Capítulo 4

- Você? - Indagamos ao mesmo tempo.

É sério isso? Mia tinha que me ajudar arrumar um emprego logo com esse imbecil? Não estou reclamando da sua ajuda, mas eu não faço ideia de como vou trabalhar com esse ser humano desprezível.

- O que pensa que está fazendo no meu apartamento? - Max pergunta com irritação.

- Sou sua nova assistente.

- Mas não vai ser mesmo! - Ele balança a cabeça em negação.

- Eu vou! - Falo com convicção.

- Não vai.

- Eu vou! - Repito.

- Não vai. - Max faz o mesmo.

- Eu vou! - Falo novamente.

- Você...

Max aponta o dedo em minha direção, e pela sua feição ele quer me estrangular nesse exato momento, mas é óbvio que ele nunca vai chegar perto de mim o suficiente para fazer isso.

- Quero você fora do meu apartamento agora mesmo. - Ele aponta em direção à porta.

Me sento da poltrona com muita calma, cruzo minhas pernas e em seguida faço o mesmo com os braços, enquanto um sorriso de deboche surge em meus lábios.

- Me coloque para fora então. - Falo.

- Você não sabe do que sou capaz Lauren.

- Você também não imagina o que sou capaz de fazer. - Arqueio a sobrancelha.

- Sai da minha casa droga! - Ele se exalta.

- Você gostando de mim ou não, terá que ver meu lindo rosto por um longo período de tempo, porque eu não tenho intenção alguma de perder esse emprego Max.

- Você só pode estar de brincadeira. - Ele esboça um sorriso incrédulo.

- Não gosto de você tanto quanto você não gosta de mim, mas eu não pretendo...

- Não me interessa o que você pretende ou não, apenas suma da minha frente. - Ele me corta.

Eu sei que Max tem mania de limpeza, mas isso não lhe dá o direito de ofender as pessoas como ele faz normalmente.

Não nós damos bem desde a primeira vez que nos vemos. Acabei tropeçando nelo por acidente, e o idiota gritou comigo por eu ter tocado nele, e eu não aceito que homem algum grite comigo.

Desde então não nos suportamos, e as poucas vezes que eu vi Max foi na presença da Mia, e apesar de sempre trocarmos algumas palavras "carinhosas", eu tentava ser educada pela minha amiga.

Nunca odiei tanto um homem quanto odeio Max, mas eu vou deixar meu orgulho de lado e vou agir como uma profissional, e se ele pensa que vou deixar esse emprego está redondamente enganado.

- Não vai sair da minha casa? - Ele questiona.

- Não. - Nego com a cabeça.

Max me fuzila com o olhar, e então enfia a mão no bolso do moletom e pega o seu celular.

Continuo o observando calada, porque eu sei que ele vai ligar para o Daniel, e é exatamente isso que ele faz.

Max se distância e então entra no que parece ser a cozinha, e mesmo estando longe ainda escuto ele resmungando algumas coisas.

Max pode até ser meu chefe, mas foi Daniel quem me contratou, então não estou nem um pouco preocupada em ser demitida, porque eu sei que ele não fará isso.

Daniel parecia desesperado por alguém maluca o suficiente para trabalhar com Max, e agora que ele me achou não irá me dispensar.

Quando ele me alertava sobre meu chefe ser um chato ele realmente estava certo, porque Max é um homem difícil de lidar, e impossível de agradar.

Não que eu queira agradar ele de alguma forma, mas eu queria um ambiente de trabalho tranquilo onde eu fosse respeitada, e que dessem o valor que eu mereço, mas não será dessa vez que isso irá acontecer.

Por eu não ter ouvido Max e ido embora, ele fará de tudo para me expulsar, porque ele pode até ser um homem adulto, mas ainda é mimado, e quando não fazem o que ele quer ele age como uma criança pirracenta.

Posso até me preparar porque ele vai infernizar minha vida para eu me demitir, mas o que ele não sabe é que eu também sei jogar sujo.

Sou uma pessoa muito boa e compreensiva, mas é melhor não me deixar irritada porque eu também sei ser um completa cretina quando quero.

Não nos conhecemos, mas Max sabe que eu não abaixo minha cabeça para ele como a maioria das pessoas, e por esse motivo ele me odeia ainda mais.

Todas às vezes que ele foi grosso comigo eu retribui da mesma forma, porque não sou obrigada a aguentar calada homem escroto.

Seria mais fácil sair de perto e ignorar? Com toda certeza seria, mas eu não sou tão calma o suficiente para fazer isso.

Se me der um tapa eu dou dois, se gritar comigo eu grito de volta, porque foi assim que eu aprendi a viver ao longo da minha vida.

A maior parte da minha infância vivi sozinha, então eu tive que aprender a me proteger só, e como eu aprendi não foi com a bondade humana.

Por crescer cercada de pessoas de índoles duvidosa, ainda assim me tornei uma mulher de caráter e que odeia injustiças.

Sou muito boa, mas também sei ser má para me defender, e eu não tenho nenhuma vergonha de assumir isso, porque essa é a única arma que possuo para me blindar de muitas coisas.

Me ferrei muito na minha vida, mas fui forte o suficiente para me levantar todas às vezes que eu cai, porem as marcas das cicatrizes da alma nunca somem leve o tempo que levar.

Talvez por eu não ter crescido cercada de amor eu seja dessa forma, mas ainda assim acho que eu poderia ter me tornado uma pessoa bem pior.

Não tenho família, e as únicas pessoas que eu amo e confio são minhas amigas, e por elas eu coloco minha mão no fogo, porque eu sei que elas fariam o mesmo por mim, e que são amigas verdadeiras.

Elas são as únicas coisas boas que tenho na minha vida, e por causa delas eu não estou vivendo sozinha nesse lugar caótico chamado mundo.

Depois de anos só encontrei pessoas que posso chamar de família, porque é isso que nós somos, uma grande e barulhenta família.

Somos diferentes, temos opiniões diferentes, mas sabemos nos respeitar, e sabemos dar espaço uma as outras. Quando é para elogiar fazemos isso, mas quando é para dar um puxão na orelha também fazemos isso sem receio algum, porque confiamos umas nas outras.

- Ainda não foi embora? - Max pergunta me tirando dos meus devaneios.

- Por que eu iria embora? - Retruco.

- Porque eu mandei. - Ele responde.

- Você tem algum problema de audição? - Pergunto. - Eu já disse que não irei.

- Você é uma...

- Sou uma o que Max? - O corto. - Se vai me ofender pra ver se eu desisto desse emprego nem perca seu tempo tentando.

Ele é exatamente assim, quando não consegue o que quer passa para a ofensa, e isso é tão infantil para qualquer ser humano.

- Não vou trabalhar com uma porca!

- Sinto muito, mas você vai sim. - Sorrio largo.

- Eu não. - Ele bate o pé.

Jogo a cabeça para trás e gargalho alto, porque a cena na minha frente é realmente engraçada.

- É sério isso? Vai agir como uma criança pirracenta? - Pergunto ainda rindo.

- Eu não sou pirracento. - Ele se irrita ainda mais.

- Olhe a forma como está agindo. - Reviro os olhos. - Isso não é ser pirracento?

Pelo jeito não adiantou de nada sua ligação para Daniel, caso contrário ele já teria jogado na minha cara que eu estava demitida, mas ele não fez isso.

Me levanto calmamente, e então começo a caminhar em direção ao Max. Vejo que ele está louco para fugir, mas o seu orgulho o impede de sair do lugar.

- Daniel me passou sua agenda de...

- Sai de perto de mim, está poluindo meu ar.

Coloco a mão na nuca do Max que se assusta com a minha atitude, e mais do que depressa puxo seu rosto em direção ao meu e lhe dou um beijo e me afasto.

- Agora não é só seu ar que está poluído, seus lábios também. - Sorrio com malícia.

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