Capítulo 24

Rafael acordou às 6:30 do domingo com o alarme de seu celular como era de costume. Ainda com os olhos meio fechados ele começou a rotina para se arrumar para o trabalho. Demorou alguns momentos mexendo nas coisas do guarda-roupa tentando encontrar algo para vestir antes que ele percebesse que as roupas ali não eram suas. Demorou mais um momento para que se lembrasse que não estava em seu quarto. Que não estava em sua casa.

A luz da manhã que entrava pela janela ainda era fraca, mas era suficiente para reconhecer o quarto de Victor, o que significava que ele não tinha ido para o quarto de hóspedes como havia sido combinado.

Examinando suas memórias da noite anterior, percebeu que a última coisa que se lembrava era estar assistindo "A espiã que sabia de menos" no notebook de Victor, mas nem mesmo se lembrava do final.

"Eu devo ser o pior hóspede do mundo" Rafael pensou balançando a cabeça frustrado enquanto ia até sua mochila pegar as roupas para trocar  "Além de dormir durante o filme ainda roubei a cama dele"

Cerca de vinte minutos depois o moreno estava pronto para sair. Pegando sua mochila, saiu do quarto e fechou cuidadosamente a porta para não fazer barulho. Ao passar pelo corredor viu a porta do quarto em que deveria ter dormido fechada. Victor ainda devia estar dormindo – o que era esperado porque "Quem iria acordar antes das 7:00 em um domingo?" – e Rafael não pôde deixar de se sentir um pouco desanimado por não ter a oportunidade de se despedir e se desculpar pessoalmente pela noite anterior.

O rapaz desceu as escadas descalço e segurando os sapatos nas mãos para não arriscar acordar ninguém. Ele só esperava que a chave estivesse na porta, para que ele não precisasse pedir a ninguém para abrí-la.

Victor havia dito que pediria ao motorista para levá-lo para o trabalho no domingo, mas Rafael não queria incomodar. Ele pegaria o ônibus das 7:30 na rodoviária e, com sorte, só chegaria 10 minutos atrasado para abrir a lavanderia.

Quando estava atravessando a sala, um barulho alto o assustou, fazendo com que ele tropeçasse na mesa de centro. A dor irradiou em seu dedo mindinho e ele teve que se controlar para não gritar todos os palavrões que conhecia – que graças a Anelise eram muitos – em vez disso, apenas fechou os olhos com força e mordeu a junta dos dedos esperando que a dor passasse.

— Rafael? – O moreno abriu os olhos lentamente ainda não tendo superado a dor da batida. Ao olhar na direção da voz que o havia chamado, viu Victor parado do outro lado da sala, olhando para ele com um misto de surpresa e diversão. – Você ia sair sem se despedir?

— Ei... Oi... Eu... Hmm – Rafael sentiu seu rosto ficar vermelho, mesmo que não houvesse um motivo para isso. Ele não sabia explicar porque estava agindo como se tivesse sido pego fazendo algo errado.

— Ótima resposta – O outro brincou. – Achei que a gente tinha combinado que o seu Augustino ia te levar.

— Eu não quero incomodar fazendo seu motorista ter que acordar tão cedo em um domingo – Rafael respondeu timidamente olhando para o chão.

— Ele não ia acordar ele pra te levar. – Victor revirou os olhos – Eu pedi para ele te dar uma carona porque ele sempre vai pescar lá nos domingos de manhã. É a folga dele.

— Ah – Rafael murmurou ainda sem jeito olhando para os próprios pés, incerto do que poderia dizer.

— Você quer tomar café da manhã?

— Eu... – O moreno começou a pensar em uma desculpa para recusar, mas antes que respondesse estava sendo arrastado para a cozinha, onde foi praticamente empurrado para uma das cadeiras.

A mesa estava arrumada de um jeito caprichado com uma garrafa uma jarra com suco de laranja e outra de yogurt no centro e um bolo e vários ingredientes para sanduíche ao redor.

— Fique a vontade. – Victor se sentou na cadeira de frente para Rafael e começou a se servir.

— A gente não devia esperar o seu pai? – Rafael perguntou com medo de que o prefeito aparecesse e ficasse ainda mais irritado que na noite anterior se percebesse que não foi esperado.

— Claro, se você quiser esperar até meio-dia – Victor respondeu irônico – O que também seria uma perda de tempo já que ele não come em casa quando a empregada está de folga.

Rafael olhou ao redor da cozinha percebendo que de fato não havia mais ninguém ali que pudesse ter preparado o café da manhã. A expressão de surpresa em seu rosto ao perceber que era Victor quem havia arrumado tudo não passou despercebida.

— O que foi? – O outro ergueu as sobrancelhas.

— Nada – Rafael respondeu rápido demais, sentindo as bochechas queimarem outra vez.

— É muito fácil fazer você ficar vermelho, né? – Victor zombou e Rafael não queria nada mais que cavar um buraco no chão e sumir, porque é claro que Victor tinha notado, não seriam muitas pessoas que não teriam quando ele mesmo tinha certeza que conseguiria seu nome no Guiness Book por "Corar mais vezes em um curto período de tempo". – Se você está surpreso por eu ter arrumado a mesa, saiba que eu tenho habilidades básicas de sobrevivência. Como abrir embalagens de comida e usar um microondas.

Victor esperava algum comentário sarcástico depois dessa declaração, mas Rafael apenas acenou com a cabeça e começou a se servir com um pedaço de bolo e um pouco de yogurt.

Rafael manteve a cabeça baixa e seus olhos fixos no prato em uma óbvia tentativa de esconder seu rosto ainda avermelhado. Apesar disso, Victor ainda podia ver o rubor nas pontas de suas orelhas. O negro não conseguiu evitar o sorriso que se formou em seu rosto, ou a sensação estranha de euforia em seu peito que só se lembrava de sentir antes quando Alec respondia uma de suas mensagens.

O que era ridículo porque ele estava apaixonado por Alec e não pelo garoto  tímido de orelhas vermelhas e sorriso com covinhas sentado a sua frente.

Ainda que ele parecesse muito fofo.

Mais fofo do que qualquer adolescente com o rosto cheio de espinha deveria...

Droga.
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Rafael chegou à lavanderia às 8:20, ele não se importou muito com isso, domingo era um dia de pouco movimento e as pessoas que vinham para deixar ou pegar suas roupas apareciam só depois das 10:00. Na maioria dos domingos ele era também o único funcionário na Lavaí, já que o pessoal da lavagem só aparecia no caso de algum imprevisto ou de a demanda da semana ser muito alta para terminar até sábado.

Quando saiu da caminhonete de seu Augustino, portanto, o moreno estava bem calmo com a certeza de que ninguém estaria esperando por ele. Ele realmente não esperava pelos três rostos sorridentes que o cumprimentaram assim que chegou a porta do estabelecimento.

— Você está atrasado – Bianca foi a primeira a falar, a julgar pela sua cara de sono, não havia sido ela quem teve a ideia de aparecer tão cedo.

— Bom dia pra você também – O moreno respondeu, recebendo um bocejo e um gesto obsceno da garota como resposta – O que vocês estão fazendo aqui tão cedo? Acordaram com as galinhas?

— Com o carro da pamonha na verdade – Respondeu Pedro – E a ideia de vir tão cedo foi da Ane.

— Eu achei que você podia querer companhia – A ruiva deu de ombros, se levantando da calçada em que estava sentada, ela parecia cansada. Rafael ergueu as sobrancelhas desconfiado com a justificativa, mas não disse nada. Em vez disso abriu a porta da lavanderia e entrou seguido pelos outros.

— De quem era a caminhonete? – Bianca foi a primeira a perguntar. – Não quero parecer antiquada, mas aquele cara era meio velho pra você. Não que eu me oponha a toda coisa de sugar daddy.

— Que porra, Bianca? – Pedro olhou para irmã totalmente mortificado com o comentário. A garota não pareceu se importar e apenas continuou esperando uma resposta de Rafael.

— Credo. Não. – O moreno balançou a cabeça tentando se afastar da imagem perturbadora que o comentário criou em sua mente – Aquele era o motorista do Victor.

— O que? – O grito de Bianca foi tão alto que fez Rafael pular um pouco assustado. Pedro também tinha um olhar interrogativo no rosto, embora, como sempre, expressasse sua curiosidade de maneira muito mais calma que a irmã.

Levou um momento para que Rafael se lembrasse que a única pessoa para quem havia contado que dormiria na casa de Victor era Anelise. Ele olhou para a ruiva em busca de apoio, mas a garota apenas deu de ombros com o que devia ser um sorriso atrevido, mas parecia meio forçado.

Sabendo que não ia escapar do interrogatório, Rafael contou aos outros dois como tinha sido convidado para dormir na casa de Victor, enfatizando exageradamente a parte sobre o trabalho para evitar que eles – especialmente Bianca – fanficassem muito a situação.

— E então, vocês fizeram? – Bianca perguntou com um sorriso insinuante.

— Um pouco – Respondeu Rafael distraído enquanto mexia no celular lembrando-se de que ainda não havia respondido a última mensagem de Victor no Instagram de Alec – Eu dormi antes de acabar... – Ele levantou os olhos da tela quando ouviu o zumbido de provocação dos amigos, percebendo o duplo sentido da pergunta pela primeira vez. – Vocês são idiotas – Disse balançando a cabeça em desaprovação.

— Mas você nos ama mesmo assim – Brincou Pedro soprando um beijo na direção do moreno.

— Infelizmente – Rafael bufou e seus amigos imediatamente fizeram um coro de "awwwwwwnnnn", Bianca fez questão de apertar sua bochecha recebendo um tapa na mão para se afastar. – Sai fora, Biz.

Ele voltou sua atenção para o chat de Victor no Instagram e clicou no link do Reels que havia recebido. O vídeo era  cantada cafona disfarçada de fato psicológico, mas ainda fez o rapaz sorrir, ao passo que Bianca  – que estava assistindo por cima de seus ombros – engasgou fingindo vomitar.

Ainda balançando a cabeça com o conteúdo brega do vídeo – algo que ele nunca esperaria de Victor com toda aquela postura de bad boy – o moreno respondeu.

Você é ridículo 😂

Desculpa não responder
antes. Tava ocupado com
as coisas da escola 😬

Ele olhou por mais alguns momentos para o celular esperando uma resposta, mas quando nada veio voltou sua atenção para os amigos, com o sorriso bobo ainda colado nos lábios.

— O que foi? – Ele perguntou percebendo a expressão divertida similar no rosto dos três.

— Nada – Bianca foi a primeira a falar – É só legal ver você assim pra variar.

— Agindo como uma criança e com um sorriso idiota no rosto? – Rafael perguntou, apesar do tom bem humorado ele realmente tinha dúvidas de como ver alguém agindo como um idiota apaixonado poderia causar outra coisa além de vergonha alheia.

— Vendo você agir como um adolescente de verdade – Corrigiu Ane – E não como a versão adulta que a Bruxa da Luciana obrigou você a se tornar.

O moreno realmente não sabia como responder a isso e acabou apenas desviando de assunto, embora essas palavras continuassem a se repetir em sua cabeça por um tempo.
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O movimento na lavanderia foi fraco como o esperado para um domingo. Apenas dois clientes apareceram para deixar as roupas e apenas um para pegá-las.

O grupo aproveitou o tempo ocioso para conversar sobre tudo o que estava acontecendo em suas vidas, já que a maior parte das conversas que haviam tido durante a semana giravam em torno de Rafael e Victor e de planos para contar à Luciana sobre o caso entre Letícia e Mathias sem meter Rafael em problemas, embora eles ainda não tivessem chegado a nenhuma conclusão do que fazer em nenhum dos dois assuntos.

Pedro fez questão de tampar os ouvidos enquanto sua irmã falava dos namorados e a garota retribuiu tampando sua boca no momento em que ele começou a falar sobre Flávia – embora isso fosse mais por compaixão a Ane que pela vingança em si. 

A única coisa que o loiro conseguiu deixar escapar antes de ser calado foi que estava ensinando alguns passos de balé à namorada, o que por si só já fez a expressão de Ane cair ainda mais. Afinal, Pedro havia demorado séculos para revelar que fazia aulas para ela e Rafael.

Como ele podia confiar tanto assim em alguém com quem estava namorando a menos de um mês?

A ruiva que já parecia estar incomodada com algo desde que Rafael a viu pela primeira vez naquela manhã, ficou ainda mais estranha e afastada do grupo depois desse comentário.

Ela manteve uma expressão irritada no rosto, mas Rafael a conhecia o suficiente pra dizer que não era raiva o que a garota estava sentindo no momento. Uma Anelise com raiva – basicamente seu estado natural – era alguém que ia falar, insultar, reclamar ou bater em alguém. Uma Anelise triste ou magoada era alguém que iria ficar calada, sorrir ou fugir.

O silêncio de Ane enquanto o grupo conversava sobre Mathias e Letícia – um assunto sobre o qual ela normalmente tinha comentários muito coloridos – era suficiente para saber qual era a situação.

Quando a lavanderia foi fechada e os quatro estavam indo para o ponto de ônibus, Rafael finalmente conseguiu ficar sozinho com a ruiva à uma distância segura para que os outros dois não ouvissem.

— Você vai me dizer o que está te incomodando tanto? – Ele perguntou, jogando o braço esquerdo sobre os ombros dela – Além do namoro do Pedro, porque isso é meio óbvio.

— Está tudo bem. – Ela respondeu e só pela falta de qualquer insulto ou sarcasmo na resposta Rafael podia dizer que era mentira.

— Você sabe que eu posso dizer quando você está mentindo tão bem quanto você consegue dizer quando eu estou.

— O que torna suas habilidades de detetive muito melhores do que as minhas já que você é um péssimo mentiroso por natureza – Ane brincou de volta fazendo Rafael suspirar.

— Você poderia facilitar as coisas e só dizer o que está te incomodando ao invés de tentar mudar de assunto... – Ele tentou.

— E eu achando que você me conhecia – A ruiva respondeu com um bufo divertido. Eles ficaram um tempo em silêncio antes que a garota continuasse – Não é nada específico, sabe? Apenas uma mistura de todas as coisas. Meu pai vai sair em condicional no próximo mês, Elly ainda se recusa a falar comigo, eu me sinto culpada por ela ainda... Além disso, Bruno está sendo estranho durante o trabalho...

— Ele fez alguma coisa? – O moreno franziu a testa preocupado.

— Não exatamente... Ele foi legal, ou pelo menos muito mais suportável do que o idiota que ele costuma ser – Anelise respondeu um tanto incerta – Mas mesmo sabendo que nem todo mundo é igual dentro e fora da escola, eu ainda sinto um pouco de medo de que no momento em que eu baixar um pouco a guarda ele vai aprontar alguma coisa. Não era tão ruim quando era só na escola, mas agora ele não só tem motivos pra ir na minha casa, como minha mãe o trata como um príncipe porque acha ele "muito simpático e educado".

— Você nunca contou sobre o bullying pra sua mãe ou seus irmãos? – Rafael já sabia a resposta, mas as sobrancelhas levantadas e a expressão de "Você me conhece mesmo?" estampada no rosto da garota era confirmação o suficiente.

— Eu sei, eu sei – Rafael suspirou – mas se ter ele por perto está deixando você tão nervosa...

— O que? Eu deveria contar aos meus irmãos e deixar eles irem presos por agressão de um menor?

Rafael podia argumentar, mas conhecendo os irmãos de Ane era exatamente isso que acabaria acontecendo.

— OK. Você tem um ponto. – O moreno mordeu o lábio inferior – Eu só odeio te ver assim... Queria poder fazer algo pra ajudar.

— Você está aqui me ouvindo reclamar, isso é o bastante – A ruiva deu de ombros.

— Isso não é verdade, eu escuto você reclamar o tempo todo – Provocou Rafael e como esperado Ane o empurrou e acertou um tapa na parte de trás da sua cabeça enquanto o chamava de idiota. Eles permaneceram em silêncio por alguns momentos enquanto apressavam o passo para alcançar os outros, mas o moreno parou de repente e segurou o braço da amiga – Eu sinto muito por não estar tão presente pra você como você sempre está comigo.

— Não fique tão sentimental comigo. Ser enxerida faz parte da minha personalidade e não é exatamente uma qualidade.

Rafael bufou e revirou os olhos com a óbvia tentativa Ane de se afastar de um assunto que a deixava desconfortável. A garota por sua vez bateu em seu ombro e o empurrou um pouco para que voltasse a andar. Depois de alguns momentos andando em silêncio ela acrescentou em um tom mais sério:

— Você sempre está presente para mim também e sei que iria me ouvir se eu realmente quisesse falar sobre toda essa... boiolagem de sentimentos –Ane torceu o nariz como se a própria palavra a desagradasse – Do jeito como as coisas estão, eu estou feliz por ter você só me ouvindo reclamar e não me odiando pelas merdas que eu faço.

— Você... – Rafael começou, mas foi interrompido pela voz de Bianca chamando à distância.

— Vocês dois estão andando com sapato de chumbo? – A garota perguntou olhando para eles com uma expressão exasperada em seu rosto enquanto ela e Pedro faziam o caminho de volta para encontrá-los – A gente vai acabar perdendo o ônibus se vocês ficarem enrolando.

Ane e Rafael começaram a correr para alcançar os amigos, ambos um pouco envergonhados com os olhares das pessoas que passavam, atraídos pelo chamado excessivamente alto de Bianca.

— Vamos – Bianca agarrou a mão de Rafael assim que ele chegou perto o bastante e começou a arrastá-lo na direção do ponto de ônibus, aparentemente decidindo que era o rapaz o responsável pelo ritmo lento dele e de Ane. – Se a gente perder esse ônibus e chegar atrasado pro almoço, minha mãe vai arrancar nosso couro.

— Ela não faria isso comigo e com a Ane – Rafael respondeu com um sorriso – Nós dois somos os filhos preferidos dela. – Ele brincou, mas ainda assim se apressou para combinar seu ritmo com o de Bianca, deixando Pedro e Anelise alguns passos para trás.

— Sobre o que vocês estavam conversando que a gente não podia ouvir? – Pedro perguntou a Anelise enquanto seguiam os outros dois.

— Se não era pra você ouvir, obviamente não vou te contar – A ruiva provocou, parecendo um pouco mais animada que antes e continuou a andar acelerando o passo para alcançar os outros dois.

Quando o grupo a parada, o ônibus já estava lá, e eles tiveram que correr para cobrir os últimos metros do caminho antes que as últimas pessoas entrassem e ele saísse.

O ônibus não estava muito cheio, mas os assentos do fundo – que eram os que Rafael e os outros normalmente sentavam – estavam ocupados e havia apenas três lugares em que ambos os bancos estavam vagos. Infelizmente eles eram afastados uns dos outros obrigando o grupo a se separar.

Pedro foi o primeiro a entrar e se sentou em um lugar na frente. Assim que Rafael entrou ele puxou o amigo para se sentar ao seu lado. Ane passou pelos dois garotos para pegar um lugar no fundo e Bianca a seguiu, com uma expressão confusa no rosto que refletia a de Rafael.

— Não que eu não me sinta lisonjeado por você ter me escolhido para esse assento – O moreno brincou usando um tom excessivamente formal – mas não é a Ane quem devia estar sentada aqui?

— Eu só achei que seria bom variar um pouco... – Começou o loiro, mas mesmo se Rafael não o conhecesse bem o suficiente para perceber a mentira, o movimento nervoso em suas mãos o denunciaria. O moreno olhou para o amigo com descrença e depois de um tempo Pedro finalmente admitiu envergonhado – OK... Eu só queria saber sobre o que você e Ane estavam falando antes...

— Você perguntou pra ela?

— Ela não quis dizer – Pedro respondeu obviamente descontente.

— Se ela não quis dizer, ela não quer que você saiba – Rafael provocou o amigo – Se ela não quer que você saiba, eu não vou dizer.

— Rafael, Rafa, Rafinha – O loiro começou a importunar o moreno agarrando seu ombro e sacudindo de uma maneira muito infantil – Por favor, prometo que não vou dizer a Ane que você contou. Eu só tô preocupado. Ela tá estranha hoje.

— Eu sei – Rafael suspirou – Foi por isso que eu quis falar com ela também, mas – Ele acrescentou antes que Pedro pudesse dizer qualquer coisa – Isso não significa que eu vou contar o que ela disse. Se você quiser saber como ela está, pergunte você mesmo.

— E você acha que eu já não perguntei? – Pedro bufou – Ela sempre diz que está bem, isso quando não se irrita e começa a me ignorar... Não era assim antes e eu não sei o que mudou ou o que eu posso fazer pra ela voltar a confiar em mim.

— Ela ainda confia em você – Garantiu Rafael, olhando para o amigo – É na sua namorada que ela não confia. – O loiro abriu a boca para protestar, mas Rafael continuou – Eu sei que você nunca trairia ela contando algo para a Flávia, pelo menos não de propósito, e a Ane deve saber disso também, mas você sabe o quanto ela é reservada, só o medo de você deixar escapar algo do que você já sabe sem querer, já deve estar deixando ela paranóica o suficiente.

As palavras de Rafael faziam sentido e Pedro se sentiu mal com o pensamento de que seu namoro pudesse deixar Anelise desconfortável em falar com ele. A garota nunca tinha sido exatamente aberta sobre seus sentimentos, mas ele sentia falta dos "momentos de sinceridade" que aconteciam vez ou outra. Se ele soubesse que estar com Flávia deixaria sua melhor amiga tão desconfortável, não teria aceitado o pedido de namoro em primeiro lugar.

— Eu... – Pedro começou hesitante. – Eu terminaria com a Flávia se a Ane pedisse...

— Eu sei – Respondeu Rafael com um suspiro. Ele se perguntou, não pela primeira vez, se era essa a sensação de frustração de seus amigos toda vez que ele arrumava uma desculpa para não falar com Victor. – Mas você não pode esperar que ela faça isso, ou usar Ane como justificativa para terminar seu namoro. Se você vai terminar tem que ser por você, de acordo com seus sentimentos.

— Aí fica mais difícil – Pedro respondeu mexendo os dedos em um sinal de nervosismo outra vez – Porque eu não sei dizer o que sinto pela Flávia.

— Nesse caso talvez seja mais fácil você entender o que você sente pela Ane – O moreno olhou para o amigo procurando em seu rosto um sinal de ele estava entendendo direito, mas Pedro o encarou de volta com uma expressão confusa.

— Amizade, ué. – Ele respondeu com tanta convicção que se o moreno não estivesse acompanhando todo drama em primeira mão por quase um ano e meio, poderia ter acreditado – Ela é minha melhor amiga, o que mais eu ia sentir?

Rafael apenas olhou para o loiro com uma expressão vazia.

No fundo de sua mente ele sentiu um súbito desejo de bater a cabeça de seu amigo contra uma parede.

A única coisa – além dos dois anos de amizade – o impedindo de fazer exatamente isso, era saber que seus amigos provavelmente sentiam o mesmo em relação a ele.

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NOTA DA AUTORA

Enfim depois de quase 3 meses eu estou de volta.

Vocês acharam que eu ia desistir?

Depois de apagar o capítulo pra refazer por 3x seguidas tava começando a achar também.

MAS

Para alegria de poucos e desespero de muitos (principalmente dos meus personagens que só tomam no cu e não de um jeito gostoso) o capítulo está aqui.

Espero que tenham gostado e que tenha valido a pena a espera (apesar que esperar 3 meses por um filler deve ser uma bosta)

Até o próximo capítulo

Bye meus clichezudos🏳️‍🌈🤟

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