando a canela. Reprimo a risada e ele vai até a cozinha, sumindo do meu campo de visão. Voltando em seguida com uma bolsa de gelo nas mãos.

— Não sou uma velha rabugenta, nem me pareço com uma. Por Deus! O que há de errado em ficar em casa e apreciar um bom vinho?

Ele encosta no batente da porta da cozinha. Um vinco se forma em sua testa de descontentamento.

— Não vim discutir isso com você. Levanta a bunda desse sofá e vai colocar uma roupa. Tem uma suspresa para você hoje!

— Quem surpresa ?

Pergunto desconfiada.

— Se eu te contar não é mais suspresa!

Touche de novo!

Escolhi um vestido preto justo ao corpo, com a parte de trás aberta e uma fenda no lado direito, que vai até metade da minha coxa. Nos pés um scarpin vermelho. Cabelos soltos. Uma maquiagem leve e o batom vermelho.



Depóis de alguns minutos, que mais pareceram horas. Chegamos em frente a boate. O lugar tem bem mais pessoas do que eu imaginei que teria. Concerto meu vestido e me olho uma última vez no pequeno espelho do carro. Segurei firme a bolsa do lado direito contra o corpo, e dei um pequeno passo para longe do carro. 

Me desequilibrei ao mesmo tempo que congelei no lugar. Meu sorriso aberto, murchou . A bebida reboliçando no meu estomago. Acho que eu não deveria ter bebido tanto. isso só pode ser efeito do alcool. 

Minha capacidade de andar foi pro espaço. Junto com a habilidade de falar. 

Thomas me perguntou algo que só Deus sabe o que. Porque eu estava perplexa demais para entender.

Ele está aqui. Bem na minha frente. Encostado no carro prata, sem desviar o olhar do meu.

Eliot Evans está aqui! 

E Deus do céu. Que homem!

Eliot também parecia totalmente em choque por me ver ali. Afinal, foram cinco anos desde a ultima vez que nos vimos. Só que há algo diferente nele. Além do físico, obviamente.

Ficamos por longos minutos nos encarando. Até que ele quebra nosso contato visual.

Um tremor começa formigar meu dedinho do pé e vai subindo pelo meu corpo quando ele começa a caminhar em passos lentos na nossa direção. 

Uma batida se perde a cada passo que ele dá. 

Devo ter bebido além do que devereia, só pode ser uma alucinação!

 Mas alucinação não te suga o ar. Nem faz aspernas tremer igual as minhas estão!

Céus.

Ele está se aproximando. O ar parece insuficiente para que nós dois pudéssemos desfrutar dele em um mesmo ambiente. A luz tênue do poste revela o quanto ele também parece não acreditar no que está vendo. As mãos nos bolsos da calça de forma despretenciosa causa um rebuliço no meu estomago. 

Enquanto atravessava o espaço da rua entre nós. Não pude deixar de notar uma pequena cicatriz no antebraço esquerdo. As mangas da camisa preta de linho estão suspensa até o cotovelo. Deixando o braços amostra.

E que braços!

Mas que diabos está acontecendo comigo?

Preciso sair daqui logo. Correr para longe. Essa brincadeira não tem graça. Preciso voltar a realidade, a lucidez.

— Você está bem ?

Pergunta Thomas. Tentando, de alguma forma entender o que está acontecendo.

Não!

— Sim!  

Deus do céu me tira daqui!

—Thomas. Quanto tempo, amigo!

A voz de Eliot ressoa rouca e firme.

Oi? Amigo? Como assim amigo? O que eu perdi?

Ele tem um pequeno sorriso no canto dos labios. Mas, não é direcionado á mim. E sim Thomas.

As duas taças de vinho tomadas em casa devem estar me fazendo imaginar coisas. Isso não pode ser real.

—Eliot. Salapard, quanto tempo...

Thomas responde indo dar um abraço em seu "amigo". Que direciona o olhar à mim.

 Respirei pausadamente para não chorar desesperadamente.

A receptividade dos olhos dele sumiu. Um frio percorreu minha espinha quando pela primeira vez naquele mini caos, ele dirigi a palavra à mim. 

— Boa Noite. Selena!

Porra!

Ele sabe que sou eu. Não que isso fosse impossível. Mas eu estava bem diferente desde aquela última noite. 

Sustento o olhar penetrante que me observa sem desviar um centimetro.

Eu sei que um dia esse momento chegaria. Por mais que eu o adiei por tanto tempo e todas as formas. Eu sabia que teria que encará-lo um dia. Que teria que olhar novamente nesses olhos e engolir seco esse gosto de decepção. 

Mas porra. 

Eu não estou preparada ainda.

Talvez eu nunca estaria!

Não agora. Não com ele me olhando da forma que está agora. Sinto uma imensa vontade de xingar o universo por me colocar nessa situação.

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