18. Erros perigosos
- O que está acontecendo aqui?
- Esse cara está dando em cima de mim e a julgar pelo cheiro, ele se droga! - Olivia o acusou sem hesitar - Emily foi buscar sucos e...
Nesse instante, com três copos em mãos e meio desajeitada surge Emily com cara de quem não estava entendendo nada do que se passava - O que ouve? O que faz aqui, Evan?
- Seu namorado estava tentando agarrar Olivia - Evan parecia extremamente irritado e se colocava a frente da irmã - Olivia disse que ele está drogado.
- Mentira, eu só elogiei os olhos dela e esse cara apareceu do nada, ela me acusou de dar em cima dela no meio do parque, com você do outro lado da rua - Andrew mentia com a maior facilidade, sem gaguejar e olhando nos olhos de Emily - E não estou drogado, você sabe!
Emily ficou atônita, não sabia o que dizer ou fazer - Espera, deve ter havido algum mal entendido.
- A única coisa que não ficou bem entendi aqui é que esse cara tá mentindo - Olivia ameaçava começar a chorar e abraçou o irmão - Vamos embora. Por favor?
- Só vou te avisar uma vez, fica longe da minha irmã e da Emily também - Evan ameaçou - Vamos, meninas!
- Eu não vou a lugar nenhum com você, nem sei o que você está fazendo aqui. Vocês dois armaram isso tudo?
A desconfiança de Emily deixou Olivia ofendida - Como assim? Você está achando que isso foi um plano pra separar você dele?
-Andrew é meu namorado e eu preciso entender o que aconteceu aqui - Emily segurou a mão do garoto, encarando Evan.
- Em! - Olivia parecia não acreditar que Emily ficaria contra ela e do lado daquele garoto - Se você ficar aqui, não precisa mais falar comigo!
- Como preferir! - Emily rebateu.
Evan olhava para ela, querendo pedir que acreditasse na amiga e que fosse com ele pra um lugar longe dali. A sua vontade era de abraçá-la e nunca mais soltar, mas ao invés disso, deu as costas e chamou a irmã - Vem Liv, ela já escolheu em quem acreditar.
Olívia secou os olhos lacrimejantes com as costas da mão e deu de ombros - Adeus, Em!
Os dois seguiram até o carro de Evan e assim que o Mustang afastou-se do parque, Emily afundou no banco e começou a chorar.
- Essa garota é maluca! - falou envolvendo-a em um abraço - Vamos caminhar um pouco?
- Vou pra casa, te ligo mais tarde, preciso ficar um pouco sozinha! - ela despediu-se dele e seguiu até o ponto de ônibus.
Ao chegar em casa, Emily não conseguia parar de pensar no que havia acontecido no parque. Porque Olivia inventaria aquilo? Seria Andrew tão descuidado ao ponto de dar em cima de sua melhor amiga com ela por perto? Ele usava mesmo drogas, isso era óbvio, sentira o cheiro em suas roupas, mas era apenas para relaxar e ter inspiração para desenhar, mas o resto era uma incógnita e já não importava, Olivia não falaria mais com ela e isso havia ficado bem claro.
Depois de alguns dias andando pela escola sozinha, vendo Olivia com Katie o tempo todo, Emily tinha convicção de que Evan e ela estavam juntos e que tinha perdido, além do namorado, a amiga também.
Andrew estudava em outra escola, mas sempre que podia ele a encontrava no portão da sua e a acompanhava até em casa.
- Então Em, vamos fazer uma reunião na casa de Melissa hoje, os pais dela liberaram a casa. Você quer ir? - o convite dele era quase irrecusável dadas as circunstâncias. Ela estava sem amigos e precisava arrumar novos - Claro, vou sim, passa aqui lá pelas oito?
- beleza! Até mais tarde - despediu-se dela com um beijo e desceu a rua, dando de cara com Olivia que ia para a casa. Nem se olharam.
Entrou em casa e logo foi abordada pela mãe - Quero conhecer esse garoto com quem você anda para baixo e para cima, filha.
Tudo bem mãe, trago ele aqui na semana que vem - Emily teria que fazer aquilo, mas no seu interior, queria que fosse Evan - Ahm, hoje à noite tem uma reunião na casa de Melissa. Posso ir? Prometo que volto amanhã bem cedinho.
- Pode. Mas vou ligar para a mãe dela. - Elizabeth queria ter certeza que a filha ficaria bem.
- Não precisa mãe, ela disse que vai ligar para você - mentiu - Vou comer e depois tentar descansar um pouco, certo?
- Tudo bem então.
Emily subiu as escadas e imediatamente ligou para a amiga, em busca de ajuda - Alô! Melissa, preciso que dê um jeito de sua mãe falar com a minha, se não sem chances de eu ir até sua festa hoje.
- Relaxa, minha mãe é legal, fará isso sem problema algum.
Realmente, a mãe de Melissa não pertencia ao grupo de pais preocupados. Quase nunca ficava em casa e todos as vezes em que Emily estivera lá, a mulher parecia estar acompanhada de um homem diferente.
assim que Emily acordou de seu descanso, desceu até a cozinha, chamado pela mãe.
- Oi, querida! - ela segurava uma forma de biscoitos nas mãos, prontas para irem ao forno - Joanna ligou, você pode ficar na casa de Melissa hoje.
- Obrigada, mãe - ela mal podia acreditar - Vou tomar um banho e me arrumar.
Vestiu-se enquanto pensava em tudo que acontecera nos últimos dias. Era difícil, mas precisava tirar Evan de sua cabeça.
Encontrou-se com Andrew e seguiram para a festa.
A casa de Melissa era enorme, mas logo ao chegar, Emily pode perceber que estava tudo uma bagunça. Haviam garrafas de bebido por todos os lados, comida e gente também. No sofá alguns amigos de Andrew o cumprimentaram e lhe ofereceram um cigarro de maconha. O garoto não se fez de rogado, deu uma tragada e ofereceu à menina ao seu lado - Quer, Em?
- Não. E você também não devia fumar essa porcaria.
Todos ao redor riram da garota. Era inevitável escutar comentários do tipo "Quem é ela?", "Quem trouxe essa filhinha de papai pra cá?", mas ela apenas fingiu não ouvir.
Depois de algum shots de vodka, Andrew estava nitidamente bêbado e com o agravante da maconha, ria de tudo descontroladamente.
-Vem comigo, Emily, quero te mostrar uma coisa - ele pegou-a pela mão, levando-a até um dos quartos, trancando a porta atrás dos dois.
O olhar assustado de Emily denotava o tamanho de sua surpresa com a atitude de Andrew - Espera, porque me trouxe aqui?
Ele sorriu maliciosamente - Você sabe! Vamos nos divertir um pouco.
- Não - ela tentou se afastar, mas ele a segurou fortemente. Estava fora de si, tentou beijá-la, mas Emily novamente esquivou-se do garoto - Andrew, não quero mais ficar aqui, me deixa!
Ele riu e a soltou - Está bem, você é uma pirralha mimada, vou procurar alguém mais divertida - deu as costas para ela, abriu a porta e foi em direção aos amigos novamente, deixando-a ali sozinha, no meio de pessoas que ela não conhecia.
Já eram onze horas da noite e ela queria muito ir para casa. Fazia uma hora desde a última vez que vira Melissa, subindo as escadas com um garoto magrelo. Andrew estava nitidamente chapado, falava alto e provavelmente estava dando em cima da garota loira que bebia sua sexta garrafa de cerveja. Emily sentia-se deslocada, queria sumir dali o mais depressa possível, mas não podia correr o risco de ligar para a mãe e ela os surpreender, todos bêbados e chapados daquele jeito. Logo agora que as coisas estavam correndo tão bem entre elas.
Foi então que pensou em ligar para Evan, mas sabia que ele provavelmente estaria bravo, talvez nem a atendesse e teria razões para isso. Vendo Andrew daquele jeito percebeu o quanto havia sido burra em não acreditar na amiga.
Precisava ligar, mesmo correndo o risco de ele nem se importar, ou de estar com Katie, mas era a única forma de sair dali. Teclou o número três vezes até ter coragem de ligar. No segundo toque o garoto atendeu - Emily?
- Sim, sou eu - sua voz estava trêmula, as chances de ele desligar agora eram grandes.
- Algum problema? - estava com a voz sonolenta, talvez estivesse dormindo.
- Bem, eu... - ela pigarreou - Estou na casa da Melissa, prima do Andrew e eles estão fumando maconha, estão todos bêbado, eu quero ir embora, não posso ligar para minha mãe... - ela começava a chorava de maneira desesperada. Não conseguia evitar, estava sozinha, com medo daquelas pessoas, medo de Andrew.
- Calma! Me passa o endereço, estou indo pra aí o mais rápido que puder, só tenta se acalmar - pode-se ouvir a porta do carro de Evan bater, enquanto Emily, aos prantos, tentava explicar como chegar à casa de Melissa.
Levaram apenas 15 minutos, mas para Emily eram uma eternidade. Aquelas pessoas a encaravam de um forma assustadora e ela tinha a nítida impressão de que queriam lhe fazer algum mal.
Quando ela se preparava para deixar o local e aguardar seu resgate do lado de fora, Evan chegou, invadindo a casa à procura da mesma.
- O que faz aqui? - Andrew foi em direção a Evan, com quem já havia tido um impasse - Quem convidou você?
- Vim buscar a Emily! - Evan deu-lhe um encontrão - Cadê ela?
- A Emily não vai a lugar algum, ela é minha namorada e vai fazer o que eu mando - Andrew se pôs a frente de seu rival novamente, obstruindo a passagem - E você pode ir se mandando, otário!
Emily, ao avistar Evan, correu ao seu encontro, abraçando-lhe - Graças a Deus!
- Vem, vamos embora antes que eu tenha que quebrar a cara desse idiota metido a valente - irritou-se com a forma de Andrew falar.
- Quem é esse cara, afinal de contas, Emily? - questionou Andrew, a deixando sem reação.
- Sou o namorado dela! - disse Evan.
Andrew cambaleando, tentou novamente agarrá-la a força - Ah, mas não é mesmo. Ela é minha, arruma outra parceiro!
Evan não pode conter-se dessa vez, empurrou o garoto para longe de Emily e se pôs entre os dois, para impedir outro toque - Se encostar nela de novo, vai sentir saudades dos seus dentes.
Andrew estava tão bêbado e sob efeito das drogas, que assim que tentou levantar-se caiu novamente sobre o sofá.
Emily segurou a mão de Evan instintivamente, tentando se proteger do garoto - Me tira daqui, por favor!
Deixando a casa, os dois adentraram o carro de Evan e Emily já se pôs a chorar novamente.
- Calma, você está segura agora - ele a segurava por uma das mãos, limpando as lágrimas que caíam, com o polegar da outra - Quer ir para casa?
- Não posso! Disse pra minha mãe que iria dormir na casa de Melissa. Se voltar agora, ela vai me fazer um monte de perguntas, sem falar que vai querer saber como cheguei sozinha - Emily ainda permanecia assustada, mas sabia que estava a salvo ao lado de Evan.
- Quer ir para o meu apartamento? - ofereceu - agora tenho uma cama e você pode ficar com ela. Eu durmo no sofá.
- Não vou te atrapalhar? - disse, torcendo para que ele não retirasse o convite.
- Não, tudo bem - ele sorriu, fazendo-a se sentir extremamente grata por poder contar com ele.
O apartamento estava totalmente modificado. Emily podia jurar que tinha um dedo de Olivia em tudo ali. Desde os porta retratos até a manta sobre o sofá.
- Gostou da minha decoração? - Evan quebrou o silêncio - Você deve ter notado que foi a Olivia, então nem vou me dar ao trabalho de tentar levar a glória - ele riu servindo uma xícara de café quente recém passado - Tome, café faz bem para a alma!
- Obrigada! - iria tecer um comentário sobre a sua amiga ter virado decoradora nas horas vagas, quando em cima de uma mesinha no canto da sala, viu um porta retrato com uma foto sua ao lado de Evan - Aquela foto só pode ser coisa da Olivia mesmo!
- Não! - ele exclamou - Bem, o porta retrato foi ela quem escolheu, mas a foto foi eu quem colocou. Você está linda, sorrindo, tão espontânea.
Emily baixou a cabeça, suspirou e bebeu um gole de seu café - Obrigada!
- Pelo quê? - ele disparou.
- Tudo! - cruzou as pernas sobre o sofá - Você me tirou de lá, está aqui sendo gentil depois de tudo que eu fiz.
- Você não fez nada, eu que fui um idiota em deixá-la ir - seus olhos estavam ainda mais verdes e Emily se perguntava como aquilo era possível - Mas acho que você deve desculpas à Olivia!
- Sei disso, nunca devia ter desconfiado dela - Emily balançou a cabeça em desaprovação a si mesma - Estou tão envergonhada!
- Pare com isso! - sem perceber, apenas pelo extinto, Evan a beijou e o coração da garota disparou, no mesmo instante em que seus lábios se chocaram.
- Desculpa! Eu...
- Eu amo você, Evan Blake - ela queria tanto dizer aquilo novamente - Não me peça desculpas por me amar também.
- Já te disseram que você é muito convencida, pequena Em? - ele ironizou - Eu amo você, com todas as forças do meu ser - retirou a xícara das mãos dela, pegou-a em seus braços, trazendo-a para si e a beijou delicadamente.
Aquele desfecho era como um sonho para Emily. Mesmo depois dos medos que sentira naquele lugar, estar com Evan, em seu apartamento, compensava tudo de ruim que aconteceu.
Afastaram-se e sorriram um para o outro, como se tivessem ganho o melhor dos presentes.
- Não quero que durma no sofá, vai acabar todo dolorido - ela jogou as pernas sobre o garoto - Se importa de dividir a cama comigo?
- Você não existe - ele sorriu pegando-a no colo e conduzindo até o quarto, a deitando suavemente sobre a cama, olhou-a nos olhos e a beijando docemente, enquanto ela tentava, de maneira afoita, abrir-lhe os botões da camisa.
Ele sorriu ao perceber a ânsia da garota em tê-lo para si - Calma minha princesa, temos a noite toda para matar a saudade.
Num segundo estavam colados e sentiam como se nada pudesse estragar aquele momento, nada pudesse estragar o amor que existia entre eles.
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