Capítulo 27
- Eu não disse que seria uma menina? - Frank sorri de orelha a orelha.
- Agora pode se gabar dizendo que estava certo o tempo todo. - Também sorrio.
Frank me abraça por trás, passa a mão por minha barriga e pergunta:
- Está feliz?
- Com toda certeza sim. - Respondo.
- Ótimo. - Ele beija meu pescoço.
A cada dia que passa me sinto ainda mais feliz, mas eu também fico com medo de que essa felicidade esteja com os dias contados.
Eu disse a mim mesma que não quero ser pessimista, mas é difícil não ficar com receio quando Adele está por aí, e não sabe-se o que ela está planejando.
Tenho esperanças que ela suma e nos deixe em paz, mas também sei que pode estar apenas me iludindo achando que ela não voltará para nós atormentar.
Enquanto não temos notícias suas decidi aproveitar cada segundo ao lado do Frank e Henry como se fosse o último.
- Está com fome? - Frank pergunta.
- Sim, mas deixe que eu mesma cozinhe. - Sorrio largo.
- Não sei porque quer me deixar longe da cozinha, sou um chefe incrivelmente habilidoso. - Frank finge desentendimento.
- Você é muito habilidoso sim, mas em fazer bagunças.
- Que calúnia. - Frank revira os olhos.
Começo a caminhar em direção à cozinha, mas paro quando alguém toca a campainha do apartamento de Frank.
- Henry já chegou da escola? - Olho para o relógio sobre o pulso.
Ainda está cedo para ele chegar em casa, e mesmo que fosse Henry ele tem a chave do apartamento, não iria tocar a campainha.
- Vou ver que é. - Frank fala.
Ele começa a caminhar em direção à porta do apartamento, e assim que se aproxima dela a abre.
Clark está parado com uma mulher ao seu lado, e de longe posso ver que ela não está nem um pouco feliz.
- Podemos entrar? - Clark pergunta para Frank.
- O que vocês querem? - Frank questiona.
- Preciso conversar com você.
Frank o observa em silêncio por um tempo, mas lhe dá passagem para adentrar o apartamento.
- Olá Camy. - Clark sorri fraco.
- Olá. - Digo apenas.
- Como você está? E o bebê? - Clark pergunta.
- Estamos ótimos obrigada.
Frank se aproxima de mim e me abraça, e pela sua feição nem um pouco amigável ele está com ciúmes.
- Pelo jeito reataram o namoro. - Clark sorri largo.
- Sim. - Digo apenas.
- Fico feliz por vocês.
Clark parece estar sendo sincero, e isso só serve para eu sentir ainda mais falta da sua compainha.
Seria fácil se ele demonstrasse ser um homem horrível, eu ficaria brava e o excluiria da minha vida por completo, mas por quê ele tem que ser tão gentil? Isso só serve para eu ter ainda mais dúvidas sobre seu mal caráter.
- O que você quer? - Frank pergunta. - Tenho certeza que não veio aqui para nos parabenizar por estarmos juntos novamente.
Clark enfia a mão no bolso da calça e pega o que parece ser um cheque e estende para Frank.
- O que é isso? - Frank pergunta.
- O dinheiro que deu para a minha mãe.
- Esse dinheiro é meu Clark. - A mulher enfim abre a boca.
Ela dá um pulo sobre o filho, mas Clark não deixa que ela tome o cheque da sua mão.
- Eu não quero esse dinheiro. - Frank fala. - Pode devolver para sua mãe.
- Ouviu? Ele não quer. - Adele diz com ganância.
- Estou lhe devolvendo o dinheiro porque quero a guarda do meu sobrinho. - Clark fala.
- Henry é meu filho, por isso ficará ao meu lado. - Frank diz com seriedade.
- Ele não é seu filho. - Clark nega com a cabeça. - Adele me confessou que você não é o pai do Henry.
- Não sei o que ela disse para você, mas mentiu mais uma vez. - Me entrometo na conversa. - Frank fez o teste de DNA que provou que Henry é seu filho.
- Do que está falando Camy? - Clark me olha incrédulo.
- Fiz vários testes em várias clínicas diferentes para os resultados não serem manipulados por ninguém. - Frank olha para Adele. - Henry é meu filho, então sua mãe mentiu para você novamente.
Clark olha para a mãe e fúria estampa seu rosto nesse momento.
- Você vai me explicar o que está acontecendo Adele?
- É... é claro que eles estão mentindo. - Adele aponta em nossa direção.
- Não me faça perguntar mais uma vez Adele. - Clark dá um passo em sua direção.
- Henry é o filho do Frank. - Ela assume.
- Por que mentiu para mim então? - Clark pergunta.
- Porque eu tentei continuar te manipulando, mas você é um fraco de coração mole. Não achei que iria pegar meu dinheiro, e muito menos que iria querer a guarda do piralho.
- Como pode ser tão má? - Questiono incrédula. - O piralho que se refere é seu neto.
- A única pessoa que amo sou eu mesma, o resto não me importa mesmo que seja a minha família. - Ela diz com desdém.
Essa mulher só pode ser louca por pensar dessa forma doentia. Imagino como deve ter sido difícil para Jessie e Clark cresceram com uma mãe dessa.
- Devolva o dinheiro para ela Clark. - Frank pede.
- Isso querido. - Ela estende a mão. - Devolve o dinheiro da mamãe.
Clark joga o cheque aos seus pés, e Adele se abaixa rapidamente e o pega, em seguida o esconde no decote.
- Eu sugiro que suma das nossas vidas para sempre, porque se aparecer na minha frente novamente eu não serei tão paciente Adele. - Frank diz com seriedade.
- Está.... Está me ame... ameaçando? - Ela gagueja.
Frank caminha em sua direção com um sorriso sombrio nos lábios, e quanto mais ele se aproxima dela mais Adele retrocede.
- Entenda como quiser. - Ele diz. - Se realmente quiser viver em paz desfrutando do dinheiro que lhe dei, eu realmente espero que suma, ou terei que te mostrar como posso ser ainda pior do que você.
- Eu... Eu prometo que nunca mais verão meu rosto novamente. - Ela fala com os olhos arregalados.
Ela dá um pulo para trás quando Frank coloca a mão sobre seu ombro, e começa a correr em direção à porta do apartamento em disparada.
Nunca vi Frank agir tão friamente, mas eu entendo o porque ele fez isso. Se fosse eu no seu lugar eu faria a mesma coisa para proteger quem eu amo.
Adele pode até parecer forte, mas acabei de ver que ela é uma covarde. Eu sei que ainda teremos que ficar atentos mesmo que ela tenha prometido sumir, porque até mesmo os covardes tem seus momentos de coragem.
- Eu queria me desculpar por mim e por minha mãe. - Clark abaixa a cabeça. - Eu sei que não confiam em mim e é aceitável, mas eu realmente sinto muito.
- Eu fiquei com muita raiva de você é sua mãe, mas eu sei que não é uma má pessoa. - Frank fala. - Só teve a infelicidade de cair nos joguinhos da Adele tanto quanto eu.
- Obrigado por confiar em mim. - Clark agradece.
- Não precisa agradecer. - Frank sorri abertamente.
- Eu amo meu sobrinho e quero o melhor para o Henry, e apesar de saber que será um bom pai, eu também desejo fazer parte da vida dele.
- Henry ficará feliz ao saber disso. - Frank aperta seu ombro de leve. - Poderá visitá-lo sempre que quiser.
- Amigos? - Clark estende a mão para Frank.
- Amigos. - Frank retribui o aperto de mão.
Clark se vira para mim, e me olha com tristeza e fala:
- Você foi uma das mais afetadas por minha causa, e apesar de já ter pedido desculpas antes eu quero me desculpar novamente.
- Se realmente está sendo sincero eu te perdoou Clark.
O puxo para um abraço apertado que é retribuído por ele.
- Já podem se soltar. - Frank me puxa para o seu lado. - Arrume uma mulher para você meu amigo, essa já tem dono.
- Ciumento. - Sorrio de canto.
- Estou muito feliz por vocês dois. - Clark também sorri. - O verdadeiro amor sempre falará mais alto que toda maldade.
- Você tem razão. - Olho para Frank com amor e admiração.
Tudo pode ser mais uma das armações do Clark com a sua mãe, mas eu realmente acredito que ele tenha se arrependido, e talvez de agora em diante seremos capazes de ter uma amizade sincera e sem mentiras.
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