Prólogo
- Amor? - diz Lucas tirando o braço de baixo da cabeça de sua amada, que o usava como travesseiro para encarar as estrelas pela claraboia do esconderijo secreto deles.
- Oi, Amor? - ela responde, ainda sem parar de admirar as estrelas.
- Promete ainda me amar nos próximos dez anos?
- Não!
- Não?
- Não!
Silêncio...
- Amor? - desta vez é Laís quem chama, e busca os olhos dele.
- Oi... - responde um tanto, desanimado.
- Sabe por que não prometo te amar nos próximos dez anos?
- Não, por quê? - demonstra curiosidade, apesar de se sentir desapontado.
- Porque eu vou te amar para sempre!
Se havia uma resposta certa para àquela pergunta, Laís com certeza acertou em cheio. Ao ouvir essas palavras saindo da boca de sua namorada, futura esposa, quem sabe, ele sentiu-se imensamente feliz, partindo para cima dela e imediatamente enchendo-a de beijos e dizendo algo que mais tinha certeza no mundo:
- Te amo!
Ela o encarou sobre ela, deixando-o muito tenso.
- Também te amo, idiota! - e voltou a beija-lo, gargalhando de sua expressão tensa.
Aquela era a forma mais sincera de dizer ao Lucas, que ela o amava acima de tudo e mais que tudo.
Apesar de serem completamente apaixonados um pelo outro, as pessoas os julgavam e os recriminavam, principalmente ao jovem garoto. Perante a lei, eles viviam um amor proibido.
Lucas com dezenove anos e ela com quatorze anos. Eles apenas queriam viver juntos, desfrutar do amor que os dois sentiam um pelo outro, mas as pessoas não notavam isso. Notavam apenas a diferença de idade de ambos, que não era tamanha, mas faziam questão de espalharem por aí, que ele namorava uma garota de quatorze anos. Quatorze anos! Para todos era só isso que importava: ele ter dezenove e ela quatorze.
Ele um rapaz quase adulto e ela uma garota recém adentrada à adolescência. Mas ninguém percebia o quanto eles se amavam, o quanto um fazia bem ao outro, e o quanto queriam viver juntos até que ambos dessem o último suspiro.
Ninguém notava isso!
Inclusive os pais deles. Eles haviam sido proibidos de se encontrarem, como se em algo fosse adiantar. Na primeira chance, os dois se encontravam no engenhoso e mirabolante esconderijo, criado por Lucas.
Então, sempre que possível, se encontravam às escuras, onde ninguém pudesse os atrapalhar em seus momentos de amor e afeto.
Era claro que se os pais da Laís denunciassem o Lucas, ele iria se dar muito mal, por ele ter maioridade e ela estar longe disso. Por isso, cautela era o que os dois mais zelavam. Laís sentia calafrios só em pensar nas consequências que esse amor poderia vir a trazer, mas ao contrário de todos, ela não pensava nos números e sim no que realmente sentia.
Era amor! E muito dificilmente eles esqueceriam esse amor se as consequências os pegassem desprevinidos, virando a esquina
O jovem jurou ter ouvido um barulho de coisas caindo no chão, por isso, se manteu inerte para ter certeza que não era coisa de sua imaginação. Afinal, só tinham eles dois alí, já que era um esconderijo que só eles tinham entrada e usavam para matar a saudade um do outro, pelo menos era o que achavam.
- O que foi? - Laís sussurou em seu ouvido, um pouco assustada, sem entender o que estava acontecendo.
- Shhh... - ele por sua vez apenas deu sinal para que ela ficasse quieta.
- Acho que ouvi um barulho de coisa caindo. - explicou.
- Mas como, se só nós sabemos desse lugar? - questionou.
- Era o que eu achava. Mas pelo visto eu estava errado.
O rapaz se levantou lentamente, buscando uma lanterna, já que o lugar era somente iluminado pela luz do luar que emanava da claraboia, e quando deu um primeiro passo verificar o que realmente estava acontecendo, uma mão segurou seu braço. Era Laís novamente, questionando-o.
- Aonde você pensa que vai, seu louco? - continuou a sussurar como se estivesse numa missão secreta.
- Preciso saber o que está acontecendo. E se alguém tiver te seguido até aqui?
- Claro que não! Eu sempre tomo muito cuidado para que não me vejam.
- Mas pelo visto não tomou cuidado suficiente, não é mesmo, filhinha?
Uma voz madura, rouca e sarcastica de repente surge, assustando os dois, fazendo-os saltitar. Era o pai dela. A última pessoa que deveria encontrá-los naquele lugar, sozinho. O homem se esticou após passar pela pequena passagem que levava ao cômodo a que estavam. O homem impôs uma postura ereta, para demonstrar mais autoridade.
- Pai? Como me encontrou aqui? - indagou ela, muito assustada.
- Se tem alguém que deve explicações aqui, esse alguém é você!
O homem preceria estar muito nervoso e sua expressão no rosto, encarando o Lucas, era de se prever que alguma coisa muito ruim iria acontecer.
- O que está fazendo com esse irresponsável, mesmo depois que a proibi de se encontrar com ele?
- Certo que o senhor está nervoso, mas não vai ser me agredindo verbalmente que as coisas vão se resolver - Lucas tentou acalmar o sogro, ainda que fosse arriscado perde-lhe os dentes ao usar esse adjetivo.
- Calado! - num espasmo de fúria, o homem acertou ao rapaz à sua frente com um tapa com o dorso da mão, fazendo-o cair e sentir o peso da sua mão, o que o levou ao chão, zonzo.
- Amor? - Você está bem? - Laís gritou extremamente desesperada e preocupada com o namorado, e foi socorrê-lo, como se fosse alguma verdadeira enfermeira de prontidão.
- Você saia de perto deste vagabundo!
Luiz, o genitor dela, ainda posseso de raiva, a pegou pelo cabelo e a arrastou alguns metros pelo piso liso. E então, foi surpreendido foi pelo jovem que a pouco estava caído no chão.
Os dois se chocaram contra a parede. Enquanto Lucas tentava o imobilizar ou ao menos segura-lo por algum tempo ordenou a ela que saísse correndo e fosse buscar ajuda, mas a menina estava muito nervosa e nada conseguiu fazer, seu corpo parecia estar paralisado. Talvez, se tivesse ido buscar ajuda, evitaria que seu pai conseguisse se desprender da imobilização e para maior desespero, reverter a situação e o prender em um golpe de Jiu-jitsu, chamado Mata-leão, podendo a qualquer momento enforca-lo até a morte.
Geralmente não pensamos quando estamos nervosos a esse ponto.
- Sinceramente, não sei o que você viu nesse cara. Não entende que ele só quer te usar, como todos os outros da idade dele?
- Não, pai! Solta ele, por favor. Você vai matá-lo! - A pobre garota estava aos prantos, com medo de ver alí o garoto que amava ser morto.
- Soltar ele? Eu vou soltar ele sim, mas vou solta-lo é dentro de uma delegacia de polícia. Pois é pra lá que ele vai - a esse altura, Luiz parecia um louco, totalmente transtornado.
Quando o mesmo deu as costas, sua filha o acertou na cabeça com um jarro de cerâmica qualquer que estava num canto da parede. Desta vez quem caiu zonzo no chão foi Luiz.
- Amor? Fala comigo. Você está bem? Fala comigo, por favor. Amor?
- Argh... - resmungou, passando a mão em torno do pescoço. - Eu estou bem, amor. Mas, agora precisamos ir.
- Como assim? Ir para onde?
- Vem, me segue.
Então, ele a guiou até um outro cômodo do lugar onde se encontravam, um cômodo nunca visto antes por ela.
Quando entraram, havia muita poeira, devido ao tempo que ele não ia alí, e muitas coisas cobertas também.
- O que são essas coisas? Por que me trouxe aqui? - perguntou ela sem entender.
- Não importa. Só preciso que me responda uma coisa.
- O que? - perguntou mais confusa ainda.
- Você me ama de verdade?
- Como assim? Claro que eu amo!
- Então entra comigo nessa máquina.
- Não. Que máquina é essa?
- Anda, Laís. Não temos tempo. Seu pai jajá nos encontra.
A garota, talvez, por não estar entendendo nada, hesitou.
- Não, Lucas. Só entro nisso quando você me explicar! - apesar da situação, ela mostrou pulso firme.
Mas não havia mais tempo para perguntas nem respostas, Luiz havia os encontrados.
Lucas de repente começou a mexer em alguns botões, o que fez a máquina, com seu formato oval e metálico, acender algumas luzes coloridas no lado interno.
- Laís, vem comigo, por favor! Me dá sua mão! - disse quase chorando.
Quando a garota finalmente resolveu confiar no namorado, já era tarde, seu pai a puxou para trás, pelos ombros, a impedindo de ir para dentro da máquina.
E quando achou que iria também alcançar o adolescente, e como se de repente tudo tivesse ficado em camera lenta, Lucas sussurou de maneira que pudessem entender o que estava dizendo apenas lendo seus lábios "Te amo. Não me esquece, por favor", e então, puxou uma alavanca.
Um clarão absurdo tomou conta do cômodo, que a instantes atrás era escuro, o que deixou pai e filha cegos temporariamente, e quando finalmente conseguiram voltar a enxergar alguma coisa, Lucas havia sumido!
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