Capítulo 15
A viagem de ônibus de volta para casa de Rafael foi desconfortável para os dois garotos. Eles se sentaram juntos para evitar que Victor descesse no ponto errado, mas nenhum deles estava com vontade de conversar. Victor ainda zangado em ter que aceitar ajuda de Rafael e Rafael irritado por Victor nem mesmo tentar parecer simpático depois que Rafael salvou sua bunda (que era muito bonita por sinal).
Quando chegou em casa, Rafael entrou deixando a porta aberta atrás de si como um convite para o outro garoto. Luciana em seu lugar do sofá abriu a boca pronta para reclamar da falta de utilidade do enteado quando Victor entrou.
- Luciana, esse é o Victor Martins - Rafael acrescentou o "Martins" com ênfase, sabendo que esse era o único jeito que ela permitiria que o convidado ficasse.
Como era esperado, a postura da mulher mudou totalmente. Ela ajeitou sua peruca chanel preta e se levantou para cumprimentar o visitante.
- Olá, querido - Ela disse em um tom doce tão falso que quase fez Rafael cair na gargalhada. - Eu não sabia que meu filho tinha amigos tão importantes.
- Claro... Rafael e eu somos amigos. - Respondeu Victor sentindo o rosto ficar quente com toda a atenção e por ter que fingir ser amigo de Rafael, mas ele realmente precisava de um lugar para ficar - Muito amigos.
O último comentário fez Rafael engasgar e tossir para esconder o riso, mas Luciana estava focada demais em Victor para perceber. A situação era hilária e ele queria que seus amigos pudessem estar presentes para ver esse momento épico em que duas das pessoas que mais o odiavam precisavam fingir que gostavam dele.
- O Victor vai dormir aqui, mãe - Rafael acrescentou a última palavra com sarcasmo. - Estamos trabalhando no projeto de sociologia. - Antes que a mulher pudesse responder o rapaz se virou para Victor - Nós não temos quartos de hóspedes, mas você pode dormir comigo.
Rafael não percebeu que dizer "Dormir comigo" poderia ter uma interpretação diferente de "Dormir no meu quarto" até ver a expressão de choque no rosto de sua madrasta e foi por causa dessa expressão também que se recusou a tentar corrigir. Ele sabia que teria que aguentar os insultos de Luciana assim que Victor fosse embora, mas não pôde evitar se aproveitar da situação vendo o quão desconfortáveis os outros dois pareciam. Ane ficaria orgulhosa.
- Eu posso dormir na sala... - Victor sugeriu, a ideia de dormir no mesmo quarto com um idiota homofóbico não era nem um pouco atraente, principalmente com os sonhos que ele passou a ter desde o carnaval das bruxas com aquele maldito dementador fã do Tony Esterco.
- Não seja idiota - Rafael segurou seu braço, ignorando a sensação das borboletas no estômago causadas por sua paixonite estúpida e o puxou para fora da sala. - Eu vou te mostrar meu quarto, assim você pode deixar as coisas lá. - Ele não esperou uma resposta antes de começar a praticamente arrastá-lo escada acima.
Quando chegaram ao topo da escada Victor puxou o braço bruscamente para se livrar do aperto. O moreno deu de ombros e apenas continuou na direção do seu quarto sem se dar o trabalho de dizer ao outro para seguí-lo. Victor soltou um suspiro exasperado e ajeitou a mochila no ombro direito enquanto ia atrás de Rafael.
Quando chegaram ao quarto Victor colocou a mochila e o violão ao lado do guarda-roupa antes de se virar para Rafael parecendo furioso.
- Que porra foi essa? - Apesar de manter o tom baixo, Victor estava surtando, Rafael tinha praticamente insinuado para sua mãe que eles iam transar. - Por que você falou daquele jeito?
- Apenas me aproveitando da situação - Rafael tentou parecer displicente embora seu rosto já estivesse queimando de vergonha.
- Fingindo pra sua mãe que a gente ia transar? Sua ideia era me trazer para sua casa só pra me fazer ser expulso?
- Primeiro: Ela é minha madrasta - Victor abriu a boca para dizer que se ela o tratava como um filho, então era sua mãe, mas Rafael não permitiu ser interrompido - Segundo: Ela não te expulsaria nem se a gente transasse na frente dela. Provavelmente me mataria assim que você saísse, mas não te expulsaria. - Rafael não conseguiu esconder a amargura em sua voz quando disse a última frase. - Você não é a única pessoa que tem problemas em casa Riquinho.
- Pelo menos eu não compenso meus problemas familiares agindo como um idiota - Victor retrucou em tom de desafio.
- Muito discutível - Rafael zombou e o outro não teve tempo de dizer mais nada antes que um ronco particularmente alto e vergonhoso viesse de seu estômago. Rafael ergueu as sobrancelhas divertido enquanto o rosto de Victor queimava de vergonha. - Vamos ver se achamos alguma coisa comestível na cozinha.
Dessa vez Victor não hesitou em acompanhar o outro rapaz quando ele saiu do quarto. Eles estavam passando pelo corredor quando uma porta se abriu e uma criança apareceu por trás dela, olhando curiosa para o corredor.
- Rafafa - A menina chamou e Rafael corou ao ouvir o apelido infantil na frente do visitante. Ainda assim ele se aproximou da garota e a abraçou bagunçando o seu cabelo.
- Oi, Lilith - Rafael cumprimentou antes de se afastar. - Tarde pra estar acordada, né? - Acrescentou sabendo que já passava das 21:00.
- Você não se despediu hoje - O moreno tentou não rir quando a menina cruzou os braços na frente do corpo tentando parecer zangada.
- Tive que sair mais cedo e não quis te acordar.
- A Lê comeu o meu gato - A menina contou ainda parecendo irritada. Victor olhou para ela com as sobrancelhas franzidas esperando uma explicação de que não se tratava de um gato de verdade, mas em vez disso a garota apenas acrescentou - Ela é uma vadia.
- Meu Deus, Lilith - Rafael exclamou dividido entre a exasperação e a diversão - Você não pode falar essas coisas. Se a sua mãe te ouvir eu tô fu- ferrado.
- Eu sei que você ia dizer "fudido" - Liliane cantou enquanto Rafael esfregava a mão no rosto agora totalmente exasperado.
- Acho que nós dois precisamos parar de andar tanto com a Ane.
- Nãããooo - A garota parecia horrorizada com a ideia - Tia Ane é tão legal. E eu não vou contar para ninguém o que você disse - Acrescentou em um tom baixo como se estivesse de fato guardando segredo.
Victor não conseguiu evitar rir com isso. Principalmente porque Rafael parecia um tomate de tão vermelho agora. Seu riso atraiu a atenção da garota que não parecia tê-lo notado até então.
- Oi - Ela acenou animada em sua direção enquanto saía para o corredor tentando vê-lo melhor. - Meu nome é Liliane, mas pode me chamar de Lili.
- Ah, oi - Victor respondeu um tanto sem jeito, ele não era muito bom em interagir com crianças. A menina ficou parada olhando para ele como se esperasse que dissesse mais alguma coisa, demorou um pouco para ele perceber que não havia se apresentado - Eu sou o Victor... Pode me chamar de Victor porque eu não tenho um apelido.
- Você é o namorado do Rafafa? - Ela inclinou a cabeça parecendo interessada.
- NÃO - Os dois rapazes quase gritaram em uníssono fazendo a menina franzir a testa.
- Já entendi - Liliane disse antes de se aproximar de Rafael - Tudo bem, - Ela sussurrou para o irmão, embora fosse alto o suficiente para Victor ouvir. - Ele é bonitinho, mas você consegue melhor.
Victor abriu e fechou a boca sem saber o que dizer ao mesmo tempo em que Rafael ficava ainda mais vermelho. O moreno foi o primeiro se recuperar e começou a achar alguma graça na situação quando viu a expressão no rosto de Victor.
- Ei, Lilith, por que o quarto da Laura e da Letícia está tão quieto? - Perguntou notando pela primeira vez a falta de música alta no corredor.
- Festa de carnaval, duh - A menina respondeu.
- Achei que elas estavam de castigo. - Rafael não pôde deixar de franzir a testa preocupado, lembrando no que aconteceu no sábado com Letícia.
- Elas estão, mas ajudei elas a fugir.
- Achei que estava brava com a Letícia por ter comido seu gato.
- Estou - Lili fez careta como se só a ideia à incomodasse - Mas quem me pediu foi a Lau e eu gosto muito mais dela.
- Ela te pagou, né? - Rafael perguntou já sabendo a resposta.
- Dez reais - Declarou a loira sorrindo.
- Eu sabia - Rafael balançou a cabeça um tanto divertido.
- Você vai me contar uma história? - A menina disse depois de um momento, como se não acabasse de confessar que tinha sido subornada por suas irmãs.
- Claro que vou - O estômago de Victor roncou novamente como se estivesse protestando contra a declaração. - Assim que eu alimentar o monstro irritado no estômago do nosso convidado. Pode escovar os dentes e arrumar suas coisas, eu já volto. - A garota concordou com a cabeça animada antes de começar a correr de volta para o quarto.
Os dois rapazes fizeram seu caminho de volta para cozinha. Victor ficava lançando olhares a Rafael querendo perguntar algo, mas ao mesmo tempo não querendo falar com ele.
- Você vai desembuchar ou me olhar assim pro resto da noite? - Rafael perguntou sem olhar para ele.
- Eu só... Hum... A Laura é sua irmã?
Rafael sentiu o peito apertar um pouco com a pergunta, tinha sido relativamente fácil esquecer que estava apaixonado pelo idiota a seu lado até aquele momento, mas ouvir Lili perguntar se eles eram namorados e agora Victor falando sobre Laura - a garota que ele beijou minutos depois que Rafael se afastou - era doloroso.
- Existem pelo menos sete Lauras no Portinari, mas se meu chute estiver correto e você estiver falando daquela que fica com você em todos os intervalos, sim, ela é minha irmã.
- Estranho - Victor franziu a testa - Ela nunca falou de você.
- Nem imagino o porquê - Respondeu Rafael Sarcástico no momento em que chegaram à cozinha - Vou fazer um sanduíche, duvido que tenha alguma comida por... - Ele interrompeu o que estava dizendo quando viu Luciana arrumando um prato na mesa - Aqui.
- Eu pensei que poderia estar com fome - Ela disse em um tom maternal muito diferente do usual.
Rafael franziu a testa, tanto pelo tom usado quanto para a comida no prato. O arroz e o feijão pareciam OK, (Provavelmente eram o que ele tinha cozido na noite anterior e guardado em potes na geladeira para aquecer) mas a carne parecia errada, como se fosse tirada do fogo antes da hora. Pelo curto tempo que eles passaram no quarto devia mesmo ser o caso.
- Boa sorte em digerir isso - O moreno falou baixo embora pelo olhar de Luciana ela tivesse ouvido.
- Tem mais na panela se você quiser, querido.
- Obrigado, mãe, mas eu vou ficar com o meu sanduíche. - Ele começou a pegar os ingredientes para o sanduíche e observou com o canto do olho enquanto Victor mexia com a colher no prato procurando comer apenas os lugares que não tiveram contato com a carne.
Quando terminou de comer seu lanche, Victor ainda estava remexendo na comida, parecendo menos faminto e muito mais desanimado que antes.
- Boa sorte com isso - O moreno riu dando um tapinha em seu ombro antes de subir para tomar banho e contar uma história para Lili.
Victor ficou na cozinha por mais tempo. Até que conseguisse comer o suficiente para sair sem parecer mal educado. Por sorte o arroz e o feijão eram comestíveis, mas era quase impossível separar o ensopado de carne ou o que quer que fosse que Luciana havia jogado sobre o prato. Quando estava deixando a cozinha, Luciana tentou oferecer mais comida, ignorando o fato de que ele nem mesmo tinha comido toda a comida do prato. O rapaz recusou veementemente dizendo que estava satisfeito e agradeceu a seu estômago ainda faminto para não discordar da mentira.
Ele entrou no quarto de Rafael e pegou suas roupas para ir tomar banho quando lhe ocorreu que ele não sabia onde era o banheiro. Como Rafael não estava no quarto, supôs que devia estar contando uma história para irmã como havia prometido.
Victor tinha acabado de sair do quarto para ir atrás do moreno quando ele apareceu vestindo uma bermuda e secando os cabelos rebeldes com uma toalha verde desgastada. O torso do rapaz, no entanto, estava nu. O negro sentiu sua boca secar de repente com a visão da pele branca salpicada com algumas marcas de nascença e uma sensação de calor correu por sua virilha fazendo Victor amaldiçoar a porra de seus hormônios adolescentes.
- Eu esqueci minha camiseta - Rafael se justificou sentindo o rosto ficar vermelho com a atenção. Ele passou por Victor que permaneceu parado com a boca se movendo em um "puta que pariu" silencioso. - Posso te ajudar com alguma coisa?
- Eu queria saber onde é o banheiro. - O rapaz respondeu ainda evitando olhar para o outro enquanto ele se vestia.
- Ah, claro. - Rafael saiu e jogou uma toalha vermelha nos braços dele. - Por aqui. - O moreno guiou Victor até o início do corredor, a primeira sala antes das escadas - Fique a vontade, mas enxugue as mãos antes de desligar o chuveiro. Essa merda costuma dar choque.
Rafael se afastou e Victor não pode deixar de acompanhar o outro com o olhar. Seu foco principalmente nos cachos rebeldes ainda úmidos do rapaz. Agora ele conhecia o cara o suficiente para saber que era um pé no saco, mas olhando para ele assim era meio adorável.
Victor entrou no banheiro e se permitiu relaxar de verdade pela primeira vez no dia ao entrar no banho. A água era um pouco mais quente do que estava acostumado principalmente no verão, mas ainda era boa o suficiente para ajudar a limpar seus pensamentos turbulentos.
Levou cerca de quinze minutos para que ele tivesse coragem de sair debaixo do jato d'água e isso era porque estava quase sentindo o suor em seus poros devido a todo o vapor no banheiro. Ele quase gritou quando foi desligar o chuveiro e levou um pequeno choque. Aparentemente Rafael estava certo sobre a coisa de enxugar as mãos.
Victor realmente não queria bisbilhotar, mas foi meio que inevitável quando passou pelo quarto de Liliane e pela porta entreaberta pôde ver Rafael parado ao lado da cama da irmã enquanto fazia gestos exagerados. O que quer que o rapaz estivesse dizendo era abafado pelos risos contínuos de Lili. O negro não conteve a curiosidade e se aproximou da parede para ouvir o que o moreno dizia.
- ... E então - Ele ouviu a voz baixa de Rafael que soava excitada como a de uma criança - A princesa Eliza percebeu que nenhum daqueles príncipes idiotas ia conseguir passar pela maldição e libertá-la, porque nenhum deles tinha o coração puro.
- O coração dela não era puro para ela sair sozinha? - Lili perguntou e Victor se encostou ainda mais na parede para ouvir a resposta.
- Ela achava que não. Por isso nunca tentou sair sozinha.- Rafael suspirou triste, quase se estivesse falando de uma pessoa real - Lembra quando eu contei que a princesa foi criada por lenhadores? Ela aprendeu a ser dura como eles e um pouco espinhosa.
- Como a Ane?
- Exatamente como a nossa Ane - Na posição em que estava, Victor não podia mais ver o moreno, mas podia ouvir o carinho em sua voz quando se referiu a Ane.
- O que aconteceu depois? - Lili parecia curiosa e Victor estava um pouco também.
- Os príncipes continuaram a tentar resgatá-la. Nenhum deles estava realmente preocupado com ela, apenas em busca da glória de derrotar o dragão, mas cada vez que alguém se atrevia a atacar o dragão era queimado vivo. - Rafael fez uma pausa um tanto dramática antes de continuar - Um dia um príncipe mais esperto apareceu. Ele esperou até o dragão dormir antes de atacar e o feriu profundamente.
- E ele salvou a princesa?
- Não. O dragão não era o verdadeiro obstáculo e quando o príncipe passou por ele, bateu em uma parede invisível e desapareceu no ar.
- E a Eliza?
- Ela acordou no dia seguinte e viu pela janela que o dragão estava ferido. Ela sabia desde o início que o dragão não era uma ameaça, mas nunca conseguiu avisar ninguém. Quando Eliza viu que ele estava ferido, ela queria tanto ajudar que esqueceu do medo da barreira e correu para ajudar.
- Ela se machucou? - A voz de Lili parecia tensa agora, e por mais idiota que fosse com uma história infantil Victor estava um pouco tenso também.
- Não. Ela atravessou a barreira sem nenhum problema e chegou até o dragão. E enquanto cuidava dele pediu perdão por não tê-lo ajudado antes. Por deixar que seu medo a impedisse de ajudar quando o primeiro príncipe veio e tentou machucá-lo.
- O dragão morreu? - Perguntou a garota em um tom triste.
- Não. A princesa conseguiu salvá-lo. Mais que isso ela conseguiu libertá-lo. E quando ela quebrou as correntes o dragão se transformou em um rapaz. Um camponês. A princesa podia ter ido embora, mas ficou até que o rapaz estivesse pronto para viajar também.
- E eles se casaram e viveram felizes para sempre? - Liliane bocejou.
- Eles não se casaram, mas se tornaram os melhores amigos. A princesa só se casou anos depois com um bobo da corte.
- Um bobo da corte? - Veio a voz cética.
Reconhecendo que a história tinha acabado, Victor voltou a andar silenciosamente na direção do quarto de Rafael. Apesar disso ele ainda foi capaz de captar a última frase:
- Sim, um bobo da corte. E foi a melhor escolha porque se você vai passar a vida toda com alguém, tem que ter certeza que essa pessoa vai conseguir te fazer rir.
Quando Victor chegou no quarto ficou surpreso ao ver que Rafael já havia arrumado sua cama... Bem... Um colchonete para ele e ainda mais surpreso em ver um prato com um sanduíche sobre o dito colchonete.
Ele não conseguiu evitar o sorriso que tomou conta do seu rosto enquanto guardava suas roupas sujas na mochila e se sentava no colchonete para comer o sanduíche. Ele se amaldiçoou quando o pensamento de Rafael não era tão ruim assim passou pela sua mente e tentou se lembrar de todos os motivos pelos quais o odiava. Ele culpou a fome e o gosto incrível do sanduíche em suas papilas gustativas por não lembrar de nenhum.
NOTA DA AUTORA
EU VOLTEIIIII
(Ah, vá, é mesmo?)
Desculpem a demora pra atualizar, mas agora finalmente a porra do TCC acabou. O que significa que eu vou ter mais tempo pra atualizar. (Infelizmente também significa que eu vou ter menos desculpas para demorar pra atualizar)
Espero que o capítulo novo valha toda a espera. (Um pouco difícil porque vocês tiveram que esperar pra caralho e deviam estar esperando esses 2 voltarem do hiatus pós graduados, casados e com 2 filhos e um cachorro).
Mesmo assim, espero que tenham gostado. Vejo vocês no próximo capítulo. 🤟🌈
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