41. Um novo amor?

Desculpe, Evan! não tive a intenção, você pediu pra atender, o número era privado, eu... - o nervosismo da jovem era nítido, diante daquela situação tão inusitada.

- Caroline, Caroline, calma! respire! não tem problema, tá tudo bem!

- Mas era ela Evan, eu vi sua cara quando pronunciei o nome, é melhor eu ir embora - com o olhar baixo e bastante sem jeito, a loira juntou seu vestido do chão e tentava vestí-lo sem sucesso.

Evan, vendo o quão alvoroçada aquilo tudo a havia deixado, tentou tranquilizá-la - Eu disse pra você que ela era importante pra mim, mas em hipótese alguma vou deixar que vá embora assim, depois do que fizemos. não sou esse tipo de cara, Care!

Caroline respirou fundo, ainda sem olhá-lo nos olhos, deixou seu corpo cair por sobre a cama toda bagunçada, atrás de si - Sinto muito!

- Vá tomar um banho, vista-se e depois se quiser te levo pra casa, mas como eu propus antes, pode dormir aqui comigo. Nada mudou.

- Mas e Emily?

- Ela deixou claro que não me quer na vida dela. O que acontece com Emily não é mais meu problema. Você é!

- Não brinque comigo! É maldade me deixar ter alguma esperança.

Evan ergueu o queixo da loira com a ponta de seus dedos, obrigando-a olhar para ele - Care, você é linda, é carinhosa, não é como as outras com quem fiquei depois de Emily, acho que podemos tentar se você quiser.

Evan, isso é sério? - ela ergueu-se, parando em sua frente com os olhos semicerrados e os lábios enrugados - Porque a algumas horas atrás, você me disse que não poderia me oferecer nada mais do que seu desejo.

- Ouça! - suas mãos pousaram sobre a cintura fina da jovem - Não posso te amar, pois amo outra pessoa, mas diferente de tudo que vivi até agora, com você consigo ter momentos sem pensar nela.

A garota deu de ombros - Não seu se isso basta pra mim!

Sem que ela pudesse ter qualquer tipo de reação, Evan a puxou para seus braços, a envolvendo em seu calor e unindo seus lábios num beijo cheio de luxúria.

- Está sendo egocêntrico! - ela soltou-se finalmente, mas não pode afastar-se totalmente daquele que a fazia flutuar sem tirar os pés do chão.

- E você está sendo passível!

- Acho que somos uma bagunça ambulante de sentimentos e ações sem altruísmo algum.

- Que tal um banho e depois te mostro como posso ser altruísta?

Caroline sorriu, deu-lhe as costas e adentrou o banheiro eufórica.

A manhã seguinte começou bem agitada para os dois. Evan estava num frenesi intenso, amando a loira que tão bem fazia a sua sanidade.

- Precisamos sair dessa cama alguma hora. Sabe disso, não é? - Caroline ergueu-se, retirando os pés de sobre o colchão e repousando-os sobre o tapete peludo no chão do quarto.

- Ah, não! - ele a puxou pela cintura, jogando seu corpo sobre o dela e a prendendo pelos pulsos, impedindo que saísse dalí - Vamos namorar mais um pouquinho!

- Não adianta fazer esse beicinho lindo, você me prometeu um café da manhã e uma corrida matinal - ela conseguiu sair de baixo do garoto - Já são quase 10hs da manhã.

Ele bufou, saindo da cama em um pulo e seguindo até o banheiro, parando no batente da porta para olhá-la - Se quiser descer e pôr a mesa, vou logo atrás de você.

Ouviu a voz de Caroline um pouco distante balbuciar alguma coisa que lhe parecia envolver Olivia estar em casa. Apenas gritou-lhe um sonoro "Não", sem muita certeza do que ela perguntava.

Assim que desceu os primeiros degraus da escada, Evan pode ouvir uma discussão acalorada em sua cozinha. Lhe parecia ser a voz de sua irmã.

Assim que invadiu o amplo e luminoso ambiente, viu que Olivia batia o pé e gesticulava, sem parar de falar em nenhuma momento, enquanto sua convidada, usando apenas sua lingerie rendada, de pé e escorada no mármore frio daquele balcão, escutava tudo calada.

Christian, namorado de Olivia, segurava as sacolas da menina e observava tudo também em silêncio. Parecia enfeitiçado pelos fartos seios da bela loira de lingerie.

- Olivia, será que pode me explicar qual a causa de todo esse alarde?

- Não está claro, irmãozinho? - ela franziu a testa - Eu entro com meu namorado no que penso ser minha casa e dou de cara com uma das suas vadias de calcinha em sutiã na minha cozinha.

Caroline tentava cobrir seu corpo com as mãos, visivelmente envergonhada com a cena que acabava de protagonizar - Eu perguntei ao Evan se você apareceria pela manhã e ele disse que não, então...

- Então você decidiu que podia andar pelada como se a casa fosse sua?

Evan, se mostrou extremamente irritado com o tratamento grosseiro de Olivia para com Caroline, quando estava claro que a culpa era única e exclusivamente sua.

- Para com essa criancice, Olivia! E não fale desse jeito com ela. Tenha o mínimo de respeito com quem você nem conhece.

- E nem quero conhecer. Vamos, Chris! - Olivia virou-se para o namorado, ignorando completamente o irmão - Não fico mais nenhum minuto nessa casa!

Evan suspirou. Sabia que não podia deixá-la sair sem antes resolver todo aquele empasse que se estabeleceu entre eles.

- Olivia, por favor, fique! - olhou para Caroline e fez sinal para que ela subisse e se vestisse adequadamente - Vou fazer panquecas!

A menina largou sua bolsa sobre o sofá e meio a contragosto concordou com o irmão. Pediu que Christian também repousa-se as sacolas de suas comprar ao lado da outra.

Em minutos, Caroline desceu. Agora usava seu chamativo vestido vermelho, com o qual havia saído na noite passada, fazendo os olhos de Christian se voltarem novamente para seu belo decote.

Os olhos de Olivia rodaram nas órbitas e ela murmurou, buscando o ouvido de Evan - Ela vai fazer programa a essa hora?

Evan a encarou. Sua expressão dura e seu olhar penetrante a fizeram estremecer e afundar em sua cadeira.

- Escute, Olivia! - a jovem tentava se explicar novamente - Não tive, de maneira alguma, a intenção de te afrontar.

Servindo as panquecas sobre a mesa, Evan lançou um olhar positivo para a loira de vermelho e cutucou a irmã, para fazê-la falar.

Olivia soltou um suspiro tenso, mas fez o que seu irmão lhe pediu - Tudo bem. Desculpas aceitas!

Seu irmão sorriu orgulhoso de sua atitude madura - Então vamos todos comer!

Conforme conversavam, a tensão ia baixando e Evan quase teve certeza de que Olivia estava gostando da presença de Caroline alí.

As duas despediram-se amistosamente, depois de limparem a louça e rirem um pouco de algo que Evan não tinha conhecimento do que era.

- Então, vamos correr?

Evan levou Caroline até seu apartamento, para que a garota vestisse algo mais confortável. Subiu com ela e então pode ver a simplicidade, mas também o conforto do canto onde ela morava.
Tudo estava limpo e perfeitamente arrumado.

Sentou-se no sofá verde oliva e aguardou a garota se aprontar. Em poucos minutos, surgiu em sua frente, vestindo uma legging e um top de academia preto e rosa pink. Cabelos presos em um rabo de cavalo, como o que sempre usava para trabalhar e um sorriso que fazia o corpo de Evan paralisar.

- Vamos?

Evan então dirigiu até um parque próximo, os dois correram por cerca de uma hora, depois pararam para almoçar em um restaurante bem casual, que vez ou outra, gostava de freqüentar com Olivia.

Passaram o resto do dia juntos e por conta da segunda-feira exaustiva que teriam, Evan levou Caroline para casa por volta das 19hs e seguiu para sua casa logo em seguida.

Ao adentrar a porta de sua casa, notou Olivia e Christian, sentados ao sofá, rindo e conversando despreocupadamente. Sorriu com a cena.

- Hey, pessoal! - Evan chamou a atenção do casal, batendo com o nó de seus dedos na mesinha instalada ao lado da porta - Já jantaram?

- Ainda não! - disse Olivia, sorrindo em resposta a pergunta do irmão - Esperávamos por você. Onde está Caroline?

- Passamos o dia juntos. Deixei ela em casa para que possa estudar, amanhã temos trabalho duro na empresa.

- Sabe, Evan - Olivia engueu-se do sofá, caminhou até ele, dando-lhe um abraço inesperado - Gostei dela! Fez uma boa escolha.

- Fico feliz, irmã! - ele sorriu aliviado por tê-la feito aceitar Caroline - Que tal comida chinesa?

- Ficarei bem feliz com essa escolha também! - zombou Christian, lambendo os lábios em sinal de aprovação.

Todos riram, enquanto Evan discava o número do restaurante Kon Chau, o chinês mais tradicional de Miami.

O fim de noite estava bastante agradável. A tempos Evan não passava momentos tão bons ao lado de sua irmã. Isso lhe deixava contente.

A presença de Christian já não o incomodava mais. Ele parecia realmente um bom rapaz, era bom para Olivia e contava piadas que faziam a barriga dor de tanto rir.

Assistiram alguns filmes, até que Evan notou que Olivia dormia profundamente com a cabeça repousando sobre o ombro de Christian.

- Acho melhor você ir. Está ficando tarde, Olivia tem aula amanhã e acho que nós dois precisamos trabalhar.

- Tem razão! - Christian levantou-se, pronto para pegar Olivia em seus braços e levá-la para cama - Terei um dia pesado no restaurante amanhã.

O garoto trabalhava meio espediente em um buffet, para suprir alguns eventuais gastos, até que sua banda começasse a fazer sucesso e ele pudesse viver apenas disso.

- Pode deixar, eu ponho Olivia na cama - Evan apertou a mão do jovem, despedindo-se do mesmo - Boa noite, Chris!

- Boa noite, cunhado!

Assim que Christian deixou a casa, Evan ergueu Olivia, a pôs em sua cama e a cobriu. A noite estava relativamente quente, mas enquanto fechava a janela do quarto, pode ver alguns poucos pingos de chuva caírem lentamente do céu fechado, onde se formavam um balé melancólico de nuvens negras.

Depois de conferir se todos os cômodos da casa estavam bem trancados, Evan se recolheu para seu quarto. Eram quase 11hs da noite e ele estava totalmente sem sono.

A chuva começava a rolar fortemente pelos vidros da janela de seu quarto. Naquele momento lhe parecia que o relógio andava calmo demais, lento demais.

Demorou um tempo considerável, mas por fim, ele adormeceu entre raios e clarões.

O decorrer das semanas, estavam passando tão rapidamente e as coisas estavam tão boas para Evan, que ele mal podia crer que era o mesmo homem de tempos atrás.

O trabalho ainda lhe ocupava boa parte do dia, mas seus momentos de descanso agora eram ao lado de Caroline.

As manhãs passavam depressa, as noites já não vinham acompanhadas de nenhum pesadelo. Estava bebendo moderadamente e passando bons momentos na companhia de Olivia.

Em meio a uma cansativa semana, a noite lhe trouxera motivos pra se alegrar. Evan se preparava para buscar Caroline. Os dois iriam até o Secret Hideout, um bar novo que acabara de abrir na cidade. Estavam precisando relaxar da tensão do trabalho e também comemorar os dois meses de namoro.

Abriu seu laptop para dar uma checada em seus e-mails. Não havia nada urgente, mas um anexo da empresa lhe chamou a atenção.

Estavam abrindo algumas vagas para estágio no setor que seu pai gerenciava. Talvez fosse uma boa opção para Christian. Embora ele não tivesse nenhum curso na área, nem estivesse estudando, talvez seu pai pudesse o encaixar assim como fez com ele.

Fechou o computador e pensou em falar com o pai no dia seguinte, pela manhã. Olivia ficaria feliz e para ele não havia nada mais gratificante do que ver o sorriso nos lábios da irmã caçula.

Aprontou-se. Pegou as chaves e seguiu até o apartamento da jovem Caroline.

Ela estava linda como sempre. Vestia uma blusa branca com um belo decote, saia justa, num tom de vermelho bem escuro, na altura dos joelhos.

Seus belos e brilhantes cabelos loiros soltos e sapatos de salto alto pretos completavam seu visual provocante, mas extremamente elegante.

Já dentro do carro, Evan abriu o porta luvas do mesmo e retirou uma pequena caixa aveludada.

- Tenho um presente para você!

- Evan, não precisava me dar nada - a jovem pôs uma mexa de seu cabelo para trás da orelha, sem jeito com aquilo.

- Eu faço questão! - disse ele, passando a caixinha para as mãos de Caroline - É só um mimo. Espero que goste!

Ela então abriu o pequeno objeto que guardava uma bela pulseira dourada, cravejada de cristais brilhantes.

- Evan, eu não posso aceitar isso, deve ter sido muito cara!

O rapaz sorriu, tirando a pulseira da caixa e tomando o pulso da moça para si - Care, não me faça essa desfeita!

Ela, meio a contragosto assentiu, enquanto ele punha a jóia em seu braço — Vamos então?

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