Capítulo 1
Abro os olhos lentamente e começo encarar o teto do quarto quando escuto o despertador começar a tocar.
Apesar de ainda estar morrendo de sono preciso me levantar para ir para o meu primeiro dia de trabalho, por isso me sento na cama lentamente.
Quando meus olhos passeiam pelo quarto me bate um repentino desânimo, porque terei que fazer uma faxina muito em breve.
Não sou conhecida por ser uma pessoa muito organizada, e meu quarto é a prova viva disso.
Não tenho dinheiro sobrando para pagar alguém para fazer a limpeza por mim, então eu mesma terei que fazer isso apesar de odiar.
Na verdade acho que até seria covardia com alguma pessoa se eu a contratasse para limpar o apartamento, porque está tudo tão desorganizado que chega doer os olhos.
Seria bem mais fácil se eu não deixasse chegar no estado que está? Com toda certeza seria, porem quando chegava do meu antigo e desgastante trabalho tudo que queria fazer é dormir, e mais nada.
Já faz uma semana que fui demitida porque do nada o rosto de um homem escroto por acidente acabou batendo em minha mão, por esse motivo bobo acabei sendo mandada embora.
- Algum dia serei rica. - Digo com convicção.
Pego uma mexa do meu cabelo e dou uma cheirada, e percebo que não está tão ruim assim, logo em seguida faço o mesmo com minhas axilas.
- Ninguém vai me cheirar mesmo. - Dou de ombros.
Me levanto da beirada da cama após decidir não tomar banho e nem ao menos a arrumo, e então começo a caminhar em direção ao meu guarda-roupa, desviando dos objetos que estão espalhados no chão do quarto.
Abro uma das portas e no mesmo instante sou bombardeada com roupas caindo sobre mim, e o cheiro delas não está tão agradável.
- Se a Mia e a Camy estivesse aqui eu estaria morta.
As duas me ajudavam a deixar meu quarto organizado, mas depois que ambas foram embora após se casarem, comecei a viver sozinha e foi aí que tudo virou uma bagunça novamente.
Tenho em mente que a culpa é minha mesmo por ser tão porca, mas fazer o que se me falta coragem para fazer limpezas todo santo dia?
Me abaixo e pego uma camiseta e uma calça jeans e cheiro as peças, e apesar do odor em minhas narinas não estar dos melhores, decido vesti-las mesmo assim.
Tiro meu pijama e jogo sobre a pilha de roupas aos meus pés, e logo em seguida passo desodorante nas minhas axilas, e então visto as peças de roupas que escolhi.
Passo um pouco de perfume e cheiro a camiseta, e percebo que o cheiro de mofo se mistura com o do perfume e não vira algo agradável.
Não me importo com o cheiro e então caminho em direção ao banheiro, e assim que o adentro pego minha escova para escovar meus dentes, porque não sou tão porca assim.
Na verdade eu sou muito porca, mas a minha boca eu mantenho bem limpa todos os dias. Deveria manter a limpeza em todas as áreas da minha vida? Deveria, porém me falta coragem.
Após escovar os dentes, lavar meu rosto e arrumar meus cabelos volto para o quarto, e assim que vejo o horário no relógio sobre o criado mudo percebo que estou na merda.
- Que droga!
Corro em direção à porta do quarto, mas como era de se esperar acabo tropeçando nas minhas bagunças e caio de cara no chão.
- Ai!
Me levanto tão rápido quanto me caí, e novamente começo a correr em direção sala e pego minha bolsa sobre o sofá, e com a mesma pressa saio do apartamento após abrir à porta.
Eu não sou tão atrapalhada, mas acabo ficando quando estou sob pressão, por isso evito ao máximo me colocar sobre situações que eu não saberia lidar.
- Aqui! Aqui! - Aceno frenéticamente.
Por sorte assim que saio do apartamento vejo um táxi vindo em minha direção, e para melhorar ainda mais o meu humor ele para.
Entro no carro rapidamente e fecho à porta, e logo em seguida passo o endereço ao motorista e coloco o cinto de segurança.
- A senhorita está bem? - O homem pergunta.
- Estou sim. - Afirmo com a cabeça.
- Seu nariz está sagrando. - Ele avisa.
Passo a mão pelos meus lábios e só então percebo que realmente estou sagrando.
- Quer ir ao hospital? - Ele questiona.
- Não precisa. - Nego com a cabeça. - Eu estou bem.
- Ok.
O motorista começa a dirigir enquanto abro minha bolsa e pego um pedaço de papel higiênico para me limpar.
Fiquei tão apurada que nem ao menos percebi que estava sangrando, e se o homem não tivesse me dito provavelmente teria chegado no meu novo emprego com o rosto sujo.
Eu trabalhei como auxiliar de cozinha em um restaurante por muitos anos, mas meus antigos chefes venderam o estabelecimento porque iriam se aposentar, só que antes de sairem pediram para o novo comprador manter meu trabalho.
Inicialmente ele tratou com muito profissionalismo e educação, mas conforme o tempo foi se passando fui percebendo que ele não era tão gentil quanto parecia ser.
Eu percebia seus olhares nojentos sobre as outras funcionárias, e até mesmo as apalpavas quando pensava que estavam a sós, e quando ele tentou fazer o mesmo comigo eu soquei a sua cara escrota.
Óbvio que fui demitida no minuto seguinte, mas mesmo que eu não fosse teria pedido demissão, porque eu jamais me sujeitaria a sofrer assédio por causa de um emprego.
Eu sei que alguns podem até pensar que é orgulho já que eu precisava do emprego, e outros até aceitam passar por esse tipo de humilhação porque precisam do salário, mas eu me conhecendo como me conheço sei que iria acabar cometendo um crime.
Nunca aceitei homem algum tocar a mão em mim sem a minha permissão, e não será por causa de um emprego que irei deixar isso acontecer.
Reconheço que sou frágil perto da força bruta de um homem, mas eu não desisto de me proteger, e faço isso até onde consigo, e foi através da minha coragem, loucura, e força de vontade que me livrei de muita coisa ruim.
Por sorte tenho boas amigas, e foi uma delas que me ajudou a arrumar um novo emprego.
Mia não me deu detalhes sobre meu emprego, apenas me passou o endereço e disse para eu falar com o senhor King quando eu chegasse no local, e também disse para eu não me atrasar. Apesar de saber que algo nessa história está mal contata, não falei nada e nem fiz perguntas porque afinal ela me arrumou o emprego.
Hoje é meu primeiro dia de trabalho, e apesar de não ser uma pessoa ansiosa, tenho que assumir que estou um pouco nervosa.
Talvez seja pelo fato de eu não saber pra quem irei trabalhar ou o que irei fazer, e isso está me deixando um pouco desconfiada e curiosa.
Eu realmente espero que dessa vez meu chefe seja um cara gentil, e não um escroto grosso que ama pisar nas pessoas sem motivo ou pena alguma.
Minha vida já é complicada demais para eu ainda ter que lidar com um chefe ranzinza e chato.
🌻
- Chegamos senhorita. - O motorista fala ao parar o carro.
Pego a quantia de dinheiro da corrida em minha carteira e entrego para ele, e após agradecer e me despedir tiro o cinto de segurança e saio do carro, fechando à porta logo em seguida.
Minhas mãos estão suadas de nervoso, algo que é novo para mim, então as enxugo na calça e ao olhar para o prédio em minha frente percebo que fiz a pior escolha possível de roupa.
- Estou na merda. - Murmuro baixinho.
Não dá tempo de voltar em casa para me trocar, então terei que ir encontrar meu novo chefe ou talvez não mais, parecendo uma mendinga.
🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻
Bom dia!
Tudo bem com vocês?
Hoje inicio as pastagens de mais um livro da série rendidos, e espero de coração que vocês gostem da estória da porquinha Lauren! 😍🐷
Por enquanto estarei postando capítulos duas vezes na semana, mas quando eu estiver apurada será apenas uma postagem, então até quinta-feira. Tenham um bom dia e fiquem com Deus! ❤
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