55. Megan é encrenca?

Algumas semanas se passaram e o inevitável havia acontecido. Pela manhã de um dia comum, envoltos em um lençol de algodão branco, Evan e Megan aproveitavam o melhor um do outro.

- Ah, Evan... Só mais um pouco, estou quase lá!

Num suspiro profundo, a garota tombou sua cabeça para trás e gemia, enquanto suas unhas percorriam as costas do garoto freneticamente, deixando arranhões por todos os lados.

Em segundos, Megan se contorcia, sentindo um prazer inimaginável. Seus olhos giravam nas órbitas, enquanto Evan se deleitava com a cena tão sensual que via.

Em seguida, após também despejar todo seu prazer, Evan jogou-se ao lado da jovem na cama macia - Essa sua mania de avisar quando goza, me deixa maluco.

- Eu disse que haviam muitas coisas sobre mim que você não sabia - ela zombou, em seguida fazendo beicinho - Vamos mais uma vez?

- Eu bem que gostaria de passar o dia todo com você nessa cama, mas preciso trabalhar - Evan ergueu-se, indo em direção a porta - Estou precisando de um banho e ainda tenho que passar na casa do meu pai pra marcar o jantar.

- Você tem certeza disso? - Megan vestia suas roupas jogadas pelo chão do quarto - Não está se precipitando?

Ele sorriu de um modo sacana - Não podemos continuar com o teatrinho de casal apaixonado sem que você conheça meus pais, não acha?

Após o desabafo de Evan, o choro por ter sido forçado a falar de Emily, Megan se desculpou e os dois acabaram na cama. Desde então, o sexo havia se tornado o eixo da amizade dos dois, que decidiram então, fingir um namoro para os pais da garota e assim fazê-los voltar a confiar nela, achar que finalmente ela estava se ajeitando na vida. Evan era de boa família e isso não seria nada difícil.

- Esse teatro é só pra que meu pai pare de pegar no meu pé e me devolva meu apartamento e principalmente meus cartões. Sem meus bebês, não sou nada.

- Exatamente por isso que precisamos oficializar - Evan piscou para ela - Meu pai e o seu se conhecem e isso pode dar problema caso eles se encontrem em algum momento.

Megan caminhou até Evan, vestindo apenas sua lingerie vermelha, jogou seus braços em torno do pescoço do rapaz, ficou na ponta dos pés e deu-lhe um beijo quente - Está bem, não consigo te negar nada mesmo. Estou fodida, literalmente e sabe de uma coisa? Estou sempre querendo mais.

Evan gargalhou - Não provoque, garota!

- Não estou. É só que, gosto muito dessa nossa amizade colorida - ela mordeu os lábios - Vai mesmo trabalhar? Porque se vai, sugiro que entre naquele chuveiro e tranque bem a porta.

- Porque? Você vai me atacar? - ele mordeu delicadamente o queixo da morena, erguendo-a em seus braços, enquanto ela prendia as pernas em torno da cintura dele.

O garoto levou-a até a cama novamente, a deitando e jogando seu corpo sobre o dela. Beijou-lhe a boca com furor e sussurrou em seu ouvido - Está excitada?

Megan sorriu com a pergunta - Estou!

- Pois bem, mas vai ter que esperar até a noite, porque eu preciso mesmo trabalhar.

Evan deu as costas, zombando da jovem, como se tivesse ganho o jogo que ela se julgava especialista. Tomou um banho rapidamente, para não dar chances a ela de devolver sua provocação.

Antes de seguir para a casa do pai, Evan deixou a garota no emprego. Um atelier chique, onde ela trabalhava como recepcionista, para poder bancar algumas despesas desde que perdera a mordomia que vinha da família e claro, ganhar um pouco de experiência na área de moda, que era do que se tratava suas aulas na faculdade.

Paul preparava o café, quando Evan adentrou o local animado. Contou tudo sobre a nova namorada e pediu que o pai cozinhasse no sábado a noite e a recebesse bem.

- Me escute, a família Fitzgerald não é conhecida apenas pelo dinheiro, mas também por todas as brigas e escândalos envolvendo os filhos - Evan ouvia atentamente o que Paul lhe contava - Essa tal Megan é encrenca pura, filho!

- Não vou casar com ela, pai! - Evan zombou - Nós estamos apenas saindo, nos conhecendo e quero que você e dona Anna saibam. Por isso pedi que faça um jantar bem saboroso e a receba de maneira cordial. Só isso.

- E posso confiar que isso nada tem haver com a separação de sua mãe?

- Tenho cara de cupido por acaso? - ele ergueu uma sobrancelha - Eu, hem? Vocês são bem grandinho, eu não vou me meter em nada disso, apenas quero que conheçam minha nova namorada.

Paul serviu a Evan uma omelete que acabara de preparar e sentou-se ao lado do filho para saborear a sua, antes de irem para o trabalho.

- Está bem, então - o homem mais velho finalmente cedeu ao pedido do outro - Farei o jantar. Mas tem outro assunto que quero conversar com você. Ofereci ao Christian a vaga do estágio que seria de Ryan, como você me pediu.

- Ótimo! - Evan bebericou seu suco - Qual o problema?

- Ele recusou - Paul cruzou as braços, terminando sua refeição - Disse que agradecia, mas ficar próximo de nós não lhe faria bem nesse momento. Ele amava muito a sua irmã e ainda está se recuperando do baque.

- Que pena! Mas entendo, acredito que no lugar dele, eu faria o mesmo - Evan baixou o olhar pensando em Emily e claro que, diferente de Olivia, ele sabia que ela estava bem, mas lembrar dela lhe doía demais - No que posso ajudar, pai?

- Você poderia me indicar alguém pra essa vaga?

O garoto franziu o cenho pensativo - Que tal Ian?

- Ian? Seu primo Ian?

- Ele mesmo! Fiquei sabendo que Ryan e Ian eram colegas na faculdade, então acredito que ele também deva ter se formado - Evan pigarreou - Ele é um cara bastante comprometido e acredito que será uma ótima aquisição para a empresa. Sem falar que estou devendo uma a ele, depois do que fez pela... Pela Emily.

- Muito bem, se é o  que você quer, falarei com ele hoje mesmo e lhe farei a oferta - Paul correu os olhos pelo relógio em seu pulso - Mas agora precisamos ir. Já estamos atrasados.

Evan ergueu-se, passou a mão em seu casaco que repousava no encosto da cadeira e nas chaves do carro sobre o balcão - Deixe isso por minha conta. Já está passando da hora de Ian e eu nos acertarmos. Sempre fomos como irmãos e não tem porque dessa rixa continuar.

Paul assentiu e os dois deixaram a casa juntos.

Trabalhou a manhã todo com a cabeça longe. Pensar em Ian, consequentemente lhe fazia pensar em Emily e isso não lhe agradava nenhum pouco. Será que jamais conseguiria tirá-la da cabeça e o mais importante, do coração?

No intervalo de almoço, buscou Megan em seu trabalho e tiveram uma ótima refeição num restaurante de comida tailandesa que a moça gostava tanto.

Após o final de seu expediente, finalmente tomou coragem e ligou para Ian. No início o garoto parecia um pouco hostil e receoso com o convite, mas acabou por aceita tomar algo com Evan em um bar movimentado.

Passou em casa, tomou um bom banho e seguiu então para o local combinado. O lugar era bem iluminado e estava cheio, como de costume. Assim que chegou, Evan teve dificuldade em avistar Ian, por conta de toda aquela gente aglomerada pelos cantos do bar.

Olhou então para as janelas  abertas e pode vê-lo, já sentado em uma mesa, bebericando algo. Parecia ser cerveja.

Aproximou-se dele, ainda um pouco tenso com aquela situação. O medo de uma nova briga por causa de Emily ainda o atormentava.

- Então, disse que veio a pedido de seu pai. O que ele teria para me dizer que envolva eu e você bebendo juntos?

Evan suspirou, incomodado com a agressividade no tom de voz do primo - Escute, Ian. Primeiramente, quero que saiba, te chamei pra vir aqui, porque quero me desculpar.

A expressão endurecida de Ian, deu lugar a uma face duvidosa - Pelo que?

- Por ter deixado meu ciúme doentio acabar com nossa amizade - Evan fez sinal para que o garçom viesse até ele - Você sempre foi como um irmão pra mim e o que fez por Emily, só prova que é um homem de caráter.

Evan pediu uma cerveja ao garçom e voltou-se novamente para o primo que o avaliava cautelosamente.

- Não sou muito bom com desculpas, não costumo pedir, se é que me entende, mas mesmo assim, quero que possamos ter uma relação próxima a que tivemos quando mais jovens, por isso, me desculpe por tudo.

Ian bebeu um gole de sua cerveja e suspirou profundamente antes de responder - Nunca esqueci de todas as vezes que você me defendeu dos valentões na escola, nem das garotas que me apresentou, por eu sentir vergonha demais em chegar nelas. Senti sua falta, primo e você ter vindo pedir perdão, vale muito pra mim.

Evan sorriu. Estava menos tenso depois de ouvir aquilo. A reação de Ian o surpreendeu positivamente.

- Cara, não sabe o peso que saiu das minhas costas depois de ouvir isso - deu um longo gole em seu copo.

- Mas agora me diga, Emily e você estavam bem próximos durante o velório de Olivia - Ian estava curioso quanto ao que estava acontecendo entre os dois - Estão juntos de novo?

- Essa é uma longa e fodida história, primo - Evan sorriu sem humor - Pra resumir, ela voltou pra Los Angeles depois de tudo, tirei férias e fui vê-la, mas como sempre, alguma coisa tinha que dar errado.

- O que foi dessa vez? - o rapaz parecia solidário, vendo o semblante cabisbaixo de Evan - Os pais dela de novo?

- Antes fosse - lembrar da escolha que Emily fez, ainda o deixava irritadiço - Ela escolheu se manter ao lado do namorado.

- Namorado? - Ian franziu o cenho - O tal Dylan? Emily comentou sobre ele nas poucas vezes em que nos falamos, mas achei que eles estivessem só ficando.

- Parece que as coisas evoluíram desde então - sua face fechou-se dura - Se você estivesse ido ao hospital, o teria conhecido. Um cara cheio de músculos e pouco cérebro, que provavelmente merece estar com ela mais do que eu.

- Porque diz isso?

Evan fez uma breve pausa e levou o copo aos lábios - Porque ao que me pareceu, ele não é possessivo, permite que ela faça sempre suas escolhas, mesmo que isso signifique perdê-la. Mas sinceramente? preferiria ter perdido ela pra você.

- Com isso quer dizer que eu sou igual a você? - Ian riu alto com a forma do primo falar - Cara, ela te ama, e isso não se desfaz assim tão depressa.

- Ela decidiu ficar ao lado dele, fez a escolha dela, mas enfim, tem outra coisa que quero conversar com você e essa envolve meu pai.

Ian entrelaçou os dedos e apoiou os cotovelos sobre a mesa - Pois então diga!

- Você se formou recentemente em engenharia, não? - Evan aguardou a confirmação e prosseguiu - Pois bem, meu pai tem uma vaga para estágio na Soft Light e eu indiquei você.

- Tá falando sério, Evan? - o semblante de Ian variava entre surpresa e incredulidade - Você não sabe o quão difícil tem sido achar algo realmente bom na minha área. Isso seria perfeito.

- Então posso dizer a ele que você aceita?

- Está mais do que aceito. Quando começo?

A noite começava a cair sobre Miami e Evan ainda precisava falar com a mãe. Convencê-la a ir até a casa de Paul no sábado, para conhecer Megan.

Despediu-se de Ian e deixou o bar. Pegou o carro no estacionamento e ligou para a Annabel. Ela o convidou para jantar, já que a muito tempo não tinha um momento de mãe e filho para conversar. Seguiu então para lá.

A antiga casa de Emily, do outro lado da rua, fez seu estômago revirar, assim que estacionou o carro em frente a residência de sua mãe.

As tulipas vermelhas no jardim também o deixaram desconfortável, mas sabia que nada disso importava mais. As coisas não eram como desejava que fossem, mas estavam boas e era assim que queria prosseguir.

- Ainda acho que você está cometendo um erro, essa garota não é o que você pensa - Annabel picava alguns legumes para o jantar - Seu pai me contou tudo sobre ela e a família.

- Ela é uma boa garota, mãe. Só é um pouco rebelde e não gosta de seguir regras, mas os pais são culpados por estarem sempre forçando ela ao erro.

Os lábios de Annabel se curvaram em um meio sorriso - Eu tenho mais anos de experiências românticas do que você tem de vida. Sei que não está apaixonado por essa garota!

Evan caminhou até a mãe, recostando-se no balcão onde ela cozinhava - Megan é divertida, é sexy, é inteligente, porque eu não posso estar apaixonado por ela?

- Porque quando fala dela, seus olhos não tem o mesmo brilho como de quando falava de Emily.

- Mãe...

- Sei que não quer tocar mais no nome dela, nem ouvir conselhos de ninguém e já estou careca de saber que Emily fez a escolha dela  - Annabel pôs os legumes para refogar e voltou-se novamente para o filho -  Mas me prometa que vai tomar cuidado com essa tal Megan.

- Do jeito que você e o velho falam, parece que Megan é algum tipo de assassina psicótica ou gangster, sei lá - a risada de Evan ressoou por todo o ambiente, mas a face dura e preocupada de Annabel fez com que ele cessasse o riso, abraçando a mulher carinhosamente - Não sou mais seu bebê, sei me cuidar, mãe!

Prometa, Evan! - a mulher impôs novamente sua fala aflita - Essa é a condição para que eu vá a esse jantar.

- Está certo. Eu prometo!

Jantaram sem mais tocar no assunto. Annabel não parecia muito contente com o fato de ter de conhecer Megan, por tudo que ficara sabendo sobre ela e Evan, por sua vez, não se importava muito com a situação, já que o namoro com a morena não passava de uma fachada.

Havia combinado de buscar Megan, assim que terminasse o jantar, mas preferiu não fazê-lo. Tudo pelo que teve de passar naquele dia tão turbulento, deixou Evan agitado.

Só queria deitar em sua cama e assistir algum programa qualquer. Varrer a mente de todo e qualquer pensamento que lhe remetesse a ela. Emily precisava ser apagada, nem que fosse com a tecla delete em todas as fotos e mensagens que ainda armazenava. Isso já seria um belo começo para o fim.

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