24. Verdades reveladas

Emily acordou, na manhã seguinte, sem saber onde estava e sua cabeça doía. Em sua memória só haviam lampejos da noite anterior e ela apenas recordava-se de ter discutido com Ryan e que ele a deixara sozinha e bêbada. Lembrava-se também de ter visto Evan com outra e de chorar sem saber como iria voltar para casa.

Tentou se levantar, mas a cabeça pesou e ela tombou sobre a cama novamente, quando pela porta, conseguiu ver alguém entrando ruidosamente. Era Evan.

- Bom dia! - segurava uma bandeja com uma xícara de café, torradas e geleia - Sente-se melhor?

- Como eu cheguei aqui? - a confusa lhe tomava - Nós dois...

- Não Em! Nós não fizemos nada - ele sentou-se ao pé da cama - Você estava na porta da Planet sozinha, bêbada e chorando, eu te trouxe para cá e você dormiu aí. Só você.

- Por quê eu não me lembro de nada? - o olhar da menina era suplicante - Ryan me deixou lá, não é?

- Deixou! - Evan cerrou os punhos - Vocês discutiram, foi o que você me disse quando te encontrei. Não vi ele por lá depois disso.

- Você não estava com uma garota? - sabia qual era a resposta, era uma das poucas coisas de que se lembrava.

- Sim. Eu estava com uma garota... Uma amiga na verdade.

- Eu vi vocês se beijando - Emily disparou.

Ele aproximou-se de Emily e baixou o olhar como desculpas - Vi você com aquele cara e usei ela para te causar ciúmes.

- Depois eu que sou infantil - ela revirou os olhos - Você disse para eu seguir em frente, para não ter esperanças, que nós nunca poderíamos ser felizes juntos, eu...

- Sei o que eu disse, Emily - Evan pôs as mãos sobre o rosto - Mas eu não sabia o quão difícil seria ver você seguir em frente enquanto eu passo minhas noites bebendo e sentindo sua falta.

Emily não pode conter a emoção. Ouvir Evan confessar que não poderia viver sem ela era no mínimo reconfortante - Eu largo tudo para ficar do seu lado - segurava o rosto dele entre as mãos e via as lágrimas escorrendo de seus lindos olhos verdes - Desculpa se pareci não me importar, mas pensei que aquele papo fosse apenas uma forma de se livrar de mim.

- Eu nunca faria isso com você - ele a abraçou como uma criança com medo - Só queria que você fosse feliz, mesmo que isso custasse a minha própria felicidade.

- Só sou feliz ao seu lado - ela sorriu como se lhe contasse um segredo - Você é meu príncipe, não importa se meus pais acham que você não é bom o bastante para mim, eu sei que é mais do que eu mereço.

- Você que é minha princesa - ele beijou-lhe a testa - Agora tome seu café, antes que esfrie.

Ela o olhava como uma menina apaixonada que era. Então num estalo lembrou-se da amiga que havia ido com ela para a boate - Evan, você viu Olivia?

- Como assim? Onde? - ele parecia confuso.

- Ela foi a Planet comigo ontem - confessou - Mas assim que chegamos, ela separou-se de nós e não a vi depois disso.

Evan preocupou-se. Seu olhar era de quem tinha certeza de que algo estava errado com a irmã - Vou ligar para ela!

Discou o número, mas para sua surpresa o telefone de Olivia parecia chamar dentro do apartamento - Você ouviu?

- Sim, é o toque do celular da Liv - Emily confirmou - Ela esqueceu aqui?

- Não! - Evan afirmou - Ela tem a chave, deve estar dormindo no quarto de hóspedes. Vou até lá!

- Espere! - Emily levantou-se da cama, ainda sentindo a cabeça pesar, usava apenas uma camisa de Evan. Não pode evitar pensar como a havia vestido - Vou com você!

Os dois seguiram em direção ao quarto ao lado, mas antes mesmo que pudessem bater, a porta se abriu e ao invés de Olivia, quem os atendeu foi Ryan.

- Bom dia, casal - ele ironizou, vendo as vestimentas da menina - A noite foi boa? Porque a minha foi ótima!

- O que faz aqui? - Emily questionou, enquanto tentava se por entre os dois, evitando a passagem de Evan que já queria partir para cima do outro.

- Eu avisei que acharia alguém pra saciar minhas necessidades - riu debochadamente - Aliás, sua irmã é uma loucura - ele revirou os olhos, olhando para dentro do quarto - Mas precisa entender que foi só uma vez.

O olhar de Evan era de pura raiva. Não podia acreditar que Ryan algum dia fora seu amigo e menos ainda, acreditar que pudesse ter se aproveitado de sua irmã daquela forma - Do que você está falando?

- Ela transou comigo cara, e quer saber? Ela gostou - cuspiu as palavras como se fossem facas afiadas - Emily era meu plano A, mas o B é uma verdadeira delícia também.

Nem bem havia terminado as palavras, quando foi atingido por Evan. Um soco tão forte que o fez cair por sobre o sofá. Sangrava pelo canto da boca e parecia estar grogue.

- Nunca mais toque na minha irmã - Evan gritou enfurecido. Emily jamais o havia visto agir daquela maneira violenta. Sabia sobre a briga com o pai, mas era a primeira vez que presenciava aquilo com tanta proximidade - E fique longe da Emily também.

Olivia apareceu à porta, completamente aturdida, chorava e o nervosismo era visível em seu tom de voz - Chega! Você já me humilhou o bastante. Por favor, saia daqui Ryan!

- Tá brincando? Agora que a coisa está ficando divertida - o sarcasmo do garoto deixava Evan ainda mais irritado - Sabe amigo, desde a escola eu te invejo. Tem sempre todas as garotas que quer, sem o mínimo de esforço. Isso é um dom.

- Do quê ele está falando? - Emily perguntou sem pensar, em seguida sentindo-se evasiva demais - Desculpa, não tenho nada a ver com isso.

- Mas eu vou contar mesmo assim - Ryan estava decidido a estragar o que quer que estivesse acontecendo entre Emily e o seu velho amigo - Aquela garota... Katie. Certo? Você acha que Evan estava bêbado, mas na verdade, estava vencendo uma aposta.

- O quê? - disse ela, chocada. Não podia ser verdade, Evan não mentiria daquela forma para ela. Tantas vezes ele lhe disse que não tinha lembrança alguma daquela noite e agora tudo não passou de uma aposta idiota?

- Emily, eu... - Evan buscava pelas palavras certas - Deixa eu explicar.

- Bom, agora que já prestei meus serviços, doce Emily - ele ironizou - Acho que vou embora.

Olívia estava atônita, não sabia o que fazer. Achou melhor deixá-los conversarem sozinhos. Voltou ao quarto e trancou-se, com as lembranças da noite anterior.

Evan parou de frente para Emily que tinha as mãos a cabeça, sentada naquele sofá que tanto sabia - Como você pôde me enganar desse jeito? - foi só o que conseguiu falar antes que o choro chegasse.

- Desculpe por não contar sobre a aposta... Na verdade, nem foi uma - Evan sentou-se ao lado da menina que afastou-se defensivamente - Eu realmente estava alcoolizado e não lembro de quase nada, não fiz aquilo pelas razões que ele quis insinuar, eu juro.

- Quando isso começou? - ela tentava falar em meio a raiva que sentia - Como Ryan sabia de Katie?

- Eu contei a ele que estava apaixonado por uma amiga de minha irmã, mas que quem parecia mais afim de mim era outra, me referindo a Katie.

- Você achava que ela gostava mais de você do que eu? - Emily questionou.

- No início sim. Você era mais fechada e tímida ao conversar comigo - ele sorriu, mas ela não retribuiu.

- Continue!

- Ryan sempre achou que eu tinha fama de ter as garotas no meu pé e eu fiz uma brincadeira dizendo que gostava de você, mas que apostava que conseguiria ter Katie também.

- Você é nojento! - ela estava decepcionada - Está feliz agora? Você já teve as duas. Vai fazer como o Ryan e sair espalhando por aí?

- Você não entende, Em - tentava explicar-se - Foi uma brincadeira, não fiz pela aposta, fiz pelos motivos que disse quando conversamos. Só falei aquilo para irritá-lo, sei que ele sempre teve inveja de mim.

- Preciso ir embora! Nem te conheço mais.

- Não faça isso, Em - se pôs à frente da menina - Será que você não vê? Ryan só quer nos separar.

- Não posso ficar aqui, acompanhada de um estranho - a dor de ser enganada a deixava sem chão. Foi até o quarto e vestiu suas roupas - A única pessoa que consegue nos separar é você mesmo.

Emily saiu sem olhar para trás, enquanto Evan corria desesperadamente, tentando alcançá-la. Ela não sabia para onde ir, precisava chegar em casa, mas estava longe para ir andando. Avistou um carro aproximando-se dela e os vidros baixaram devagar - Emily? Você está bem? - era Ian.

Ao ouviu Evan chamando por ela, à alguns passos de distância, nem hesitou, adentrou o carro de Ian e pediu - Me tira daqui, por favor!
O garoto acelerou e Evan não conseguiu alcançá-los.

- Em, será que pode, por favor, me dizer o que está acontecendo? - Ian dirigia, enquanto tentava entender o porquê e para onde iriam.

- Só quero ficar longe do Evan - ela ainda chorava e as palavras de Ryan ressoavam em sua cabeça "Ele não é quem você pensava que fosse".

- Por quê? O que ele fez - Ian preocupou-se e não sabia o que fazer para ajudá-la a se sentir melhor - Ele te machucou?

- De certa forma sim - ela enxugava as lágrimas com as costas da mão - Mentiras machucam mais do que um tapa.

- Sobre o que ele mentiu? - estacionaram o carro em frente à uma lanchonete - Se não quiser me contar tudo bem, vamos tomar um suco e conversamos sobre outra coisa, até você se sentir melhor.

Emily fixou seus olhos nos de Ian. Não pode deixar de pensar no quanto ele havia sido legal com ela nas últimas semanas, nos dias que a escutou reclamar e chorar pela falta que evan fazia. Agora lá estava ele novamente ao seu lado, parecia um anjo enviado para fazê-la sentir-se especial e protegida.

- Não quero mais falar sobre ele, vou tirá-lo de vez da minha vida. Cansei de ser sempre eu quem chora - ela virou-se, pegando a mão do rapaz entre as suas - Você tem sido tão bom comigo!

- Serei sempre seu amigo, Emily - sorriu - Pode sempre contar comigo.

- Quer mesmo ser só meu amigo? - carregava um olhar maliciosamente sedutor em seu semblante - Você disse que...

- Eu sei o que eu disse - ele soltou a mão da menina, desviando o olhar e dando partida em seu carro novamente - Mas Evan é como um irmão para mim e ele ama você!

- Se amasse não teria mentido - a mágoa na voz da garota era nítida - E não teria apostado que ficaria comigo e minha amiga!

Ian demonstrou surpresa ao ouvir aquilo, pareciam não estar falando da mesma pessoa. Evan, seu primo Evan, aquele que sempre o ajudou com a timidez, que sempre o ouviu e protegeu dos outros garotos na escola, não seria capaz de apostar algo tão idiota. desligou o carro novamente - Do que você está falando, Emily?

- Evan apostou com um amigo que ficaria comigo e pior, que dormiria com Katie, a minha então melhor amiga - ela baixou a cabeça ao dizer a última frase. Gostava muito de Katie, cresceram juntas, era difícil pensar nela como uma inimiga, alguém que só quer prejudicá-la - Ele me disse que estava bêbado quando isso aconteceu, mas na verdade, foi tudo por conta da aposta.

- Oh, meu Deus, Emily - o olhar de Ian era de pura solidariedade - Mas vocês conversaram? Ele deve ter alguma justificativa para tudo isso.

- Não há nada que justifique - Emily estava decidida a não perdoá-lo - Agora só quero seguir minha vida longe dele.

- Sinto muito - levou sua mão à dela e a puxou para si - Ele não faz idéia do que perdeu por culpa de uma brincadeira sem graça.

- Ele não liga - jogou a cabeça para trás, no banco do carro e cobriu o rosto com as mãos - Logo arranjará outra diversão.

- Não diga isso. Ele pode ter feito bobagem, mas realmente gosta de você - Ian ainda buscava defender o primo - Não há como não gostar. Você é incrível!

Os olhares se cruzaram e a atitude de Ian à fez entender que, por mais que você ame alguém, não pode passar por cima de tudo para tê-lo. Você tem que ser leal como amigo e amigo quando ama. Ian era assim e ela precisava de pessoas assim em sua vida - Promete que ficará sempre ao meu lado? - ela indagou.

- Eu prometo! - ele respondeu sem hesitar - Você é uma boa amiga e me faz bem estar ao seu lado.

Emily debruçou-se sobre o encosto do banco de Ian, mexendo em uma mecha de seu cabelo que caíra sobre a testa do garoto - Me faz bem estar ao seu lado também!

- Emily, isso está errado - olhou-a nos olhos, o rosto a centímetros do dela, podendo ouvir as batidas do coração da menina - Mas eu preciso sentir o gosto do seu beijo, mesmo que seja só uma vez.

O lado que antes o atormentava, Evan e seus sentimentos por Emily, todo o medo que sentia por não ser correspondido, foi se desimando e ele agora só pensava em si próprio e no quanto queria aquele contato.

Contraposto, ela estava surpresa pela atitude inesperada que se sucedeu. O toque suave dos lábios de Ian a deixara sem reação, então apenas deixou aquele momento acontecer, curtindo cada segundo daquele beijo tão delicado e profundo de alguém que estava lutando contra aquilo a muito tempo.

Quando afastaram-se, Ian imediatamente desculpou-se e evitava olhá-la nos olhos, mas Emily segurou sua mão e sorriu - Não se desculpe, foi maravilhoso - ele desviou o olhar novamente, mas ela o fez retornar - Obrigada por ficar ao meu lado. Se foi tão ruim me beijar, prometo que nunca mais falo nada sobre isso.

- Ruim? - ele ergueu uma sobrancelha - Beijar você foi como deixar minha mente livre de tudo que é mau e apenas sentir que a felicidade ainda existe.

Emily emocionou-se com as palavras tão cheias de romantismo, emitidas por ele - Então me beija de novo.

- Isso não é certo - lutava com as próprias decisões - Evan...

- Evan já me perdeu e isso nada tem a ver com você! - Emily queria fazê-lo ver o quanto pensar em Evan e que ele a havia magoado de tal forma que nada a faria mudar naquele momento.

Ian, outra vez, a beijou inesperadamente. O beijo agora era mais intenso e sem culpa, apenas o desejo o guiava.

- Vamos sair daqui? - ela pediu.

- Para onde? - ele questionou.

- Aonde você quiser.

No mesmo instante Ian acelerou e voltou para a estrada. Dirigiu em silêncio, mas vez ou outra seus olhares se cruzavam e as mãos se tocavam. Ela pensava se aquilo era a coisa certa a se fazer. Para onde ele a estava levando? Será que era mesmo o fim da linha para Evan e ela? Seu destino era mesmo longe dele?

Ian estacionou em frente a um chalé. Era bonito e repleto de árvores por toda a volta. As flores do campo cobriam o local e o cheiro de natureza era reconfortante. Realmente o interior tinha lá suas vantagens.

- Onde estamos? - Emily finalmente falou.

- Esse chalé é herança do meu pai - respondeu, enquanto pegava uma chave, estrategicamente escondida​ em baixo de um vaso de cactos.

- É lindo! - exclamou ela, assim que adentraram e pôde ver alguns móveis rústicos, um sofá bonito, todo forrado em couro marrom, combinando perfeitamente com o local, e uma lareira bem grande.

- Pode sentar - Ian indicou o sofá - Vou pegar algo para bebermos.

Emily se mostrava pouco confortável com a situação. Estar em um local ermo, acompanhada apenas de um rapaz mais velho, não era algo habitual para ela, mas Ian não parecia ser do tipo que lhe faria algum mal.

- Pode ficar aqui o tempo que desejar - alcançou-lhe um copo com suco - Sei que não é fácil passar por tudo isso.

- Já te magoaram assim também? - ela bebericou de seu copo.

- Sim - ele baixou os olhos - Mas não gosto de falar sobre isso.

- Entendo - ela ergueu a cabeça do rapaz entre suas mãos - Não quero te ver triste também.

Ian sorriu e no impulso a beijou.

- Desculpe, Emily... - ficara sem jeito novamente - Sei que me desculpar sempre que a beijo não muda nada, mas eu não consigo evitar.

Emily o puxou para si, sentindo seu corpo estremecer - Não peça desculpas - ajoelhou-se sobre o sofá, o envolvendo em seus braços e beijando-lhe o pescoço.

- Não faça isso, Emil... - ele lutava para não cometer um erro sem volta.

- Você não me quer? - fez beicinho.

- Você não faz idéia - soltou um riso cansado e beijou-lhe a bochecha - Mas você vai se arrepender disso amanhã e o culpado serei eu.

- Não se preocupe comigo - ela mordeu os lábios, livrou-se de sua blusa e passou para o colo dele - Não sou mais uma criança!

Ian olhou para ela, despida em sua frente e não pode resistir mais. Queria tê-la em seus braços, mesmo que só uma vez. A jogou naquele sofá e deitou-se sobre ela, beijando-lhe os lábios afoitamente. Emily mal respirava, enquanto as mãos ágeis do rapaz percorriam seu corpo seminu. Deixou acontecer, rezando que Evan saísse de sua mente de uma vez por todas.

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